Por que só agora e não antes? Há muito seríamos amantes. Felizes, talvez, desde outrora. E por que não o fez? Por que só agora?
Que espécie de amor é essa, a viver desprovida de pressa? É amor que aguarda retorno ou que apenas se guarda, como se morno?
Por que só agora e não antes? Temia que nos fizesse distantes? O que se perde de vida a cada hora... Pretendia dizer-me algum dia. Pois me diga: por que só agora?
O que tem no peito? Uma caixa-preta em perfeito estado que contém cada dado (indevassável) de sua cabine: o que pensa (mente), o que sente (crença) e até, bem provável, o que você nem define.
O que me soa mais triste? É que (ao que parece) você só existe dentro da caixa e voa, amiúde, em altitude tão baixa, como quem desconhece (incapaz) a magnitude (prece) das asas que traz.
nenhuma ruga sua é sem motivo o rosto é o retrato de sua história a prova inconteste de que está vivo guardada em cada vinco uma memória
talvez seu caminhar seja mais lento natural fazer-lhe o tempo um agrado sem pressa pode admirar o vento mover cada cabelo cacheado
é possível que se sinta sozinho sem alguns amigos pelo caminho e chore então um silêncio saudoso
toda essa sua emoção desmedida é porção que lhe sobeja de vida - somente a certidão lhe diz idoso
Cem anos é uma bobagem. Depois dos setenta, a gente começa a se despedir dos amigos. O que vale é a vida inteira, cada minuto também, e acho que passei bem por ela. Oscar Niemeyer, nascido no Rio de Janeiro, em 15 de dezembro de 1907.
A obra que se fez do encontro de doze poetisas espalhadas pelo Brasil será oficialmente lançada durante a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no estande da LivroPronto Editora, de 12 a 22 de agosto deste ano.
O pré-lançamento será hoje às 20:30 h., na Casa de Cultura Popular em Caicó/RN, terra natal de Hercília Fernandes, organizadora do livro.
Em Belo Horizonte/MG, o lançamento ocorrerá no mês de setembro, em local e data a serem ainda confirmados.
Registro, desde já, minha satisfação e alegria em ser uma dessas dozes Marias de mãos dadas em tão bela obra!
Assim que chega ao lar, livra-se de anel, brinco e colar...
Por isso, não se tatua. Sem o prazer de despir-se toda, nunca mais estaria nua.
Escrito a partir de: "Revelar a tatuagem é revelar o que, no corpo, esconde-se mais do que o próprio corpo, com o propósito, entretanto, de se revelar." Francisco Bosco, em Tattoo You, de Banalogias.
Insaciável a parede. Tão logo pintada, novamente se enche de sede. A perder-se, quase chega a coitada: trinca e infla, de si infiltrada.
E, recostada à cabeceira, como se ainda à beira de um sonho, com a tinta eu me ponho intrigada, a indagar: _ A que assistiu cada camada? Pois se logo se consumiu a parede, não há de ter sido por nada.
Se te sou motivo de desagrado, porque vivo a te pedir palavras de apaixonado, por que te manténs, com tantos poréns, enfim, ao meu lado?
É assim que amo e bem conhecias esses meus modos de século antepassado: o apego às poesias, o apreço pelo fado, o sossego das mãos em repouso no avesso do bordado.
Vazias, mas sempre ao aguardo de um afago mais que querido, tido por inesperado, que te ponhas a meus pés rendido e em minhas fronhas enamorado...
Imagem: A Girl Reading in a Sailing Boat, de Alfred Chantrey Corbould, 1869.
---------------faço-me -------------novelo de lã -----------teço-me casulo -----de modo que toda manhã -------chamam-me ao lençol -----------pra beber o sol ----------------engulo
Antes que te vás, merecidamente em paz, para conheceres os tantos saberes que nos são dormentes em vida, permite-me, por obséquio, uma tão breve despedida, que não ousaria atrasar-te a ida. Segue, homem, com toda honraria e haste à Ilha Desconhecida, consternada te digo, pois deixaste cada obra tua como que autografada comigo.
"todas as ilhas, mesmo as conhecidas, são desconhecidas enquanto não desembarcamos nelas" O Conto da Ilha Desconhecida
Chamem-me de patriota à vontade. Eu amo onde nasci. É daqui minha naturalidade. Distante, estou fora d'água, com a mágoa de minha fala não ser boa o bastante. Meu chão é este, em que piso e me pronuncio, em que não preciso do desvio da língua e origem: palavra, paladar, papel moeda, lugar e bandeira. Meus olhos, alhures, a tudo corrigem. Sou de alma brasileira.