Por aqui, só se fala nisso. Casamento, apartamento, orçamento. O que, inevitavelmente, faz a gente ficar em confinamento. Alguns dizem que são gastos, enquanto eu insisto: é investimento. Investimos em uma vida a dois, só nós dois, como a gente diz: curtindo o momento.
A tarefa mais difícil é descrever o sentimento. Ficamos felizes e bobos, fazemos contas, discutimos se é isso ou aquilo. Tudo ao mesmo tempo. Por exemplo: da janela da área de serviço tem que se fazer o fechamento. “Tá entrando poeira por causa do vento”. Da parede do quarto, temos que saber o comprimento. Será que vai caber o armário, a cama e um criado-mudo sem sofrimento?
Aproveitamos a fase. É diversão e não divertimento. Cada metro quadrado que vai preenchendo nossos espaços aumenta o batimento. Escolhemos músicas para a igreja. Dividimos cada detalhe da decoração. Bem, essa parte até que eu tento.
É assunto pra dar e vender. É tanta coisa pra ver que nem comento. E depois disso tudo, já tá decidido: vamos precisar de um tratamento. Uma viagem. Lua de mel. Só nós dois. De volta ao confinamento.
