Radicalização
Radicalização, também conhecida como extremização, é o processo pelo qual um indivíduo ou um grupo passa a adotar visões cada vez mais radicais em oposição ao status quo político, social ou religioso.[1]
As ideias da sociedade moldam os caminhos da radicalização, que pode resultar em ações violentas ou não violentas, embora a literatura acadêmica foque no extremismo violento e no terrorismo.[2][3] Esse processo ocorre por múltiplas vias independentes que costumam se reforçar mutuamente, aumentando a resiliência e a letalidade do grupo. Além disso, ao comprometer a integração dos membros na sociedade e na economia formal, a radicalização funciona como uma armadilha sociológica, deixando os indivíduos sem alternativas externas para satisfazer suas necessidades materiais e espirituais.[4][5][6][7][8]
Definição
[editar | editar código]Não existe uma definição universalmente aceita para o termo, uma vez que o conceito é dependente do contexto histórico, político e social para determinar o que é percebido como radical dentro de um setor específico da sociedade. Assim, a radicalização pode assumir significados distintos para diferentes atores. Na literatura acadêmica, essa ambiguidade é frequentemente resolvida dividindo o fenômeno em duas dimensões: a radicalização cognitiva, que envolve a aceitação de ideias que desafiam severamente a ordem política e social vigente, e a radicalização comportamental, que se manifesta na transição dessas ideias para a ação concreta, incluindo o uso da violência ou do terrorismo.[3][9][10]
Internet
[editar | editar código]O papel da internet e das redes sociais no processo de radicalização contemporâneo é central, atuando como um catalisador que amplifica e acelera o recrutamento e a disseminação de ideologias extremistas. Plataformas digitais funcionam como espaços virtuais de socialização onde indivíduos vulneráveis ou marginalizados encontram um senso de pertencimento e validação. Ao eliminar barreiras geográficas, a internet permite que grupos radicais alcancem uma audiência global, utilizando narrativas customizadas, estéticas modernas, como memes e elementos de gamificação, e táticas de manipulação psicológica para normalizar discursos de ódio e extremistas, facilitando a transição do engajamento online para a ação no mundo real.[11][12]
Além disso, a arquitetura das redes sociais, baseada em algoritmos de recomendação voltados para a maximização do engajamento, desempenha um papel crucial ao criar câmaras de eco. Esses sistemas tendem a sugerir conteúdos cada vez mais extremos para reter a atenção do usuário, isolando-o de perspectivas moderadas ou contraditórias. Esse consumo contínuo de desinformação e retórica polarizada distorce a percepção da realidade do indivíduo, intensificando sentimentos de injustiça e hostilidade em relação a grupos externos, o que solidifica o pensamento dogmático e reduz a resistência psicológica a soluções violentas.[13][14]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ Schmid, Alex P. (2025). Kunst, Jonas; Obaidi, Milan, eds. «Terrorism, Radicalization, and (Violent) Extremism: Concepts and Definitions». Cambridge: Cambridge University Press. Cambridge Handbooks in Psychology: 11–27. ISBN 978-1-009-40788-5. doi:10.1017/9781009407892.003
- ↑ Rogelio Alonso; Tore Bjørgo; Donatella della Porta; Rik Coolsaet; Farhad Khosrokhavar; Rüdiger Lohlkar; Magnus Ranstorp; Fernando Reinares; Alex P. Schmid; Andrew Silke; Michael Taarnby; Gijs de Vries (25 de abril de 2006). «Radicalisation Processes Leading to Acts of Terrorism. A concise Report prepared by the European Commission's Expert Group on Violent Radicalisation. Brussels» (PDF). Netherlands Institute of International Relations Clingendael. Official Journal of the European Union 111/9. L. Cópia arquivada (PDF) em 28 de abril de 2026
- 1 2 Schmid, A. P. (27 de março de 2013). «Radicalisation, De-Radicalisation, Counter-Radicalisation: A Conceptual Discussion and Literature Review». The International Centre for Counter-Terrorism – The Hague (ICCT). Consultado em 31 de agosto de 2016. Arquivado do original em 7 de dezembro de 2019
- ↑ McCauley, C., Mosalenko, S. "Mechanisms of political radicalization: Pathways towards terrorism," Terrorism and Political Violence (2008). 416
- ↑ Royal Canadian Mounted Police. Radicalization: A Guide for the Perplexed. National Security Criminal Investigations. June 2009.
- ↑ Bandura, Albert (2016). Moral disengagement: how people do harm and live with themselves. Col: Macmillan Learning. New York: Worth Publishers, Macmillan Learning. ISBN 978-1-4641-6005-9
- ↑
Berman, Eli (2009). «Why are religious terrorists so lethal?». Radical, Religious, and Violent: The New Economics of Terrorism. [S.l.]: MIT Press (publicado em 2011). p. 19. ISBN 9780262258005. Consultado em 18 de setembro de 2020. Cópia arquivada em 30 de janeiro de 2026.
An objective examination of numerous successful communities of faith reveals that they often stand on two pillars. The first is their ability to meet the spiritual needs of their members [...]. The second pillar is an ability to provide more tangible services, social and economic [...].
- ↑ Porta, Donatella della (11 de maio de 2018). «Radicalization: A Relational Perspective». Annual Review of Political Science (em inglês). 21 (Volume 21, 2018): 461–474. ISSN 1094-2939. doi:10.1146/annurev-polisci-042716-102314. Cópia arquivada em 17 de novembro de 2025
- ↑ Sedgwick, Mark (14 de setembro de 2010). «The Concept of Radicalization as a Source of Confusion». Terrorism and Political Violence (em inglês). 22 (4): 479–494. ISSN 0954-6553. doi:10.1080/09546553.2010.491009. Cópia arquivada em 10 de fevereiro de 2023
- ↑ Horgan, John (1 de julho de 2008). «From Profiles to Pathways and Roots to Routes: Perspectives from Psychology on Radicalization into Terrorism». The ANNALS of the American Academy of Political and Social Science (em inglês). 618 (1): 80–94. ISSN 0002-7162. doi:10.1177/0002716208317539
- ↑ Winter, Charlie; Neumann, Peter; Meleagrou-Hitchens, Alexander; Ranstorp, Magnus; Vidino, Lorenzo; Fürst, Johanna (18 de setembro de 2020). «Online Extremism: Research Trends in Internet Activism, Radicalization, and Counter-Strategies». International Journal of Conflict and Violence (IJCV) (em inglês): 1–20 Pages. doi:10.4119/IJCV-3809. Cópia arquivada em 7 de maio de 2026
- ↑ Rothut, Sophia; Schulze, Heidi; Hohner, Julian; Greipl, Simon; Rieger, Diana (22 de abril de 2026). «Radicalization and the internet: 25 years of (online) radicalization research». The Communication Review. 0 (0): 1–45. ISSN 1071-4421. doi:10.1080/10714421.2026.2658935
- ↑ O'Hara, Kieron; Stevens, David (2015). «Echo Chambers and Online Radicalism: Assessing the Internet's Complicity in Violent Extremism». Policy & Internet (em inglês). 7 (4): 401–422. ISSN 1944-2866. doi:10.1002/poi3.88. Cópia arquivada em 4 de julho de 2025
- ↑ Wolfowicz, Michael; Weisburd, David; Hasisi, Badi (março de 2023). «Examining the interactive effects of the filter bubble and the echo chamber on radicalization». Journal of Experimental Criminology (em inglês). 19 (1): 119–141. ISSN 1573-3750. doi:10.1007/s11292-021-09471-0