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Bertelsmann

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Bertelsmann SE & Co. KGaA
Logotipo usado desde 2011
Sede em Gütersloh
Nome(s) anterior(es)Bertelsmann AG (1971-2012)
Privada
AtividadeMeios de comunicação social
Fundação1 de julho de 1835[1]
Fundador(es)Carl Bertelsmann
SedeGütersloh, Alemanha
Área(s) servida(s)Mundial
Proprietário(s)Bertelsmann Stiftung
Pessoas-chave
  • Thomas Rabe[2] (presidente e diretor-executivo)
  • Carsten Coesfeld (membro do conselho executivo)[3]
  • Thomas Coesfeld (membro do conselho executivo)[4]
  • Rolf Hellermann (diretor financeiro)[5]
  • Immanuel Hermreck (diretor de recursos humanos)[6]
  • Christoph Mohn[7] (presidente do conselho fiscal)
Empregados74.607 (2024)[8]
Produtos
Subsidiárias
Ativos€ 32,951 bilhões (2024)[8]
Receita€ 18,988 bilhões (2024)[8]
Lucro€ 1,036 bilhão (2024)[8]
Websitebertelsmann.com
  • Notas de rodapé / referências
  • Patrimônio líquido: € 15,647 bilhões (2024).[8]

Bertelsmann SE & Co. KGaA, mais conhecida como Bertelsmann (pronunciado [ˈbɛʁtl̩sˌman] (escutarⓘ)), é um grupo empresarial multinacional privado alemão, com sede em Gütersloh, na Renânia do Norte-Vestfália, Alemanha. É um dos maiores conglomerados de mídia do mundo e atua também no setor de serviços e em tecnologia educacional.[9][10]

A Bertelsmann foi fundada como editora por Carl Bertelsmann em 1835.[11] Depois da Segunda Guerra Mundial, sob a direção de Reinhard Mohn, a Bertelsmann passou de uma empresa de médio porte a um grande conglomerado, oferecendo livros, televisão, rádio, música, revistas e serviços.[12] Suas principais divisões são RTL Group, Penguin Random House, BMG, Arvato, Bertelsmann Marketing Services, Bertelsmann Education Group e Bertelsmann Investments.[13] A Bertelsmann não tem ações negociadas em bolsa, mas se orienta pelo mercado de capitais,[14] e permanece sob controle principalmente da família Mohn.[15][16]

História

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1835-1933

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Logotipo original da C. Bertelsmann Verlag, visto no túmulo de Carl Bertelsmann em Gütersloh

A origem do grupo está na C. Bertelsmann Verlag, editora fundada por Carl Bertelsmann em Gütersloh em 1 de julho de 1835.[17] Carl Bertelsmann era ligado ao movimento protestante de avivamento de Minden-Ravensberg e publicava seus escritos.[18] A C. Bertelsmann Verlag, que a princípio se especializou em literatura teológica, ampliou seu catálogo para livros escolares e didáticos. Nas décadas de 1920 e 1930, passou a publicar com frequência cada vez maior obras de ficção de entretenimento.[19]

1933-1945

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Na Alemanha Nazista, a editora conquistou uma posição de destaque com as Bertelsmann Volksausgaben, edições populares vendidas a preços baixos.[20] Livros de aventura de guerra tiveram grande êxito comercial, entre eles Fliegerbuch, de Werner von Langsdorff, sobre aviação.[21] Heinrich Mohn pertencia ao círculo de patronos da SS e procurou transformar sua empresa em um modelo de empreendimento nacional-socialista.[22] Na Segunda Guerra Mundial, a C. Bertelsmann Verlag tornou-se uma das principais fornecedoras da Wehrmacht,[23] superando até a Franz Eher, editora central do Partido Nazista.[24] Entre 1939 e 1941, a receita da C. Bertelsmann Verlag cresceu rapidamente.[25] Trabalhadores judeus submetidos a trabalho escravo não foram empregados em Gütersloh, mas em gráficas na Lituânia com as quais a C. Bertelsmann Verlag mantinha cooperação.[26][27] Em 1944, a Reichsschrifttumskammer fechou a editora para "mobilizar todas as forças para a vitória".[28] Outra causa foi um esquema ilegal envolvendo papel praticado por funcionários da editora,[29] que resultou em julgamento em 1944.[30][31]

1945-1970

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Depois da Segunda Guerra Mundial, a empresa apresentou-se à autoridade de controle dos Aliados como uma editora cristã que teria participado da resistência ao nazismo e sofrido perseguição. Os vínculos com organizações nacional-socialistas foram inicialmente negados. Quando se tornou público que haviam sido feitas declarações incorretas ou, no mínimo, insuficientes, Heinrich Mohn deixou a direção da editora.[32] Reinhard Mohn, um de seus três filhos, assumiu a C. Bertelsmann Verlag. Hans Heinrich Mohn havia morrido na guerra, e Sigbert Mohn ainda era prisioneiro de guerra.[33] Em 1947, os Aliados concederam à empresa uma licença para publicar.[34] Depois da reforma monetária de 1948, uma retração no comércio livreiro levou a C. Bertelsmann Verlag a outra crise que ameaçou sua existência.[35] Nessas condições, a Bertelsmann lançou em 1950 o Lesering, um clube do livro criado para estimular as vendas.[36] Os clientes encomendavam livros por assinatura e recebiam descontos.[37] O negócio foi se deslocando da edição para a venda de livros, mudança decisiva para a expansão seguinte.[38]

Em 1959, a C. Bertelsmann Verlag passou por uma reorganização. A literatura teológica ficou a cargo da recém-criada Gütersloher Verlagshaus, reunida com a Rufer Verlag. Ficção, poesia e publicações de arte passaram para a Sigbert Mohn Verlag. A C. Bertelsmann Verlag concentrou-se em livros de não ficção, sobretudo dicionários, guias, obras de referência e periódicos.[39] Nas décadas de 1950 e 1960, a Bertelsmann entrou em novas áreas. Em 1956, ingressou no mercado musical com o Bertelsmann Schallplattenring, um clube de discos. Dois anos depois, lançou a Ariola, que se tornou uma das gravadoras alemãs de maior êxito comercial,[40] e quase simultaneamente criou a fábrica de discos Sonopress.[41] Com a Kommissionshaus Buch & Ton, empresa de distribuição de livros e áudio da qual surgiu a Vereinigte Verlagsauslieferung (VVA), a Bertelsmann estabeleceu a base de seus negócios de serviços.[42] Em 1964, a Bertelsmann comprou do Deutsche Bank a já desmembrada UFA e ampliou sua presença no cinema e na televisão.[43][44] Em 1969, a Bertelsmann adquiriu participação na editora de revistas Gruner + Jahr. Uma fusão com a Axel Springer, planejada na mesma época e para a qual havia sido obtido temporariamente um empréstimo de milhões junto ao Westdeutsche Landesbank,[45] fracassou em 1970.[46]

1971-1983

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Retrato de Reinhard Mohn, 2008

A partir de 1971, a Bertelsmann passou a funcionar como sociedade anônima, Aktiengesellschaft ou "AG", com o nome Bertelsmann AG.[47] As editoras de livros, que vinham se diversificando, foram reunidas no grupo editorial Verlagsgruppe Bertelsmann no fim da década de 1960.[48] Em 1972, essa empresa mudou-se de Gütersloh para Munique.[49] Divisões centrais permaneceram em Gütersloh, onde um novo edifício de escritórios foi construído em 1976 na sede oficial do grupo.[50] O edifício é a sede da Bertelsmann e recebe o nome de Bertelsmann Corporate Center. O rápido crescimento da empresa trouxe problemas estruturais e financeiros. Na década de 1970, suas necessidades de financiamento chegaram ao ponto mais alto. Entre 1975 e 1980, por exemplo, a rentabilidade sobre as vendas caiu para menos de 1%.[51] A Bertelsmann também enfrentou novas regras regulatórias em seu mercado doméstico, em especial leis sobre fusões empresariais.[52] Grandes aquisições tornaram-se praticamente impossíveis. Ao mesmo tempo, o mercado alemão do Bertelsmann Lesering mostrava sinais crescentes de saturação,[53] enquanto os clubes do livro estrangeiros respondiam pela maior parcela da receita dessa divisão.[54]

A internacionalização iniciada na década de 1960 avançou.[55] A Bertelsmann adquiriu, entre outras participações, ações das editoras Plaza & Janés,[56] sediada em Barcelona, e Bantam Books, de Nova York.[57] A Ariola abriu uma unidade nos Estados Unidos e, em 1979, a Bertelsmann adquiriu a Arista Records da Columbia Pictures.[58][59][60] Durante a recessão de 1979-1980, discutiu-se a sucessão de Reinhard Mohn.[61] Em 1981, ele passou ao conselho fiscal. Manfred Fischer, que antes dirigia a Gruner + Jahr, assumiu como presidente e diretor-executivo.[62] Pela primeira vez, a Bertelsmann era dirigida por um executivo que não pertencia à família proprietária.[63] Mark Wössner sucedeu Fischer como presidente e diretor-executivo em 1983.[64] O caso dos diários falsificados de Hitler ocorreu no início de sua gestão e prejudicou a reputação da Gruner + Jahr e da Bertelsmann como um todo.[65][66]

1984-1993

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Mark Wössner aproximou as subsidiárias da sede em Gütersloh.[67][68] Isso envolveu especialmente o desenvolvimento dos negócios e o controle de gestão.[69] Sob sua direção, a Bertelsmann também adquiriu participação na RTL plus, primeira emissora privada de televisão da Alemanha.[70] Em 1986, comprou participação majoritária na RCA Records e reuniu suas operações no mercado musical no novo Bertelsmann Music Group.[71] A Sonopress, criada em 1958 para fabricar discos, não fazia parte do Bertelsmann Music Group e permaneceu na divisão industrial e de impressão.[72] A empresa também comprou a Doubleday, outra editora conhecida.[73] O grupo ganhou presença internacional e, por algum tempo, foi o maior grupo de mídia do mundo.[74]

No exercício financeiro de 1990/1991, a Bertelsmann tinha mais de 45.000 empregados e vendas anuais de 14,5 bilhões de marcos alemães. Cerca de 63% dos negócios eram realizados fora da Alemanha, e os Estados Unidos eram o principal mercado estrangeiro.[75] Depois da reunificação alemã e do fim da Guerra Fria, a Bertelsmann expandiu-se para a Alemanha Oriental, a Europa Central e o Leste Europeu.[76] Em 1989, por exemplo, a primeira filial do Club Bertelsmann abriu em Dresden.[77] Na década de 1990, a expansão da Internet como meio de comunicação de massa e mudanças na estrutura de propriedade passaram a afetar o desenvolvimento da empresa.[78] Em 1993, Reinhard Mohn transferiu a maioria das participações de capital para a Bertelsmann Stiftung e assumiu a presidência da fundação.[79] A fundação era financiada pelos lucros da empresa.[80]

1994-2000

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Penguin Random House Tower, em Nova York, maio de 2005

Em 1994, a Gruner + Jahr adquiriu as revistas do The New York Times, ampliando novamente a presença da Bertelsmann em mercados estrangeiros.[74] A partir de 1995, a Bertelsmann passou a contar com uma divisão de multimídia. Seu núcleo era a AOL Europe,[81] uma joint venture entre a America Online e a Bertelsmann.[82] A Bertelsmann já havia adquirido antes uma participação direta na America Online.[83][84] A divisão multimídia também reunia mediaWays e Pixelpark.[85] Em 1997, a UFA se fundiu com a Compagnie Luxembourgeoise de Télédiffusion (CLT), formando um grupo de entretenimento sediado em Luxemburgo.[86] A CLT-UFA permitiu à Bertelsmann diversificar fortemente seus negócios.[87] Em 1998, Thomas Middelhoff sucedeu Mark Wössner como presidente e diretor-executivo da Bertelsmann.[88] Middelhoff já integrava o conselho de administração da divisão multimídia.[89] Wössner passou para o conselho fiscal da empresa e também assumiu a presidência da Bertelsmann Stiftung.[90] Em março de 1998, a Bertelsmann vendeu sua editora de jogos eletrônicos BMG Interactive à Take-Two Interactive em troca de 16% das ações da Take-Two.[91]

A mudança na administração coincidiu com a aquisição da Random House.[92][93][94] Com a operação, o grupo tornou-se o maior grupo editorial da Anglofonia.[95] A Random House foi fundida à Bantam Doubleday Dell,[96] e a sede mundial das editoras da Bertelsmann foi transferida para Nova York.[97] Em 1999, a Bertelsmann adquiriu a Springer Science+Business Media, que liderava, entre outros, os mercados de publicações de matemática e física.[98][99] Em 2000, a Bertelsmann encerrou sua joint venture com a AOL Europe.[100] A venda das participações à America Online rendeu bilhões à Bertelsmann.[101] No mesmo ano, a Bertelsmann e a Pearson formaram o RTL Group a partir de suas subsidiárias de televisão.[102] A Bertelsmann começou com uma participação minoritária e aumentou gradualmente sua fatia.[103] Depois, obteve a maioria das ações da RTL por meio de uma troca acionária com o Groupe Bruxelles Lambert (GBL), que recebeu 25,1% da Bertelsmann.[104][105]

2001-2007

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Sob Thomas Middelhoff,[106] a Bertelsmann ampliou seus negócios na Internet.[107] O investimento no Napster recebeu ampla atenção da imprensa.[108][109] Um dos objetivos da aquisição era conter a distribuição ilegal de material protegido por direitos autorais.[110][111] Em 2001, porém, o serviço teve de ser fechado devido a disputas judiciais.[112] A indústria musical apresentou várias reivindicações de indenização contra a Bertelsmann.[113][114] Para financiar a expansão da Bertelsmann, Middelhoff propôs abrir o capital da empresa,[115] ideia que provocou uma divergência profunda com a família Mohn.[116] Em 2002, Gunter Thielen tornou-se presidente e diretor-executivo da Bertelsmann,[117] mudança recebida com críticas por parte da imprensa.[118][119]

Seguiu-se uma fase de consolidação para resolver problemas nos negócios centrais.[120] A Bertelsmann vendeu empresas de comércio eletrônico deficitárias, entre elas a loja virtual da Barnes & Noble.[121][122] A Gruner + Jahr vendeu o Berliner Zeitung,[123] e a editora científica BertelsmannSpringer foi separada do grupo.[124][125] No exercício financeiro de 2003, a Bertelsmann anunciou que reuniria seu negócio musical em uma joint venture com a Sony.[126][127] Cada empresa ficou com metade das ações.[128] A operação buscava responder à queda nas vendas do mercado musical.[129][130] Gunter Thielen também iniciou a recompra das ações pertencentes ao Groupe Bruxelles Lambert, e a família Mohn recuperou o controle integral da Bertelsmann em 2006.[131] A operação também foi financiada pela venda do negócio de edição musical ao Universal Music Publishing Group, da Vivendi.[132][133][134] Durante a gestão de Thielen, o número de empregados da Bertelsmann ultrapassou 100.000 pela primeira vez.[135]

2008-2015

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Thomas Rabe, presidente e diretor-executivo desde 2012

Em 2008, Hartmut Ostrowski foi nomeado presidente e diretor-executivo.[136][137] A Bertelsmann vendeu sua participação na Sony BMG,[138][139] que passou a operar como Sony Music Entertainment.[140] Ainda em 2008, a Bertelsmann adquiriu os direitos da Brockhaus Enzyklopädie,[141] que passou a ser publicada pela Wissen Media Verlag.[142] No fim de 2011, Ostrowski anunciou de forma inesperada que deixaria a Bertelsmann por motivos pessoais não especificados.[143][144] Em 2012, a Bertelsmann deixou de ser uma AG e adotou sua forma jurídica de sociedade em comandita por ações, Kommanditgesellschaft auf Aktien ou "KGaA", tendo como sócia-gerente uma sociedade anônima europeia, Societas Europaea ou "SE". Thomas Rabe passou a exercer a presidência e a função de diretor-executivo em 2012.[145][146]

Em 2013, a Bertelsmann colocou parte de suas ações do RTL Group em negociação na bolsa,[147][148] usando os recursos da venda para financiar a expansão.[149][150] No mesmo ano, a Penguin Random House tornou-se a maior editora de livros do mundo.[151][152] A Bertelsmann adquiriu a totalidade da Gruner + Jahr em 2014.[153][154] Sob Thomas Rabe, o grupo também ampliou seus investimentos em educação.[155] Em 2014, por exemplo, adquiriu a Relias Learning.[156][157] A empresa passou a integrar o Bertelsmann Education Group, criado em 2015.[158] O Club Bertelsmann foi encerrado,[159] e alguns parceiros de distribuição recorreram à Justiça contra a decisão.[160][161] Em 2016, as operações de impressão foram reunidas no Bertelsmann Printing Group.[162]

2016-presente

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Em 2016, a Bertelsmann diversificou sua base ao adotar uma estrutura com oito divisões.[163] Em 2017, reforçou seus negócios centrais e elevou sua participação na Penguin Random House de 53% para 75%.[164][165] Com a retirada parcial da Pearson, a Bertelsmann passou a deter uma maioria estratégica de três quartos no grupo editorial.[166][167][168]

Mudanças na administração aproximaram a Arvato do grupo.[169] Desde então, os dirigentes dos diferentes "Solution Groups" da divisão respondem diretamente a integrantes do conselho executivo da Bertelsmann.[170] A empresa avaliou opções estratégicas para sua operação de gestão de relacionamento com clientes e, em 2018, criou uma empresa de CRM em cooperação com o Saham Group.[171][172] A nova empresa, Majorel, tornou-se uma das maiores do setor na Europa, no Oriente Médio e na África.[173]

A expansão na educação avançou em 2018 com a aquisição da empresa norte-americana OnCourse Learning,[174] uma das maiores aquisições do grupo no mercado dos Estados Unidos.[175] A OnCourse Learning oferece educação continuada e aperfeiçoamento profissional por meio de cursos digitais voltados a clientes dos setores de saúde e serviços financeiros.[176] A Bertelsmann financiou dezenas de milhares de bolsas da Udacity em 2017 e 2019 para treinamento avançado de participantes em áreas como big data, computação em nuvem e inteligência artificial.[177][178]

A Bertelsmann também incentivou maior cooperação entre suas divisões e abriu espaço para projetos com outros grupos de mídia.[179][180] Um exemplo é a Ad Alliance, lançada em 2017, na qual Mediengruppe RTL Deutschland e Gruner + Jahr reuniram a comercialização de seus espaços publicitários.[181] As áreas de comercialização da editora Der Spiegel, da Axel Springer e da Funke Mediengruppe também aderiram à Ad Alliance,[182] cujo portfólio alcança mais de 99% da população alemã.[183]

Em 2019, a Bertelsmann reforçou a cooperação no mercado alemão de conteúdo com a criação da Content Alliance,[184] dirigida por Julia Jäkel.[185] A iniciativa reúne as redes de televisão e rádio da Mediengruppe RTL Deutschland, a produtora de televisão UFA, a editora Random House, a Gruner + Jahr e a empresa musical BMG.[186] A Bertelsmann Content Alliance desenvolve formatos conjuntos e oferece produtos e serviços a profissionais de criação.[187]

Em 25 de novembro de 2020, foi anunciado que a Bertelsmann compraria a editora norte-americana Simon & Schuster da ViacomCBS por mais de US$ 2 bilhões.[188] A aquisição acabou bloqueada em uma ação antitruste movida pelo governo de Joe Biden. Em 31 de outubro de 2022, o Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Washington, D.C., decidiu contra a operação.[189] Em 14 de dezembro de 2020, a Bertelsmann iniciou negociações para vender a editora francesa de revistas Prisma Media, divisão da Gruner + Jahr, à Vivendi.[190] A venda foi concluída em 31 de maio de 2021.[191] Em 29 de janeiro de 2021, a Bertelsmann começou a avaliar a venda de sua participação de controle no canal francês M6.[192]

Divisões

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A Bertelsmann tem uma estrutura descentralizada.[193] As divisões trabalham em grande medida de forma independente, enquanto a holding assume tarefas centrais, como as finanças corporativas.[194] Em 2016, a Bertelsmann adotou uma estrutura de oito divisões.[195] Entre elas estão RTL Group, voltado a televisão e rádio, Penguin Random House, na edição de livros, BMG, em direitos musicais, Arvato Group, em serviços, Bertelsmann Education Group, em educação, Bertelsmann Marketing Services, em marketing, e Bertelsmann Investments, em investimentos.[196]

RTL Group

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Logotipo do RTL Group
Logotipo do RTL Group

O RTL Group é uma das principais empresas europeias de entretenimento e tem sede em Luxemburgo.[197] Mantém canais comerciais privados de televisão e rádio em diferentes países, entre eles RTL e VOX, na Alemanha.[198][199] Em 2015, lançou a RTL Digital Hub, unidade dedicada a vídeos para a web.[200] Empresas de produção, entre elas a Fremantle, também integram o RTL Group.[201] Em janeiro de 1997, a Bertelsmann fundiu a UFA, de cinema e televisão, à Compagnie Luxembourgeoise de Télédiffusion (CLT). A fusão da CLT-UFA com a Pearson TV em 2000 deu origem ao RTL Group.[202] A empresa tem ações negociadas em bolsa e pertence majoritariamente à Bertelsmann desde 2001.[203][204] Depois da venda de ações em 2013, a participação ficou em 75,1%.[205] Em 2024, o RTL Group registrou vendas de € 6,888 bilhões.[8]

Penguin Random House

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Logotipo da Penguin Random House
Logotipo da Penguin Random House

A Penguin Random House é a maior editora de livros do mundo.[206] Foi criada em 2013 pela fusão das operações editoriais da Bertelsmann e da Pearson.[207] Com a aquisição da Random House em 1998, a Bertelsmann já havia se tornado a maior editora de livros da Anglofonia.[208] A empresa reúne cerca de 250 editoras em cinco continentes, entre elas Random House, Penguin Books, Doubleday, Knopf e Viking.[209] A alemã Verlagsgruppe Random House, que reúne Goldmann, Heyne e outras editoras e tem sede em Munique, não faz parte da Penguin Random House,[210] embora pertença à mesma divisão da Bertelsmann.[211] A sede principal da Penguin Random House fica na Penguin Random House Tower, em Nova York.[212] Desde 2020, a Bertelsmann detém 100% da empresa.[213] Em 2024, a empresa registrou vendas de € 4,917 bilhões.[8]

Logotipo da BMG
Logotipo da BMG

A BMG é uma empresa de edição musical com sede em Berlim. Seu catálogo reúne direitos sobre obras de artistas como Céline Dion, Jennifer Lopez, Ronan Keating e Britney Spears.[214] A empresa foi criada em 2008, depois que o grupo deixou o mercado musical.[215][216] Depois da venda da Sony BMG, a Bertelsmann conservou os direitos de cerca de 200 artistas, principalmente europeus.[217] Em 2024, a BMG obteve receita de € 963 milhões.[8] Em 2009, a KKR ingressou na BMG com participação majoritária de 51%, enquanto a Bertelsmann ficou com 49%.[218] Em 2013, a Bertelsmann voltou a deter a totalidade da BMG, que passou a constituir uma divisão do grupo.[219][220][221] Com a combinação entre BMG e Concord, concluída em 1 de setembro de 2026, a Bertelsmann passou a deter 67% da BMG, enquanto afiliadas da Great Mountain Partners ficaram com 33%.[222]

Arvato Group

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Logotipo da Arvato
Logotipo da Arvato

A Arvato é uma prestadora internacional de serviços. A empresa adquiriu sua forma atual em 1999.[223] Naquele ano, os setores industrial e de impressão da Bertelsmann foram reorganizados, com maior peso para os serviços em relação à impressão e à fabricação de máquinas.[224][225] A Bertelsmann presta serviços desde a década de 1950,[226] entre eles a distribuição de livros para outras editoras.[227] A Vereinigte Verlagsauslieferung (VVA) integra a Arvato.[228] A empresa presta ainda serviços de gestão de relacionamento com o cliente (CRM), gestão da cadeia de suprimentos (SCM), finanças e tecnologia da informação.[229][230] A sede da Arvato fica em Gütersloh, e a empresa mantém unidades em 22 países.[231] Em 2024, as vendas do Arvato Group chegaram a € 3,871 bilhões.[8]

Bertelsmann Marketing Services

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Logotipo da Bertelsmann Marketing Services
Logotipo da Bertelsmann Marketing Services

Em janeiro de 2016, a Bertelsmann reuniu suas operações de impressão digital, offset e rotogravura no Bertelsmann Printing Group.[232][233] O grupo tornou-se o maior do setor na Europa.[234] Sua sede fica em Gütersloh.[235] O Bertelsmann Printing Group reúne GGP Media, Mohn Media, Prinovis, Sonopress, Vogel Druck, outras empresas e a Be Printers.[236] A Be Printers surgiu em 2012 como uma separação da Arvato destinada a reunir as operações de impressão do grupo.[237] O setor enfrenta há anos a queda das tiragens impressas.[238] Em 2023, o Bertelsmann Printing Group passou a se chamar Bertelsmann Marketing Services.[239] Em 2024, a divisão registrou vendas de € 1,088 bilhão.[8]

Bertelsmann Education Group

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Logotipo do Bertelsmann Education Group
Logotipo do Bertelsmann Education Group

O Bertelsmann Education Group atua no setor educacional.[240] Foi criado em 2015 e tem sede em Nova York.[241] Entre suas empresas e instituições estão a Alliant International University e a Relias Learning.[242] A aquisição da Relias Learning em 2014 formou a base do Bertelsmann Education Group e foi a maior aquisição da Bertelsmann desde a compra da Random House.[243][244] Em 2016, a Relias adquiriu a AHC Media, que passou a se chamar Relias Media.[245][246] Em 2024, o Bertelsmann Education Group obteve vendas de € 924 milhões.[8]

Bertelsmann Investments

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Logotipo da Bertelsmann Investments
Logotipo da Bertelsmann Investments

A divisão Bertelsmann Investments reúne os investimentos da Bertelsmann em empresas emergentes. A Bertelsmann Digital Media Investments tem sede em Gütersloh e, desde 2014, concentra-se principalmente nos Estados Unidos.[247][248] Há também os fundos Bertelsmann Asia Investments,[249] Bertelsmann Brazil Investments e Bertelsmann India Investments,[250] voltados às regiões de crescimento escolhidas pela holding.[251] A Bertelsmann Investments mantém participações em mais de 100 empresas emergentes, quase todas ligadas à economia digital.[252] Em 2024, suas vendas chegaram a € 563 milhões.[8]

DirectGroup Bertelsmann

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A divisão DirectGroup Bertelsmann operava clubes de venda de livros, lojas virtuais, redes de livrarias e editoras em oito países quando foi extinta como divisão em 2011.[253]

A empresa foi formada em julho de 2000 e era dirigida por Fernando Carro.[254] Seus cerca de 15 milhões de clientes geraram receita de € 1,246 bilhão em 2009.[255]

Estrutura acionária

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De 1971 a 2012, a Bertelsmann foi uma sociedade anônima regida pelo direito alemão, uma Aktiengesellschaft.[256] Depois, foi transformada em uma sociedade em comandita por ações, Kommanditgesellschaft auf Aktien. A sócia-gerente é uma sociedade anônima europeia, Societas Europaea.[257] Um dos motivos para a mudança era abrir a empresa a investidores,[258] permitindo que participassem do financiamento da expansão.[259] A imprensa tratou a mudança da forma jurídica como uma "mudança de era",[260] pois ela também permitiria uma abertura de capital.[261][262] A medida, porém, não foi concretizada.[263][264] A Bertelsmann atua no mercado de capitais, inclusive por meio da emissão de obrigações.[265][266] Desde 2001, prepara suas demonstrações financeiras pelas Normas Internacionais de Relatório Financeiro.[267]

A nova forma jurídica não alterou a propriedade da Bertelsmann.[268] Nas décadas de 1970 e 1980, a família Mohn desenvolveu a Bertelsmann Stiftung,[269] que detém a maioria das ações da Bertelsmann desde 1993.[270] Considerações tributárias também estiveram entre os motivos da operação.[271][272] A estratégia também buscava garantir a continuidade da empresa.[273] A família Mohn detém 19,1% das ações. As fundações Bertelsmann Stiftung, Reinhard Mohn Stiftung e BVG Stiftung somam 80,9%.[274] A Bertelsmann Verwaltungsgesellschaft mbH (BVG) exerce forte controle sobre o grupo ao reunir todos os direitos de voto da família Mohn e das fundações que possuem participações. Em conjunto, essas partes controlam 100% dos votos nas assembleias gerais da Bertelsmann SE & Co. KGaA e de sua sócia-gerente, Bertelsmann Management SE.

A Bertelsmann SE & Co. KGaA é administrada pela Bertelsmann Management SE. Thomas Rabe preside o conselho executivo da Bertelsmann Management SE.[275][276] Outros integrantes do conselho executivo incluem Markus Dohle, Immanuel Hermreck, Bernd Hirsch e Anke Schäferkordt.[277] Em 2012, a Bertelsmann criou ainda o chamado Group Management Committee, destinado a aconselhar o conselho executivo em assuntos de maior alcance.[278] Parte da imprensa chamou atenção para a quantidade relativamente alta de mulheres nomeadas para esse comitê.[279][280] A Bertelsmann SE & Co. KGaA e a Bertelsmann Management SE têm conselhos fiscais responsáveis por supervisionar a administração. Em 2013, Christoph Mohn assumiu a presidência dos dois órgãos.[281] Liz Mohn e Brigitte Mohn, da família Mohn, também integram os conselhos fiscais das duas empresas.[282]

Localizações

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Desde a década de 1970, a sede da Bertelsmann fica no distrito de Avenwedde, em Gütersloh. O complexo ocupa cerca de 26.100 m². Os edifícios de escritórios foram construídos em 1976 e ampliados em 1990.[283] Além das instalações corporativas, a sede em Gütersloh abriga a Bertelsmann University, instituição de formação voltada aos executivos do grupo.[284] Em 1992, a Bertelsmann comprou o Bertelsmann Building, em Nova York, e instalou ali sua sede norte-americana.[285] O edifício foi vendido em 2004.[286] O escritório de representação em Berlim abriu em 2003 no Kommandantenhaus, no centro da cidade.[287] A expansão internacional levou à criação de outros escritórios corporativos em Pequim, em 2006, Nova Deli, em 2012, e São Paulo, também em 2012.[288]

Consideradas todas as divisões, a Bertelsmann mantém quase 350 unidades no mundo.[289] A maior parte fica na Europa, de onde vem a maior parcela da receita do grupo.[290] O grupo passou a dedicar atenção crescente aos mercados de Brasil, China e Índia.[291] No Brasil, os esforços se concentraram sobretudo na expansão das atividades de educação.[292][293] A Bertelsmann atua na China desde 1992,[294] e as divisões do grupo mantêm presença no país.[295] Na Índia, a Bertelsmann concentra parte de seus esforços de crescimento no comércio eletrônico.[296][297]

Críticas

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Na década de 1990, surgiram questionamentos sobre a atuação da Bertelsmann na Alemanha Nazista.[298] O debate ganhou força após um discurso do presidente e diretor-executivo Thomas Middelhoff, em Nova York, ao receber o prêmio Vernon A. Walters em 1998.[299] Middelhoff apresentou a Bertelsmann como uma das poucas empresas de mídia não judias fechadas pelos nacional-socialistas por supostamente publicar literatura subversiva.[300] Essa interpretação recebeu críticas severas, entre elas as do publicista Hersch Fischler.[301] A controvérsia levou a empresa a criar, em 1998, uma Comissão Histórica Independente, conhecida pela sigla IHC.[302] A comissão foi presidida por Saul Friedländer e teve como outros integrantes Norbert Frei, Trutz Rendtorff e Reinhard Wittmann. A IHC apresentou um relatório provisório em 2000 e publicou seu relatório final em 2002.[303] O documento concluiu, entre outros pontos, que a alegação de que a C. Bertelsmann Verlag teria resistido ao nacional-socialismo era claramente incorreta.[304] Não foi possível comprovar que a empresa tivesse sido "fechada como editora da resistência".[305] O historiador Volker Ullrich escreveu no semanário Die Zeit que a ideia de uma "editora da resistência" não tinha fundamento.[306] Os arquivos da IHC estão disponíveis ao público no arquivo empresarial da Bertelsmann em Gütersloh desde 2003.[307] Em outubro de 2002, o grupo manifestou publicamente pesar por sua "conduta sob os nazistas e pelos esforços posteriores para encobri-la".[308]

Ver também

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Referências

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Bibliografia adicional

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Ligações externas

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