Android-x86
| Android-x86 | |
|---|---|
| Versão do sistema operativo Android (Linux) | |
| Produção | Chih-Wei Huang, Yi Sun, Mauro Rossi, Michael Goffioul |
| Modelo | Código aberto (inclui componentes proprietários) |
| Lançamento | 29 de julho de 2009 (17 anos) |
| Versão final | 9.0-r2 / 25 de março de 2020 |
| Plataformas | x86, x86-64 |
| Núcleo | Núcleo monolítico (Linux modificado) |
| Licença | Licença Apache 2.0 |
| Estado de desenvolvimento | |
| Descontinuado | |
| Página oficial | www |
Android-x86 é um projeto de código aberto que realizou uma portabilidade não oficial do sistema operacional móvel Android — desenvolvido pela Open Handset Alliance — para rodar em dispositivos com processadores x86 da Intel e AMD, ao invés de chips ARM baseados em RISC.[1][2][3]
O projeto foi iniciado em 2009 pelos desenvolvedores Chih-Wei Huang e Yi Sun como uma série de patches para o código-fonte do Android, com o objetivo de permitir sua execução em netbooks, tablets e PCs ultramóveis. Huang foi o principal mantenedor do projeto; os desenvolvedores ativos até 2021 incluíam Mauro Rossi e Michael Goffioul.[4] A última versão estável lançada foi a 9.0-r2, em março de 2020, baseada no Android Pie (Android 9). Desde então, o projeto não recebeu novas versões públicas e foi classificado como descontinuado pelo DistroWatch em 2026.[5]

Visão geral
[editar | editar código]O sistema operacional é baseado no Android Open Source Project (AOSP) com modificações e melhorias voltadas à arquitetura x86. Alguns componentes de baixo nível são substituídos para se adequar melhor à plataforma, como o kernel e as camadas de abstração de hardware (HALs).[6]
O sistema habilita aceleração de hardware OpenGL ES via Mesa quando detecta GPUs compatíveis, incluindo Intel GMA, AMD Radeon, chipsets Nvidia via driver Nouveau, VMware (vmwgfx) e QEMU (virgl). Na ausência de GPU compatível, o sistema pode operar em modo não acelerado por renderização de software. Desde a versão 7.1, esse renderizador por software é implementado pelo projeto SwiftShader.[7]
Como uma distribuição Linux convencional, o projeto disponibilizou imagens ISO pré-compiladas que podem ser executadas em modo ao vivo ou instaladas em disco rígido. A partir da versão 4.4-r2, o projeto também passou a oferecer imagens para criação de pen drives inicializáveis em sistemas UEFI; desde a versão 4.4-r4, esse suporte UEFI foi integrado às próprias imagens ISO.[8]
Os componentes desenvolvidos pelo próprio projeto — além do AOSP — incluem: kernel, instalador, módulos gráficos drm_gralloc e gbm_gralloc, Mesa 3D, SwiftShader, subsistemas de áudio, câmera, GPS, retroiluminação, Camada de Interface de Rádio e sensores.
Histórico de versões
[editar | editar código]A primeira versão formal do projeto, a 0.9, foi lançada em julho de 2009, baseada no Android Cupcake (1.5). Ao longo dos anos seguintes, o projeto acompanhou as principais versões do Android, lançando portabilidades para Donut, Eclair, Gingerbread, Honeycomb, Ice Cream Sandwich, Jelly Bean, KitKat, Lollipop, Marshmallow, Nougat e Oreo.[9]
A versão 9.0, baseada no Android Pie, teve seu primeiro candidato a lançamento disponibilizado em novembro de 2019 e sua segunda versão estável (9.0-r2) em 25 de março de 2020 — esta última atualiza o kernel para o LTS 4.19.110, corrige a inicialização em modo UEFI e inclui correção de áudio para o Microsoft Surface 3.[10][11]
Em junho de 2021, foi lançada a versão 8.1-r6 — última atualização de qualquer branch estável. A última entrada no changelog oficial data de 15 de abril de 2022, quando foi anunciada a criação do branch de desenvolvimento para o Android 11 (r-x86), sem que nenhuma versão pública tenha sido gerada a partir dele.[12]
| Versão | Android base | Data de lançamento | Estado |
|---|---|---|---|
| 0.9 | 1.5 (Cupcake) | 29 de julho de 2009 | Descontinuada |
| 1.6 | 1.6 (Donut) | 20 de novembro de 2009 | Descontinuada |
| 2.2 | 2.1 (Eclair) | 30 de junho de 2010 | Descontinuada |
| 2.3 | 2.3 (Gingerbread) | 28 de agosto de 2011 | Descontinuada |
| 3.2 | 3.0 (Honeycomb) | 28 de agosto de 2011 | Descontinuada |
| 4.0 | 4.0.3 (Ice Cream Sandwich) | 1 de janeiro de 2012 | Descontinuada |
| 4.2 | 4.2 (Jelly Bean) | 25 de dezembro de 2012 | Descontinuada |
| 4.3 | 4.3 (Jelly Bean) | 25 de julho de 2013 | Descontinuada |
| 4.4 | 4.4.2 (KitKat) | 8 de agosto de 2014 | Descontinuada |
| 5.1 | 5.1.1 (Lollipop) | 7 de outubro de 2015 | Descontinuada |
| 6.0 | 6.0.1 (Marshmallow) | 13 de setembro de 2016 | Descontinuada |
| 7.1 | 7.1.2 (Nougat) | 8 de junho de 2017 | Descontinuada |
| 8.1 | 8.1.0 (Oreo) | 15 de janeiro de 2019 | Descontinuada |
| 9.0 | 9.0.0 (Pie) | 27 de fevereiro de 2020 | Última versão estável |
Compatibilidade com aplicativos
[editar | editar código]Por ser baseado no Android 9 Pie (API 28), o Android-x86 é compatível com aplicativos que declaram suporte até essa versão. A partir de 2021–2022, o Google passou a exigir que novos aplicativos publicados na Google Play tivessem como alvo o Android 12 (API 31) ou superior, tornando grande parte do catálogo atual incompatível com o sistema. Aplicativos lançados ou atualizados após esse período podem recusar a instalação ou apresentar comportamento instável.
Descontinuação
[editar | editar código]O projeto entrou em estado de inatividade progressiva a partir de 2021, resultado de uma combinação de fatores técnicos, estruturais e de mercado.
Do ponto de vista técnico, o Android foi projetado desde sua origem para a arquitetura ARM, e o Google nunca desenvolveu oficialmente suporte x86 como prioridade — o esforço de manter a portabilidade atualizada a cada nova versão do Android recaía inteiramente sobre os voluntários do projeto, sem suporte ou recursos da Google.[13] Do ponto de vista de mercado, a dominância crescente da arquitetura ARM — impulsionada pela eficiência energética dos chips móveis e, mais recentemente, por processadores ARM de alto desempenho como o Apple M1 — reduziu o argumento de que x86 seria necessário para rodar Android em hardware mais potente.[14] Além disso, alternativas como o Windows Subsystem for Android (WSA), lançado pela Microsoft em 2021, e emuladores como o BlueStacks passaram a cobrir o caso de uso mais comum do Android-x86 — rodar aplicativos Android em PCs — de forma mais acessível ao usuário comum, sem necessidade de instalação de um sistema operacional separado.
A ausência de novas versões públicas após o Android 9 — enquanto o Android avançou até as versões 10, 11, 12, 13, 14, 15 e 16 — gerou questionamentos crescentes na comunidade.[15] O DistroWatch, referência independente no rastreamento de distribuições Linux, classificou o Android-x86 como descontinuado.[16] O site oficial permanece acessível, mas estático, sem atualizações de conteúdo desde 2022.
Projetos relacionados
[editar | editar código]Projeto Celadon
[editar | editar código]Um projeto relacionado, Celadon (anteriormente Android-IA), foi desenvolvido pela Intel para executar o Android em dispositivos UEFI mais recentes. O projeto reutilizou o módulo HAL gráfico drm_gralloc do Android-x86 para oferecer suporte ao hardware Intel HD Graphics e declarou como objetivo impulsionar o suporte e a inovação do Android na arquitetura Intel.[17]
Remix OS
[editar | editar código]A Jide Technologies firmou parceria com Chih-Wei Huang para desenvolver o Remix OS, derivado de código fechado do Android-x86 voltado a PCs convencionais. A primeira versão beta do Remix OS para PC foi disponibilizada em 1 de março de 2016. O projeto foi descontinuado em 17 de julho de 2017.[18]
BlissOS
[editar | editar código]O BlissOS é um fork ativo e de código aberto baseado no Android-x86, com suporte a versões mais recentes do Android e a uma gama maior de hardware. É atualmente a alternativa mais desenvolvida ao projeto original.[19]
Android TV x86
[editar | editar código]Em novembro de 2020, um membro sênior do XDA Developers criou o Android TV x86, derivado voltado a fornecer a interface Android TV em PCs, aproveitando a base de código do Android-x86.[20]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ «DistroWatch Weekly, Issue 767, 11 June 2018». DistroWatch. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Android-x86 4.0 review - Not impressed». Dedoimedo. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Android-x86 Just Might Make a Good Linux Desktop Alternative». LinuxInsider. 20 de março de 2014. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Android-x86 Google Group». Google Groups. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «DistroWatch.com: Android-x86». DistroWatch. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Android-x86 – Porting Android to x86». android-x86.org. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Android-x86 – Porting Android to x86». android-x86.org. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Android-x86 Release 4.4». SourceForge. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Android-x86 Changelog». android-x86.org. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Release Note 9.0-r2». android-x86.org. 25 de março de 2020. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Android-x86 9.0-r2 Released With Updated Kernel, UEFI Boot Fix». Phoronix. 25 de março de 2020. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Android-x86 Changelog». android-x86.org. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «What is Android x86? Are there Android for x86 Alternatives?». Esper. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Android X86: The Future of x86 systems». Emteria. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Is Android x86 dead?». Google Groups – android-x86. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «DistroWatch.com: Android-x86». DistroWatch. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Celadon – Android Open Source Platform for Intel Architectures». 01.org. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «[ANNOUNCEMENT] Release of Remix OS for PC Beta version». XDA Developers. 1 de março de 2016. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Bliss OS For PC». blissos.org. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Android TV x86 lets you repurpose your old PC into a media streamer». XDA Developers. 14 de novembro de 2020. Consultado em 17 de janeiro de 2026