sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Há 8 anos o mundo mudou...


A 11 de Setembro de 2001, há precisamente oito anos atrás, o mundo mudou.

Hoje gostava de prestar neste blog uma sentida homenagem às cerca de 3000 vítimas mortais daquele espectáculo de horror e de terror; às respectivas famílias que certamente muito sofreram e têm sofrido por terem visto os seus ente-queridos partir por uma causa que não era a sua, por terem visto os seus ente-queridos partir de um momento para o outro sem compreender o porquê e por fim, aos socorristas que se apressaram a correr para o local para acodir todos aqueles que estavam em apuros e muitos deles acabaram por perder as suas vidas ou ficar profundamente marcados para o resto das mesmas.

Tinha 10 anos naquele fatídico dia. Estava em casa, muito chateado por não dar outra coisa na televisão que não as imagens dos atentados. Cheguei a ver em directo o embate do segundo avião nas torres do World Trade Center, sem lhe dar grande importância.

Só mais tarde compreendi o quão frágeis e vulneráveis eramos naquele momento e nos dias que se seguiram aos atentados, levados a cabo por homens cujas mentes, consumidas pelo ódio, pela incompreensão e pelo fundamentalismo, não hesitaram na hora de provocar tanto mal.

"Nous Sommes Touts Americans" dizia um prestigiado jornal francês no dia seguinte à tragédia. De facto, ao contrário do que se fez crer, era a Humanidade e não apenas uma nação, que tinha sido profundamente atacada.

Nunca esquecerei o trabalho dos hérois que socorreram as vítimas, nunca esquecerei a imagem dos que saltaram dos andares para uma morte anunciada, mas injusta pela forma como chegou.

Naquela hora, George Walker Bush, Presidente dos Estados Unidos da América, no seu orgulho ferido a que até tinha direito, escolheu porém um caminho errado, um caminho baseado na vingança e no ódio. Preferiu dizer que ou estavam com ele ou estavam com os terroristas nessa luta do bem contra o mal.

O chefe de Estado dos "polícias do mundo", expressão que ajuda a caracterizar a política externa dos Estados Unidos da América que Bush tentou levar a cabo, nunca compreendeu a célebre frase de Mahatma Gandhi segundo o qual "olho por olho, o mundo acabará cego".

Bush nunca compreendeu que a História da Humanidade não é a história da lutas dos bons contra os maus, do que fazem sempre tudo bem contra aqueles que fazem sempre tudo mal; Bush esqueceu os erros e as faltas que os Estados Unidos da América tiveram muitas vezes, sobretudo ao longo do período da Guerra Fria, esquecendo os valores da democracia que os EUA implataram de forma sublime; Bush preferiu o uso da força ao uso da persuação, construiu muros e fronteiras onde era preciso construir pontes e o radicalismo e o fundamentalismo aumentaram.

Desde então, Afeganistão, Iraque, Guantanamo, Abu Ghraib, 11 de Março ou 7 de Julho, por exemplo são expressões que nos trazem a memória a lembrança de milhares de inocentes feridos, mortos ou torturados e nos fazem sentir que hoje vivemos num mundo mais perigoso e vulnerável.

Um mundo que é preciso mudar...


PS: Hoje as 00h20 a TVI emite o filme "Voo 93". A não perder. Um exemplo de coragem e bravura de 44 grandes patriotas.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Manifesto para os Alunos

Estando eu praticamente a ingressar no Ensino Superior e continuando a acreditar que é na Educação que joga o futuro do nosso mundo, não podia deixar de publicar neste blog o Manifesto do Presidente Barack Hussein Obama aos alunos. Apesar de não ser norte-americano este manifesto acaba por me dizer muito a mim também. Um texto brilhante para ler com atenção:



"Sei que para muitos de vocês hoje é o primeiro dia de aulas, e para os que entraram para o jardim infantil, para a escola primária ou secundária, é o primeiro dia numa nova escola, por isso é compreensível que estejam um pouco nervosos. Também deve haver alguns alunos mais velhos, contentes por saberem que já só lhes falta um ano. Mas, estejam em que ano estiverem, muitos devem ter pena por as férias de Verão terem acabado e já não poderem ficar até mais tarde na cama.

Também conheço essa sensação. Quando era miúdo, a minha família viveu alguns anos na Indonésia e a minha mãe não tinha dinheiro para me mandar para a escola onde andavam os outros miúdos americanos. Foi por isso que ela decidiu dar-me ela própria umas lições extras, segunda a sexta-feira, às 4h30 da manhã.

A ideia de me levantar àquela hora não me agradava por aí além. Adormeci muitas vezes sentado à mesa da cozinha. Mas quando eu me queixava a minha mãe respondia-me: "Olha que isto para mim também não é pêra doce, meu malandro..."

Tenho consciência de que alguns de vocês ainda estão a adaptar-se ao regresso às aulas, mas hoje estou aqui porque tenho um assunto importante a discutir convosco. Quero falar convosco da vossa educação e daquilo que se espera de vocês neste novo ano escolar.

Já fiz muitos discursos sobre educação, e falei muito de responsabilidade. Falei da responsabilidade dos vossos professores de vos motivarem, de vos fazerem ter vontade de aprender. Falei da responsabilidade dos vossos pais de vos manterem no bom caminho, de se assegurarem de que vocês fazem os trabalhos de casa e não passam o dia à frente da televisão ou a jogar com a Xbox. Falei da responsabilidade do vosso governo de estabelecer padrões elevados, de apoiar os professores e os directores das escolas e de melhorar as que não estão a funcionar bem e onde os alunos não têm as oportunidades que merecem.

No entanto, a verdade é que nem os professores e os pais mais dedicados, nem as melhores escolas do mundo são capazes do que quer que seja se vocês não assumirem as vossas responsabilidades. Se vocês não forem às aulas, não prestarem atenção a esses professores, aos vossos avós e aos outros adultos e não trabalharem duramente, como terão de fazer se quiserem ser bem sucedidos.

E hoje é nesse assunto que quero concentrar-me: na responsabilidade de cada um de vocês pela sua própria educação.

Todos vocês são bons em alguma coisa. Não há nenhum que não tenha alguma coisa a dar. E é a vocês que cabe descobrir do que se trata. É essa oportunidade que a educação vos proporciona.

Talvez tenham a capacidade de ser bons escritores - suficientemente bons para escreverem livros ou artigos para jornais -, mas se não fizerem o trabalho de Inglês podem nunca vir a sabê-lo. Talvez sejam pessoas inovadoras ou inventores - quem sabe capazes de criar o próximo iPhone ou um novo medicamento ou vacina -, mas se não fizerem o projecto de Ciências podem não vir a percebê-lo. Talvez possam vir a ser mayors ou senadores, ou juízes do Supremo Tribunal, mas se não participarem nos debates dos clubes da vossa escola podem nunca vir a sabê-lo.

No entanto, escolham o que escolherem fazer com a vossa vida, garanto-vos que não será possível a não ser que estudem. Querem ser médicos, professores ou polícias? Querem ser enfermeiros, arquitectos, advogados ou militares? Para qualquer dessas carreiras é preciso ter estudos. Não podem deixar a escola e esperar arranjar um bom emprego. Têm de trabalhar, estudar, aprender para isso.

E não é só para as vossas vidas e para o vosso futuro que isto é importante. O que vocês fizerem com os vossos estudos vai decidir nada mais nada menos que o futuro do nosso país. Aquilo que aprenderem na escola agora vai decidir se enquanto país estaremos à altura dos desafios do futuro.

Vão precisar dos conhecimentos e das competências que se aprendem e desenvolvem nas ciências e na matemática para curar doenças como o cancro e a sida e para desenvolver novas tecnologias energéticas que protejam o ambiente. Vão precisar da penetração e do sentido crítico que se desenvolvem na história e nas ciências sociais para que deixe de haver pobres e sem-abrigo, para combater o crime e a discriminação e para tornar o nosso país mais justo e mais livre. Vão precisar da criatividade e do engenho que se desenvolvem em todas as disciplinas para criar novas empresas que criem novos empregos e desenvolvam a economia.

Precisamos que todos vocês desenvolvam os vossos talentos, competências e intelectos para ajudarem a resolver os nossos problemas mais difíceis. Se não o fizerem - se abandonarem a escola -, não é só a vocês mesmos que estão a abandonar, é ao vosso país.

Eu sei que não é fácil ter bons resultados na escola. Tenho consciência de que muitos têm dificuldades na vossa vida que dificultam a tarefa de se concentrarem nos estudos. Percebo isso, e sei do que estou a falar. O meu pai deixou a nossa família quando eu tinha dois anos e eu fui criado só pela minha mãe, que teve muitas vezes dificuldade em pagar as contas e nem sempre nos conseguia dar as coisas que os outros miúdos tinham. Tive muitas vezes pena de não ter um pai na minha vida. Senti-me sozinho e tive a impressão que não me adaptava, e por isso nem sempre conseguia concentrar-me nos estudos como devia. E a minha vida podia muito bem ter dado para o torto.

Mas tive sorte. Tive muitas segundas oportunidades e consegui ir para a faculdade, estudar Direito e realizar os meus sonhos. A minha mulher, a nossa primeira-dama, Michelle Obama, tem uma história parecida com a minha. Nem o pai nem a mãe dela estudaram e não eram ricos. No entanto, trabalharam muito, e ela própria trabalhou muito para poder frequentar as melhores escolas do nosso país.

Alguns de vocês podem não ter tido estas oportunidades. Talvez não haja nas vossas vidas adultos capazes de vos dar o apoio de que precisam. Quem sabe se não há alguém desempregado e o dinheiro não chega. Pode ser que vivam num bairro pouco seguro ou os vossos amigos queiram levar-vos a fazer coisas que vocês sabem que não estão bem.

Apesar de tudo isso, as circunstâncias da vossa vida - o vosso aspecto, o sítio onde nasceram, o dinheiro que têm, os problemas da vossa família - não são desculpa para não fazerem os vossos trabalhos nem para se portarem mal. Não são desculpa para responderem mal aos vossos professores, para faltarem às aulas ou para desistirem de estudar. Não são desculpa para não estudarem.

A vossa vida actual não vai determinar forçosamente aquilo que vão ser no futuro. Ninguém escreve o vosso destino por vocês. Aqui, nos Estados Unidos, somos nós que decidimos o nosso destino. Somos nós que fazemos o nosso futuro.

E é isso que os jovens como vocês fazem todos os dias em todo o país. Jovens como Jazmin Perez, de Roma, no Texas. Quando a Jazmin foi para a escola não falava inglês. Na terra dela não havia praticamente ninguém que tivesse andado na faculdade, e o mesmo acontecia com os pais dela. No entanto, ela estudou muito, teve boas notas, ganhou uma bolsa de estudos para a Universidade de Brown, e actualmente está a estudar Saúde Pública.

Estou a pensar ainda em Andoni Schultz, de Los Altos, na Califórnia, que aos três anos descobriu que tinha um tumor cerebral. Teve de fazer imensos tratamentos e operações, uma delas que lhe afectou a memória, e por isso teve de estudar muito mais - centenas de horas a mais - que os outros. No entanto, nunca perdeu nenhum ano e agora entrou na faculdade.

E também há o caso da Shantell Steve, da minha cidade, Chicago, no Illinois. Embora tenha saltado de família adoptiva para família adoptiva nos bairros mais degradados, conseguiu arranjar emprego num centro de saúde, organizou um programa para afastar os jovens dos gangues e está prestes a acabar a escola secundária com notas excelentes e a entrar para a faculdade.

A Jazmin, o Andoni e a Shantell não são diferentes de vocês. Enfrentaram dificuldades como as vossas. Mas não desistiram. Decidiram assumir a responsabilidade pelos seus estudos e esforçaram-se por alcançar objectivos. E eu espero que vocês façam o mesmo.

É por isso que hoje me dirijo a cada um de vocês para que estabeleça os seus próprios objectivos para os seus estudos, e para que faça tudo o que for preciso para os alcançar. O vosso objectivo pode ser apenas fazer os trabalhos de casa, prestar atenção às aulas ou ler todos os dias algumas páginas de um livro. Também podem decidir participar numa actividade extracurricular, ou fazer trabalho voluntário na vossa comunidade. Talvez decidam defender miúdos que são vítimas de discriminação, por serem quem são ou pelo seu aspecto, por acreditarem, como eu acredito, que todas as crianças merecem um ambiente seguro em que possam estudar. Ou pode ser que decidam cuidar de vocês mesmos para aprenderem melhor. E é nesse sentido que espero que lavem muitas vezes as mãos e que não vão às aulas se estiverem doentes, para evitarmos que haja muitas pessoas a apanhar gripe neste Outono e neste Inverno.

Mas decidam o que decidirem gostava que se empenhassem. Que trabalhassem duramente. Eu sei que muitas vezes a televisão dá a impressão que podemos ser ricos e bem-sucedidos sem termos de trabalhar - que o vosso caminho para o sucesso passa pelo rap, pelo basquetebol ou por serem estrelas de reality shows -, mas a verdade é que isso é muito pouco provável. A verdade é que o sucesso é muito difícil. Não vão gostar de todas as disciplinas nem de todos os professores. Nem todos os trabalhos vão ser úteis para a vossa vida a curto prazo. E não vão forçosamente alcançar os vossos objectivos à primeira.

No entanto, isso pouco importa. Algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo são as que sofreram mais fracassos. O primeiro livro do Harry Potter, de J. K. Rowling, foi rejeitado duas vezes antes de ser publicado. Michael Jordan foi expulso da equipa de basquetebol do liceu, perdeu centenas de jogos e falhou milhares de lançamentos ao longo da sua carreira. No entanto, uma vez disse: "Falhei muitas e muitas vezes na minha vida. E foi por isso que fui bem-sucedido."

Estas pessoas alcançaram os seus objectivos porque perceberam que não podemos deixar que os nossos fracassos nos definam - temos de permitir que eles nos ensinem as suas lições. Temos de deixar que nos mostrem o que devemos fazer de maneira diferente quando voltamos a tentar. Não é por nos metermos num sarilho que somos desordeiros. Isso só quer dizer que temos de fazer um esforço maior por nos comportarmos bem. Não é por termos uma má nota que somos estúpidos. Essa nota só quer dizer que temos de estudar mais.

Ninguém nasce bom em nada. Tornamo-nos bons graças ao nosso trabalho. Não entramos para a primeira equipa da universidade a primeira vez que praticamos um desporto. Não acertamos em todas as notas a primeira vez que cantamos uma canção. Temos de praticar. O mesmo acontece com o trabalho da escola. É possível que tenham de fazer um problema de Matemática várias vezes até acertarem, ou de ler muitas vezes um texto até o perceberem, ou de fazer um esquema várias vezes antes de poderem entregá-lo.

Não tenham medo de fazer perguntas. Não tenham medo de pedir ajuda quando precisarem. Eu todos os dias o faço. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, é um sinal de força. Mostra que temos coragem de admitir que não sabemos e de aprender coisas novas. Procurem um adulto em quem confiem - um pai, um avô ou um professor ou treinador - e peçam-lhe que vos ajude.

E mesmo quando estiverem em dificuldades, mesmo quando se sentirem desencorajados e vos parecer que as outras pessoas vos abandonaram - nunca desistam de vocês mesmos. Quando desistirem de vocês mesmos é do vosso país que estão a desistir.

A história da América não é a história dos que desistiram quando as coisas se tornaram difíceis. É a das pessoas que continuaram, que insistiram, que se esforçaram mais, que amavam demasiado o seu país para não darem o seu melhor.

É a história dos estudantes que há 250 anos estavam onde vocês estão agora e fizeram uma revolução e fundaram este país. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 75 anos e ultrapassaram uma depressão e ganharam uma guerra mundial, lutaram pelos direitos civis e puseram um homem na Lua. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 20 anos e fundaram a Google, o Twitter e o Facebook e mudaram a maneira como comunicamos uns com os outros.

Por isso hoje quero perguntar-vos qual é o contributo que pretendem fazer. Quais são os problemas que tencionam resolver? Que descobertas pretendem fazer? Quando daqui a 20 ou a 50 ou a 100 anos um presidente vier aqui falar, que vai dizer que vocês fizeram pelo vosso país?

As vossas famílias, os vossos professores e eu estamos a fazer tudo o que podemos para assegurar que vocês têm a educação de que precisam para responder a estas perguntas. Estou a trabalhar duramente para equipar as vossas salas de aulas e pagar os vossos livros, o vosso equipamento e os computadores de que vocês precisam para estudar. E por isso espero que trabalhem a sério este ano, que se esforcem o mais possível em tudo o que fizerem. Espero grandes coisas de todos vocês. Não nos desapontem. Não desapontem as vossas famílias e o vosso país. Façam-nos sentir orgulho em vocês. Tenho a certeza que são capazes."


Barack Hussein Obama


Nota: Os negritos foram feitos por mim.

domingo, 30 de agosto de 2009

Timor: 10 anos depois

Passam hoje 10 anos do referendo à independência de Timor Leste! Uma realidade para a qual Portugal contribuiu desde 1975.

Esse foi o meu despertar para a causa dos Direitos Humanos e a prova de que a mobilização dos cidadãos para certas causas pode mudar o mundo

Recordo com nostalgia os 3 minutos de silêncio, o dia em que todos sairam à rua com uma peça branca, o empenho do Presidente Sampaio... Recordo igualmente todo o activismo da Dra. Ana Gomes nesta causa, da qual me falou numa palestra organizada por mim em Vila Praia de Âncora. Tive ainda a oportunidade de contactar na organização dessa palestra sobre os DH com D. Ximenes Belo por telemóvel. Momentos que não esqueço.

O país atravessa hoje muitos desafios. Mas estou certo que com a nossa ajuda e com a maturação da sua democracia tudo irá melhorar.

Escrevo hoje no DN: "A amnistia que Ramos Horta quer dar aos indonésios tem de ser acompanhada de uma garantia de que estes irão julgar os responsáveis das atrocidades cometidas contra os timorenses. Mais que não seja, em memória das longas barbas do falecido Carrascalão"

PS: Esta foi uma ausência longa devido aos exames, candidatura ao ensino superior e trabalho de Verão. Espero voltar agora em força no mês de Setembro. Os mais curiosos sempre me podem acompanhar em http://twitter.com/cavideira e ver o que fui dizendo acerca dos assuntos que foram marcando a agenda nos últimos tempos.

E hoje, mais do que nunca, é hora de recordar o hino dos Trovante a esta causa tão querida aos portugueses.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O nosso país

Mais do que tudo, os portugueses precisam de exemplo. Exemplo dos seus maiores e dos seus melhores. O exemplo dos seus heróis, mas também dos seus dirigentes. Dos afortunados, cujas responsabilidades deveriam ultrapassar os limites da sua fortuna. Dos sabedores, cuja primeira preocupação deveria ser a de divulgar o seu saber. Dos poderosos, que deveriam olhar mais para quem lhes deu o poder. Dos que têm mais responsabilidades, cujo “ethos” deveria ser o de servir.

Dê-se o exemplo e esse gesto será fértil! Não vale a pena, para usar uma frase feita, dar “sinais de esperança” ou “mensagens de confiança”. Quem assim age, tem apenas a fórmula e a retórica. Dê-se o exemplo de um poder firme, mas flexível, e a democracia melhorará. Dê-se o exemplo de honestidade e verdade, e a corrupção diminuirá. Dê-se o exemplo de tratamento humano e justo e a crispação reduzir-se-á. Dê-se o exemplo de trabalho, de poupança e de investimento e a economia sentirá os seus efeitos

António Barreto

Sim, talvez seja pelo facto do mau exemplo vir de cima, que o país está como está! Mas a culpa pela situação do país não é só dos políticos. É de todos! Dos tal 10 milhões de portugueses, com raríssimas excepções. Não vale a pena andarmos a lançar acusações, porque todos temos telhados de vidro.

Não podemos continuar a pensar, que nós, os portugueses, somos todos muito bons e o problema está nos políticos. Está em nós, que nem quando temos a oportunidade de escolher e mudar e somos chamados a fazê-lo, preferimos ficar em casa, tal como mostram os elevados níveis de abstenção. Se não há alternativas credíveis quem pensa assim, que avance por si próprio.

Para que o país ande para a frente de uma vez por todas é essencial que todos assumam as suas responsabilidades, ao contrário de apontar sempre o dedo aos outros. E para que isso aconteça, o exemplo tem que vir de cima.

E assim, pode ser que alguma coisa começe a mudar...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Dia de Portugal



"Ser intensamente patriota é três coisas. É, primeiro, valorizar em nós o indivíduo que somos, e fazer o possível por que se valorizem os nossos compatriotas, para que assim a Nação, que é a suma viva dos indivíduos que a compõem, e não o amontoado de pedras e areia que compõem o seu território, ou a coleção de palavras separadas ou ligadas de que se forma o seu léxico ou a sua gramática — possa orgulhar-se de nós, que, porque ela nos criou, somos seus filhos, e seus pais, porque a vamos criando."


Fernando Pessoa

sábado, 6 de junho de 2009

Carta de Despedida

Queridos colegas:

Hoje é um dia de grande felicidade para todos nós.

Não só por ter sido o último dia de aulas deste ano lectivo, mas porque o mesmo encerra um importante ciclo das nossas vidas.

Hoje, nesta noite de gala, a alegria do presente cruza-se com a nostalgia do passado e a expectativa do futuro.

Afinal sempre foram muitos, os anos que passamos nesta escola da qual nos despedimos para enfrentar um novo desafio nas nossas vidas.

Entramos putos de palmo e meio e hoje saímos quase uns homens e umas mulheres. Durante este período que passou tão depressa, crescemos em altura e em maturidade. É espantoso ver como mudamos tanto ao longo destes anos.

Nesta escola passamos momentos mais que importantes da nossa adolescência.

São sentimentos que a linguagem não expressa e emoções que as palavras não sabem traduzir.

São as visitas de estudo com tantas histórias para contar; as partidas e as malandrices pregadas a colegas, funcionários e professores; as aulas; os intervalos; os estudos até queimarem as pestanas (ou não).

São também as pessoas com quem nos cruzamos.

Os colegas e amigos que aqui fizemos e com os quais partilhamos todos estes momentos de descoberta e aprendizagem.

As funcionárias e os funcionários, uns mais bem dispostos que outros, uns mais nossos amigos que outros, mas sempre presentes e sempre importantes, mesmo quando nos impediam de fazer as nossas asneiras ou de faltar aquelas aulas para quem ninguém tinha pachorra para ir.

Os professores que afinal não são apenas aquelas criaturas odiosas que querem que estudemos a sua disciplina 25 horas por dia, mas homens e mulheres que nos preparam da melhor maneira que podem e que sabem para o mundo que nos espera lá fora.

A todos agradecemos por estes anos magníficos. Certamente que a memoria não se apagará.

Estamos orgulhosos por ter pertencido a esta escola e a esta instituição, por tudo o que ela nos proporcionou na construção da nossa identidade, mas cientes que também contribuímos para o seu dinamismo, ao longo destes anos.

Nesta noite de gala, em que nos vestimos a rigor, juntamo-nos para dizer um “adeus”, que nada mais é que um “até já”, e um “boa sorte” que nada mais é que um incentivo para continuarmos a subir a montanha da vida.

É um caminho duro, é um caminho árduo, é um caminho difícil, mas é o caminho que fará de nós os homens e as mulheres que irão mudar o mundo.


Carlos Alberto Videira
5 de Junho de 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

GRAZIE FIGO


MILANO - Dopo quattro intensi anni in nerazzurro, 140 presenze e 11 gol e una carriera da leader oltre che nel calcio italiano anche in quello spagnolo e portoghese, Luis Figo saluta il calcio giocato. L'Inter e i suoi tifosi possono solo dirgli grazie, per il suo contributo dato in questi anni dentro e fuori dal campo e per esser stato un esempio tanto da calciatore quanto come uomo. Grazie Luis.

sábado, 23 de maio de 2009

Verdades

Assisti a tudo isto em directo. Gostei de ouvir Marinho Pinto.

Manuela Moura Guedes faz do seu jornal de sexta uma autêntica palhaçada, que nada tem de informação, mas de perseguição e demagogia. As acusações e os ataques a José Sócrates (caso de que sou insuspeito para falar, visto nem nutrir grande simpatia pelo nosso Primeiro Ministro, o que não quer dizer que não esteja ao seu lado nesta trapalhada do Caso Freeport), as reportagens recheadas de demagogia e populismo e este último episódio fazem com que já passe este canal à frente nos meus habituais zappings, não assistindo sequer aos sábios comentários de Vasco Pulido Valente.

Marinho Pinto, foi politicamente incorrecto, mas deu um abanão e disse aquilo que era preciso dizer e que muitos não dizem porque não têm coragem. Estou do seu lado.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Adeus Figo!


Luís Figo deixou o futebol de alto nível.

Com ele sai de cena definitivamente a tal Geração de Ouro do futebol português que eu aprendi a admirar e a respeitar por toda a sua qualidade técnica, mas também pelo comportamento que sempre evidenciou dentro e fora das quatro linhas e que permitiu mudar o panorama nacional tornando o jogador português mais respeitado e a selecção nacional numa presença habitual e temida nas principais provas internacionais.

E essa geração tinha precisamente em Luís Figo o seu maior expoente, ele que foi com Zidane, o melhor jogador do mundo do seu tempo. Se não foi o melhor, foi pelo menos o mais completo.

Numa era em que a maioria dos futebolistas europeus de topo são adorados como deuses, pagos como reis e vivem sob os holofotes da fama, Luís Figo foi um exemplo para todos.

É reconfortante olhar para as suas origens humildes e ver naquilo em que se tornou ao custo de muito talento, mas também de trabalho árduo. Dono de um currículo invejável e profissional inigualável, símbolo de uma geração e de uma forma de estar no futebol, ora com a bola nos pés, ora no balneário da selecção nacional.

Sai de cena. A juntar mais um título ao recheado palmarés, como se de um imperador se tratasse. A nós portugueses resta-nos agradecer-lhe por tão bem nos ter sabido representar, tendo-se tornado num símbolo de Portugal além fronteiras. Fica também a imagem de um líder por quem ainda suspiramos, de quem soube transportar a bandeira para perto dos adeptos e uni-los à sua selecção.

Em mim, que me ensinas-te a gostar de futebol e sempre foste o meu modelo no desporto, deixas um vazio e a recordação de um homem correcto e humanista, para além de jogador fora do comum e líder dentro e fora das quatro linhas. Pelo teu legado mostras-te que não é desgraça ter nascido português.

Parabéns!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Ensaio "Escolhas Racionais?"

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12º Lugar do Prémio Católica Prof. Xavier Pintado 2009 - ECOnomia


Objecto de Estudo:
Filme “The Day After Tomorrow” (“O Dia Depois de Amanhã”) do ano 2004 de ficção científica, dirigido por Roland Emmerich.

Economia e Aquecimento Global. Que Relação?
A História do ser humano é feita de decisões que a marcaram.
A Economia, estando ligada ao essencial da vida de cada um, estuda o ser humano de acordo com as suas escolhas e as suas decisões.
O filme “The Day After Tomorrow” mostra-nos que o aquecimento global é um problema que diz respeito à Economia, pois nele identificamos uma situação em que se defrontam duas alternativas e onde o ser humano terá que optar por uma delas: ou continuamos a queimar combustíveis fósseis e a poluir o ambiente sendo que os calotes irão derreter, a água doce lançada nos oceanos afectará os fluxos de ar e as correntes marítimas, pondo em causa o equilíbrio entre água doce e salgada, havendo uma dessalinização que causará o arrefecimento do planeta, ou começamos a repensar a utilização dos recursos que ainda temos, salvando o nosso planeta.
A Racionalidade na utilização dos recursos
Este problema prende-se então com a forma como utilizamos os recursos que estão ao nosso dispor.
Ora, na Economia há um conceito fundamental que nos diz de que forma devemos utilizar os recursos para evitar as terríveis consequências de problemas como o aquecimento global. Esse conceito é o da racionalidade, ou seja, recusando o desperdício, cada pessoa escolhe o que lhe parece melhor de acordo com o interesse próprio, pesando os prós, ou seja o valor, e os contras, ou seja, o custo.
Relativamente ao meio ambiente, o filme alerta-nos para o facto de o ser humano não estar a ser racional, pois ao não pagar o valor da Natureza, da água ou do sol, por exemplo, que apesar de vitais, são ainda suficientes e por isso não têm custo e são gratuitos, aceita o desperdício como algo de banal.
O ser humano tem usado a racionalidade com vista a obter o crescimento económico sem limites e continua a usar e a abusar do meio ambiente a seu belo prazer, emitindo gases tóxicos para a atmosfera. Desse modo, os “recursos não renováveis” esgotam-se e os “renováveis” tornam-se escassos.
Mas para ser racional relativamente a este fim, não é necessário usar e abusar dos recursos naturais da mesma forma que não se abusa dos recursos humanos, obrigando-os a um regime de escravatura, por exemplo.
Ser racional e consciente implica sobretudo dizer não ao desperdício.
Desenvolvimento sustentável como forma de equilíbrio
Há então um postulado fundamental da Economia que nos indica a forma como devemos responder a este problema. É o postulado do equilíbrio que neste caso concreto diz-nos que devemos trabalhar em prol de uma situação onde haja uma maior harmonia entre crescimento económico e respeito pelo meio ambiente. Esse objectivo tem um nome: desenvolvimento sustentável.
Não podemos continuar a pôr em causa o direito ao desenvolvimento das gerações vindouras ao optarmos apenas pelo crescimento económico, pois continuando a abusar dos recursos naturais ainda disponíveis, o meio ambiente sofrerá danos irreversíveis, que poderão por em causa a própria vida no planeta.
A importância e o valor do ambiente
O meio ambiente é cada vez mais uma fonte de preocupações da opinião pública mundial, sendo que se multiplicam as manifestações, os filmes, os livros e os documentários por parte de quem compreende a importância de um meio ambiente saudável para a vida na Terra.
Porém, há agentes económicas que ainda resistem a este facto e, tal como o vice-presidente norte-americano no filme, argumentam que a redução das emissões de gases poluentes custa à economia mundial centenas de biliões de dólares.
Esse argumento não é valido. O preço de não agir será maior, visto que verificar-se-á uma série de alterações no clima, que modificarão por completo o planeta Terra, fazendo surgir no Hemisfério Norte quase como que uma nova “Idade do Gelo”, sendo que milhões de pessoas terão de partir em direcção ao sul em busca de temperaturas mais amenas.
Todos sabemos que as decisões têm um valor e um custo, uma oferta e uma procura, devido à escassez, porque o ser humano tem mais necessidades do que recursos para as satisfazerem.
Assim nasce o custo, sendo que o valor das escolhas é o custo do que não escolhemos e da satisfação que cada pessoa tira do uso da sua opção para satisfação das suas necessidades.
Na definição do custo de não actuar perante os graves desequilíbrios que o ambiente apresenta, há que ter em conta os problemas ecológicos das externalidades que a produção de bens e serviços cria, e que apesar de não serem contabilizadas, são identificáveis e afectam a sociedade, reduzindo o seu bem-estar, objectivo principal da ciência económica.
Imagine-se, no cenário que o filme apresenta, com fortes nevões na Índia, tempestades de granizo do tamanho de bolas de golfe, ciclones devastadores, tornados enormes e furacões violentíssimos, os elevados custos que advirão desses fenómenos. Imagine-se os custos avultadíssimos que os acidentes rodoviários, a queda de aviões, a destruição de edifícios e a devastação das cidades que lançariam o caos nas populações, obrigadas a ser evacuadas em massa, significariam na economia mundial.
Conclusão – internalização dos valores ecológicos nos valores económicos
Talvez seja de repensar a falha do mercado que constitui o facto do produtor não pagar o custo dos recursos naturais quando há um preço diferente do verdadeiro valor dos mesmos.
Sabemos que é impossível recuar no desenvolvimento para dar primazia ao ambiente, daí que seja necessário um ponto de equilíbrio que constitua uma solução comum, incutindo e internalizando na sociedade e nos agentes económicos o respeito pelo valor do ambiente, através das três formas de tomar decisões em Economia.
Através da tradição dever-se-á incutir na sociedade uma educação ambiental segura e eficaz, capaz de criar novos hábitos sensíveis aos valores ecológicos.
Por outro lado, o Estado, deverá fazer uso da autoridade, através de regras e leis por exemplo, a fim de penalizar quem não respeite uma utilização racional e equilibrada dos recursos, elevando estes se necessário à categoria de bens públicos, fixando impostos e taxas para a sua utilização.
Por fim, se estas práticas forem levadas a cabo com sucesso, dever-se-á deixar que o mercado funcione e que a livre escolha dos agentes económicos tenha em conta os valores ambientais, preservando assim o planeta e a vida do ser humano.

Bibliografia:
NEVES, J. C., “O que é a Economia?”, Principia, 2003;
NEVES, J. C., “O Estranho Caso do Livro de Economia: Uma Investigação Económico-Criminal de Dick Shade”, Verbo, 1996;
PAIS, M. J. e outros, “Economia A – 11º ano”, Texto Editores, 2008;

Carlos Alberto Videira
João Pedro Fernandes