anteontem, mais precisamente às 21:33, enviei uma mensagem de texto pra uma grande amiga pedindo urgência sobre uma informação. a resposta só veio no dia seguinte, às 15:57, com a seguinte justificativa: desculpa a demora em responder, foi a correria. agradeci e comentei que por sorte eu não estava precisando de ajuda, caso contrário a última pessoa que teria me amparado seria ela. por incrível que pareça, ela levou essa minha resposta na brincadeira e ainda disse que, diariamente, quando acorda pela manhã, dá prioridade às mensagens dos clientes pra depois conferir as enviadas pelas pessoas íntimas. ainda no papel de amigo sincero, coisa que todo mundo deveria ser, alertei que as prioridades dela estavam invertidas, pois duvido que os clientes estarão disponíveis pra dar suporte nos momentos em que ela precisar de apoio. outra risada.
no texto anterior relatei a triste constatação de um amigo ao se dar conta de que não é prioridade pra ninguém na cidade onde está morando há pouco tempo (ele transferiu residência para os estados unidos). o texto de hoje é justamente o contrário: é sobre não dar valor a quem te trata como prioridade.
eu classifico minhas relações interpessoais em dois grupos de relevância: o das amizades íntimas e o grupo das não-íntimas. nesses dois estão inclusos familiares, clientes, galera da época da escola, da faculdade, das empresas por onde passei, do mundo da música etc. tem muito familiar que não faz parte nem do meu contato social, enquanto há pessoas que conheci nas redes sociais ou em algum trabalho pontual que se tornaram grandes amizades. a diretriz pra compor cada grupo é simples: quem merece atenção plena e quem eu não tenho a menor responsabilidade de dar suporte emergencial. e garanto uma coisa: nenhuma das pessoas que me têm como íntimo pode reclamar da minha ausência. eu sempre estou disponível quando elas precisam.
eu sei que ninguém tem o dever de estar disponível 24 horas por dia, mas a alcunha de amizade íntima requer algumas responsabilidades. a menor delas é se colocar à disposição quando for preciso (por isso que não faz sentido alguém dizer que tem diversas amizades íntimas, pois será humanamente impossível dar suporte a todas). eu fico extremamente irritado quando uma amizade íntima demora quase um dia inteiro pra retornar o contato, exceto quando acontece algum imprevisto ou incidente. caso contrário, não há nenhum motivo razoável pra essa ausência. por esta razão achei tão deprimente quando minha amiga, que sempre fez questão de se dizer íntima, demorou pra responder uma solicitação que alertei ser urgente. e, pior, ainda encheu a boca pra dizer que a prioridade são os clientes, e que só depois de dar atenção a todos eles é que vai atender aos íntimos. como as pessoas são apaixonadas por dinheiro…
claro que a pessoa à qual me refiro neste texto deixou de fazer parte do meu grupo de amizades íntimas. no exato momento em que li a justificativa tacanha dela, meu cérebro já a remanejou para o grupo das que não tenho responsabilidades emergenciais. ou seja, agora tenho mais tempo pra dedicar a quem merece.
esse meu método de diferenciar o nível de atenção concedida a cada pessoa pode parecer cruel, mas é apenas racional e meritocrático. essa conversinha fiada de que não se deve esperar reciprocidade do outro só funciona quando não temos relação de intimidade. do contrário, eu exijo reciprocidade à altura! ou vai dizer que você não espera que seu namorado lhe dê a atenção devida? que você acha normal um grande amigo lhe tratar com desprezo? duvido!
quando estivermos à beira da morte, jovens ou idosos, quais serão as pessoas que sentiremos falta por não estarem ali conosco, do nosso lado? porém, como as estamos tratando agora, enquanto temos saúde plena? elas estão recebendo o devido valor e a devida atenção? pois é, uma semente plantada só germina quando regada constantemente, e cabe ao jardineiro perceber isso antes de exigir que a árvore cresça e dê frutos.