Aka-Wan Kenobi
Marco Acauan
Sao Paulo, Brazil
               "Não jure que caminhará no escuro
                aquele que não viu o cair da noite"          

                                - J.R.R.Tolkien
               "Não jure que caminhará no escuro
                aquele que não viu o cair da noite"          

                                - J.R.R.Tolkien
Currently Offline
Artwork Showcase
Que haja uma luz nos lugares mais escuros, quando todas as outras luzes se apagarem
Review Showcase
É muito fácil gostar de Hollow Knight: Silksong. Embora possa assustar os desavisados com a dificuldade dos cenários ou chefes, tudo aqui já era de certa forma esperado para quem se aventurou pelos melancólicos corredores de Hallownest anos atrás. Ou melhor, tudo, menos a própria esperança que acompanha o enredo.

Enquanto o primeiro jogo nos transportava para um cenário pós-apocalíptico, permeado por decadência, nostalgia e trevas, Silksong é uma história de fé e ascensão. Não que o nosso intrépido Cavaleiro não fosse corajoso, mas o protagonista do primeiro jogo era movido muito mais por uma essência estoica do que pelo heroísmo propriamente dito. Pelo menos, essa é a impressão que o nosso pequeno herói calado nos passava.

Já a princesa Hornet, também conhecida como a "Filha das Três Rainhas", além de uma guerreira letal também é uma heroína casca-grossa, com um espírito tão livre quanto nobre, na sua matéria-prima mais pura. Enquanto o carisma do Cavaleiro era representado pelo seu silêncio e obstinação frente a um mundo despedaçado que o tratava com desprezo e hostilidade, o carisma da Hornet em Silksong advém de respostas firmes, da total falta de resignação frente às circunstâncias, de não se curvar ao legado de tornar-se aquilo que ela combate e de não arredar o pé para ajudar os necessitados, eliminar inimigos, salvar a própria vida, afastar os inconvenientes beijoqueiros e enfrentar a escuridão, mesmo que o mundo insista em sugerir que ela desista.

Ambos precisaram provar o seu valor, contudo a Hornet não é um experimento "fracassado" de receptáculo, ela foi forjada desde sua pré-concepção para ser "a maior", e para não se curvar às insanas exigências da vida que ela herdou.

O contraste entre as essências dos protagonistas também pode ser observado nos cenários. Pharloom tem seus graves problemas, mas nem de perto é uma terra morta e sem futuro como Hollownest. Isso é perceptível inclusive pela quantidade de NPCs com quem interagimos no segundo jogo, a maioria deles peregrinos, subindo por perigosas terras em busca da salvação. O próprio cenário da Cidadela é absurdamente belo e imponente quando comparado com a taciturna Cidade das Lágrimas (ainda que a primeira utilize mão de obra semiescrava e careça de saneamento básico, produzindo o cenário mais maldito da franquia: Bilebrejo).

Assim como ocorre com o primeiro Hollow Knight, Silksong tem uma linearidade bastante maleável. É possível chegar a diversos lugares por diferentes caminhos e diferentes momentos, enfrentar bosses nas ordens mais variadas e sair explorando Pharloom até onde suas habilidades permitirem. Repetindo a fórmula do primeiro jogo, não há um propósito claro aqui (apenas um direcionamento vago), há poucas explicações e mesmo os mapas inicialmente serão escuros, levando o jogador a facilmente se perder e morrer. É como se aquele universo fosse completamente indiferente aos personagens (e jogadores).

Ainda que essa premissa niilista seja menos melancólica aqui do que no jogo anterior, e até ofereça uns pequenos sinais de alento, a sensação que fica é que as duas obras se parecem com fases diferentes de uma depressão. O primeiro jogo te obriga a levantar e caminhar no escuro, não importa as dúvidas e perigos que te cerquem (o Cavaleiro quer acabar com a fonte da infecção, mesmo que já não haja mais nada a ser salvo). Já o segundo jogo te mostra que, agora que você está de pé, é possível voltar a sonhar e lutar por dias melhores (a Hornet quer libertar o povo de Pharloom da influência da Grande Mãe Seda e restabelecer um mínimo de normalidade).

A jogabilidade dessa continuação continua impecável, especialmente na maneira como ela treina o jogador de forma quase inconsciente. É gratificante perceber nossa própria melhoria ao longo da jornada, e isso não se deve apenas ao aprimoramento da arma ou das ferramentas, mas sim à memória motora que passamos a assimilar, permitindo-nos responder aos desafios com reflexos cada vez mais rápidos e precisos (claro, dentro das nossas limitações individuais...).

Os banquinhos de salvamento continuam representando aquele breve momento de alívio e contemplação, entre diversas batalhas e perigos. Até mesmo nossos bravos insetinhos precisam descansar, mesmo diante do fim do mundo.

As trilhas sonoras mantêm o sublime padrão do primeiro jogo, sendo as minhas preferidas as dos bosses Carmelita, Seth, Phantom e Primeira Pecadora, além da própria trilha da Cidadela. É lindo como as músicas conversam com o jogador e participam da história que está sendo contada.

Por fim, se possível não espere uma promoção para comprar este jogo. O que a Team Cherry fez aqui, e COMO ela fez, é um farol de esperança para a indústria de jogos, e isso deve ser valorizado! Silksong é um ato de resistência, além uma prova de amor e de respeito da Team Cherry não só para com o seu produto, mas também para uma legião de fãs que há quase uma década aguardavam por essa continuação.

"Mas acima de tudo, criança, sou filha de Hollownest. E o vazio que espreita sob todas as coisas, essa escuridão, não a temerei mais..."
Featured Artwork Showcase
“Aceitar o fardo é, muitas vezes, o maior ato de bravura”
10 2
Screenshot Showcase
E neva em Tumbleweed
11 1
Featured Artwork Showcase
Do, or do not...
8
Favorite Game
303
Hours played
51
Achievements
Recent Activity
0.4 hrs on record
last played on Oct 4
59 hrs on record
last played on Sep 28
202 hrs on record
last played on Sep 9
6 hours ago 
⠄⠄⠄⠄⠄⣠⢔⣽⣿⣿
⠄⠄⠄⣠⡞⣱⣿⣿⣿⣿
⠄⢀⣾⡿⢰⣿⣿⣿⡟⠿
⢀⡾⣛⣥⣽⣿⣶⣿⣿⣶⣶⣦⣤⣀⡀⠄⠄⠄⠄⣀⣀⠤⣄⣤⣤
⣴⣿⣿⣿⣿⣿⡿⠿⠿⢿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣶⣄⠻⢋⣵⣿⣿⣿⡏
⣿⣿⣿⣿⢟⡭⠂⠺⠇⠒⢝⢿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣷⣌⠻⣿⣿⣿⠁
⣿⣿⣿⣿⣿⣷⣶⣤⣄⡀⢈⣾⣿⣿⣿⣿⣿⣿⠩⡩⠳⡜⣿⡏
⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣾⣿⣿⣏⠙⠿⣿⠄⠄⠈⢻⡈
⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡿⣰⣿⣦⣤⣤⣸⣷⡄
⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⢏⣴⢸⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣷
⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣾⣿⣾⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿
⠿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡟
⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡿⠉
⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣛⣋⡅
⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡏
:Remot::Remot::ppbox::ppbox::ppbox:
:Remot::ppbox::ppbox::ppbox::ppbox::ppbox:
:Remot::ppbox::Remot::ppbox::ppbox::ppbox::ppbox:
:Remot::Remot::Remot::ppbox::ppbox::ppbox::ppbox::ppbox::Remot::bbox:
:Remot::Remot::ppbox::ppbox::ppbox::ybox::ybox::bbox::bbox::bbox:
:Remot::Remot::ybox::ybox::ybox::ybox::ppbox::bbox::ppbox::bbox:
:Remot::ppbox::ppbox::ppbox::ppbox::ppbox::ppbox::bbox::ppbox::bbox:
:ppbox::ppbox::ppbox::bbox::bbox::bbox::bbox::bbox::bbox::bbox:
:Remot::bbox::bbox::wbox::wbox::bbox::wbox::wbox::bbox::bbox:
:Remot::bbox::bbox::blaser::wbox::bbox::blaser::wbox::bbox::bbox:
:Remot::bbox::bbox::bbox::bbox::ppbox::bbox::bbox::bbox::bbox:
:Remot::Remot::bbox::bbox::bbox::bbox::bbox::bbox::bbox:

Ⓐ𝖛𝖆𝖉𝖆 Ⓚ𝖊𝖉𝖆𝖛𝖗𝖆
Sep 18 @ 4:45pm 
⠀⠀⢀⡾⣿⣧⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⢠⣶⣻
⠀⠀⣾⢰⣿⣿⣷⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⣠⣶⡟⣵⣿
⠀⣾⣿⣿⣿⣿⣿⠀⠀⠀⠀⣀⡀⠀⠀⢤⣠⣾⣿⣧⣤⡀
⢰⣿⡇⣿⣿⢟⣭⣖⣂⣀⣐⣶⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡟⣛⢷⡀
⣼⣿⣇⣘⣵⣿⣿⣿⣿⣿⠿⠿⠿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⠀⠿⠑⡹⣆
⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡟⠩⢾⡏⠉⠉⠦⢹⣿⣿⣿⣿⡿⢆⠀⠀⢈⣿⣧⣀
⣿⣿⣿⢿⣿⣿⣿⣃⣀⣀⣀⠀⠀⠀⢷⣿⣿⣯⣀⣀⡀⣿⣶⣿⣿⣿⣿⣏⡀
⠋⣁⣴⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡄⣟⣿⣿⣿⣿⣿
⣾⣿⡿⢿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡿⠟⣉⣤⣤⡙⣿⣿⣿⣿⣧⣿⣿⣿⣿⣿⣿
⡟⠉⣠⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡿⢋⡤⣫⣿⣿⣿⡇⢿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿
⠀⣠⣿⣿⡿⢿⣿⣿⠋⣴⡟⣴⣿⣿⣿⣿⣷⢸⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡿
⠀⠙⠻⠛⠀⣼⡿⢣⣾⡟⢱⣿⣿⣿⠟⠏⢿⣸⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣛⠁
Aug 24 @ 9:33am 
⠄⠄⠄⠄⠄⠄⠄⠄⠄⠄⠄⠠⠴⠶⢶⣶⣦⣤⣀
⠄⠄⠄⠄⠄⣠⣤⣴⣶⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣶⣬⣉⡻⡇
⠄⠄⢠⣶⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣆
⣠⣾⡿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡟⠩⢻⠿⣿⣿⣷⣄
⣿⣿⣇⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⠿⢻⣿⣧⡀⣰⣾⣿⢟⣩⣥⣶⣦⣤⡀
⣿⣿⢹⣿⣿⣿⠋⠄⢪⣿⣶⡼⡎⣿⣿⣧⣿⡟⣱⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣦
⡿⢣⣿⣿⣿⣿⣷⣶⣿⣿⣿⠟⣢⣭⣭⣭⣭⣁⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡆
⢾⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⢡⣾⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡇
⠸⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡇⣾⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡇
⣷⣭⣛⡿⠿⠿⣿⡿⠿⣿⡝⠿⣻⣵⣮⢻⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡿
⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡿⢟⣣⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡿⠁
⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣶⡶⠽⠻⢿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⣿⡿⠋