BAC Strikemaster
BAC 167 Strikemaster | |
|---|---|
| Strikemaster Mk. 88 da Força Aérea Real da Nova Zelândia (RNZAF). | |
| Descrição | |
| Tipo / Missão | Aeronave de ataque e treinamento |
| País de origem | |
| Fabricante | British Aircraft Corporation |
| Período de produção | 1967-1984 |
| Quantidade produzida | 146 |
| Desenvolvido de | BAC Jet Provost |
| Primeiro voo em | 26 de outubro de 1967 (58 anos) |
| Introduzido em | 1967 |
| Aposentado em | 2010 |
| Variantes | 12 variantes Ver texto |
O BAC Strikemaster é uma aeronave de ataque e treinamento a jato, projetada e produzida pela firma britânica British Aircraft Corporation (BAC). Ele é um desenvolvimento do Hunting Jet Provost, um avião de treinamento a jato produzido pela companhia, sendo o Strikemaster uma variante armada do Jet Provost T. Mk.5.
Diversas melhorias e alterações foram feitas na aeronave, incluindo um motor turbojato Armstrong Siddeley Viper, hardpoints nas asas, capazes de transportar uma ampla variedade de munições, um par de metralhadoras de 7.62mm (montadas sob as entradas de ar), sistema de flaps aprimorado, freios aerodinâmico ampliados, novos equipamentos de comunicação e navegação, sistema elétrico diferente, sistema de quebra de canopi para os assentos ejetáveis e um sistema de combustível revisado, incluindo tiptanks (tanques nas pontas das asas).
Tendo seu primeiro voo em 1967, a aeronave era normalmente comercializada para as funções de ataque leve e contrainsurgência, porém, muitos dos seus operadores buscavam uma aeronave de treinamento avançado. Exportado para dez países, o Strikemaster participou de missões de combate na América do Sul e no Oriente Médio. Um total de 146 unidades foram produzidas até 1983, tendo sido operado até 2010 na Força Aérea do Equador, que foi seu último operador militar.
Design e desenvolvimento
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Durante os anos 50, o Hunting Jet Provost entrou em serviço ativo na Real Força Aérea (RAF), se tornando o primeiro avião de treinamento inicial a jato a ser operado por qualquer força aérea em todo mundo.[1] Nos anos 60, a British Aircraft Corporation (BAC), que havia a Hunting Aircraft, e por tabela, os direitos do Jet Provost, prosseguiu com o desenvolvimento de uma versão para ataque leve/contrainsurgência do tipo, que designou como BAC 167. A essa altura, já era evidente que várias das licitações em que o Jet Provost havia participado, o tipo havia sido rejeitado devido à sua suposta falta de poder de fogo.[1]
Sendo propelido por um motor turbojato Armstrong Siddeley Viper, como o próprio Jet Provost, porém, o motor foi aprimorado para produzir até 3.140 lb (14 kN) de empuxo.[1] O sistema de combustível foi revisado, incorporando tanques de combustíveis conformes nas pontas das asas, com a opção de montagem de até quatro tanques destacáveis de 340 L cada, que aumentam a autonomia da aeronave e seu raio de ação efetivo em combate quando necessário.[1] Além disso, áreas-chave da estrutura da aeronave, como as asas, foram reforçadas para suportar as cargas adicionais decorrentes do transporte de diversos tipos de munição.[1]
Por volta de 1.400 kg (3.000 lb) de cargas adicionais podem ser carregadas nos quatro hardpoints sob as asas do Strikemaster.[1] Munições que podiam ser carregadas eram até quatro bombas de 227 kg (500 lb), oito bombas de treino de 11 kg (25 lb), oito bombas pré-fragmentadas de 9 kg (20 lb), 24 foguetes SURA R80, de 80 mm, ou quatro casulos de foguetes Matra SNEB, de 68mm, além de dois casulos de metralhadoras 12.7 mm (.50).[1] Em adição ao armamento carregado sob as asas, duas metralhadoras belgas FN Herstal MAG, de 7.62 mm, montado abaixo das tomadas de ar, com uma câmera de tiro G90 montada no nariz da aeronave. Uma variedade de aparelhos de mira podiam ser instalados para ambos os tripulantes.[1]
O Strikemaster contava com dois assentos ejetores, com capacidades de ejeção em baixa altitude. Uma vantagem importante do tipo era a capacidade de ser utilizado tanto como aeronave de combate quanto como treinador. Além disso, o Strikemaster tinha capacidade de ser operado em aeródromos austeros e pistas improvisadas. Esses atributos levaram ao amplo uso desse modelo por diversas nações estrangeiras como uma aeronave de combate relativamente acessível.[1]
Em 26 de outubro de 1967, o primeiro protótipo realizou seu primeiro voo no Aeródromo de Warton, com um total de dois protótipos tendo sido construídos.[2] Como resultado de uma competição interna entre os funcionários da BAC, o modelo foi batizado como Strikemaster, sendo oficialmente endossado pela fabricante em outubro de 1968.[1] A produção do tipo foi centralizada em Warton até o final dos anos 70, quando as montagens finais foram transferidas para o Aeroporto de Hurn. Vendas do tipo perderam força no início dos anos 70, levando a sua produção ser descontinuada.[1]
História operacional
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Em maio de 1966, a Arábia Saudita foi o primeiro operador do tipo, optando por um lote de 25 unidades do Strikemaster Mk.80, como parte de uma encomenda de equipamentos defesa aérea em geral.[1][3] Em 26 de agosto de 1968, a Força Aérea Real Saudita (RSAF) recebeu seus primeiros exemplares, com entregas indo até maio de 1978. No serviço ativo saudita, o Strikemaster foi utilizado em missões de ataque e treinamento.[1]
Outro operador chave foi o Omã, que encomendou doze unidades do tipo em 1967, os recebendo em no verão de 1969. Mais treze unidades foram adquiridas pouco tempo depois, totalizando 23 unidades.[1][2][4] Em vários ocasiões durante a Rebelião de Dófar, a Real Força Aérea de Omã (RAFO) conduziu missões de combate contra os insurgentes da Frente de Libertação de Dófar empregando o Strikemaster, iniciando em outubro de 1969.[1] Um engajamento em especial aconteceu durante a Batalha de Mirbat, em 1972, quando quatro Strikemaster omanis proveram apoio aéreo aproximado às forças terrestres, em grande desvantagem numérica, que estavam sob ataque de cerca de 300 insurgentes, conseguindo auxiliar a vitória da guarnição omani contra os insurgentes.[1][5] Três unidades foram abatidas ao longo do conflito, alegadamente, uma delas por mísseis superfície-ar portátil 9K32 Strela-2.[6]
Durante o início dos anos 70, a Força Aérea do Quênia (KAF) adquiriu Strikemasters como parte de um programa de modernização de sua aviação de combate.[1][2][7] A frota queniana frequentemente operava em estreita colaboração com seu primeiro caça a jato de combate, o Hawker Hunter.[1]
Após a criação da Ala Aérea das Forças de Defesa de Botsuana, em abril de 1977, em meio à escalada das tensões regionais, a força adquiriu nove aeronaves Strikemaster reformadas, anteriormente utilizadas no Quênia e no Kuwait.[1][2][8] Durante o fim dos anos 90, o tipo foi retirado de serviço, sendo substituído por caças supersônicos Canadair CF-5, tendo maioria dos Strikemasters sendo vendidos ao mercado privado.[1][8]
A Força Aérea do Equador (FAE) utilizou o Strikemaster na Guerra de Cenepa para atacar posições do Exército do Peru.[9][10] Um Strikemaster equatoriano sofreu um acidente durante uma missão de treinamento na fronteira norte, perto da Colômbia, em 25 de março de 2009, com ambos os tripulantes ejetando, porém, um faleceu devido a ferimentos sofridos durante o resgate, após o cabo de resgate arrebentar.[11] O Equador foi o único país que utilizou a aeronave até o início do século XXI, tendo retirado elas de serviço em 2010.[12][13]
O Strikemaster operou em dez países como aeronave de instrução e treinamento e ataque ao solo. As operações foram restritas por maioria dos operadores militares após aeronaves da Real Força Aérea da Nova Zelândia (RNZAF) terem sido encontradas com fissuras por fadiga em suas asas. Ao fim da década de 2010, havia escassez de vários componentes essenciais, como freios e geradores de partida, o que tornava cada vez mais difícil manter o Strikemaster em condições de voo.[1]
Alguns Strikemasters retirados de serviço em Arábia Saudita, Botsuana, Nova Zelândia e Singapura foram vendidos para colecionadores e pilotos privados e voam em festivais e shows aéreos.[14] Unidades também foram operadas por empresas privadas de aviação, como a Blue Air Training e Global Aviation, que conduzem treinos a pilotos militares e civis.[1][15][16][17]
Variantes
[editar | editar código]- Strikemaster Mk 80: Variante de exportação para a Arábia Saudita, 25 unidades produzidas;
- Strikemaster Mk 80A: 20 unidades vendidas para a Arábia Saudita como parte de uma ordem de seguimento.
- Strikemaster Mk 81: Variante de exportação para o Iêmen do Sul, quatro unidades produzidas;
- Strikemaster Mk 82: Variante de exportação para Omã, 12 unidades produzidas;
- Strikemaster Mk 82A: 12 unidades vendidas para Omã, como parte de uma ordem de seguimento.
- Strikemaster Mk 83: Variante de exportação para o Kuwait, 12 unidades produzidas;
- Strikemaster Mk 84: Variante de exportação para Singapura, 16 unidades produzidas;
- Strikemaster Mk 87: Variante de exportação para o Quênia, seis unidades produzidas;
- Strikemaster Mk 88: Variante de exportação para a Nova Zelândia, 16 unidades produzidas;
- Strikemaster Mk 89: Variante de exportação para o Equador, 22 unidades produzidas;
- Strikemaster Mk 89A: Seis unidades vendidas para o Equador, como parte de uma ordem de seguimento.
- Strikemaster Mk 90: Variante de exportação para o Sudão. Quatro unidades produzidas.
Operadores
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Arábia Saudita - Real Força Aérea Saudita (RSAF): Recebeu 25 Strikemaster Mk.80 e 22 Mk.80A;[18]
Botswana - Ala Aérea das Forças de Defesa de Botsuana: Adquiriu nove unidades de segunda mão de Strikemaster Mk.83 ex-Quênia e Strikemaster Mk.87 ex-Kuwait;
Costa do Marfim - Força Aérea da Costa do Marfim: Adquiriu duas unidades ex-Botsuana.[19] Uma unidade destruída durante o conflito franco-marfinense de 2004;[20]
Equador - Força Aérea Equatoriana (FAE): Recebeu 22 Strikemaster Mk.89 e seis Mk.89A. Retirados de serviço em 2010;[9][12][13]
Iêmen do Sul - Força Aérea da Republica Popular Democrática do Iêmen: Recebeu quatro Strikemaster Mk.81 em 1970;[21]
Kuwait - Força Aérea do Kuwait: Recebeu 12 Strikemaster Mk.83;
Nova Zelândia - Real Força Aérea da Nova Zelândia (RNZAF): Recebeu 16 unidades do Strikemaster Mk.88. Operado de 1972 a 1991.[22]
Omã - Real Força Aérea de Omã (RAFO): Recebeu 12 Strikemaster Mk.82 e 13 Mk.82A;[4]
Quênia - Força Aérea do Quênia (KAF): Recebeu seis Strikemaster Mk.87;
Singapura - Recebeu 16 Strikemaster Mk.84, retirados de serviço em 1984;
Sudão - Força Aérea do Sudão: Recebeu quatro Strikemaster Mk.90 em 1983.[23]
Especificações (Strikemaster Mk.88)
[editar | editar código]Informações de Jane's All The World's Aircraft 1976–77[24]
Características gerais
- Tripulação: Dois;
- Comprimento: 10.27 m (33 ft 8 1⁄2 in);
- Envergadura: 11.23 m (36 ft 10 in);
- Altura: 3.34 m (10 ft 11 1⁄2 in);
- Área de asa: 19.85 m2 (213.7 sq ft);
- Aerofólio: NACA 23015 (modificado) na raiz da asa e NACA 4412 (modificada) na ponta da asa;
- Peso vazio: 2,810 kg (6,195 lb);
- Peso carregado: 4,220 kg (9,303 lb);
- Peso máxima de decolagem (MTOW): 5,216 kg (11,500 lb);
- Capacidade de combustível: 1,660 L de combustível total, incluindo tiptanks;
- Motor: 1x turbojato Rolls-Royce Viper Mk.535, gerando 3,140 lbf (14.0 kN) de empuxo seco;
Desempenho
- Velocidade máxima: 774 km/h (418 kn) a 5.500 m (18,000 ft);
- Velocidade de estol: 158 km/h (85 kn), com os flapes estendidos;
- Velocidade a nunca exceder: 834 km/h (450 kn);
- Alcance: 2,224 km (1,201 nmi);
- Alcance de combate: 233 km (126 nmi) com 1.400 kg (3.000 lb) em armas, configuração lo-lo-lo;
- Teto de serviço: 12,000 m (40,000 ft);
- Taxa de subida: 26.7 m/s (5,250 ft/min).
Armamento
- Metralhadoras: 2x metralhadoras FN Herstal MAG 60.40, de 7.62mm, com 550 tiros cada;
- Foguetes: 24x foguetes Oerlikon-Bührle SURA-FL, de 81 mm;
- 18x foguetes Oerlikon-Bührle SURA-D, de 81 mm;
- 12x foguetes Oerlikon-Bührle/SNIA-Vicosa SNORA, de 81 mm;
- 6x foguetes SERAM T.10, de 120 mm;
- 4x foguetes HVAR, de 127mm;
- 4x casulos de foguetes Matra RL 181 com 18 foguetes SNEB, de 37 mm, cada;
- 4x casulos de foguetes SNIA AL-18-50, com 18 foguetes SNIA-BPD, de 51mm, cada;
- 2x casulo de foguetes White & Riches, com 24 foguetes RP, de 51mm, cada;
- 4x casulos de foguetes TBA 68-7, com 7 foguetes SNEB, de 68mm, cada;
- 4x casulos de foguetes Matra 116M com 19 foguetes SNEB de 68mm, cada;
- Míssil Ar-Superfície: 4x míssil anticarro Nord Aviation AS.11;
- Bombas de Emprego Geral: 8x bombas Royal Ordnance de 45 kg (100 lb);
- 4x bombas Royal Ordnance de 113 kg (250 lb);
- 4x bombas Mk.81, de 113 kg (250 lb);
- 4x bombas Royal Ordnance de 227 kg (500 lb);
- 2x bombas Mk.82, de 227 kg (500 lb);
- 2x bombas Royal Ordnance de 454 kg (1000 lb);
- 2x bombas Mk.83, de 454 kg (1000 lb);
- Bombas de fragmentação: 12x bombas de fragmentação Royal Ordnance, de 9.1 kg (20 lb);
- 6x bombas de fragmentação Royal Ordnance, de 27 kg (60 lb);
- Bombas Incendiárias: 4x tanques de napalm de 283 L;
- Câmera de reconhecimento: 2x casulos de reconhecimento Beagle, cada um com câmeras F.95;
- Hardpoints: Quatro (dois por asa), com capacidade de 1.400 kg (3,000 lb), no total, incluindo casulos de metralhadoras, casulo de foguetes ar-superfície, bombas incendiárias (napalm) tanques destacáveis.
Ver também
[editar | editar código]Desenvolvimento relatado
Aeronaves de função, configuração e época comparáveis
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 Watkins, David (2023). Jet Provost Boys: True Tales from the Operators of the Jet Provost and Strikemaster (em inglês). [S.l.]: Grub Street Publishing. ISBN 9781911714538
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- 1 2 «BAC Strikemaster Mk.82: Oh Man». War Thunder — official forum (em inglês). 29 de novembro de 2023. Consultado em 3 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 20 de junho de 2025
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