Rina — O Toque que Cura
Capítulo 3 — A Mesma Pergunta
Quando a cidade apareceu no horizonte, Sol disse:
"Registre-se na Guilda. Precisa disso para vender materiais ou aceitar missões."
"O que é a Guilda?"
"Uma associação de aventureiros. Registra seu status e define seu rank."
Rina pensou por um momento.
"Se o rank for baixo, isso causa algum problema?"
"Vão rir de você."
"Só isso?"
Sol olhou para ela de soslaio.
"…Você é realmente estranha."
---
A cidade era maior do que ela imaginava.
Ruas de paralelepípedo, barracas, pessoas circulando — diferente das cidades que ela conhecia da vida anterior, mas o cheiro de um lugar onde as pessoas se reúnem era o mesmo. Comida, suor, o rastro da vida cotidiana.
A Guilda ficava no centro da cidade.
Quando abriu a porta, um ar misturado de fumaça e álcool veio ao encontro dela. Uma recepcionista no balcão, mesas ao fundo, homens e mulheres robustos sentados cada um à sua maneira.
No momento em que Rina entrou, alguns olhares se voltaram para ela.
Uma jovem pequena e um rapaz de robe.
Não parecia uma combinação incomum — os olhares logo se desviaram.
---
No balcão, pediram o registro do status.
Ela colocou a mão no círculo mágico. Os números apareceram. A recepcionista começou a registrar — e parou.
"…Pode confirmar novamente, por favor?"
Ela colocou a mão de novo. Os mesmos números.
A recepcionista, ainda com uma expressão confusa, sussurrou algo para a colega ao lado. A colega olhou para a tela e arqueou as sobrancelhas.
Um homem de uma mesa próxima se levantou. Espiou a tela e riu.
"Ei, olha isso. Ataque 3."
Risos se espalharam.
"HP 12? Menos que uma criança."
"Tá escrito guerreira. Guerreira com HP 12."
Rina olhava para os números. Ouvia as risadas.
Não disse nada.
Raiva não veio. Só calculava mentalmente — o ponto atual, o ponto de chegada, e o que era necessário para percorrer essa distância.
"Posso fazer uma pergunta?"
A recepcionista respondeu, ainda confusa. "S-sim?"
"Vocês têm uma lista de compra de materiais? Se possível, informações sobre materiais relacionados ao Exército do Rei das Trevas."
As risadas diminuíram um pouco.
"…Materiais do Exército do Rei das Trevas?"
"Tenho interesse nos materiais coletáveis das criaturas do Exército. Especialmente a composição de órgãos e fluidos com carga mágica."
Silêncio total.
O homem deu uma risada pelo nariz. "HP 12 quer coletar materiais do Exército do Rei das Trevas? Quer morrer?"
"Não quero morrer. Por isso estou pesquisando."
Quando o homem ia responder, uma voz veio de uma mesa ao fundo.
"Quanto é o Conhecimento de Preparação dessa criança?"
---
Era um velho sentado sozinho num canto. Cabelos brancos presos de qualquer jeito, um robe surrado, um livro grosso sobre a mesa.
A recepcionista respondeu. "…999."
O velho fechou o livro.
Levantou-se e caminhou até Rina. Olhou-a de cima a baixo. Então deu uma pequena risada — de um jeito que lembrava um pouco Sol.
"Interessante. Sente-se."
---
O velho disse que se chamava Gal. Antigo boticário da corte.
"Por que tem interesse nos materiais do Exército do Rei das Trevas?"
Rina respondeu com honestidade. "Porque quero criar um remédio para enfraquecê-lo."
"Enfraquecer", Gal repetiu. "Não derrotar."
"No momento, não tenho força para derrotar. Mas enfraquecer — talvez haja um caminho."
Gal ficou olhando para Rina.
"As criaturas do Exército têm uma anomalia em comum. Sabe qual é?"
"Não sei. Mas—" Rina hesitou um instante antes de continuar. "Acredito que seja descontrole de magia. Minha base ainda é fraca."
Os olhos do velho mudaram.
O sorriso desapareceu. Em seu lugar, algo sério.
"…Onde você aprendeu isso?"
"Memórias de uma vida anterior."
Por um momento, silêncio.
Gal se levantou e entregou a Rina uma folha de papel.
"Uma lista de materiais. Registros de materiais especiais coletáveis do Exército do Rei das Trevas — algo que levei trinta anos para reunir. É seu."
"Por quê?"
"Porque você é a primeira pessoa que encontro em trinta anos pensando a mesma coisa que eu."
O velho virou as costas. Caminhou em direção à saída e, sem se virar, disse:
"Da próxima vez que nos encontrarmos, me mostre pelo menos uma preparação. Aí a gente continua essa conversa."
A porta se fechou.
---
Sol estava ao lado de Rina. As risadas tinham desaparecido sem que ela percebesse.
"Você conhece aquele velho?" Rina perguntou.
"Gal Dorn. Ficou no palácio real até vinte anos atrás. Um boticário lendário." Sol olhou para o papel. "Por que te deu isso?"
"Porque tínhamos a mesma pergunta, ele disse."
Sol não respondeu.
Rina dobrou o papel com cuidado e o guardou.
Quando saíram, a luz da tarde caía sobre o calçamento. O burburinho da cidade voltou. Risadas também, vindas de algum lugar.
Não importava.
Ela relembrava mentalmente a primeira linha da lista.
---
Fim do Capítulo 3
-
