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Dignitatis Humanae

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A Dignitatis Humanæ (Dignidade humana) é uma declaração sobre a liberdade religiosa, aprovada pelo Concílio Vaticano II e promulgada por Paulo VI no dia 7 de dezembro de 1965. Este documento, aprovado na última sessão do Concílio, versa sobre o direito da pessoa e das comunidades à liberdade social e civil em matéria religiosa. Este documento faz diversas referências às encíclicas Pacem in terris e Mater et magistra, de João XXIII.

O título Dignitatis Humanæ deve-se às duas palavras iniciais do texto original latino, conforme a tradição da Igreja Católica.

Contexto histórico

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Ao longo do século XIX e início do século XX, o magistério da Igreja Católica mantinha uma postura crítica em relação ao liberalismo político e à liberdade de cultos. Documentos como a encíclica Mirari Vos (1832), de Gregório XVI, e o Syllabus (1864), de Pio IX, condenavam a ideia de que o Estado devesse conceder igualdade de direitos a todas as religiões.[1]

A ascensão de regimes totalitários no início do século XX, com cerceamento de liberdades fundamentais do ser humano, levou a Organização das Nações Unidas (ONU) e promulgar a Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948. O artigo 18º desta declaração versa a respeito da liberdade de pensamento, consciência e religião.[2] Uma trajetória semelhante seguiu a discussão teológica, com um "amadurecimento do pensamento do Magistério sobre a própria natureza da Igreja em relação à forma jurídica do Estado".[1]

O Papa João XXIII, na sua encíclica Pacem in terris, de 1963, afirma que é direito de cada ser humano "honrar a Deus segundo os ditames da reta consciência",[3] e teólogos como o americano John Courtney Murray defendiam que a liberdade religiosa não significava indiferentismo religioso, mas sim a limitação do poder estatal perante a consciência.[4]

John Courtney Murray SJ (1904-1967), um dos teólogos de maior relevância na promulgação, pelo Concílio Vaticano II, da Declaração Dignitatis humanae.
John Courtney Murray SJ, um dos teólogos de maior relevância na promulgação da Declaração Dignitatis humanae.

As discussões conciliares

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As discussões teológicas a respeito da liberdade religiosa, durante o Concílio Vaticano II permitiram a identificação de duas correntes de argumentação. Uma primeira pretendia defender a manutenção de certo paradigma tradicional sobre o entendimento do Estado confessional católico, além de acreditar que a defesa da liberdade de culto para outras religiões introduziria o relativismo e indiferentismo religiosos. Faziam parte desta corrente, entre outros prelados, o cardeal Alfredo Ottaviani e os bispos brasileiros Antônio de Castro Mayer e Geraldo de Proença Sigaud.[5]

Uma segunda corrente sustentava que o direito à liberdade religiosa tem sua origem na dignidade inalienável da pessoa humana, que deve permanecer imune à coerção estatal em matéria de fé. Tinha o apoio do Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos, liderado pelo cardeal Augustin Bea.[5] Uma aparente contradição entre ensinamentos é defendida pela Igreja a partir da necessidade de se considerar o surgimento de "[...] novos conceitos que definem o âmbito da consciência civil: a autonomia legítima das realidades temporais, a justificativa democrática da liberdade política, a neutralidade ideológica da esfera pública."[1]

Promulgado pelo Papa Paulo VI no dia 7 de dezembro de 1965, a Declaração é citada como um dos documentos mais relevantes do Concílio Vaticano II.

Principais ideias

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Através desta declaração conciliar, o Magistério da Igreja Católica mostrou grande "sensibilidade para com os problemas da liberdade e dos direitos do homem", nomeadamente da liberdade religiosa. O documento considera a liberdade religiosa como um "direito da pessoa e das comunidades à liberdade social e civil em matéria religiosa". Ele reconhece ainda que todos estes direitos humanos, incluindo o da liberdade, são inerentes à dignidade inalienável da pessoa humana.[6][7]

Referências

  1. 1 2 3 Comissão Teológica Internacional. «LIBERDADE RELIGIOSA PARA O BEM DE TODOS». www.vatican.va. Consultado em 30 de julho de 2026. Cópia arquivada em 25 de julho de 2026
  2. ↑ «Verificação de segurança — Senado Federal» (PDF). www2.senado.leg.br. Consultado em 30 de julho de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 15 de maio de 2024
  3. ↑ «Pacem in Terris (11 de abril de 1963)». www.vatican.va. Consultado em 30 de julho de 2026
  4. ↑ «The Declaration on Religious Freedom | Georgetown University Library». library.georgetown.edu. Consultado em 30 de julho de 2026. Cópia arquivada em 27 de agosto de 2025
  5. 1 2 Coppe Caldeira, Rodrigo (11 de maio de 2013). «A DIGNITATIS HUMANAE E A LIBERDADE RELIGIOSA: descontinuidade no magistério eclesiástico sobre o Estado moderno». doi:10.5752/P.1983-2478.2013v8n13p39-55. Consultado em 29 de junho de 2026
  6. ↑ "Catolicismo e mundo moderno" Arquivado em 23 de maio de 2009, no Wayback Machine., do site Hieros
  7. ↑ "O Concílio Vaticano II" Arquivado em 19 de outubro de 2009, no Wayback Machine., do site Doutrina Católica

Ligações externas

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