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Portugal


Falava-me de vinhos e de jazz, e eu, embriagada pela cadência das suas palavras, deixei-me arrastar por um entusiasmo antigo, desses que se julgavam extintos. Quando o relógio marcou as duas, a cidade parecia suspensa — e nós, cúmplices, rendemo-nos a uma cumplicidade que nenhum dos dois ousou nomear.
Houve gargalhadas, promessas vãs e o calor doce de uma entrega despretensiosa. Nada de vulgar, apenas o esplendor de dois corpos e vontades que, por uma noite, resolveram dançar fora do compasso.