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Bolívia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Para outros significados, veja Bolívia (desambiguação).
Estado Plurinacional da Bolívia
Estado Plurinacional de Bolivia[nota 1] (espanhol)
Puliwya Achka Aylluska Mamallaqta (quíchua)
Wuliwya Walja Ayllunakana Marka (aimará)
Tetã Hetate'ýigua Mborívia (guarani)
Lema: La unión es la fuerza
"A união é a força"
Hino: Bolivianos, el hado propicio
"Bolivianos, o futuro propício"
Localização do Bolívia
CapitalSucre (constitucional)
La Paz (sede do governo)
Maior cidadeSanta Cruz de la Sierra
Língua oficial
Gentílicoboliviano(a)
GovernoRepública presidencialista unitária
Rodrigo Paz
Edmand Lara
Independência 
 Declarada
6 de agosto de 1825
Área
  Total1 098 581 km2 (28.º)
  Água (%)1,29
FronteiraArgentina, Chile e Paraguai (S)
Brasil (E)
Peru (W)
População
  Estimativa para 202312 388 575[6] hab.
  Densidade11,27 hab./km2
PIB (PPC)Estimativa para 2019
  TotalUS$ 94,392 bilhões*[7]
  Per capitaUS$ 8 172[7]
PIB (nominal)Estimativa para 2019
  TotalUS$ 42,401 bilhões*[7]
  Per capitaUS$ 3 670[7]
IDH (2023)0,733 (108.º) – alto[8]
Gini (2019)41,6[9]
MoedaBoliviano (BOB)
Fuso horárioUTC −4
Hora atual: 21:23
  Verão (DST)UTC −4
Cód. ISOBOL
Cód. Internet.bo
Cód. telef.+591
Website governamentalwww.gob.bo

Bolívia,[nota 2] oficialmente Estado Plurinacional da Bolívia,[10][11] é um país encravado no centro-oeste da América do Sul. Faz fronteira com o Brasil ao norte e leste, Paraguai e Argentina ao sul, Chile e Peru ao oeste.

Antes da colonização europeia, a região andina boliviana fazia parte do Império Inca — o maior império da era pré-colombiana. O Império Espanhol invadiu e conquistou essa região no século XVI. Durante a maior parte do período colonial espanhol, este território era chamado Alto Peru ou Charcas e encontrava-se sob a administração do Vice-Reino do Peru, que abrangia a maioria das colônias espanholas sul-americanas. Após declarar independência em 1809, dezesseis anos de guerras se seguiram antes do estabelecimento da república, instituída por Simón Bolívar, em 6 de agosto de 1825. Desde então, o país tem passado por períodos de instabilidade política, ditaduras e problemas econômicos.

A Bolívia é uma república democrática, dividida em nove departamentos. Geograficamente, possui duas regiões distintas, o altiplano a oeste e as planícies do leste, cuja parte norte pertence à bacia Amazônica e a parte sul à Bacia do Rio da Prata, da qual faz parte o Chaco boliviano. É um país em desenvolvimento, com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) médio e uma taxa de pobreza que atinge cerca de 60% da população. Dentre suas principais atividades econômicas, destacam-se a agricultura, silvicultura, pesca, mineração, e bens de produção como tecidos, vestimentas, metais refinados e petróleo refinado. A Bolívia é muito rica em minerais, especialmente em estanho.

A população boliviana, estimada em 10 milhões de habitantes, é multiétnica, possuindo ameríndios, mestiços, europeus, asiáticos e africanos. A principal língua falada é o espanhol, embora o aimará e o quíchua também sejam comuns. Além delas, outras 34 línguas indígenas são oficiais. O grande número de diferentes culturas na Bolívia contribuiu para uma grande diversidade em áreas como a arte, culinária, literatura e música.

Etimologia

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O estado boliviano foi fundado sob o nome de República de Bolívar em homenagem a seu libertador, Simón Bolívar. Posteriormente, foi modificada a proposta do deputado de Potosí, presbítero Manuel Martín Cruz, que argumentou com a seguinte frase: "Se de Rômulo, Roma; de Bolívar, Bolívia".[12] A nova república adotou oficialmente o nome de Bolívia em 3 de outubro de 1825.[12] Do mesmo modo, a Assembleia Deliberante nomeou o libertador Bolívar como primeiro presidente da república, o qual a chamou de filha predileta.[12]

História

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Era pré-colombiana

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Porta do Sol, nas ruínas de um antigo povoamento da cultura Tiauanaco

Segundo vestígios arqueológicos encontrados no sítio arqueológico de Monte Verde, no sul do Chile, o homem chegou à América do Sul há 15 mil anos ou alguns milênios antes, vindo da América do Norte, durante o Último Máximo Glacial.[13] Esses primeiros povos, ancestrais dos indígenas sul-americanos, ao longo dos milênios ocuparam toda essa porção do continente americano, incluindo a região dos Andes.[14]

Com o passar dos milênios, os indígenas da atual Bolívia descobriram a agricultura e domesticaram alguns animais e, com isso, abandonaram as cavernas e abrigos rochosos, dando início ao período arcaico, em cujo fim, por volta de 2.500 a 1.500 a.C., desenvolveram a indústria têxtil e cerâmica.[14]

No segundo milênio antes de Cristo, surgiram as primeiras aldeias, no período formativo, quando surgiram as culturas wankarani, do altiplano, e chiripa, lacustre.[14]

A cultura Tiahuanaco começou a se formar por volta de 1.200 a.C., com uma revolução urbana no altiplano. Essa cultura era baseada em uma cidade-estado de mesmo nome, nas proximidades do lago Titicaca e, a partir do século VII, começou a se expandir, tornando-se um império, abrangendo parte dos atuais territórios dos vizinhos Peru, Chile e Argentina. No século XII, Tiahuanaco entrou em decadência e a região do Altiplano foi ocupada pelos aimarás.[14][15]

Com a decadência de Tiahuanaco, a região do Altiplano Boliviano caracterizou-se pela presença de diversos subgrupos dos aimarás, que começaram a formar confederações étnicas. No século XV, o Reino Colla se formou na região, sendo logo conquistado pelo Império Inca, de língua quíchua, que deu autonomia aos aimarás.[14][16]

Período colonial

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Em 1531, iniciou-se a conquista do Império Inca, fragilizado por disputas internas, pelos espanhóis, liderados por Francisco Pizarro, a serviço do rei Carlos I da Espanha. No ano seguinte, esse império indígena foi derrotado e a região da Bolívia foi incorporada aos domínios espanhóis.[16][17][18]

Nos altiplanos da região de Charcas (atual Bolívia), cerca de dez anos após a conquista espanhola, foram descobertas grandes jazidas de prata e muito da população indígena foi utilizada como mão-de-obra na mineração. Os espanhóis fundaram, ao longo do tempo, cidades na área, como Chuquisaca (atual Sucre, 1538), Potosí (1545), La Paz (1548), Cochabamba (1571) e Oruro (1606).[16][17] Em 1559, foi criada, dentro do Vice-Reino do Peru, a Real Audiência de Charcas, sediada em Chuquisaca.[16]

A conquista da região das terras baixas da Bolívia se estendeu por mais tempo e foi marcada pela resistência dos indígenas. Em 1561, os espanhóis fundaram a cidade de Santa Cruz de la Sierra.[18]

Em meados do século XVII, a mineração de prata era a principal atividade econômica da região de Charcas e Potosí, com cerca de 160 mil habitantes, era a cidade mais populosa não apenas das Américas, mas do Hemisfério Ocidental. Nos vales, a agricultura era feita no sistema de encomienda, substituído em meados do século XVIII para grandes propriedades em que os indígenas trabalhavam em troca do uso da terra.[16][18]

Missão jesuítica de Chiquitos, no departamento de Santa Cruz

Em 1675, os jesuítas alcançaram as regiões do Chaco boliviano e Chiquitania e ali fundaram missões para a catequese dos indígenas chiquitanos e mojos, como Loreto (1682) e Trinidad (1687), esta última atual capital do departamento de Beni. Essas missões permaneceram até a expulsão dos jesuítas da Espanha e seus domínios, em 1767.[17]

Em meados do século XVIII, os reis espanhóis da dinastia de Bourbon impuseram reformas nas suas colônias na América, como descentralização da administração colonial e redução nos impostos sobre a prata, o que levemente reacendeu a mineração desse metal na Bolívia.[17][18]

Em 1776, a Real Audiência de Charcas foi transferida para o novo Vice-Reino do Rio da Prata, sediado em Buenos Aires. Nas décadas de 1770 e 1780, os indígenas do altiplano participaram de revoltas contra o domínio espanhol, sobretudo a liderada por Tupac Katari, na qual morreram 20 mil pessoas e La Paz foi sitiada por meses.[19][16]

Independência e início da República

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No final do século XVIII, as ideias iluministas chegaram à região do Alto Peru e, com base nelas, sua elite começou a clamar pela independência. Em 1808, a Espanha foi invadida pela França Napoleônica e o rei Fernando VII foi substituído por José Bonaparte, o que desagradou bastante a população na América Hispânica, intensificando os movimentos por independência.[18]

Em 25 de maio de 1809, o governo colonial de Chuquisaca se revoltou contra o rei da Espanha, na Revolução de Chuquisaca, uma das primeiras revoltas anti-coloniais na América Hispânica. Em 16 de julho do mesmo ano, La Paz também se revoltou contra José Bonaparte. Muitos estudiosos consideram esses levantes, reprimidos pela Coroa espanhola, como o pontapé inicial das guerras de independência latino-americanas.[16][18]

Declaração da independência da Bolívia em Sucre, 1825

Diante dessa sensação de insegurança e temendo o caos, em junho de 1822, os três governadores dos departamentos espanhóis do Alto Peru (que já haviam sido ameaçados pelas tropas do General Antonio José de Sucre e Simón Bolívar), se reuniram em Cuiabá e solicitaram ao governador que intercedesse junto ao Príncipe Regente Dom Pedro (que em breve seria coroado como Dom Pedro I, Imperador do Brasil), a fim de que o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves anexasse esses territórios, buscando poupar sua população do massacre e do caos.[20] De imediato, o governador de Mato Grosso enviou tropas que estavam por sua capitania ao Alto Peru, bloqueando o avanço de Bolívar e Sucre, e enviou uma carta a Dom Pedro, comunicando-lhe o envio de tropas e a solicitação das autoridades de Alto Peru (que mais tarde viria a ser a Bolívia). Carta que só foi recebida por Dom Pedro I em novembro de 1822, quando o Brasil já era uma nação independente. Ao receber a carta, o Príncipe Regente já havia decidido não anexar o Alto Peru, rejeitando a solicitação dos governadores da região e ordenando que as tropas fossem retiradas de lá.[20]

Nos anos seguintes aos levantes em Chuquisaca e La Paz, o Alto Peru foi palco de batalhas entre as tropas independentistas da Argentina e tropas espanholas do Peru, em uma guerra de guerrilhas. Na década de 1820, chegaram à região os líderes independentistas Simón Bolívar e Antonio José de Sucre, que derrotaram os espanhóis na Batalha de Ayacucho em 1824, abrindo caminho para a independência do Alto Peru, declarada em 6 de agosto de 1825, recebendo o novo país o nome Bolívia, em homenagem ao seu libertador, que foi seu primeiro presidente, sendo substituído em janeiro de 1826 por Sucre.[16][18]

O novo país teve que lidar com uma grave situação econômica, resultante do declínio da mineração de prata e agravada com as guerras de independência. Ao contrário de seus vizinhos Argentina e Chile, que avançavam na produção de carne e cereais, a Bolívia era uma grande importadora de alimentos.[16]

Mapa da Confederação Peru-Boliviana

Em 1829, assumiu o primeiro e mais conhecido dos presidentes caudilhos do país, Andrés de Santa Cruz, que o governou por 10 anos, criando uma situação econômica, social e política relativamente estável. Os impostos sobre a mineração foram diminuídos, foram adotadas medidas protecionistas sobre a produção de algodão e as finanças foram reorganizadas e, no ponto de vista jurídico, codificou as primeiras leis do país. No entanto, ele governou o país de modo autoritário. Em 1836, com a queda do presidente peruano Agustín Gamarra, Bolívia e Peru se uniram na Confederação Peru-Boliviana, que caiu em 1839 devido aos interesses do Chile e dos nacionalistas peruanos.[16][18]

Em 1839, Santa Cruz caiu e, pelos próximos 40 anos, a Bolívia entrou em uma instabilidade política. Alguns dos líderes caudilhos tentaram reformar o país, que era gerido por líderes ineptos e corruptos e tinha a imensa maioria de sua população vivendo no campo. Durante o governo de José Ballivián Segurola (1841-47), houve a colonização da região de Beni e uma relativa estabilidade, além da abertura ao livre comércio. Seu sucessor, Manuel Isidoro Belzu (1848-55), para ganhar apoio da população indígena, fez uma campanha contra os latifundiários.[18]

Guerra do Pacífico e perdas territoriais

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Territórios perdidos pela Bolívia por guerras ou diplomacia, segundo a historiografia boliviana

A região do Pacífico Boliviano, no Deserto do Atacama, rica em nitratos como guano e salitre, teve seus recursos bastante explorados por companhias estrangeiras. Em fevereiro de 1879, após o governo boliviano tentar aumentar os impostos sobre uma companhia chilena, iniciando a Guerra do Pacífico, na qual o Chile lutou contra as forças da Bolívia e do Peru, que foram bastante derrotadas. O conflito terminou em 1884, com a Bolívia perdendo seu litoral pacífico para o Chile, daí iniciando um longo período de inimizade entre os países.[16][21]

Na presidência de Narciso Campero (1880-1884), a Bolívia entrou em uma era de presidentes civis e se formaram os dois principais partidos do país, o Conservador e o Liberal, e a classe alta dividia seu apoio entre eles. Esse sistema trouxe ao país a estabilidade necessária para que se desenvolvesse. Entre 1880 e 1889, os conservadores governaram o país, incentivando a indústria mineradora. Em 1899, a Revolução Federal trouxe os liberais para o poder, assumindo em um contexto de decadência da mineração de prata e ascensão da exportação de estanho, que, em 1900, era mais da metade da receita de exportação. Logo após assumirem o poder, os liberais transferiram a capital de Sucre para La Paz.[16][18]

A região do Acre, então parte da Bolívia, foi ocupada no final do século XIX por seringueiros brasileiros, no contexto do ciclo da borracha. Entre 1899 e 1903, a população do Acre lutou por autonomia na Guerra do Acre, com o apoio do governo brasileiro. Em 1903, pelo Tratado de Petrópolis, o governo boliviano vendeu o Acre ao Brasil, que incorporou essa nova porção como território federal.[16]

O dinheiro vindo das indenizações territoriais com o Brasil e o Chile e da mineração de estanho permitiu que os governos liberais, no início do século XX, construíssem ferrovias pelo país.[16]

Em 1920, o Partido Liberal foi tirado do poder por um golpe de estado liderado pelo Partido Republicano, sucessor dos conservadores. Logo o partido se fragmentou, devido às disputas entre Juan Bautista Saavedra (presidente entre 1921 e 1925) e Daniel Salamanca (presidente após uma revolta em 1930). A recuperação da indústria de estanho após a Primeira Guerra Mundial levou a um boom da mineração, paralisado com a Grande Depressão iniciada em 1929, que levou a um colapso da indústria mineradora.[16]

Tanque boliviano Vickers E durante a Guerra do Chaco

Nas primeiras décadas do século XX, teve conflitos territoriais por questão de limites com a Argentina, o Peru e o Paraguai. A solução pacífica do litígio com a Argentina foi atingida em 1925. Em 1930, Peru e Bolívia nomearam uma comissão conjunta para delimitar a fronteira e solucionar o litígio sobre a península de Copacabana. O problema fronteiriço boliviano-paraguaio se centrou sobre o Gran Chaco, uma zona de terras baixas situada ao norte do rio Pilcomayo e a oeste do rio Paraguai, que se estende pela disputada fronteira de Bolívia. Os dois países reclamavam o território em sua totalidade. Em julho de 1932, eclodiu a Guerra do Chaco, conflito não declarado que durou três anos e no qual morreram 50 000 bolivianos e 35 000 paraguaios. Em julho de 1938, foi firmado o tratado de paz, segundo o qual o Paraguai ficava com 75% da região do Grande Chaco. Foi o maior conflito bélico da história boliviana: em três anos de contínuas lutas e perdas, a Bolívia sofreu um contínuo retrocesso que, finalmente, concluiu-se em Villamontes, onde os fortes cordilheiranos ajudaram o exército da Bolívia a deter o avanço paraguaio.[22]

Governos nacionalistas e militares

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Como consequência da derrota boliviana na Guerra do Chaco, em 1936 um golpe de estado levou ao poder militares de inspiração socialista, que governaram o país por alguns anos. Em 1940, foi eleito presidente o civil Enrique Peñaranda, deposto em dezembro de 1943 por um golpe de estado liderado pelo general Gualberto Villaroel, cujo regime, com a aliança do partido nacionalista Movimento Nacional Revolucionário (MNR), foi considerado fascista tanto pela direita quanto pela esquerda, sendo deposto em 1946.[16][23]

Víctor Paz Estenssoro em 1955

O período entre 1946 e 1952 foi marcado pela rápida sucessão de presidentes civis e a falta de apoio destes do Congresso. Em 1951, o MNR venceu as eleições presidenciais, com seu candidato Victor Paz Estenssoro, e, com isso, os militares formaram uma junta. Com isso, o partido dissociou-se de sua ala fascista e aliou-se a partidos de esquerda com apoio de mineiros. Após várias revoltas fracassadas, em abril de 1952 o MNR assumiu o poder, na Revolução Boliviana de 1952, que trouxe Paz ao poder.[23]

Durante os quatro anos do primeiro governo de governo de Paz Estenssoro (1952-56), houve a nacionalização da indústria de estanho, uma ampla reforma agrária em 1954, concessão de direitos aos indígenas, uma reforma educacional e o sufrágio universal foi adotado em 1952. Seu sucessor, Hernán Siles Zuazo (1956-60), mais conservador, controlou a inflação, mas suspendeu a maioria dos programas sociais. Em 1960, Paz Estenssoro foi eleito para um segundo mandato e consolidou as conquistas do seu antecessor em um desenvolvimento sob supervisão estatal, mas a tentativa de se reeleger em 1964 levou os militares ao poder.[16][23][24]

Em 1964, o vice-presidente René Barrientos assumiu o poder por meio de um golpe de estado, no contexto do anticomunismo da Doutrina de Segurança Nacional do presidente estadunidense Lyndon Johnson, e suspendeu a maioria dos sindicatos, instalando um regime autoritário. Em 1966, foi eleito presidente. Em outubro de 1967, a guerrilha comunista liderada pelo argentino Ernesto “Che” Guevara foi desmantelada e seu líder, morto pelo Exército boliviano.[16][23]

Em 1969, Barrientos faleceu em um acidente de helicóptero e foi sucedido por uma série de governos de curta duração. Em 1971, o general Hugo Banzer ascendeu ao poder por meio de um golpe de estado e instaurou o mais autoritário dos governos militares na Bolívia, período (1971-78) em que os direitos civis e sindicatos foram suspensos e as minas foram ocupadas militarmente. Violações de direitos humanos por parte do governo, como tortura, eram sistemáticas. Ao mesmo tempo, essa época foi caracterizada pelo rápido crescimento econômico da Bolívia, devido a um aumento repentino do preço dos minerais e ao agronegócio nas terras baixas do país, sobretudo no departamento de Santa Cruz.[25]

Diante de uma ameaça de golpe, Banzer renunciou em 1978. Walter Guevara foi eleito presidente pelo Congresso boliviano em agosto de 1979, mas renunciou poucos meses depois, após uma tentativa de golpe. Lidia Gueiler Tejada assumiu a presidência interinamente, escolhida pelos militares, políticos e sindicalistas, sendo a primeira mulher a ascender ao cargo.[16]

Em 17 de julho de 1980, antes do Congresso eleger um novo presidente, um novo golpe militar, apoiado pela ditadura militar argentina, trouxe ao poder o general Luis García Meza, cujos 13 meses no cargo foram marcados pelo retorno do autoritarismo, com a perseguição, assassinato e tortura de opositores e a ação de grupos terroristas neofascistas e neonazistas, como o Novios de la Muerte, liderado pelo fascista italiano Stefano Delle Chiaie.[26][27]

Em agosto de 1981, García Meza renunciou, devido à forte oposição interna e externa ao regime e uma economia deteriorante. O Congresso foi restaurado e elegeu, em 1982, o ex-presidente Hernando Siles Zuazo para o cargo mais alto da Bolívia.[16]

Governos democráticos

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O novo governo de Siles (1982-85) foi marcado pela agitação social, crise política e déficits da mineradora estatal Comibol devido à queda dos preços dos minérios, o que levou o país a uma grave crise econômica. Em 1985, deixou a presidência, um ano antes do previsto, com uma hiperinflação sem precedentes e uma economia à beira da falência. O narcotráfico de cocaína se tornou uma importante fontes de divisas, a ponto de os Estados Unidos pedirem ao governo boliviano para combatê-lo.[16]

Em 1985, foi eleito, para a terceira vez para a presidência, Paz Estenssoro (MNR), em cujo novo mandato governo (1985-1989) adotou medidas contra a hiperinflação, como a eliminação de subsídios, desvalorização da moeda e austeridade em relação à mineração. A estatal de mineração foi desmantelada e a economia, aberta para investimentos estrangeiros. Para implementar as reformas econômicas, o governo se aliou à Ação Democrática Nacionalista (ADN), do ex-ditador Banzer.[16]

Nas eleições presidenciais de 1989, como nenhum dos candidatos atingiu maioria, o Congresso elegeu Jaime Paz Zamora presidente e seu partido, o Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), fez um governo de coalizão com a ADN. Seu governo manteve muitas das políticas do seu antecessor, estimulou a produção nacional de alimentos e negociou com o Brasil a construção de um gasoduto.[16]

Eleito pela maioria dos votos na eleição de 1993, Gonzalo Sánchez de Lozada (1993-97) adotou, em sua presidência, uma política de privatização de vários setores da economia, como eletricidade, comunicação, hidrocarbonetos e aviação e negociou a construção do Gasoduto Bolívia-Brasil (inaugurado em 1999) entre Santa Cruz de la Sierra e São Paulo. O país teve um crescimento econômico considerável e manteve a política de seus antecessores de combate ao narcotráfico.[16]

Em 1997, Hugo Banzer (ADN) foi eleito presidente democraticamente e conseguiu maioria no Congresso. Seu governo manteve a política de desenvolvimento dos que o antecederam e foi mais rígido na guerra às drogas. A privatização do sistema de água, sobretudo em Cochabamba, levou à guerra da água em 2000. Em 2001, Banzer renunciou ao cargo e foi substituído pelo vice-presidente, Jorge “Tuto” Quiroga.[16][28]

Em 2002, Sánchez de Lozada foi eleito novamente presidente e seu novo mandato foi marcado por uma crise econômica e protestos de camponeses e sindicalistas, sobretudo pela nacionalização dos hidrocarbonetos. Em outubro de 2003, foi forçado a renunciar em meio a protestos, sendo substituído pelo vice, Carlos Mesa, que também renunciou em 2005, devido a motins.[16][29]

Evo Morales, presidente cessante da Bolívia

Em dezembro de 2005, foi eleito presidente Evo Morales, do partido de esquerda Movimento ao Socialismo (MAS). Ao tomar posse, em janeiro de 2006, se tornou o primeiro presidente indígena do país. Em 2006, nacionalizou o gás natural e o petróleo e, no ano seguinte, anunciou planos para a nacionalização das ferrovias e jazidas, o que provocou descontentamento nos departamentos mais ricos, situados no leste, na região conhecida como “Meia Lua”. Nos anos seguintes, uma reforma agrária foi feita e empresas estrangeiras foram estatizadas.[16][30]

Em 2009, após aprovada por voto popular, uma nova constituição foi aprovada, aumentando os direitos dos indígenas e os poderes do presidente e renomeando o país para “Estado Plurinacional da Bolívia”. Nesse mesmo ano, Morales foi reeleito para um mandato de cinco anos. Em 2014, foi reeleito para um terceiro mandato, após decisão do Tribunal Constitucional do ano anterior, que lhe permitiu concorrer. Em 2017, a pedido do MAS, essa mesma corte removeu o limite de mandatos.[16][30]

Durante os dois primeiros mandatos de Morales, a alta do preço do gás natural permitiu um rápido crescimento econômico para a Bolívia, acima da média sul-americana, mas a economia esteve fortemente dependente dessa comodity, com o país sofrendo bastante com a queda dos seus preços a partir de 2015.[16]

Em 20 de outubro de 2019, Morales foi reeleito, sob acusações de fraude, gerando uma onda de protestos e uma crise política. Em 10 de novembro, o presidente renunciou, asilando-se no México, e, dois dias depois, a vice-líder do Senado e a primeira na linha de sucessão após uma série de renúncias, Jeanine Añez, de direita, assumiu a presidência interinamente.[16][31]

Jeanine Áñez com a faixa presidencial depois de prestar juramento em 12 de novembro de 2019

A nova presidente prometeu eleições em até 90 dias, mas elas foram adiadas várias vezes, sob o pretexto da pandemia de COVID-19. Em 19 de outubro de 2020, o candidato escolhido por Morales, em exílio na Argentina, seu ex-ministro da economia Luis Arce, foi eleito presidente em primeiro turno, assumindo em novembro, quando o ex-presidente retornou à Bolívia. Logo surgiram disputas entre Arce e seu padrinho político pelo comando da esquerda boliviana.[16]

Em 26 de junho de 2024, o general Juan José Zuñiga tentou dar um golpe de estado contra o presidente Arce. Os militares invadiram o palácio presidencial, mas a tentativa de golpe foi desmobilizada.[16][32]

Em outubro de 2025, foi eleito presidente, em meio a mais grave crise econômica em 40 anos, o candidato de centro-direita Rodrigo Paz, filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, derrotando no segundo turno o ex-presidente de direita Jorge “Tuto” Quiroga. Tomou posse em novembro, pondo fim a 20 anos de governos de esquerda na Bolívia, sob a promessa de abrir economicamente o país.[33][34]

Geografia

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Mapa topográfico do território boliviano

Juntamente com o vizinho Paraguai, a Bolívia é um dos dois únicos países das Américas que não possuem saída para o mar. O ocidente da Bolívia está situado na cordilheira dos Andes, com o pico mais elevado, o Nevado Sajama, a chegar aos 6 542 m. O centro do país é formado por um planalto, o Altiplano, onde vive a maioria dos bolivianos. O leste do país é constituído por terras baixas e coberto pela floresta úmida da Amazônia. O lago Titicaca situa-se na fronteira entre a Bolívia e o Peru, o maior lago sul-americano por volume de água.[35] No sudoeste do país, no departamento de Potosi, encontra-se o Salar de Uyuni, o maior deserto de sal do mundo.[36]

A região Oriente, a norte e leste, compreende três quintos do território boliviano, é formada por baixas planícies de muitos rios e grandes pântanos. No extremo sul, localiza-se o Chaco boliviano, pantanoso na estação chuvosa e semidesértico nos meses de seca. A nordeste da bacia do Titicaca, visualizam-se montanhas extremamente altas de 3 000 a 6 500 m. As montanhas de mais altitude caem em ângulos praticamente retos até se transformarem em planícies.[37]

Os Andes atingem a Bolívia e se dividem em duas grandes cadeias, a Oriental e a Ocidental. Nota-se que a cordilheira Ocidental é formada por vulcões inativos ou extintos, e suas rochas são formadas de lava vulcânica petrificada. A altitude máxima é de 3 700 m, com 800 km de comprimento e 130 km de largura. A cordilheira Oriental é composta de diversos tipos de rochas e areia.[38]

Nevado Sajama, o ponto mais alto do país, com 6 542 metros de altitude
Salar de Uyuni, o maior deserto de sal do mundo.

O sudoeste do país, onde a região Andina é predominante, apresenta alguns dos picos mais altos das Américas, como o Nevado Sajama — ponto mais alto no território boliviano — com 6 542 m acima do nível do mar, e o Illimani, com 6 462 m. É nesta parte do país que se localiza o lago Titicaca, o mais alto navegável do mundo, com uma área de 8 100 km² e compartilhado com o Peru. o Salar de Uyuni, que é o maior depósito de sais e reservatório de lítio no mundo, também é encontrado no altiplano.[38]

Entre o sudoeste e o leste, está a região intermediária entre o altiplano e as planícies orientais. Nesta parte do país os vales e montanhas são menos predominantes, apesar de alguns locais chegarem ao nível de 2 500 m acima do nível do mar. Caracteriza-se por sua atividade agrícola e seu clima temperado a quente. Esta região inclui os vales bolivianos, Los Yungas e a região dos Chacos. Por outro lado, o norte e o nordeste boliviano possuem um relevo preponderantemente formado por planícies e planaltos baixos, cobertos por extensas selvas ricas em flora e fauna, estando a uma altitude inferior a 400 m. Rios extensivos e a maior biodiversidade do país são encontradas nestas duas regiões, que estende-se dos limites com os Andes ao rio Paraguai.[37]

Biodiversidade

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Fotografia aérea da Amazônia boliviana

A Bolívia tem uma enorme variedade de organismos e ecossistemas e é considerado um país megadiverso.[39] O país possui mais de 2 900 espécies de animais, incluindo 398 mamíferos, mais de 1 400 aves (70% das aves conhecidas no mundo estão na Bolívia, sendo o sexto país mais diversificado em termos de espécies de aves),[40] 204 anfíbios, 277 répteis e 635 tipos de peixes de água doce.

Além disso, existem mais de três mil tipos de borboletas e mais do que 60 de animais domésticos. A Bolívia ganhou atenção mundial com sua "Lei dos Direitos da Mãe Terra", uma lei única que atribui à natureza os mesmos direitos dados aos seres humanos.[41][42][43][44][45]

Há mais de 20 mil espécies de plantas com sementes, das quais 1 200 são espécies de samambaias, 1 500 são espécies de hepáticas ou musgo e pelo menos 800 são espécies de fungos. Além disso, são conhecidas mais de 3 mil espécies de plantas medicinais, de modo que a Bolívia seja considerada como um dos locais de origem de espécies de pimenta como locoto, malagueta (ou tabasco), além do amendoim, feijão, mandioca e várias variedades de palmeiras. Por outro lado, mais de 4 mil variedades de batatas são produzidas em suas terras em uma ampla gama de cores, formas e tamanhos.[46]

Bolívia pela classificação climática de Köppen-Geiger

O clima boliviano varia drasticamente de uma ecorregião para outra, desde um clima tropical nos llanos orientais até um clima polar nos Andes ocidentais. Os verões são quentes, úmidos no leste e secos no oeste, com chuvas que frequentemente modificam as temperaturas, umidade, ventos, pressão atmosférica e evaporação, resultando em climas muito diferentes nas regiões do país. Quando o fenômeno climatológico El Niño ocorre, provoca grandes alterações climáticas.[47][48] Os invernos são muito frios no oeste e neva nas montanhas, enquanto nas regiões ocidentais o vento é mais comum. O outono é seco nas regiões não tropicais do país.[41]

Hidrografia

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Rio Piraí próximo de Santa Cruz de La Sierra

São três as bacias hidrográficas encontradas no território boliviano: Amazônica, da Prata e a endorreica boliviano-peruana. A bacia Amazônica, também conhecida como bacia do Norte, é a que abrange a maior parte do território do país, com 724 000 km², estendendo-se por 66% de sua área. Os rios desta bacia geralmente têm fluxos abundantes e sinuosos, razão pela qual há muitas lagoas e lagos, como a lagoa Murillo. O principal afluente nesta é o rio Mamoré com um comprimento de 2 000 km, que corre em direção ao norte até a confluência com o rio Beni, de 1 113 km de extensão, o segundo em importância fluvial do país. De leste a oeste, a bacia Amazônica é constituída por outros rios importantes como o Madre de Deus, Orthon, Abunã, Yata e o Iténez (no Brasil, o rio Iténez recebe o nome de Guaporé), com este último sendo utilizado na demarcação de parte da fronteira com o Brasil. Por outro lado, os lagos e lagoas mais importantes são Rogaguado e o Rogagua. A precipitação média anual nesta parte do território é de 1 814 mm ao ano.[49]

A bacia do rio da Prata tem uma extensão de 229 500 km², cobrindo 21% do território. Os afluentes geralmente são menos abundantes do que os da Amazônica, composto principalmente pelos rios Paraguai, Pilcomayo e Bermejo. As lagoas mais importantes são a Uberaba e Mandioré, localizadas na região do Pantanal boliviano. A precipitação média anual na bacia do rio da Prata é de 854 mm ao ano. Pouco menor que esta última, a bacia endorreica boliviana-peruana — também chamada de bacia lacustre ou central — é encontrada no centro-norte do país, especialmente na fronteira com o Peru. Com 145 081 km², alcançando 13% do território. Conta com um grande número de rios, lagos, lagoas e nascentes que não correm em direção ao oceano, porque são cercados pela cordilheira dos Andes que delimita a região. O rio mais importante é o Desaguadero, que nasce no Lago Titicaca, o mais alto do mundo, a 3 810 m acima do nível do mar. Nesta bacia há grandes lagos salgados como o Salar de Uyuni, que é o deserto de sal e o maior depósito de lítio do mundo e o Salar de Coipasa. A precipitação média anual nesta parte do território é de 421 mm por ano.[49] Na fronteira com o Chile, no Altiplano andino, encontra-se o rio Silala, que é motivo de disputa territorial entre os dois governos.[50]

Lago Titicaca, nos Andes, próximo a fronteira com o Peru. É o maior lago da América do Sul por volume de água.[35][51]

Glaciares derretidos

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A Bolívia tem cerca de 20% dos glaciares tropicais do mundo, juntamente com a Cordilheira dos Andes. Contudo, são vulneráveis ao aquecimento global e perderam 43% da sua área de superfície entre 1986 e 2014. Alguns glaciares bolivianos perderam mais de dois terços da sua massa desde a década de 1980, disse a Unesco em 2018. Enquanto se espera que a temperatura nos Andes tropicais aumente dois a cinco graus até ao final do século XXI, os glaciares ainda perderiam entre 78% e 97% da sua massa. Dependendo do ano, os glaciares representam entre 60% e 85% do abastecimento de água de La Paz.[52]

Política ambiental

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Um Ministério do Ambiente e da Água foi criado em 2006 após a eleição de Evo Morales, que inverteu nomeadamente a privatização do sector da distribuição de água levada a cabo nos anos 90 pelo Presidente Gonzalo Sánchez de Lozada. A nova Constituição, aprovada por referendo em 2009, faz do acesso à água um direito fundamental. Em Julho de 2010, por iniciativa da Bolívia, as Nações Unidas aprovaram uma resolução que reconhece o "direito à água potável segura e limpa" como "fundamental".[52]

Os cientistas começaram a alertar o governo boliviano para o problema do derretimento dos glaciares nos anos 90, mas só em 2012 é que as autoridades responderam com verdadeiras políticas de proteção. Foi então criado um Projeto de Adaptação ao Impacto da Recessão Acelerada dos Glaciares nos Andes Tropicais (PRAA), com a missão de "reforçar a rede de monitorização" e "gerar informação útil para a tomada de decisões". Desde então, os glaciares têm sido monitorizados por câmaras, sondas, drones e satélite. As autoridades também desenvolveram programas de sensibilização do público para as consequências do aquecimento global a fim de refrear certas práticas agrícolas nocivas.[52]

Em 2017, o governo mobilizou 200 milhões de dólares para combater a seca e o aquecimento global.[52]

Demografia

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Pirâmide etária da Bolívia em 2016

De acordo com os dois últimos censos realizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) da Bolívia, a população aumentou de 8 274 325 (dos quais 4 123 850 homens e 4 150 475 mulheres) em 2001 para 10 027 254 em 2012.[53]

Segundo a Organização Internacional para as Migrações, aproximadamente 1,6 milhão de bolivianos emigraram para o exterior em busca de melhores condições de vida.[54] Os países de migração tradicional têm sido a Argentina, Brasil, Chile e os Estados Unidos. No entanto, na década de 1990, boa parte da migração boliviana se direcionou para a Espanha, onde estima-se que residam 230 mil emigrantes bolivianos.[55]

Composição étnica

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Homem da etnia aimara e uma lhama próximos ao Lago Titicaca

A composição étnica do país é muito variada. Após séculos de miscigenação entre espanhóis e indígenas, não dá para determinar com precisão a proporção de indígenas, mestiços, brancos e outros grupos étnicos na população. Segundo o The World Factbook, mencionando uma estimativa de 2009, 68% dos habitantes do país são mestiços, 20% indígenas, 5% brancos, 2% cholos, 1% afro-bolivianos, 1% outros e 3% não especificados. Segundo outra estimativa, de 2006, 60% da população boliviana é composta por indígenas (predominantemente quíchuas e aimarás), 30% são mestiços, 15% brancos e 2% outras etnias.[16][56]

A população indígena está concentrada no Altiplano, onde residem os quíchuas e aimarás, mas também são encontrados povos indígenas na região da Meia-Lua, como os guaranis, chiquitanos e mojos. A população mestiça está dispersa pelo país, enquanto os brancos, em grande parte descendentes de espanhóis, se concentram nas grandes cidades, como La Paz, Santa Cruz de la Sierra e Cochabamba, mas também em cidades menores, como Tarija. Há, também, uma comunidade de menonitas de língua alemã, com um número estimado de 150 mil indivíduos, no departamento de Santa Cruz, tendo chegado ali na década de 1950.[18][57][58] Os afro-bolivianos, descendentes de africanos escravizados que chegaram nos tempos do Império Espanhol, habitam o departamento de La Paz, sobretudo nas províncias de Nor Yungas e Sud Yungas. A escravidão foi abolida na Bolívia em 1831.[59]

Distribuição geográfica dos idiomas nativos do país

A Bolívia tem grande diversidade linguística, como resultado de seu multiculturalismo. A Constituição da Bolívia reconhece 37 línguas oficiais, além do espanhol. Assim, é o segundo Estado com o maior número de idiomas oficiais no mundo, só perdendo para a Índia, que tem 46. Estas incluem as línguas das nações indígenas nativas, como quíchua, aimará e guarani.[60]

O espanhol é a língua oficial mais falada no país, de acordo com o censo de 2001, uma vez que é falado por 88,4% da população como primeira língua ou segunda língua, em algumas populações indígenas. Todos os documentos legais e oficiais emitidos pelo Estado, incluindo a constituição, as principais instituições públicas e privadas, a mídia e as atividades comerciais são feitas em espanhol.[61]

Religiões

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Religião na Bolívia (2014)[62]

  Catolicismo (77%)
  Evangélicos (16%)
  Outros (3%)

A Bolívia é um Estado secular e garante a liberdade de religião. A Constituição estabelece que: "O Estado respeita e garante a liberdade de religião e de crenças espirituais, em concordância com sua visão de mundo. O Estado é independente da religião".[63]

De acordo com o censo de 2001 realizado pelo Instituto Nacional de Estatística da Bolívia, 78% da população boliviana seguia o catolicismo romano, enquanto 19% o protestantismo e outros 3% têm diferentes crenças cristãs.[64] O protestantismo, juntamente com as crenças tradicionais indígenas[65][66] estão se expandindo rapidamente.[67]

Em 2024, a Igreja Adventista do Sétimo Dia na Bolívia tinha 137.214 membros e 550 igrejas numa população total de 12.341.000.habitantes.[68]

A maior parte da população indígena segue religiões diferentes marcados pelo sincretismo com o catolicismo romano ou complementa-as com a sua própria visão de mundo e tradições antigas. O culto à Pachamama ou "Mãe Terra" é a mais antiga das manifestações religiosas da região andina da América do Sul.[69] Há também comunidades aimarás que têm uma forte devoção a Santiago Maior, que é o patrono das Forças Armadas bolivianas.[70]

De 1 a 2% da população do país se identificava como ateísta em 2004.[71]

Maiores cidades

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Política

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Palacio Quemado, em La Paz, sede do Poder Executivo do país.
Vista da Assembleia Legislativa Plurinacional da Bolívia, em La Paz, sede do Poder Legislativo nacional

A Bolívia é oficialmente um Estado unitário democrático organizado segundo a separação de poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário e Eleitoral) e de maneira descentralizada e presidencialista. O Estado se rege segundo a Constituição Política da Bolívia[73] aprovada em 7 de fevereiro do ano de 2009, que entrou em vigor neste mesmo ano.[carece de fontes?]

O poder executivo é encabeçado pelo presidente da república. O executivo é, tradicionalmente, o poder mais forte na política boliviana, tendendo a deixar em segundo plano a participação do congresso, cuja atividade se limita a debater e a aprovar as iniciativas legislativas do presidente. O presidente da Bolívia, eleito a cada cinco anos, é chefe de estado e de governo e nomeia o gabinete de ministros.[carece de fontes?]

O Poder Legislativo constituído por duas câmaras, é presidido pelo vice-presidente do governo. A Câmara de Senadores tem 27 membros, três representantes de cada departamento, dois deles do partido que recebe a maioria de votos e o terceiro do partido que ficou em segundo lugar. Os senadores são eleitos de listas partidárias para um período de cinco anos. A idade mínima para candidatar-se a tais cargos é de 35 anos. A Câmara de Deputados tem 130 membros: 68 deputados são eleitos por votação direta para representar um distrito eleitoral e os outros 62 são eleitos por representação proporcional por meio de listas de cada partido em distrito único de todo o país. Os deputados também têm um mandato de cinco anos e devem ter no mínimo 25 anos completos no dia da eleição. Os membros da Corte Suprema da Bolívia são eleitos para um mandato de dez anos pelo Congresso Nacional.[carece de fontes?]

Relações internacionais

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Evo Morales durante a cúpula da UNASUL em 2006

A história da política exterior boliviana é marcada por conflitos com países vizinhos, como o Chile, Peru e Paraguai. A Bolívia chegou a perder territórios para estes três países através de guerras, como a Guerra do Pacífico (século XIX) e a Guerra do Chaco. A Bolívia também perdeu territórios para o Brasil, que incluiu enfrentamentos militares sem que ocorresse uma guerra formal. Atualmente a Bolívia ainda mantém disputas fronteiriças e reivindicações territoriais com Peru e Chile.[21]

A Bolívia pertence à Comunidade Andina de Nações (CAN), uma organização regional econômica e política com entidade jurídica internacional criada pelo Acordo de Cartagena em 26 de maio de 1969. Tem sede em Lima, Peru. A debilitação da CAN, principalmente pela saída da maior economia do bloco, a Venezuela (em 2006) e ao fortalecimento do processo de aproximação comercial com o Mercosul, especialmente com o Brasil, somado ao aumento da influência política venezuelana e brasileira sobre o atual governo da Bolívia, existe uma forte intenção do governo em integrar-se definitivamente ao Mercosul.[74]

Forças armadas

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Tanque SK-105 Kürassier do Exército Boliviano

As Forças Armadas da Bolívia são compostas por três ramos: Exército, Marinha e Força Aérea. A idade legal para admissões voluntárias é 18 anos; no entanto, quando os números são pequenos, o governo no passado recrutou pessoas com apenas 14 anos de idade.[75]

O exército boliviano conta com cerca de 31,5 mil homens. Existem seis regiões militares (regiones militares — RMs) no exército. O exército está organizado em dez divisões. Já a Força Aérea Boliviana (ou 'FAB') possui nove bases aéreas. Embora não tenha litoral, a Bolívia mantém uma marinha. A Força Naval Boliviana era uma composta por cerca de 5 mil homens em 2008.[76]

Em 2018, a Bolívia assinou o Tratado sobre a Proibição das Armas Nucleares.[77][78] O governo boliviano gasta anualmente 130 milhões de dólares em defesa.[79]

Subdivisões

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A Bolívia se subdivide em nove departamentos, 112 províncias, 327 municípios e 1 384 cantões, os quais obtiveram maior autonomia com a Lei da Descentralização Administrativa de 1995.[nota 3]

Divisão política
Departamento População Superfície (km²) Densidade (*) Capital
República da Bolívia 10.027.644 1.098.581 9,1 Sucre
 Beni 430.049 213.564 1,9 Trinidad
 Chuquisaca 631.062 51.524 11,9 Sucre
 Cochabamba 1.786.040 55.631 22,7 Cochabamba
 La Paz 2.756.989 133.985 19,9 La Paz
 Oruro 444.093 53.558 8,2 Oruro
 Pando 75.335 63.827 1,1 Cobija
 Potosí 780.392 118.218 6,5 Potosí
 Santa Cruz 2.626.697 370.621 7,1 Santa Cruz de la Sierra
 Tarija 496.988 37.623 12,5 Tarija
(*)= Todos os dados de população são projeções do Instituto Nacional de Estadística de Bolivia (INE) para 2008 . A densidade departamental está calculada com a projeção da população de 2006.

Outras cidades importantes são (por departamento): La Paz: El Alto 827.000, Cochabamba: Quillacollo 90.000 Sacaba 127.000, Tarija: Yacuiba 90.000, Santa Cruz: Montero 90.000, Beni:
Riberalta 78.000.

La Paz, o centro financeiro do país

Em 2012 estimou-se um produto interno bruto (PIB) da Bolívia de 27,4 bilhões de dólares e de 56,14 bilhões de dólares em paridade do poder de compra (PPC). O crescimento econômico do país foi estimada em cerca de 5,2% e a inflação em cerca de 6,9%. A Bolívia foi classificada como "reprimida" pelo Índice de Liberdade Econômica de 2010.[80] Apesar de uma série de contratempos, em sua maioria políticos, entre 2006 e 2009 o governo de Evo Morales estimulou o crescimento mais elevado dos últimos 30 anos, que foi acompanhado por uma diminuição moderada na desigualdade de renda.[81] Com um orçamento excedente de 1,7% do PIB em 2012, o governo mantém excedentes desde o início da administração Morales, refletindo uma gestão econômica prudente.

O país é muito dependente da mineração. Em 2019, era o 8º maior produtor mundial de prata;[82] 4º maior produtor mundial de boro;[83] 5º maior produtor mundial de antimônio;[84] 5º maior produtor mundial de estanho;[85] 6º maior produtor mundial de tungstênio;[86] 7º maior produtor mundial de zinco,[87] e o 8º maior produtor mundial de chumbo,[88] além de ter uma produção considerável de ouro.[89] Um duro golpe para a economia boliviana veio com uma queda drástica no preço do estanho durante o início dos anos 1980, o que impactou uma das principais fontes de renda do país e uma das suas principais indústrias de mineração.[90] Desde 1985, o governo boliviano tem implementado um programa de longo alcance de estabilização macroeconômica e de reformas estruturais destinadas a manter a estabilidade dos preços, criando condições para um crescimento sustentado e um alívio na escassez. A grande reforma dos serviços aduaneiros tem melhorado significativamente a transparência nesta área. Reformas legislativas paralelas têm feito políticas liberais para o mercado local, especialmente nos setores de hidrocarbonetos e telecomunicações, o que tem incentivado o investimento privado.[91]

Principais exportações da Bolívia em 2019
Minas em Potosí
Plantação de quinoa em Uyuni

Outra base econômica do país é a extração e exportação de gás natural. Em 2015, a Bolívia era o 31º maior produtor mundial de gás, com 20,5 bilhões de m³ ao ano. Na América do Sul, só produz menos do que a Argentina e a Venezuela. Em 2017, o país era o 15º maior exportador de gás do mundo: 15,1 bilhões de m³ ao ano.[92] A Bolívia tem a segunda maior reserva de gás na América do Sul.[93] O governo tem um contrato de venda de longo prazo para vender gás natural para o Brasil até 2019 e realizou um referendo obrigatório em 2005 sobre a Lei de Hidrocarbonetos.

A agricultura é menos relevante no PIB do país em comparação com o resto da América Latina. Em 2018, a Bolívia produziu 9,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 2,9 milhão de toneladas de soja (10º maior produtor do mundo), 1,2 milhão de toneladas de milho, 1,1 milhão de toneladas de batata, 1 milhão de toneladas de sorgo, 700 mil toneladas de banana, 541 mil toneladas de arroz, 301 mil toneladas de trigo, além de produções menores de outros produtos agrícolas, como tangerina, mandioca, laranja, feijão, girassol e algodão. As maiores exportações do país estão baseadas na soja (farelo de soja e óleo de soja).[94] A cultura da soja foi trazida pelos brasileiros ao país: em 2006, quase 50% dos produtores de soja da Bolívia eram pessoas oriundas do Brasil, ou descendentes de brasileiros. Os primeiros produtores brasileiros começaram a chegar ao país nos anos 1990. Antes disto, haviam muitas terras no país sem uso, ou onde só se praticava agricultura de subsistência.[95]

O Serviço Geológico dos Estados Unidos estima que a Bolívia tenha 21 milhões de toneladas cúbicas de lítio, o que representaria a maior reserva mundial de um país.[96] No entanto, a mineração desse recurso implicaria em perturbar os desertos de sal do país (como o Salar de Uyuni), uma importante característica natural que impulsiona o turismo na região. O governo não quer destruir essa paisagem natural única para atender a crescente demanda mundial de lítio.[97]

Infraestrutura

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Transportes

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Aeroporto Internacional de Cochabamba

O território da Bolívia está comunicado por vários meios de transporte. O país possui quatro aeroportos internacionais: Aeroporto Internacional Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, Aeroporto Internacional Jorge Wilstermann, em Cochabamba, Aeroporto Internacional de El Alto, em La Paz e o Aeroporto Internacional Juan Mendoza, em Oruro.[98] Existem ainda, outros 855 terminais aéreos pequenos e aeródromos com pistas pavimentadas ou de terra, situados em distintas localidades do país.[99]

O sistema terrestre com mais de 49 900 km de rodovias e arredor de 4 600 km pavimentados formada por várias rotas nacionais, o resto de rodovias é de cascalho ou terra. O país só inaugurou a sua primeira rodovia duplicada em 2015: um trecho entre a capital La Paz e Oruro, de 203 km.[100] A Bolívia também conta com um ramal da Rodovia Pan-americana que cruza todo o altiplano conectando-se assim com os países limítrofes. A estrada Camino a Los Yungas foi considerada a "estrada mais perigosa do mundo" pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, sendo chamada de El Camino de la Muerte em espanhol.[101]

Educação

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Universidade de São Francisco Xavier de Chuquisaca em Sucre, fundada em 1624

O Ministério da Educação e Cultura da Bolívia é o órgão responsável pela coordenação do sistema nacional de educação. A educação na Bolívia, assim como outros aspectos na vida dos bolivianos, tem uma divisão entre a área rural e a urbana. O analfabetismo rural se mantém alto, mesmo que o resto do país tenha aumentado o índice de alfabetização. Essa diferença é causada parcialmente pelo fato de que muitas crianças vivendo em áreas rurais são forçadas a contribuir economicamente para a renda familiar e, assim, torna-se muito mais improvável que frequentem a escola. Na média, as crianças da área rural frequentam a escola por 4,2 anos, enquanto as crianças da área urbana recebem educação por uma média de 9,4 anos. Uma diferença de gêneros também existe. O índice de alfabetização do país é de 92,5%, comparavelmente menor que os outros países da América do Sul.[102]

Em 2008, seguindo os padrões da UNESCO, a Bolívia foi declarada livre do analfabetismo, tornando-se o quarto país da América do Sul a atingir esse status.[103] O país destina cerca de 7,3% de seu orçamento anual para gastos e investimentos em educação, sendo o maior investimento entre os países da América do Sul e o 11º maior entre as nações do mundo.[102] Uma reforma fez algumas mudanças significativas. Iniciada em 1994, a reforma descentralizou os fundos para educação para se adequar às diversas necessidades locais, melhorar o treinamento de professores e o currículo, formalizar e expandir a educação bilíngue e modificar o sistema de séries escolares. A resistência da união de professores, entretanto, tem atrasado a implementação de algumas partes da reforma.[104]

O ensino superior consiste na Universidade da Bolívia e em vários institutos públicos e privados. A Universidade da Bolívia trata-se de um consórcio de oito universidades públicas e uma universidade privada, a Universidade Católica Boliviana. Outras escolas oferecem treinamento técnico em belas-artes, artes comerciais e campos técnicos, bem como treinamento de professores.[105]

Clínica Niño Jesus em Santa Cruz de la Sierra

De acordo com a UNICEF, a taxa de mortalidade de menores de cinco anos em 2006 era de 52,7‰ e foi reduzida para 26‰ em 2019.[106] A taxa de mortalidade infantil foi de 40,7‰ em 2006 e foi reduzida para 21,2‰ em 2019.[107] Antes de Morales assumir o cargo, quase metade de todas as crianças não eram vacinadas; agora quase todas estão vacinados. Morales também implementou vários programas suplementares de nutrição, incluindo um esforço para fornecer comida gratuita em escritórios de saúde pública e seguridade social, e seu programa de desnutrición cero (desnutrição zero) oferece merenda escolar gratuita.[108]

Entre 2006 e 2016, a pobreza extrema na Bolívia caiu de 38,2% para 16,8%. A desnutrição crônica em crianças menores de cinco anos também diminuiu 14% e a taxa de mortalidade infantil foi reduzida em mais de 50%, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.[109] Em 2019, o governo boliviano criou um sistema de saúde universal que foi citado como modelo para todos pela Organização Mundial de Saúde.[110]

Reservatório da hidrelétrica de Misicuni, na região de Cochabamba

A eletricidade gerada na Bolívia é proveniente de usinas hidrelétricas (42%) e termoelétricas (58%). O balanço energético de 2008 foi positivo, com uma geração do Sistema Interligado Nacional (SIN) de 5 372 GWh e um consumo nacional de 5 138 GWh. O potencial hidrelétrico é de 39 850 MW, que pode ser exportado para países vizinhos.[111] Em 2015, a Bolívia possuía a terceira maior bacia de gás natural da América do Sul, superada apenas pela Argentina e Venezuela, e a 31ª maior bacia de gás natural do mundo, com um total de 750,400 milhões de m3 em 2015. Em 2017, o país produziu 20,510 bilhões de m3, ficando atrás de Argentina, México e Venezuela em comparação com os países da América Latina.[112]

A economia boliviana é fortemente dependente da produção do gás natural. Boa parte desta produção é destinada à exportação, com o Brasil sendo o principal mercado consumidor do gás natural boliviano, desde 1999. Cerca de 50% do gás natural produzido pela Bolívia é importado para o Brasil, mas essa relação de importação para o mercado brasileiro vem diminuindo nos últimos anos, em parte pelo início das exportações de gás natural à outras localidades, como o Paraguai e a Europa.[113][114] Em 2013, o país atingiu seu recorde ao faturar US$ 6,059 bilhões em exportações de gás natural.[115]

Telecomunicações e mídia

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O sistema de telecomunicações boliviano cobre a maior parte do território do país. Conforme dados de julho de 2015, há mais de 881 mil linhas de telefonia fixa e cerca de 10,163 milhões de assinantes de telefonia móvel. O número de usuários de internet excede 4,1 milhões, mas a taxa de penetração de serviços de informática é uma das menores da América Latina, uma vez que apenas 45,1% dos bolivianos possuem acesso à internet.[116]

Em dezembro de 2013, o primeiro satélite espacial da Bolívia, chamado TKSAT-1 "Túpac Katari", com órbita geoestacionária na posição 87,2° oeste, foi colocado em órbita. Até à data, transmite sinais nacionais e internacionais de televisão e rádio, utilizando o sistema DTH e a Internet para todo o país, servindo também a outras formas de telecomunicações. A expectativa de vida útil do satélite é de 15 anos, tendo sido adquirido da China.[117] O Túpac Katari 1 está equipado com 26 transponders em banda Ku, 2 em banda C e 2 em banda Ka[117] para fornecer telefonia, televisão, internet e telemedicina. Sua cobertura é extensa, cobrindo, além da Bolívia, o Peru, Equador, Colômbia, Paraguai, Uruguai e Venezuela.[118]

A Diablada, uma dança tradicional do Carnaval de Oruro e um Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade desde 2001

A cultura boliviana tem sido fortemente influenciada pelos quíchuas, aimarás, bem como pelas culturas populares da América Latina como um todo. O desenvolvimento cultural é dividido em três períodos distintos: pré-colombiano, colonial e republicano. Ruínas arqueológicas importantes, ornamentos de ouro e prata, monumentos de pedra, cerâmica e tecelagem permanecem de diversas culturas pré-colombianas importantes. Grandes ruínas incluem Tiwanaku, Forte de Samaipata, Inkallaqta e Iskanawaya. O país é rico em outros sítios que são difíceis de alcançar e tem tido pouca exploração arqueológica.[67]

O Patrimônio Cultural da Bolívia é formado por todos os bens culturais, tangíveis e intangíveis. O Estado boliviano reconhece a formação pluricultural, multiétnico e plurilinguística da nação boliviana e tem como uma de suas funções mais importantes preservar e proteger igualmente a herança cultural de todas as culturas e nações que se desenvolveram e ainda se desenvolvem na Bolívia.[67]

Os espanhóis trouxeram sua própria tradição da arte religiosa que, nas mãos de construtores e artesãos indígenas e mestiços locais, desenvolveram em um estilo rico e distintivo da arquitetura, pintura e escultura conhecida como "Barroco Mestiço". O período colonial produziu não apenas as pinturas de Pérez de Holguín, Flores, Bitti e outros, mas também as obras de artesãos qualificados, mas desconhecidos. Um importante corpo de música religiosa barroca nativa do período colonial foi recuperada e foi realizado internacionalmente, com grande êxito desde 1994.[67]

Entre os artistas bolivianos de estatura no século XX estão Guzmán de Rojas, Arturo Borda, María Luisa Pacheco, Roberto Mamani Mamani, Alejandro Mario Yllanes, Alfredo da Silva e Marina Núñez del Prado. A Bolívia tem um folclore rico. Sua música folclórica regional é distintiva e variada. As danças diabladas no carnaval de Oruro, que acontece anualmente, é um dos grandes eventos folclóricos da América do Sul e um Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade, como proclamado pela UNESCO em maio de 2001.[67]

Arquitetura

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Igreja e Convento de São Francisco, em La Paz

A arquitetura boliviana reflete edifícios de Tiauanaco construídos com grandes blocos de pedra esculpidos com excelentes junção e construções incas como os palácios da Isla del Sol e o forte militar de Samaipata e Incallajta, com o primeiro destes declarado Patrimônio Mundial da pela UNESCO, e o segundo abrigando um dos sítios arqueológicos mais importantes do país.[119][120] Do período colonial, destacam-se edifícios religiosos sob a influência do barroco andino do século XVIII, que combinam a arquitetura europeia e elementos mitológicos nativos. A Igreja e Convento de São Francisco, a Igreja de San Lorenzo de Carangas e as igrejas das Missões Jesuíticas de Chiquitos são obras representativas desse período da história arquitetônica boliviana.[121]

Após a independência, novos estilos passaram a exercer maior influência nas edificações do país, como o neoclássico, visto na construção da Catedral de Potosí; e o Beaux-Arts francês, no Palácio Quemado e na Catedral de Santa Cruz de la Sierra. No final do século XIX, sobrepõe-se o ecletismo em obras como o Principado de La Glorieta, de Antonio Camponovo, que combina 14 estilos arquitetônicos diferentes.[122] No século XX, estilos como o Neotiahuanaco surgiram no Museu Nacional de Arqueologia, de Arturo Posnasky; e os acadêmicos oficiais do Palácio Legislativo de Camponovo. No uso de ambos os estilos, destaca-se Emilio Villanueva, considerado o arquiteto boliviano mais importante deste século em obras como a Prefeitura de La Paz (1925), o Banco Central da Bolívia (1926) e o complexo da Universidade Maior de San Andrés (1941–1948).[122]

Miguel Alandia Pantoja

A pintura boliviana tem o seu início na arte rupestre de povos nativos. Atualmente, existem mais de mil locais com arte rupestre que correspondem a diferentes períodos como paleoamericano, pré-inca, inca, colonial e republicano.[123] Os principais parques arqueológicos da arte rupestre boliviana são Calacala em Oruro, Samaipata (local declarado Patrimônio Cultural da Humanidade ) em Santa Cruz, Copacabana em La Paz e Incamachay (local declarado Monumento Nacional) em Chuquisaca.[123]

Durante o período colonial, os pintores do atual território boliviano foram influenciados pelo maneirismo e arte estilizada de Bernardo Bitti, desprovidos de realismo das tradições inca e tiahuanacota, destacando-se pintores como Diego Cusihuamán.[124] No século XVII, o barroco resulta na fundação da escola Potosí e da escola Collao.[124] Em Potosí, há uma forte influência do maneirismo espanhol, com Melchor Pérez de Holguín, o pintor barroco mais importante do vice-reinado do Peru.[124] Por sua vez, no Collao, a influência hispânica-flamenga consegue inspirar artistas indígenas e mestiços, destacando-se o mestre anônimo de Calamarca 96 com suas obras conhecidas como Anjos e arcanjos de Calamarca.[125]

A independência incorporou a pintura influenciada pelos neo-classicismo e academicismo com pintores como Melchor María Mercado e Zenon Iturralde.[126] No século XX, aparece uma arte marcada pelo nacionalismo revolucionário e pelo indigenismo. O realismo mágico de Arturo Borda, os retratos indígenas de Cecilio Guzmán de Rojas e a arte revolucionária de Miguel Alandia Pantoja, Walter Solón Romero e Alfredo La Placa são as principais referências.[126] Por seu lado, a arte contemporânea do final do século introduz temas como o homem urbano e a crítica social.[127] Os pintores contemporâneos mais proeminentes são Gil Imana, Lorgio Vaca, Edgar Arandia, Gastón Ugalde, Tito Kuramoto, Carmen Villazón, Sol Mateo, Luis Zilveti e Roberto Mamani.[127]

Escultura

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Porta da Basílica de Nossa Senhora de Copacabana, escultura de Tito Yupanqui, Copacabana

Na Bolívia, a escultura remonta ao período tiauanaco com estelas antropomórficas como o Monólito Bennett ou figuras esculpidas na Porta do Sol.[119] Mais tarde, no período colonial, destaca-se Francisco Tito Yupanqui, autor da Virgem de Copacabana, que possuía uma técnica que ligava a tradição indígena à escultura espanhola da época. Posteriormente, esculturas esculpidas nas igrejas de Sucre e Potosí, que foram influenciadas pela Escola de Sevilha e pela Escola de Cuzco, também foram compiladas.[128]

No período republicano, a escultura recebe um impulso com a criação da Escola de Belas Artes de La Paz que, no início do século XX, Emiliano Luján, Hugo Almaráz, Victor Zapana e principalmente Marina Núñez del Prado se destacam,[129] considerados um dos maiores escultores da América Latina.[130] A obra de Marina Núñez del Prado se distingue pelo uso de curvas estilizadas (trabalhadas em ônix, granito preto, alabastro, etc.), que simbolizam as mulheres, um tema que ocupa um lugar central em sua arte. Mais tarde, após a década de 1960, surgem novos escultores, como Ted Carrasco, Carlos Rodríguez e Marcelo Callaú, inspirados principalmente pela sociedade boliviana e pelos mitos andinos.[119][131]

O entretenimento inclui o futebol, que é o esporte mais popular do país, a Seleção Boliviana de Futebol esteve presente em três edições da Copa do Mundo FIFA (1930, 1950 e 1994),[132] e foi campeã da Copa América de 1963. Assim como o futebol, o futebol de mesa, que é jogado nas esquinas por crianças e adultos.

DataNome
1 de janeiro Ano novo
Data móvel "Religiosa" (Semana anterior a Quaresma) Carnaval (2 dias)
19 de março Dia dos pais
23 de março Dia do mar
12 de abril Dia das crianças
Data móvel "Religiosa" (Semana Santa) Sexta-feira santa
1 de maio Dia do trabalho
27 de maio Dia das mães
15 de junho Corpus Christi
6 de agosto Aniversário do país
2 de novembro Dia de Todos-os-Santos
25 de dezembro Natal

Ver também

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Notas e referências

Notas

  1. Em cumprimento do estabelecido pela Constituição de 2009, deverá ser utilizada em todos os atos públicos e privados, nas relações diplomáticas internacionais, assim como a correspondência oficial a nível nacional e internacional, a denominação Estado Plurinacional da Bolivia, a partir de 18 de março de 2009 (segundo o Decreto nº 48). A ONU reconheceu a nova denominação oficial do estado boliviano em 7 de abril de 2009.[1][2][3]
  2. pronúncia em português europeu: [buˈlivjɐ]; pronúncia em português brasileiro: [boˈliviɐ]
    em castelhano: Bolivia, pronunciado: [boˈliβja] (escutar)
    em quíchua: Puliwya; em aimará: Wuliwya; em guarani: Mborívia
  3. No marco da Lei da Descentralização Administrativa (Decreto Supremo 24.206 de 29 de dezembro de 1995) modificou-se a estrutura organizacional do Estado e a distribuição dos ingressos (a distribuição de ingressos é proporcional à população do departamento), transferindo responsabilidades, obrigações direitos para os poderes executivos departamentais, constituídos pela prefeitura e pelo conselho departamental. Segundo esta Lei de Descentralização Administrativa, as prefeituras tem autonomia de gestão administrativa, técnica e financeira, patrimônio próprio e definição indefinida. Seu objetivo geral é promover o desenvolvimento econômico e social dos departamentos mediante o planejamento regional, a realização de estudos de base, a formulação de programas e projetos, atuando também em diferentes setores do desenvolvimento regional, e concentrando seus investimentos nos campos da infraestrutura viária, infraestrutura sóciosanitária, promoção do desenvolvimento agropecuário e rural, e o fomento da pequena e média indústria.

Referências

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Bibliografia

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Ligações externas

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