O livro conta que a aldeia, onde as “Criaturas de Ñanderu” viviam, era muito animada porque tinha a avô que contava muitas histórias. Delas, muitas eram lendas, mas, mesmo assim, ficavam todos ao redor para ouvir o que a avó dizia.
Ela conta que havia uma bela índia, que não era muito alegre. Um dia, seu pai chegou com um fecho de lenha na cabeça, deu um grito bem forte e disse: – de hoje em diante você, Cunhã, tem nome de pássaro. Ele falou: – se algum dia você sair da aldeia, não se esqueça do nosso povo. Sempre que possível era para ela voltar lá para visitá-lo. O grande espírito pediu-lhe uma coisa muito importante, que ela não deveria se esquecer de suas tradições e nem de suas origens.
À medida que a linda cunhã foi crescendo, foi criando belas asas. Essas transformações aconteciam somente quando ela conversava com os encantados. Com um tempo, o cabelo dela foi crescendo e foi cobrindo-lhe as asas. Quando havia suas transformações, o cabelo dela ia crescendo ainda mais e ia ficando bem escuro. Os seus olhos eram da cor dos cabelos.
A linda índia saiu da aldeia e foi para cidade grande. Quando ela chegou lá, ficou encantada com tanta coisa e se esqueceu do seu povo. Com um tempo, ela queria voltar para aldeia, mas ela já não tinha mais como. Na cidade ficou presa. Quando ela pensava em voltar, seu choro, acompanhado de seu canto negro, formava nuvens escuras e o povo da aldeia sabia que era ela querendo voltar.
Marilia Ferreira
