Mostrar mensagens com a etiqueta Humor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Humor. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, março 18, 2011

o Sr. Prudêncio usa os pesticídas com cuidado!


Lembrado hoje, na "Caderneta de Cromos" do Nuno Markl, Rádio Comercial. Publicidade do tempo em que os animais falavam...
Gosto do cuidado com que o Sr. Prudêncio enterrava as embalagens e de como ele sabia que os "pesticídas são essenciais"! :)))

Gonçalo Rosa

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Da acédia como estado natural

Nas minhas deambulações à procura de informação sobre comboios, passei pela entrada da wikipedia sobre a CP.
O artigo é mais ou menos indigente e merece ser comparado com a entrada espanhola sobre a RENFE.
Até aqui nada de especial. Os conteúdos portugueses da wikipedia reflectem a relativa pequenez de Portugal, acentuada por alguma timidez nestas coisas de contribuir em projectos colectivos.
Mas verdadeiramente o que me escandalizou foi o quadro que reproduzo abaixo, precedido por estas frases extraordinárias:
"O presidente do Conselho de Administração é o responsável pela empresa, liderando um conselho que geralmente é constituído por cinco membros, contando com o próprio presidente. Os membros do conselho são nomeados directamente pelo ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, e exercem geralmente um mandato trianual.
Sendo um cargo de confiança política, os nomeados são geralmente membros ou independentes próximos dos dois partidos que se alternam na chefia do Governo de Portugal, o
PS e o PSD".
Nunca contribuí para a Wikipedia, nem vou fazê-lo neste caso, por isso terei de me incluir nos dez milhões de portugueses que, podendo contribuir para um artigo da wikipedia equilibrado sobre os caminhos de ferro portugueses, acabam por aceitar a normalização da ideia de que transportar pessoas e bens de forma eficiente é um trabalho de confiança política que deve ser entregue a militantes partidários.
São estas coisas que definem o nosso estado natural como país: a acédia (describes a state of listlessness or torpor, of not caring or not being concerned with one's position or condition in the world. It can lead to a state of being unable to perform one's duties in life).
henrique pereira dos santos, que não faz parte da lista (mas tem pena) e se limita a assinar este post

segunda-feira, janeiro 31, 2011

rir e chorar


Um jovem. Uma mão cheia de vontade, outra de dinamismo. Um apoio de uma câmara do Portugal rural, tão frequentemente esquecido. Mistura-se tudo com um punhado de trabalho, e lança-se o I Encontro de Fotografia de Natureza e Vida Selvagem em Portugal. Aconteceu no passado sábado, dia 29 de Janeiro, em Vouzela. O anfi-teatro local encheu-se com bem mais de uma centena de fotógrafos - amadores e profissionais - e outros amantes da natureza para uma tarde de convívio. Apresentaram-se palestras e fotos, trocaram-se contactos e experiências, combinaram-se sessões e viagens conjuntas. Ao fim, todos crescemos um pouco.

Vieram-me à memória um par de posts – Quanto vale uma foto?  e O saqueador - que aqui publiquei há um par de anos atrás, sobre as taxas que o Estado tentou implementar sem a mínima noção da realidade, com vista a sacar mais umas massas para sustentar o seu despesismo. Procurei à minha volta e não vi aqueles que, fechados nos seus gabinetes e ofuscados pela luminosidade estonteante das suas verdades, debitam legislação variegada e, desta forma ligeira, condicionam a vida dos outros. E foi pena, ganhávamos todos com isso…

com um abraço ao João Cosme, pelo Encontro
Gonçalo Rosa

sexta-feira, janeiro 14, 2011

atuns (e bacalhaus)



Há alguns dias atrás, tive acesso a uma notícia publicada no portal Naturlink, com origem no jornal El Mundo. A notícia, referia que “um exemplar de atum-rabilho com 342 kg que foi capturado na ilha japonesa de Hokkaido foi vendido a dois proprietários de restaurantes pela módica quantia de 300 mil euros…” e ainda que “Este é mais um sinal de que a precária situação de conservação do atum-rabilho que levou em Junho à decisão de reduzir em 4% as quotas de pesca desta espécie, não fez diminuir a procura, tendo apenas feito disparar os preços. “.

Para além do valor recorde – mais de 1000 euros por quilo - a que o referido atum foi vendido, a notícia não traz de novo. Não faço ideia se o preço do quilo de atum-rabilho de dimensões mais comuns no mercado disparou ou  não, mas fascina-me esta nostalgia que se surpreende com o facto da divulgação da situação precária de uma espécie com tradição de consumo por parte de uma qualquer sociedade humana, não parecer afectar a procura. Os preços são afectados pela oferta e pela procura e, evidentemente que uma menor oferta faz subir preços. No meio de tudo isto, falta saber como reage, neste caso concreto, a pesca ilegal (não considerada para efeitos de preenchimento de quotas), porque a regra é a de que sempre que se restringe quotas ou interdita, incentiva-se o mercado negro.

Gonçalo Rosa

terça-feira, dezembro 14, 2010

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Buraco na camada de ozono sobre a Antárctida atinge os níveis mais baixos desde 2005


Publicava ontem o Público:

Há já cinco anos que o buraco na camada de ozono sobre a Antárctida não era tão reduzido, informam hoje investigadores neozelandeses, com base em dados de satélite e medições a partir do solo.
O buraco na camada de ozono, uma “porta de entrada” para os raios ultravioletas que podem ser nocivos para a saúde e Ambiente, atingiu uma área máxima de 22 milhões de quilómetros quadrados este ano, comparada com os 24 milhões registados no ano passado, segundo os investigadores do Niwa, Instituto nacional neozelandês para a Investigação Atmosférica e da Água, sediado em Auckland.

O cientista do Niwa Stephen Wood disse ao jornal “New Zealand Herald” que se tem registado nos últimos anos uma tendência para a diminuição do buraco na camada de ozono. “Todos os anos assistimos a variações na dimensão do buraco de ozono, causadas por diferenças na temperatura e circulação atmosférica. Por isso, não podemos dizer com certeza que o buraco na camada de ozono está a melhorar, com base nas observações que fazemos por ano”, comentou. “Ainda assim, temos agora uma série de anos com buracos de ozono menos severos. Isso indica que podemos começar a ver uma recuperação”, disse Stephen Wood, citado por aquele jornal.

O buraco na camada de ozono sobre a Antárctida forma-se todos os anos em Agosto e Setembro e normalmente desaparece em Novembro ou Dezembro. A maior área alguma vez registada foi 29 milhões de quilómetros quadrados, no ano de 2000.

Há qualquer coisa de estranho em tudo isto e que a mim me escapa... mas a notícia é mais do que relevante para que o movimento ambientalista, assobiando, lhe passe ao lado.

Gonçalo Rosa

quarta-feira, novembro 24, 2010

Pode não haver dinheiro...

... mas parece que não faltam palhaços.
Li hoje o despacho 17477/ 2010 que nomeia a sub-directora do Fundo para a Conservação da Natureza.
Pensando bem é uma verdadeira parábola sobre a administração pública e o estado de miséria moral que a caracteriza cada vez mais.
Nada disto, diga-se em abono da verdade, é muito importante porque o dito Fundo é uma coisa estranha que não se sabe bem que dinheiro tem, para o que serve, nem como funciona.
E esta nomeação é a ilustração disso.
A nomeada é Maria João Burnay. Com um longo curriculum no ICNB, é a principal responsável pela estruturação inicial do Turismo de Natureza (nos seus aspectos formais e legais). Essa estruturação está longe de ter sido consensual e foi posteriormente profundamente alterada por não servir os propósitos que se pretendiam atingir com a sua criação. Uma das características essenciais dessa estruturação era o seu carácter profundamente estatista e prescritivo, cheio de normas e regras que não batiam certo com a realidade. Mas este é o principal contributo conhecido de Maria João Burnay para a gestão da conservação da natureza e da biodiversidade. De resto, do que fez nos outros sítios por onde passou como dirigente, é difícil perceber o que foi a sua acção e não penso que lhe sejam reconhecidas especiais competências de gestão.
O despacho que a nomeia agora para principal responsável operacional do Fundo de Conservação não explica as razões desta nomeação. Era um hábito que havia (decorrente aliás das regras do procedimento administrativo, que implica a fundamentação das decisões), o de fundamentar nomeações com base no curriculum das pessoas. Isso agora é mais raro. Nomeia-se porque sim e está o assunto encerrado. A menos que se considere que dizer que uma pessoa tem aptidões é fundamentação, do que tenho as mais sérias dúvidas.
Portanto não é possível perceber por que razão foi escolhida aquela pessoa e não outra. Eu acho uma péssima escolha, outras pessoas acharão óptima, mas a verdade é que a discussão não pode passar daí por se tratarem de percepções subjectivas.
O mais curioso é que é uma nomeação por substituição (por substituição de uma coisa que não existia), que aliás se tornou regra em boa parte da administração.
Quem desconhece os meandros da administração pública em Portugal, na sua concreta existência, e não no que diz a lei, dificilmente compreenderá o que vou dizer a seguir.
O cargo para que foi nomeada Maria João Burnay, por livre escolha, só pode ser preenchido por concurso, de acordo com a lei. Mas a lei permite que se nomeie uma pessoa em substituição enquanto o concurso não produz resultados. E mais, a lei diz que esta nomeação não pode exceder os seis meses, não podendo ser prolongada. Mas a administração fez um interpretação criativa da lei e diz que como não pode haver vacatura de lugar (isto é, não pode haver vazio no preenchimento dos lugares de chefia, o que aliás é treta, porque neste caso a situação de partida era a da inexistência do lugar).
Portanto não pode ser cumprido o prazo máximo de seis meses de exercício do cargo em substituição se do seu cumprimento resultar vacatura do lugar. Ou seja, se entretanto o concurso não tiver produzido resultados, é preciso que a pessoa nomeada faça o sacrifício de se manter no lugar (ou seja substituída por outra nas mesmas circunstâncias) até que existam resultados dos concursos. Ora se os concursos não existirem, ou tiverem sido abertos mas se eternizarem (não têm prazos imperativos), a pessoa em substituição vai ficando, ficando, ficando. Em abono da verdade, se vier a haver concurso, a pessoa tem uma vantagem notável por reunir uma grande experiência de exercício de funções semelhantes à do cargo a que concorre.
Daí que os lugares atribuíveis por concurso sejam na prática preenchidos por nomeações tão discricionárias como esta. E tão mais discricionárias quanto a sua suposta limitação no tempo, apenas para resolver a vacatura do lugar, não justifica procedimentos pesados de verificação e escrutínio da nomeação.
É esta portanto a administração que o país tem.
Às vezes até dá bons resultados, mas milagres há sempre, em todas as organizações.
henrique pereira dos santos

domingo, novembro 14, 2010

Ainda o IVA para uma alimentação sustentável

Motivado pela crónica do Ricardo Garcia (e pelo pedido subsequente de uma ONG para colaborar numa discussão sobre o assunto) olhei para o IVA de uma factura de compras de hoje.
É uma factura pouco característica cá de casa porque se trata de uma ida a um supermercado a que normalmente não vou, motivado por objectivos específicos.
Mas ainda assim surpreendente.
O IVA de 23% ficou reservado a um frasco de pimenta (nós que demos a volta ao mundo para a trazer para cá, agora consideramo-la um produto de luxo) e a uma mão-cheia de camarão com que irei dar gosto a um molho branco mais daqui a pouco. Razoavelmente justo, mais no camarão que na pimenta, perfeitamente aceitável do ponto de vista da sustentabilidade (o camarão provavelmente até mereceria uma taxação maior).
O IVA mais pequenino reflecte a ideia de que os produtos lácteos, que são tudo menos sustentáveis, são muito importantes na alimentação, nomeadamente das crianças. Do ponto de vista da sustentabilidade é um absurdo. Mas vamos admitir que seria preciso encontrar um equilíbrio com o pessoal do nutricionismo (ninguém conhece alguém ligado ao ensino desta coisa, agora que até há uma ordem profissional da profissão? É que tenho a ideia de que andam completamente a Leste do que seja a sustentabilidade). Seria por isso razoável taxar o leite simples no mínimo. Mas uns iogurtes claramente excessivos que comprei? Francamente não vejo razão para isso. Os iogurtes simples, ainda vá, mas os outros?
O peixe goza do mesmo estatuto de IVA reduzido. Nada a apontar se eu não tivesse comprado peixe congelado. A congelação é o método mais insustentável de conservação que conheço, por mim todos os congelados iam para o IVA máximo.
O mais curioso está no IVA intermédio.
Tremoços. Não costumava comprar, mas um dia o Chef António Alexandre serviu-me uma salada de sapata seca (sapata, não sapateira, inclui-se na procupação do Chef António Alexandre recuperar produtos desvalorizados, como o peixe seco) onde se incluíam uns tremoços. Passei a incluir tremoços em muitas das saladas que faço e por isso os comprei. Uma cultura pobre, que normalmente entra na rotação para azotar a terra (como as outras leguminosas), ou seja, uma clara muleta de uma gestão sustentável na agricultura a quem os teóricos das finanças atribuem o estatuto de marisco pobre para acompanhar cervejas, e portanto não taxam como o camarão, porque pobre, mas taxam a mais que os iogurtes, uma coisa totalmente insustentável nos nossos sistemas produtivos.
Mais estranho, as azeitonas (também entram muitas vezes nas saladas). Azeitonas? As azeitonas em Portugal estão no IVA intermédio? Taxadas acima do peixe e da carne e do leite? Alguém consegue explicar? Deve ser por serem consideradas um aperitivo.
Parece-me que vale a pena começar a olhar para o assunto numa óptica de sustentabilidade.
henrique pereira dos santos

segunda-feira, novembro 01, 2010

o estrito cumprimento da lei



Há uns dias o Público noticiava uma história de ursos apreendidos. Há mais de duas décadas que ouço histórias deste género com intérpretes diversos. Umas vezes com macacos, outras com tartarugas e várias outras com outra bicharada qualquer. No essencial a história repete-se. Há uma situação ilegal qualquer e o Estado, por vezes empurrado pela pressão mediática, aparece. Apreende e, até ver, torna fiéis depositários os responsáveis. O impasse eterniza-se. As condições de higiene e de segurança mantêm-se, os “direitos” dos animais também. Não parece existir qualquer ganho ao nível da conservação da natureza. Pontualmente, um dia mais tarde, muitos anos depois, lá aparece outra vez a comunicação social a apontar o dedo, agora definitivamente ao Estado.
Quando um Estado apreende, por uma qualquer ilegalidade e durante anos a fio mantém os animais nas mesmíssimas condições que os encontrou, quando um Estado depende da pressão mediática para actuar… resta-lhe, eventualmente, a sua legitimidade legal. Porque quanto à moral, estamos conversados.
Gonçalo Rosa

domingo, setembro 19, 2010

Curiosidades X

A imagem foi tirada daqui e o sítio vale a visita, mesmo para quem está farto do assuntos das cabras
Para quem prefere falar das dificuldades em ter cabras em vez de as resolver aconselho a leitura desta notícia, com respectivo slideshow e video.
henrique pereira dos santos

sexta-feira, setembro 03, 2010

d'oh (o direito à asneira)


Há uns dias atrás, recebi uma circular da SPEA (ver aqui) com solicitação de apoio financeiro. Nele se referia que o maciço montanhoso central da ilha da Madeira - onde nidifica toda a população mundial de Freira da Madeira Pterodroma madeira, uma ave marinha criticamente ameaçada - foi devastado por fogos florestais no passado mês de Agosto.A questão era exposta de forma clara e simples. Segundo a SPEA "após a avaliação dos estragos, concluiu-se que são precisos, no imediato, 7000€ para que o Parque Natural da Madeira e a SPEA possam adquirir a manta anti-erosão, material para criar os ninhos artificiais, material para remoção de vegetação exótica, equipamento de montanha e assegurar as despesas de pessoal especializado".

Dias mais tarde, acedi a uma solicitação semelhante (ver aqui), mas agora da BirdLife (sendo que a SPEA é a representante portuguesa da BirdLife), desta feita, tendo como objectivo final a angariação de £10000 (cerca de 12000€) e referindo que "The Natural Park of Madeira and SPEA have now developed an action plan to mitigate the consequences of this devastating natural disaster. All nests with surviving chicks have been reinforced, all dead bodies were removed, and bait stations around the now barren nesting areas established. Burnt bushes and trees were also removed to avoid collisions with returning adult birds. In the next few months, the Natural Park of Madeira and SPEA will work to maintain the area around the nests free of invasive exotic plants, will cover some areas with an anti-erosion blanket, and will build and put up artificial nests. All this will urgently need to be done before the winter." Apesar das diferenças de valores, cujo motivo desconheço e que não me preocupa particularmente, o peditório é seguramente o mesmo. 

Neste caso em concreto, e ainda que compreenda que a SPEA e a BirdLife procurem respostas rápidas e desejavelmente eficazes para o problema, pasmo por, pelo menos publicamente, não ter sido exercida qualquer pressão para que, perante esta situação, não existam fundos disponibilizados de imediato pelo Governo Regional (para mais, relembro que estamos a falar de verbas relativamente baixas).

Com aquela pedra no sapato (a da ausência de pressão pública) e algumas outras que eventualmente abordarei num outro post, e que me levam a não ser um grande entusiasta de peditórios, depois de muito pensar, mal, como se verá adiante, mas muito, lá entendi fazer um donativo. Paralelamente, pareceu-me bem levantar esta questão no Ambio. E, pela minha parte, a questão morreria por aqui, não fosse, na busca de informação para escrever este post, ter acedido ao site do Parque Natural da Madeira (Secretaria Reginal do Ambiente e dos Recursos Naturais) - que, para os mais desatentos, é um organismo público - e me ter deparado com mais informação surpreendente e, de certa forma, contraditória. De acordo com o Director do PNM, "De forma a contribuir para a Salvaguarda desta espécie endémica e exclusiva da nossa Ilha, esta organização [a BirdLife International] deu início a uma campanha de internacional de angariação de fundos, que serão geridos pela SPEA (parceiro da BirdLife para Portugal) e aplicados no plano de recuperação do habitat da Freira da Madeira coordenado e gerido pelo Serviço do Parque Natural da Madeira". O que é ligeiramente diferente do descrito nos documentos online disponibilizados pela SPEA e BirdLife International. Nos destas instituições, SPEA, BirdLife e PNM formam equipa na execução de medidas de conservação em que os primeiros angariam fudos e todos executam. Mas de acordo com o PNM, há um peditório em curso para angariar fundos que posteriormente serão entregues ao Estado, através do PNM, para este executar medidas de conservação urgentes para uma espécie criticamente ameaçada. Percebi bem???

É que se assim é, não sei qual o sentimento que mais me inunda: se o de amargamente arrependido se o de que quem acaba de fazer figura de parvo. Mas seja lá o que fôr, não é nada de muito agradável. 

Gonçalo Rosa

sábado, agosto 28, 2010

arbustos, matos e ervas


ovelhas pastando
Imilchil, Alto Atlas
Agosto de 2010

floresta de cedros
Ifrane RN (Azrou), Mèknes, Médio Atlas
Agosto de 2010


oliveira
Tizi-n-Isli, Kasba Tadla, Médio Atlas
Agosto de 2010

 eucalíptal
Guermasse, Marrakech
Agosto de 2010

vale de Todra, Alto Atlas
Agosto de 2010


vale de Todra, Alto Atlas
Agosto de 2010
Há alguns dias atrás, publiquei aqui um pequeno post - agricultura de subsistência - amavelmente comentado por algumas pessoas. O primeiro comentário de Carlos Aguiar aquele texto trouxe-me à memória ideia que fui cimentando, ao longo dos dias da minha última viagem por Marrocos, da quase total ausência de sub-coberto florestal de muitas paisagens marroquinas. Registei-o com enorme estranheza, na minha santíssima ignorância. Talvez o sobrepastoreio e o uso do solo para o cultivo de cereais até a exaustão sejam fortemente responsáveis por estas paisagens. Talvez seja apenas obra da "natureza". Talvez estes e outros fenómenos. E talvez o Carlos possa ajudar a compreender estas imagens :)

Gonçalo Rosa

terça-feira, agosto 24, 2010

incúria sem limites

Garganta de Todra, Alto Atlas marroquino
Julho de 2006
(foto sacada daqui)

Esta é a fabulosa garganta de Todra, já perto de Tinerhir, na vertente sul do Alto Atlas marroquino, há cerca de quatro anos atrás. Por este canhão, com paredes verticais de mais de 160 metros de altura separadas por escassas dezenas de metros, corre um rio. Nestes tempos, ora montados nos seus burros e dromedários, ora acompanhando ovelhas e cabras, locais percorriam um discreto caminho desenhado no fundo da garganta enfeitada por palmeiras e pequenos cactos. Esta longa picada com muitas dezenas de quilómetros permitia o acesso às pequenas aldeias na montanha, a Norte, à cidade de Tinerhir.

 Garganta de Todra, Alto Atlas marroquino
Agosto de 2010

Apenas quatro anos depois, o cenário mudou drasticamente. Vieram máquinas que rasgaram uma estrada no fundo do vale. Prolongou-se o alcatrão até Imilchil, mais de uma centena de quilómetros a Norte. Ainda que a maioria continue a utilizar asnos e dromedários para se deslocarem, os mais abastados compraram carros. Uma ou outra aldeia ganhou vida com um pouco de turismo, outras, por enquanto, nem por isso. Ainda assim, o melhor acesso a automóveis e camiões, facilitou a vida destas gentes, possibilitando um mais fácil, rápido e seguro trânsito de gentes e bens.

A Sul, muitos são os turistas que agora visitam o canhão. Nasceram dezenas de pequenos albergues e restaurantes nas proximidades. Alguns ergueram-se encostados às arribas mais inclinadas e entalados pelo ribeiro que, em invernos rigorosos ou depois do degelo ganhará caudal surpreendente. É assustadoramente óbvia a iminência de desastre. A incúria do humanos não parece ter limites.

Gonçalo Rosa

quarta-feira, agosto 18, 2010

agricultura de subsistência

Imilchil, Alto Atlas marroquino
Agosto de 2010

A mais de 2000 metros de altitude, no Alto Atlas marroquino, aqui e ali, existem pequenas aldeias de camponeses e pastores. Aproveitam para o cultivo a fertilidade das várzeas dos rios e ribeiras que escavam a montanha. E dependem dessa agricultura de subsistência para sobreviverem. Aqui, figura semelhante à nossa Reserva Agrícola Nacional perderia importância. Cada milimetro de terra fértil serve o presente.

Gonçalo Rosa

domingo, agosto 15, 2010

O sumo de laranja (outra vez)

vendendo sumo de laranja
Djemaa El Fna, Marraquexe, Marrocos
Agosto de 2010

Neste fim de tarde de um dia de Agosto, em mais de uma vintena de pequenas tendas vendia-se sumo de laranja na principal praça de Marraquexe. Turistas, nacionais e estrangeiros, não davam descanso aos vendedores. O calor e o preço acessível - 30 a 40 cêntimos o copo - ajudam a converter laranjas e toranjas de produções locais em saborosos e refrescantes sumos.

Gonçalo Rosa
ps - bem a propósito, vale a pena revisitar O sumo de laranja, publicado pelo Henrique Pereira dos Santos

domingo, julho 25, 2010

e o doido sou eu!



Na última sexta-feira, em debate televisivo emitido transmitido pela SIC Notícias, um dirigente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) considerou que a possibilidade de abertura de grandes hipermercados aos domingos à tarde responder ao interesse dos cidadãos não é uma boa justificação. Como exemplo, afirmou que apesar de poder dar muito jeito a muita gente, não passaria pela cabeça de ninguém que, por exemplo, as repartições de finanças passassem a abrir ao sábado.
Pois… eu bem sentia que as minhas ideias de que o Estado serve os cidadãos e não o contrário eram grosseiro despautério :S
Gonçalo Rosa