Uma hora ou outra era hora de se despedir. Cada um tinha que seguir seu caminho. Abraço bem apertado, beijo com carinho, “não queria ir, mas é a vida”, “se cuida”. Alguns passos depois, olhava para trás para te ver um pouco mais. Você também estava olhando. Nossos olhos brilhavam. Numa manhã qualquer, você no quarto, eu na cozinha. Você gritava meu nome sem parar. A gente no sofá, abraçado, como se não tivesse mais nada ao nosso redor.
Agora, ficamos na lembrança. Você seguiu o seu caminho. Bateu a porta. E fiquei olhando para trás, mas não encontrei seu olhar. Não escuto mais você me chamando. Sobrou um vazio.
Se pudesse apagaria tudo. Pegaria esse papel, queimaria e me esqueceria de tudo. Na falta de lembranças, nada sobra. Mas pra que apagar aqueles sorrisos? Pra que apagar seu olhar? Uma hora, as lembranças vão ser acompanhadas de sorrisos. Os soluços vão se espaçando e passam. A vida segue o caminho.