Empirismo
| Empirismo | |
|---|---|
O empirismo procura na experiência a origem ou a justificação do conhecimento[1] | |
| Área | Epistemologia |
| Origem do conhecimento | Experiência e evidência empírica |
| Correntes relacionadas | Fenomenalismo, positivismo lógico e pragmatismo |
| Questões centrais | Origem das ideias, justificação do conhecimento e limites da observação |
| Debate na ciência | Relação entre evidência, hipóteses e teorias |
Empirismo é uma família de posições da epistemologia, a área da filosofia que estuda o conhecimento. Para os empiristas, a experiência sensorial e a evidência empírica são a fonte exclusiva ou principal do conhecimento, ou da justificação que permite aceitá-lo como verdadeiro.[2] O racionalismo dá mais espaço ao conhecimento obtido pela razão sem apoio dos sentidos, e o ceticismo pergunta até onde qualquer conhecimento pode ser justificado.
As ideias, nessa família de posições, formam-se a partir do que uma pessoa percebe e vive, sem depender de ideias inatas nem da simples aceitação de crenças recebidas.[3][4] Experiências anteriores também podem explicar costumes e expectativas que parecem naturais.[5] Algumas formulações comparam a mente ao nascer a uma "tábula rasa", expressão latina que significa "tábua em branco". Pensamentos e ideias seriam escritos nessa tábua pelas experiências vividas depois do nascimento.[6]
Na filosofia da ciência, a experiência chega por observações, medições e experimentos, mas nenhum dado fala sozinho.[7] É preciso perguntar como a evidência sustenta uma teoria, quanto a interpretação depende de conceitos anteriores e como a mente aprende a pensar com esses conceitos. Essas perguntas levam o empirismo da história da filosofia aos debates sobre o método científico, a linguagem, a aprendizagem e a ciência cognitiva.[8][9]
Conceito e fundamentos
[editar | editar código]Experiência, origem e justificação
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A experiência abrange a percepção de objetos externos e, em algumas teorias, a atenção ao que ocorre na própria mente[nota 1]. Locke chamou essa atenção interior de reflexão. Por meio dela, formamos ideias de atividades como pensar, duvidar, recordar e querer. A experiência usada para explicar a origem das ideias não se limita, então, aos cinco sentidos externos.[10][4]
As versões do empirismo ficam mais claras quando se pergunta qual problema cada uma procura resolver. O empirismo genético[nota 2] estuda de onde vêm as ideias e os conceitos. O empirismo justificativo[nota 3] exige o confronto das afirmações com a experiência antes de aceitá-las como justificadas. O empirismo explicativo[nota 4] limita as conclusões sobre causas que não podem ser observadas. Uma pessoa pode combinar essas posições, mas elas não dizem a mesma coisa. Exigir testes empíricos para uma teoria não obriga ninguém a afirmar que todos os conceitos usados nela vieram diretamente dos sentidos.[11]
Conhecimento a priori e a posteriori
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Quando se pergunta por que uma afirmação deve ser aceita, a resposta pode ser a priori ou a posteriori. Uma justificação a posteriori usa a experiência como evidência. Uma justificação a priori não depende desse apoio empírico. Saber que a grama é verde exige observá-la, enquanto reconhecer que "verde é uma cor" pode dispensar uma nova observação.[12]
Uma justificação independente da experiência não significa que a pessoa nasceu sabendo. Ela talvez tenha precisado da experiência para aprender os conceitos e compreender a proposição[nota 5], mesmo que essa experiência não seja a razão pela qual a proposição é aceita. A origem de uma ideia e a justificação de uma afirmação são problemas diferentes.[12]
A distinção entre enunciados analíticos e sintéticos trata do conteúdo do que é dito. Na caracterização tradicional, uma verdade analítica decorre do significado dos termos. "Todos os pediatras são médicos" é um exemplo. Uma afirmação sintética não pode ser estabelecida apenas por esses significados. Kant trabalhou com essas categorias, e Quine viria a contestar a separação entre elas.[13]
Relações com o racionalismo e o inatismo
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Para um empirista, só há conhecimento justificado sobre determinado domínio quando ele tem base na experiência sensorial.[14] O racionalismo admite que a razão pode fornecer conhecimento sem apoio dos sentidos. Na filosofia da mente, o inatismo admite componentes inatos na formação do conhecimento. Essas divisões não criaram campos inteiramente separados no Iluminismo. John Locke aceitava o conhecimento intuitivo[nota 6] da própria existência e o conhecimento demonstrativo[nota 7] da existência de Deus. Robert Boyle, defensor do método experimental, também aceitava ideias inatas.[15][16][4][17] Os racionalistas continentais René Descartes, Baruch Espinoza e Gottfried Leibniz recorriam à experiência em suas investigações científicas.[18][1]
Uma pessoa pode ser empirista acerca do mundo físico sem dar a mesma resposta para a matemática, a lógica ou a moral. Hume separou as relações de ideias das questões de fato. Mill tentou levar a base empírica até o conhecimento matemático. O contraste entre empirismo e racionalismo muda de um autor para outro e não divide a filosofia em duas doutrinas uniformes.[1]
Empirismo e investigação empírica
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Autores que discordam sobre a origem dos conceitos podem concordar que uma hipótese científica precisa de evidência empírica, e os racionalistas também usam observações e experimentos. A investigação empírica é uma maneira de pesquisar. O empirismo filosófico pergunta o que a experiência pode fazer nessa investigação e onde estão seus limites no conhecimento.[1]
Na ciência e no método científico, as afirmações sobre fenômenos empíricos são comparadas com observações e, quando o problema permite, com experimentos. As ciências naturais e as ciências sociais não usam sempre os mesmos métodos, e um teste nem sempre acontece em condições controladas. A evidência pode fortalecer ou enfraquecer uma hipótese sem prová-la de maneira definitiva. Para interpretá-la, é preciso conhecer os instrumentos, os modelos e as condições de observação. O conhecimento científico fica aberto a revisão[nota 8]. A falseabilidade, proposta por Karl Popper para separar teorias científicas de outras afirmações, não é uma condição consensual aplicada do mesmo modo a toda investigação.[7][19][20][21]
Uma investigação empírica pode observar o que já acontece ou intervir nas condições para acompanhar o resultado[nota 9]. Olhar a cor e a forma de uma fruta é diferente de extrair seu suco e aplicar reagentes para investigar sua composição. A experiência científica pode preparar e manipular as condições investigadas, registrar o que chega aos sentidos e produzir dados por meio de instrumentos. A filosofia também pergunta como esses resultados foram obtidos e como devem ser interpretados.[19]
Na química computacional, modelos "semiempíricos"[nota 10] simplificam cálculos de estrutura eletrônica e compensam parte das aproximações com expressões ajustáveis. Os parâmetros podem ser calibrados com dados experimentais ou com resultados de métodos computacionais de referência. O ganho de eficiência traz limites que precisam ser avaliados em cada aplicação.[22]

Inferência e avaliação da evidência
[editar | editar código]O uso de um resultado como evidência exige estabelecer sua relação com a hipótese avaliada. A força probatória[nota 11] de um registro depende também de pressupostos sobre o fenômeno e sobre o procedimento que o produziu.[19]
Dedução, indução e abdução
[editar | editar código]Ao fazer uma inferência, uma pessoa parte de premissas e chega a uma conclusão. As formas de raciocínio abaixo se distinguem pela relação entre essas partes e pelo espaço dado à explicação.[23]
| Forma | Relação entre premissas e conclusão | Exemplo |
|---|---|---|
| Dedução | Em um argumento válido[nota 12], a verdade das premissas garante a verdade da conclusão. | Todos os A são B. Este objeto é A. Logo, ele é B. A e B são classes de objetos.[23] |
| Indução | Emprega regularidades ou frequências observadas para sustentar conclusões que não são logicamente garantidas. | Com base na frequência observada de elefantes cinzentos, generalizar essa cor para os demais.[23] |
| Abdução, no sentido de inferência à melhor explicação | Favorece a hipótese que explica melhor a evidência. Sua justificação permanece em debate. | Migalhas e utensílios usados sobre uma mesa levam à hipótese de que alguém fez uma refeição.[23] |
Confirmação e revisão de hipóteses
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Na teoria da confirmação, "confirmar" designa uma relação de apoio entre evidência e hipótese, sem exigir uma demonstração conclusiva da verdade desta. A observação de um cisne branco, por exemplo, pode contar a favor da hipótese de que todos os cisnes são brancos, mas não a demonstra. O problema filosófico consiste em explicar a força desse apoio quando a conclusão ultrapassa o que foi observado.[20]
Uma família de respostas emprega a abordagem bayesiana, que expressa graus de crença por meio de probabilidades. Na confirmação por relevância probabilística, uma evidência confirma uma hipótese quando aumenta a probabilidade que lhe era atribuída, levando em conta o conhecimento de fundo[nota 13]. Esse aumento não garante que a probabilidade final seja alta.[20]
Experiência e conhecimento por testemunho
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O testemunho de outras pessoas coloca uma questão adicional para a relação entre experiência e conhecimento. Uma pessoa pode aprender por relatos e textos sem observar diretamente os acontecimentos descritos. Na tradição de discussão associada a Hume, a justificação dessa confiança é relacionada às razões para considerar os informantes confiáveis. Outras posições atribuem ao testemunho um papel justificativo próprio[nota 14] ou combinam essas duas abordagens. O debate examina como o conhecimento comunicado se relaciona com a percepção, a memória e a inferência.[24]
Etimologia
[editar | editar código]O termo português "empirismo" veio do francês empirisme, enquanto "empírico" deriva do latim empiricus e, antes dele, do grego antigo empeirikós, "experiente".[25][26] A palavra grega empeiría significa "experiência" e tem como correspondente latino experientia[nota 15], de onde vieram as palavras "experiência" e "experimento".[27]
História
[editar | editar código]As concepções antigas e medievais reunidas como antecedentes do empirismo diferem das formulações dos séculos seguintes. O mesmo nome abrange respostas diferentes para o papel da experiência no conhecimento, não uma doutrina que tenha atravessado esses períodos sem mudanças.[11]
Na Alemanha, Immanuel Kant examinou a relação entre razão e experiência na Crítica da Razão Pura, de 1781. A oposição entre racionalismo e empirismo ganhou forma nessa discussão, embora a classificação retrospectiva[nota 16] dos filósofos anteriores em duas escolas tenha sido consolidada depois.[14][28][29]
Antecedentes na Antiguidade
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A escola Vaisesica, uma das escolas da filosofia hindu atribuída ao sábio Kanada, aceitava a percepção e a inferência como as duas únicas fontes confiáveis de conhecimento.[30][31][32] A datação da escola e do Vaiśeṣika Sūtra permanece em debate. A redação preservada do tratado, atribuída a Kanada, data de cerca do século I da era comum, embora contenha elementos anteriores.[33] A escola dos charvacas aceitava apenas a percepção como fonte confiável e entendia que o conhecimento obtido por inferência estava sujeito à incerteza.
A expressão tábula rasa, "tábua limpa" ou "tábua em branco", designa a concepção da mente como algo inicialmente vazio, sobre o qual a experiência deixa suas impressões. Locke empregou a expressão "papel em branco". Essa concepção nega a existência de ideias inatas e tem um antecedente na comparação feita por Aristóteles, no século IV a.C., entre o intelecto em potência e uma tábua na qual nada está efetivamente escrito:[11]
O que a mente, o nous, pensa deve estar nela no mesmo sentido em que as letras estão numa tábua, o grammateion, na qual nada está efetivamente escrito, o grammenon[nota 17]. É precisamente isso que ocorre com a mente.
Aristóteles, Da Alma, III, 4, 430a1.[34]
Aristóteles explicava essa possibilidade por sua teoria da potência e ato, que não era estritamente empirista no sentido posterior do termo. O conhecimento obtido pelos sentidos ainda exigia a participação do nous ativo, ou intelecto ativo, cuja interpretação permanece controversa. Essas concepções se afastavam do platonismo, no qual a alma preexistia ao corpo e ao nascimento, como em Fédon e Apologia de Sócrates. Aristóteles dava à percepção sensorial um lugar maior do que Platão, e os comentadores medievais resumiram uma posição aristotélica na fórmula latina nihil in intellectu nisi prius fuerit in sensu, "nada há no intelecto que não tenha estado antes nos sentidos"[nota 18].[11][34]
A escola estoica, fundada por volta de 330 a.C., também desenvolveu essa ideia. Sua epistemologia parte, em geral, de uma mente inicialmente em branco, que adquire conhecimento à medida que o mundo exterior nela imprime suas impressões.[35] O doxógrafo Aécio resumiu essa concepção assim: "Quando um homem nasce, dizem os estoicos, a parte dirigente de sua alma é como uma folha de papel pronta para receber a escrita".[36]
Epicuro, que viveu de 341 a 270 a.C., também desenvolveu uma teoria empirista do conhecimento. Considerava as sensações critérios de verdade e situava os erros nas opiniões acrescentadas ao que é percebido. Essa confiança na sensação não significava que toda interpretação de uma experiência fosse correta: os juízos precisavam ser confrontados com outros conhecimentos sobre o mundo. O epicurismo admitia ainda o raciocínio por analogia entre fenômenos visíveis e entidades não observáveis, como os átomos. A investigação da natureza tinha uma finalidade ética, pois compreender seus processos permitiria afastar temores e alcançar a ataraxia, ou tranquilidade da mente.[37]
Entre os primeiros antecedentes ocidentais do empirismo estão os médicos gregos da escola empírica, formada em meados do século III a.C.[38][11] Seus integrantes rejeitavam as doutrinas da escola dogmática e preferiam a observação das phantasiai, ou seja, dos fenômenos tal como se apresentam.[39] A escola empírica mantinha proximidade com o pirronismo, que desenvolveu argumentos filosóficos próximos dessa valorização da experiência.[40]
Os médicos empiristas aceitavam inferências apoiadas em associações já observadas, capazes de levar ao reconhecimento de algo temporariamente oculto. Rejeitavam a especulação sobre causas fora do alcance da observação. O desacordo com os médicos dogmáticos estava na base das explicações e no quanto elas poderiam ir além do que havia sido percebido.[11]
Filosofia islâmica e escolástica medieval
[editar | editar código]Filosofia islâmica
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Na Idade Média, entre os séculos V e XV, filósofos islâmicos desenvolveram a ideia aristotélica da tábula rasa, começando por Alfarábi, que viveu aproximadamente de 872 a 951. Avicena, que viveu de cerca de 980 a 1037, elaborou essa concepção,[41] e Ibne Tufail a levou a um experimento mental.[42] Para Avicena, o intelecto material ou potencial, al-'aql al-hayulani[nota 19], começa como uma capacidade ainda não realizada. A experiência sensível e as faculdades internas preparam a alma para o conhecimento, mas não produzem por abstração todos os conceitos universais. Os inteligíveis vêm do Intelecto Agente separado, al-'aql al-fa'il. Ao recebê-los, o intelecto humano passa da capacidade ao ato, e seu grau adquirido envolve a união com essa fonte.[41][43]
No século XII, o filósofo e romancista muçulmano de Alandalus Abu Bakr Ibne Tufail, chamado "Abubacer" ou "Ebu Tophail" no Ocidente, empregou a tábula rasa como experimento mental em Hayy ibn Yaqdhan, um romance filosófico da literatura árabe. A obra acompanha o desenvolvimento da mente de uma criança selvagem, do estado de tábula rasa à idade adulta, numa ilha deserta, inteiramente afastada da sociedade e aprendendo apenas pela experiência. A tradução latina, intitulada Philosophus Autodidactus[nota 20], foi publicada por Edward Pococke, o filho, em 1671 e teve relação com a formulação da tábula rasa no Ensaio acerca do Entendimento Humano, de John Locke.[42]
O teólogo e médico árabe Ibn al-Nafis escreveu no século XIII Theologus Autodidactus, outro romance filosófico sobre a teologia islâmica. O protagonista começa a aprender sozinho numa ilha e investiga o mundo pelos sentidos, como ocorre no romance de Ibne Tufail. A história muda quando ele encontra viajantes e os acompanha de volta à sociedade. A razão solitária já não basta para alcançar os conhecimentos religiosos mais elevados. Sua educação e seu pleno desenvolvimento passam a depender da revelação e da convivência com outras pessoas.[44][45]
Escolástica latina
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No século XIII, Tomás de Aquino incorporou à escolástica a posição aristotélica de que os sentidos são necessários ao conhecimento. Para ele, o intelecto possível começa como uma tábua em branco e recebe conceitos universais que o intelecto agente abstrai das imagens produzidas pelos sentidos. Essa atividade do intelecto impede que a teoria se reduza à recepção passiva de sensações.[47] Boaventura, que viveu no mesmo período, de cerca de 1221 a 1274, combinou a abstração aristotélica, na qual sentidos e intelecto formam os conceitos, com a iluminação divina de Agostinho, à qual atribuía a certeza dos juízos.[48]
Roger Bacon, no século XIII, deu destaque à scientia experimentalis[nota 21], ou ciência experimental. No Opus Majus, escrito na década de 1260, argumentou que o raciocínio, mesmo quando parte da experiência, precisa ser confirmado pelo contato com as coisas. Seus estudos de óptica combinavam modelos geométricos, observações e instrumentos, retomando trabalhos de Roberto Grosseteste e de Ibne Al-Haitham. A experiência fazia parte de um projeto cristão de reforma dos estudos, no qual as ciências também atendiam à teologia. Por abranger elementos religiosos, essa noção se distingue da experimentação científica dos séculos seguintes.[46]
No século XIV, Guilherme de Ockham vinculou a discussão do conhecimento à sua crítica dos universais. Em seu nominalismo, os universais não são coisas que existem fora da mente, mas conceitos ou signos capazes de abranger muitos indivíduos. Ockham distinguiu a cognição intuitiva, pela qual se pode conhecer um indivíduo e julgar sua existência, da cognição abstrativa[nota 22], que dispensa uma decisão sobre a existência do objeto. Essa atenção ao conhecimento de indivíduos e à percepção integra os antecedentes medievais do empirismo, embora seu sistema também trate de questões teológicas da escolástica.[49]
Renascimento italiano
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No fim do Renascimento, escritores passaram a questionar as explicações medievais e da filosofia antiga sobre a aquisição do conhecimento. Na escrita política e histórica, Nicolau Maquiavel e seu amigo Francesco Guicciardini voltaram-se para exemplos históricos e para as condições efetivas da ação política.[51][52] Maquiavel criticava os autores que julgavam a política por comparação com modelos imaginados e defendia o estudo da "verdade efetiva"[nota 23].[51] Leonardo da Vinci, que viveu de 1452 a 1519, também valorizou a experiência direta e a observação, em vez da aceitação de afirmações apenas por sua autoridade, orientação visível sobretudo em seus estudos anatômicos.[53]
O filósofo italiano Bernardino Telesio desenvolveu um sistema metafísico de base empírica que repercutiu entre seus alunos Antonio Persio e Sertorio Quattromani, entre Tommaso Campanella e Giordano Bruno, do mesmo período, e entre filósofos britânicos dos séculos seguintes, como Francis Bacon, que o chamou de "o primeiro dos modernos".[54] Seu pensamento também alcançou os filósofos franceses René Descartes e Pierre Gassendi.[54]
O teórico musical Vincenzo Galilei, que viveu aproximadamente de 1525 a 1591, contestou autoridades aristotélicas no campo da teoria musical. Pai de Galileu Galilei e um dos participantes do desenvolvimento da monodia, empregou a experimentação para resolver problemas musicais. Investigou a afinação, em especial a relação entre a altura dos sons[nota 24], a tensão e a massa das cordas, além do volume de ar nos instrumentos de sopro. Na composição, apresentou propostas aos músicos em seu Dialogo della musica antica e moderna, publicado em Florença em 1581. A palavra italiana que empregava para "experimento" era esperimento.[55][50]
Vincenzo participou da formação de Galileu, seu filho mais velho, e examinou em suas pesquisas sobre afinação o problema por trás do relato dos "martelos de Pitágoras". Verificou que a relação entre as tensões de cordas iguais afinadas com uma oitava[nota 25] de diferença era de 4 para 1, e não de 2 para 1, como se supunha. A experimentação e a possibilidade de corrigir autoridades anteriores entraram, por essa via, na formação de Galileu. A exigência de "experiência e demonstração" passou a orientar sua investigação racional.[50][55]

Empirismo britânico
[editar | editar código]A expressão empirismo britânico reúne, de maneira retrospectiva, posições que surgiram no século XVII na filosofia moderna e na ciência. Na Inglaterra, Francis Bacon defendeu a investigação empírica no Novum Organum, de 1620. Na França, René Descartes desenvolveu a fundamentação racionalista nas Meditações sobre Filosofia Primeira, de 1641. A filosofia natural de Bacon recebeu ideias de Bernardino Telesio e do médico suíço Paracelso.[54] Thomas Hobbes e Baruch Espinoza, também do século XVII, foram classificados posteriormente como empirista e racionalista, respectivamente. No Iluminismo, Locke, na Inglaterra, Berkeley, na Irlanda, e Hume, na Escócia, ocuparam o centro do grupo de filósofos reunido sob o nome de empirismo britânico.[29]
Francis Bacon e a indução
[editar | editar código]Para Francis Bacon, o confronto com a experiência deveria corrigir limitações do entendimento e erros de julgamento produzidos pelo raciocínio.[56]
O método de Francis Bacon não consistia apenas em acumular observações favoráveis a uma conclusão. No Novum Organum, propôs uma indução por exclusão[nota 26]: comparar casos em que uma propriedade aparece, casos semelhantes em que está ausente e variações de sua intensidade, para eliminar explicações incompatíveis com os dados. Experimentos e instrumentos deveriam corrigir limitações dos sentidos. A investigação também exigia enfrentar os "ídolos", fontes de erro ligadas à natureza humana, às particularidades individuais, ao uso das palavras e à autoridade de sistemas filosóficos.[56]
As três tabelas de comparação propostas por Bacon tinham funções distintas:[56]
| Tabela | Conteúdo | Função na investigação |
|---|---|---|
| Presença | Casos em que a propriedade investigada se manifesta | Reunir exemplos do fenômeno |
| Ausência | Casos comparáveis em que a propriedade não se manifesta | Excluir fatores que não explicam sua ocorrência |
| Graus ou comparação | Casos em que a propriedade aumenta ou diminui | Comparar a variação do fenômeno com a dos fatores considerados |
Hobbes: sensação, imaginação e raciocínio
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Thomas Hobbes relacionou a formação das ideias à sensação e à imaginação. Em sua explicação, as sensações deixam imagens que podem persistir, ser lembradas e combinadas. A linguagem participa da organização desses conteúdos, e o raciocínio é apresentado como uma forma de cálculo com signos[nota 27]. Essa origem sensorial das ideias faz parte de um sistema que também atribui importância à demonstração e à geometria, de modo que sua posição sobre a experiência não se resume à coleta de observações.[57]
Locke: experiência e formação das ideias
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Em resposta ao racionalismo continental do início e de meados do século XVII, John Locke, que viveu de 1632 a 1704, defendeu no Ensaio acerca do Entendimento Humano, publicado em 1689, que as ideias têm origem na experiência, ou seja, a posteriori. Comparou a mente a uma tábula rasa, uma "tábua em branco", ou, em suas palavras, a um "papel em branco", no qual se inscrevem as experiências que vêm depois. Essa tese sobre a origem das ideias não excluía a possibilidade de conhecimento intuitivo e demonstrativo.[4]
Locke distinguia duas fontes das ideias, a sensação e a reflexão, e separava as ideias simples das complexas[nota 28]. As simples não podem ser decompostas em outras ideias. As qualidades primárias dos corpos, como a solidez, a extensão, a forma e o movimento, pertencem aos próprios objetos. As secundárias[nota 29] são seus poderes de produzir sensações, como cores, sabores e odores. Uma maçã, por exemplo, tem uma forma e um tamanho, qualidades primárias, e pode produzir em quem a percebe sensações de cor e sabor, qualidades secundárias. Na hipótese corpuscular, que Locke considerava a explicação física mais inteligível disponível, a constituição das partes do corpo estaria na base desses poderes. Locke, porém, não julgava que essa hipótese fornecesse conhecimento demonstrativo de como as sensações são produzidas. A cor e o sabor percebidos não se confundem com a estrutura material. As ideias complexas resultam da combinação das simples e abrangem substâncias, modos[nota 30] e relações. Para Locke, conhecer é perceber a concordância ou a discordância entre ideias, uma concepção diferente da busca cartesiana de certeza.[10][4][58]
Berkeley e o idealismo subjetivo
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Na geração seguinte, o bispo anglicano irlandês George Berkeley, que viveu de 1685 a 1753, entendeu que a posição de Locke abria caminho ao ateísmo. No Tratado sobre os Princípios do Conhecimento Humano, de 1710, sustentou que as coisas existem por serem percebidas ou por serem entidades que percebem. Em sua filosofia, Deus causa a ordem das ideias sensoriais. Nos Três diálogos entre Hilas e Filonous, a percepção divina também explica a continuidade dos objetos quando nenhuma pessoa os percebe, embora o sentido exato dessa explicação esteja em debate. Em Alciphron, Berkeley defendeu que a ordem encontrada na natureza é a linguagem ou a escrita de Deus.[59] Essa forma de empirismo recebeu o nome de idealismo subjetivo.[60][61]
Hume: conhecimento, causalidade e indução
[editar | editar código]O filósofo escocês David Hume, que viveu de 1711 a 1776, desenvolveu a tradição empirista em direção cética e procurou explicar os limites do conhecimento humano. Defendia que as ideias derivam da experiência, mas extraiu dessa tese consequências que outros filósofos não aceitavam.[62]
Hume dividia os objetos do conhecimento humano em "relações de ideias" e "questões de fato", uma distinção próxima da distinção analítico-sintética de Kant. Proposições matemáticas e lógicas, como "o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos", pertencem ao primeiro grupo. Proposições sobre acontecimentos contingentes do mundo, como "o Sol nasce no leste", pertencem ao segundo. As "ideias"[nota 31] derivam das "impressões", que abrangem as percepções mais vivas, como as sensações. Lembrar ou imaginar uma impressão é ter uma ideia. As ideias, nessa divisão, são cópias menos vivas dessas impressões.[5]

Hume sustentava que as crenças sobre questões de fato, mesmo as mais elementares acerca da natureza, não podem ser estabelecidas conclusivamente pela razão. Elas se formam pelo hábito[nota 32], adquirido com a repetição das experiências sensoriais. Na discussão do método científico, formulou o problema da indução. A tentativa de justificar o raciocínio indutivo pela experiência já emprega o mesmo raciocínio que pretende justificar, produzindo um argumento circular[nota 33].[5] Não há certeza de que o futuro será semelhante ao passado. No exemplo de Hume, não podemos saber com certeza, por indução, que o Sol nascerá novamente, mas esperamos que isso aconteça porque aconteceu repetidamente.[5]
Escreveu, por exemplo: "Locke divide todos os argumentos em demonstrativos e prováveis. Por esse modo de dividir os argumentos, devemos dizer que é apenas provável que todos os homens tenham de morrer ou que o Sol nascerá amanhã, pois nenhuma dessas coisas pode ser demonstrada. Mas, para ajustar nossa linguagem ao uso comum, devemos dividir os argumentos em demonstrações, provas e probabilidades, entendendo por 'provas'[nota 34] os argumentos da experiência que não deixam espaço para dúvida ou contestação".[63]
Ao discutir a origem da ideia de poder causal, Hume examinou os limites da explicação proposta por Locke:
Creio que a explicação mais geral e mais comum dessa questão consiste em dizer, como o senhor Locke no capítulo sobre o poder, que, ao descobrir pela experiência que há novas produções na matéria, como os movimentos e as mudanças dos corpos, e ao concluir que deve existir em algum lugar um poder capaz de produzi-las, chegamos por esse raciocínio à ideia de poder e eficácia. Mas, para nos convencermos de que essa explicação é mais comum do que filosófica, basta pensar em dois princípios muito evidentes. Primeiro, a razão, por si só, nunca pode dar origem a uma ideia original. Segundo, a razão, distinguida da experiência, nunca pode nos levar a concluir que uma causa ou qualidade produtiva é absolutamente necessária para todo começo de existência. Essas duas considerações já foram suficientemente explicadas e não precisam ser retomadas aqui.
Hume, livro I, parte III, seção XIV, "Of the Idea of Necessary Connexion".[64]
Hume negava que a crença num mundo exterior e a crença num eu permanente[nota 35] tivessem uma justificação racional conclusiva. Essas crenças, porém, fazem parte da vida humana por seu fundamento no instinto, na imaginação e no costume. Seus argumentos céticos deixaram em aberto a justificação da indução e foram retomados por filósofos que também questionaram sua validade.[65][62]
Empirismo francês e sensualismo
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Na França do século XVIII, Étienne Bonnot de Condillac desenvolveu uma versão do empirismo conhecida como sensualismo. Em seu Ensaio sobre a origem dos conhecimentos humanos, de 1746, e no Tratado das sensações, de 1754, procurou explicar pela experiência não só a origem das ideias, mas também a formação da atenção, da memória, da imaginação e do raciocínio. Enquanto Locke distinguia sensação e reflexão como fontes das ideias, Condillac buscava mostrar como as próprias operações mentais se desenvolvem a partir das sensações.[66]
O Tratado das sensações apresenta o experimento mental de uma estátua à qual os sentidos são concedidos progressivamente. Condillac acompanha o que ela poderia aprender ao receber cada modalidade sensorial[nota 36], isoladamente ou em combinação com outras. O exemplo permite discutir como se formam a percepção do espaço, o conhecimento de objetos externos e as faculdades cognitivas. Em seus trabalhos sobre a linguagem e a lógica, atribuiu aos signos um papel na organização do pensamento e tratou as línguas como instrumentos de análise.[66]
A crítica de Kant
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Immanuel Kant retomou o problema da experiência e da causalidade colocado por Hume. Na Crítica da Razão Pura, publicada em 1781 e revista em 1787, sustentou que o conhecimento depende da cooperação entre a sensibilidade e o entendimento[nota 37]. A experiência fornece o material do conhecimento, mas pressupõe formas e conceitos que não são extraídos dela: espaço e tempo são formas a priori da sensibilidade, enquanto as categorias, entre elas substância e causalidade, pertencem ao entendimento.[67]
Kant usou essa cooperação entre sensibilidade e entendimento para explicar a possibilidade de juízos sintéticos a priori, que ampliariam o conhecimento e teriam necessidade e universalidade. Essas formas e categorias valem para os objetos da experiência possível[nota 38], não para as coisas consideradas sem as condições humanas de conhecer. Sua filosofia crítica reformulou a oposição entre empirismo e racionalismo e ampliou a discussão dos limites do conhecimento.[67]
Mill: indução e fenomenalismo
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Os continuadores de Hume frequentemente recusaram sua conclusão de que a crença num mundo exterior não tem justificação racional. Entendiam que os próprios princípios de Hume permitiam justificá-la, sem deixar a questão apenas a cargo do instinto e do costume.[69] Numa forma extrema de empirismo, o fenomenalismo, antecipada pelos argumentos de Hume e Berkeley, o objeto físico é uma construção feita a partir das experiências.[70]
O fenomenalismo sustenta que objetos, propriedades e acontecimentos físicos podem ser reduzidos a objetos, propriedades e acontecimentos mentais. Na versão ontológica[nota 39] dessa posição, apenas os conteúdos mentais existem, o que a aproxima do idealismo subjetivo. Ver um objeto físico real equivale a ter um conjunto de experiências que se mantém constante e coerente, diferentemente, por exemplo, do conjunto de experiências de uma alucinação. Em meados do século XIX, John Stuart Mill definiu a matéria como a "possibilidade permanente de sensação"[nota 40].[71][68]
Indução e conhecimento matemático
[editar | editar código]Mill foi além de Hume ao sustentar que a indução é necessária para todo conhecimento com conteúdo, até mesmo o matemático. Ele aceitava que a matemática se organiza e opera por dedução, mas entendia que suas premissas e inferências não meramente verbais recebem justificação indutiva.[72] D. W. Hamlyn resumiu essa posição assim:
Mill afirmava que as verdades matemáticas eram apenas generalizações da experiência confirmadas em grau muito elevado. A inferência matemática, geralmente entendida como dedutiva e a priori, teria fundamento na indução. Na filosofia de Mill, não havia um lugar próprio para o conhecimento baseado em relações de ideias. A necessidade lógica e matemática seria psicológica[nota 41], pois simplesmente não conseguimos conceber possibilidades diferentes daquelas afirmadas pelas proposições lógicas e matemáticas. Essa talvez seja a versão mais extrema do empirismo, mas encontrou poucos defensores.[61]
Uma crítica recai sobre sua explicação da matemática como inferência indutiva. A matemática trabalha com procedimentos dedutivos internamente coerentes, que não correspondem ao sentido habitual de indução. Ao incluí-los na indução, Mill não daria conta da estrutura e do método do conhecimento matemático.[61][73][74]
Críticas ao fenomenalismo
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O empirismo de Mill faz o conhecimento resultar de inferências indutivas baseadas na experiência direta, não apenas da experiência direta em si.[76][72] As críticas começam pela dificuldade de explicar o que é a experiência direta quando se distinguem apenas sensações efetivas e possíveis[nota 42]. A formulação não esclarece em quais condições os conjuntos de "possibilidades permanentes de sensação" poderiam existir. Berkeley recorria a Deus para responder à questão, mas os fenomenalistas, entre eles Mill, não ofereciam a mesma resposta.
Sem admitir uma realidade que vá além das "possibilidades de sensação", essa posição se aproxima do idealismo subjetivo. Ficam sem resposta questões como a sustentação de um piso por suas vigas quando ninguém as observa ou o crescimento das árvores quando ninguém as vê nem toca.[61][73] A formulação de Mill também deixa aberta a possibilidade de que as entidades empregadas para preencher essas lacunas sejam meras possibilidades, sem existência efetiva.[73]
Na década de 1940, o projeto fenomenalista de traduzir enunciados sobre objetos físicos em enunciados sobre dados sensoriais[nota 43] efetivos e possíveis enfrentou objeções que enfraqueceram essa fase do empirismo posterior a Hume.[75] Para que tal tradução fosse possível, um enunciado sobre um objeto físico teria de ser dedutível de enunciados sobre dados sensoriais. A dificuldade era encontrar um conjunto finito desses enunciados que permitisse deduzir até mesmo uma afirmação sobre um único objeto físico. As traduções propostas precisavam recorrer a observadores normais em condições normais de observação.
Não há, porém, um conjunto finito de enunciados puramente sensoriais que estabeleça a presença de um observador normal. Na formulação fenomenalista, afirmar que um observador é normal equivale a dizer que, se um médico o examinasse, ele lhe pareceria normal. O médico também precisaria ser um observador normal. Para explicar sua normalidade em termos sensoriais, seria necessário um segundo médico que, ao examinar os órgãos dos sentidos do primeiro, tivesse os dados sensoriais de um observador normal. A normalidade desse segundo médico exigiria um terceiro, e assim sucessivamente, num regresso semelhante ao argumento do terceiro homem.[75]
Ernst Mach e a análise da experiência
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Ernst Mach, que viveu de 1838 a 1916, associou a investigação experimental em física e psicologia da percepção a uma crítica dos conceitos científicos. Pelo princípio da economia do pensamento, as leis científicas organizam e resumem a experiência, permitindo representar suas relações de maneira eficiente. Mach examinava a formação histórica dos conceitos para evitar que fossem tratados como entidades ou verdades imunes à revisão.[77]
Sua crítica do espaço e do tempo absolutos e sua análise das sensações entraram nos debates sobre os fundamentos da física e o empirismo lógico. Mach foi muitas vezes apresentado como um fenomenalista que reduzia a realidade a sensações, mas seu pensamento também possui dimensões históricas, evolucionistas e relacionais.[77]
Pragmatismo
[editar | editar código]As ideias centrais do pragmatismo surgiram nas discussões do Clube Metafísico, que se reuniu em Harvard por volta de 1870 e teve entre seus participantes Charles Sanders Peirce e William James. James deu projeção pública ao termo em conferências de 1898. Ambos o apresentaram como um método ou uma máxima para esclarecer conceitos e hipóteses por suas consequências concebíveis na experiência, mas divergiram sobre o realismo e a verdade. Peirce, insatisfeito com outros rumos do movimento, passou a chamar sua própria posição de "pragmaticismo". As teorias pragmáticas da verdade resultantes não constituem uma única doutrina: Peirce, James e Dewey formularam versões distintas, ligadas às práticas de investigação, teste e afirmação.[78][79]
Peirce: inferência, percepção e falibilismo
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Charles Peirce, que viveu de 1839 a 1914, desenvolveu uma explicação do método científico baseada na experiência.[80] Criticou elementos do racionalismo cartesiano, mas não reduziu a investigação à acumulação de dados: conceitos e hipóteses podiam ultrapassar o que havia sido observado, adquirir significado por suas consequências concebíveis e permanecer sujeitos a correção pela investigação.[78][80]
Peirce reuniu a indução e a dedução como formas complementares de raciocínio, numa discussão que retomava o problema deixado por Hume. Acrescentou a abdução, pela qual se formulam hipóteses explicativas. A combinação dessas formas de raciocínio permite explicar a investigação científica baseada na experiência. Sua abordagem pressupõe que os objetos do conhecimento são reais, que suas propriedades não dependem de serem percebidas e que a investigação pode levar os observadores a concordar sobre a verdade. Pelo falibilismo, as conclusões científicas permanecem provisórias. A racionalidade do método não depende da certeza de cada conclusão, mas da possibilidade de detectar e corrigir erros ao prosseguir a investigação, aproximando-se da verdade.[80]
Nas conferências sobre pragmatismo que apresentou em Harvard em 1903, Peirce enumerou o que chamou de "três proposições cotárias do pragmatismo"[nota 44], expressão formada a partir do latim cos, cotis, "pedra de amolar", pois elas dariam corte à máxima pragmática. A primeira retomava a observação peripatética e tomista[nota 45] de que nada há no intelecto que não tenha passado pelos sentidos. Peirce acrescentava que a relação entre percepção e concepção intelectual também podia ser percorrida no sentido inverso. Aquilo que encontramos no intelecto já estaria presente, de maneira incipiente, nos sentidos. Se a concepção envolve interpretação, a percepção também pode envolver uma forma de inferência abdutiva.[81]
Essa inferência perceptiva se distingue das inferências deliberadas porque escapa ao controle e à crítica imediatos. Isso não impede a revisão dos conceitos científicos, pois é o percepto imediato, isto é, aquilo que se apresenta à percepção em sua individualidade, ou "istoidade", a hecceidade dos escolásticos, que não pode ser corrigido dessa maneira. Os conceitos científicos são gerais, e as sensações passageiras podem receber correção quando interpretadas por eles. Teorias inferenciais da percepção continuaram a ser desenvolvidas na ciência cognitiva e na psicologia da percepção. Um exemplo são os trabalhos de Irvin Rock sobre a percepção indireta.[82][83][81]
James e o empirismo radical
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No início do século XX, William James, que viveu de 1842 a 1910, empregou a expressão "empirismo radical" para uma vertente de seu pensamento que poderia ser discutida separadamente do pragmatismo, embora as duas concepções se entrelacem em suas conferências. Sustentava que "o universo diretamente apreendido não precisa de nenhum apoio conectivo externo e transempírico"[nota 46].[84] As relações entre as coisas também são experimentadas, de modo que a experiência não precisa receber de fora aquilo que une suas partes. Essa posição dispensa explicações sobrenaturais para estabelecer as relações entre os fenômenos da natureza, mas não equivale a rejeitar toda experiência religiosa. Seu empirismo radical reformula o que conta como experiência, e o modo de justificar essa concepção permanece em discussão na filosofia.[78]
Dewey e o instrumentalismo
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John Dewey, que viveu de 1859 a 1952, desenvolveu o pragmatismo de James numa teoria chamada instrumentalismo. A experiência, em sua concepção, reúne coisas e relações num todo, e o pensamento se forma quando enfrentamos situações que exigem investigação. Experiências anteriores permitem formular hipóteses, realizar experimentos e testar as consequências das ideias. O valor dessas ideias é avaliado pela experiência e pela investigação científica, cujos resultados se tornam instrumentos para novos testes,[86] nas ciências físicas e na ética.[87] A base continua empirista porque a validade das ideias é examinada a posteriori.[85]
Empirismo lógico
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No início do século XX, o empirismo lógico, também chamado positivismo lógico ou neopositivismo, procurou combinar as ideias do empirismo britânico, sobretudo a experiência sensorial como base do conhecimento, com a lógica matemática desenvolvida por Gottlob Frege e Bertrand Russell e com a análise lógica da linguagem do primeiro Wittgenstein. Participaram desse movimento Otto Neurath, Moritz Schlick e os demais integrantes do Círculo de Viena, além de A. J. Ayer, Rudolf Carnap e Hans Reichenbach.[88]
Os neopositivistas entendiam a filosofia como esclarecimento conceitual dos métodos e das descobertas das ciências. O simbolismo lógico de Frege, que viveu de 1848 a 1925, e de Russell, que viveu de 1872 a 1970, permitiria reconstruir o discurso científico numa linguagem ideal[nota 47], livre das ambiguidades da linguagem natural e das confusões que eles encontravam em problemas metafísicos. A tese de Frege de que as verdades matemáticas são lógicas, combinada à concepção do primeiro Wittgenstein de que as verdades lógicas são tautologias linguísticas, levou à divisão das proposições em "analíticas", a priori, e "sintéticas", a posteriori.[89] Em formulações estritas, o princípio da verificação separava os enunciados com significado cognitivo daqueles que não o tinham: um enunciado que não fosse analítico nem pudesse ser verificado pela experiência seria desprovido desse significado. O movimento, porém, não sustentou uma única versão desse princípio. Os critérios foram reformulados e enfraquecidos conforme o debate avançou. Por versões estritas do critério, muitos problemas metafísicos, éticos e estéticos da filosofia foram classificados como pseudoproblemas[nota 48].[90][88]
Nas versões mais estritas do neopositivismo, sobretudo antes da década de 1930, um enunciado sintético precisava ser reduzido a enunciados que exprimissem observações ou percepções diretas. Carnap e Neurath abandonaram depois essa forma de fenomenalismo e passaram a reconstruir o conhecimento na linguagem de uma física objetiva, definida no espaço e no tempo. Os enunciados sobre objetos físicos passariam a ser comparados a "enunciados protocolares"[nota 49], como "X, no lugar Y e no instante T, observa tal coisa".[91] Depois da Segunda Guerra Mundial, o verificacionismo, a distinção analítico-sintética e o reducionismo[nota 50] receberam críticas de Nelson Goodman, W. V. Quine, Hilary Putnam, Karl Popper e Richard Rorty. Na década de 1960, filósofos que haviam participado do empirismo lógico também passaram a se distanciar dele, e por volta de 1970 o movimento já havia perdido sua coesão. Seus problemas e argumentos permaneceram na filosofia analítica, inclusive nas discussões de Michael Dummett e de outros antirrealistas.[88]
Difusão e recepção em Portugal e no Brasil
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A difusão de ideias empiristas em Portugal e no Brasil esteve ligada à renovação do ensino, à divulgação da filosofia natural e à combinação de diferentes tradições filosóficas.[93][94]
No Iluminismo português, a recepção de ideias empiristas esteve ligada aos debates sobre a renovação do ensino. Luís António Verney, influenciado por John Locke, propôs no Verdadeiro Método de Estudar, de 1746, uma reorganização dos estudos e criticou os métodos de ensino dos jesuítas. Suas propostas participaram das discussões que acompanharam as reformas educacionais do período pombalino[nota 51].[92][93]
A experimentação também chegou à divulgação da filosofia natural em português. O oratoriano[nota 52] Teodoro de Almeida participou das conferências de física experimental do Palácio das Necessidades e publicou os dez volumes de Recreação Filosófica entre 1751 e 1800 para alcançar leitores que não frequentavam as aulas. A obra unia conhecimentos da natureza à teologia natural. O estudo dos fenômenos era usado na defesa da existência de Deus, e a investigação experimental podia conviver com compromissos religiosos.[94]
No Brasil do início do século XIX, Silvestre Pinheiro Ferreira apresentou, no Rio de Janeiro, as Preleções Filosóficas, cuja publicação começou em 1813. Nelas, tomou a experiência sensível como fundamento das ciências e atribuiu à razão e à linguagem a tarefa de organizar o conhecimento. Sua proposta conciliava a filosofia aristotélica com a linha de pensamento de Locke e vinculava a lógica à análise do discurso. Essas ideias entraram na formação do ecletismo brasileiro, que combinou elementos empiristas com posições espiritualistas e religiosas.[93]
Debates e reformulações
[editar | editar código]As críticas e reformulações do empirismo envolvem o alcance das inferências, a função da evidência na avaliação das teorias e o papel dos conceitos na interpretação dos resultados. As respostas variam quanto às conclusões que a experiência autoriza e aos pressupostos necessários para interpretá-la.[20][19]
Indução e teste de teorias
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Karl Popper rejeitou a tentativa de justificar leis universais pela acumulação de observações particulares. Em seu racionalismo crítico, as teorias são propostas como conjecturas[nota 53] e devem ser submetidas a testes capazes de revelar erros. A falseabilidade é um critério de demarcação[nota 54]: uma teoria científica deve admitir resultados observacionais que seriam incompatíveis com ela. Resistir a testes severos permite falar em corroboração[nota 55], mas não em prova definitiva de sua verdade.[21]
Essa crítica ao indutivismo preserva uma função decisiva para a experiência, empregada na avaliação crítica das teorias. A refutação também envolve decisões sobre enunciados observacionais[nota 56] e condições do teste, de modo que um resultado discordante não determina automaticamente o abandono de uma teoria.[21]
Subdeterminação e hipóteses auxiliares
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A subdeterminação surge quando a evidência disponível não permite decidir entre diferentes hipóteses. Uma correlação entre duas variáveis, por exemplo, pode ser compatível com diferentes explicações causais: uma pode influenciar a outra, a relação pode ter a direção inversa ou ambas podem depender de um terceiro fator. A correlação, isoladamente, não determina qual dessas explicações é correta.[95]
Pierre Duhem examinou outra dificuldade. O teste de uma hipótese depende de pressupostos auxiliares[nota 57], inclusive sobre os instrumentos e as condições do experimento. Quando uma previsão falha, o resultado não determina automaticamente qual componente deve ser revisto. A mesma questão faz parte do holismo confirmacional desenvolvido por Quine.[95]
Algumas teses de subdeterminação tratam da insuficiência da evidência disponível em determinado momento. Outras consideram teorias que permaneceriam equivalentes diante de toda evidência possível[nota 58]. O alcance desses argumentos e suas consequências para a escolha racional de teorias continuam em debate.[95]
Quine: analiticidade e holismo
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Em "Dois dogmas do empirismo" (Two Dogmas of Empiricism), publicado em 1951, W. V. Quine questionou duas teses do empirismo lógico: uma separação fundamental entre verdades analíticas e sintéticas e a possibilidade de reduzir o conteúdo de cada enunciado significativo, isoladamente, à experiência imediata. Em seu holismo, os enunciados se confrontam com a experiência como partes de um conjunto de crenças interligadas. Um conflito com a observação pode motivar alterações em diferentes pontos desse conjunto, em vez de indicar uma única proposição a ser rejeitada.[96]
Quine manteve uma orientação empirista ao tratar o conhecimento como dependente, em última instância, da estimulação sensorial[nota 59]. Sua epistemologia naturalizada desloca a investigação para o estudo de como os seres humanos passam dessa estimulação à formação de teorias sobre o mundo, aproximando a epistemologia das ciências empíricas.[97]
Sellars: justificação e o mito do dado
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Em Empiricism and the Philosophy of Mind, de 1956, Wilfrid Sellars criticou o "mito do dado": a ideia de que experiências sensoriais poderiam, por si mesmas e independentemente de outros conhecimentos, constituir um fundamento justificativo[nota 60] para as crenças. Sua crítica distingue ter uma sensação de saber ou julgar que algo é de determinada maneira. Os juízos observacionais participam de relações conceituais e inferenciais que permitem avaliar suas razões.[98]
Essa posição não elimina o conhecimento observacional não inferencial[nota 61], isto é, aquele que não resulta de uma inferência realizada pelo observador. Contesta, porém, que sua justificação possa ser inteiramente independente das demais capacidades e conhecimentos do sujeito. A crítica de Sellars tornou-se um desafio ao fundacionalismo baseado em dados sensoriais.[98]
Observação e pressupostos teóricos
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Na discussão iniciada por Norwood Russell Hanson e outros filósofos, observar depende em parte de conceitos e conhecimentos anteriores, problema chamado dependência teórica da observação. Obter e usar evidências exige instrumentos e hipóteses sobre as condições de medição. Um registro de temperatura só pode avaliar uma previsão quando há razões para confiar que o instrumento e o procedimento medem a grandeza investigada[nota 62].[19]
Mesmo quando depende de conceitos anteriores, um dado pode contrariar uma teoria. Seu peso como evidência pode ser avaliado examinando os instrumentos, os modelos e os procedimentos usados para produzi-lo e analisá-lo. O debate abrange a percepção, as intervenções experimentais, a calibração, o tratamento de erros[nota 63] e a análise de dados.[19]
Dados e aprendizagem de máquina
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Trabalhar com grandes conjuntos de dados muda a relação entre evidências, modelos e teorias. Quem coleta, prepara e analisa os dados precisa decidir o que registrar e como organizar os fenômenos. Essas decisões condicionam o uso dos dados como evidência. Até a pesquisa orientada por dados[nota 64] parte de escolhas sobre coleta, classificação e modelos.[101]
Na aprendizagem de máquina, convém separar o modo como um modelo é construído dos pressupostos que ficam incorporados nele. Certos procedimentos de construção dispensam referências explícitas às teorias da área em que serão usados, embora seus modelos ainda possam carregar pressupostos teóricos. A dependência teórica pode estar em uma parte do processo e não em outra, o que mantém aberta a pergunta sobre como dados e modelos produzem conhecimento científico.[100]
Empirismo contextual e dimensão social da evidência
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No empirismo contextual de Helen Longino, pressupostos e valores participam da interpretação das evidências. A objetividade científica nasce de processos sociais de investigação e crítica, nos quais os pesquisadores examinam como dados e pressupostos de interpretação sustentam uma hipótese.[103]
Em sua concepção, uma comunidade de investigação favorece a objetividade quando oferece espaços públicos de crítica, responde às objeções, emprega critérios de avaliação reconhecidos e permite a participação dos pesquisadores sem desigualdades ilegítimas de autoridade. Essas condições permitem que pressupostos individuais sejam confrontados por diferentes perspectivas. O empirismo contextual integra debates da epistemologia social e da epistemologia feminista sobre a relação entre experiência, valores e justificação.[102]
Empirismo construtivo
[editar | editar código]O realismo científico sustenta que as melhores teorias podem fornecer descrições verdadeiras ou aproximadamente verdadeiras tanto de aspectos observáveis quanto de aspectos não observáveis do mundo. Essa posição admite a possibilidade de erro e revisão das teorias. A discussão envolve o alcance da crença justificada pelo êxito empírico da ciência.[105]
Bas van Fraassen apresentou o empirismo construtivo em The Scientific Image, de 1980. Para essa posição, a ciência busca teorias empiricamente adequadas, ou seja, corretas sobre os fenômenos observáveis. Aceitar uma teoria exige acreditar nessa adequação, sem assumir que todas as afirmações sobre entidades não observáveis também sejam verdadeiras.[8]
O empirismo construtivo interpreta literalmente os enunciados teóricos. Não os elimina como frases sem significado nem tenta traduzi-los por inteiro em linguagem observacional. A adequação empírica também vai além da concordância com o que já foi observado. Uma teoria adequada precisa acertar sobre os fenômenos observáveis que ainda não foram examinados. A posição faz parte do debate entre realismo e antirrealismo na filosofia da ciência.[8]
Na terminologia de van Fraassen, "observável" se refere ao que os integrantes de uma comunidade poderiam perceber sem instrumentos nas circunstâncias apropriadas, e não apenas ao que já observaram. A detecção por instrumentos não torna automaticamente uma entidade observável nesse sentido. Essa delimitação é controvertida: críticos defendem que imagens produzidas por microscópios também podem fundamentar a observação dos objetos investigados.[8]
Empirismo transcendental
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Na filosofia continental, Gilles Deleuze desenvolveu uma interpretação do empirismo que se afastava da mente vista como receptáculo de impressões. Em Empirismo e subjetividade, de 1953, examinou em Hume como a experiência constitui o sujeito[nota 65]. A expressão "empirismo transcendental" passou a nomear sua investigação das condições que produzem experiências singulares e novidades. Sujeito e objeto tornam-se problemas a explicar, não fundamentos dados de antemão para compreender toda experiência.[106]
Empirismo na filosofia da mente e na ciência cognitiva
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O empirismo começou como uma doutrina epistemológica sobre as fontes e os limites do conhecimento e ganhou uma dimensão psicológica na filosofia da mente e na ciência cognitiva. O debate com o nativismo e o racionalismo pergunta de onde vêm as representações mentais, os conceitos e as capacidades cognitivas.[9] Versões recentes do empirismo psicológico limitam os recursos inatos da mente a mecanismos de aprendizagem relativamente simples e de uso geral[nota 66]. A aquisição da linguagem, o pensamento conceitual e a cognição social poderiam se desenvolver sem um conteúdo mental inato elaborado.[107][108] Nativistas e racionalistas respondem que a mente precisa de representações inatas e mecanismos psicológicos especializados[nota 67] para adquirir conhecimento e desenvolver essas capacidades.[109][9]
Associação de ideias e aprendizagem
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O associacionismo tenta explicar como experiências anteriores aproximam pensamentos. Hume propôs que as ideias se juntam por semelhança, contiguidade[nota 68] e relações de causa e efeito. A ordem dos pensamentos dependeria da história das percepções, e uma experiência poderia alterar aprendizagens futuras.[110]
A associação entrou em teorias da aprendizagem, dos processos mentais e da organização das representações. Essa proximidade histórica com o empirismo não torna as duas posições equivalentes. Há concepções empiristas que não são associacionistas, e algumas teorias combinam mecanismos associativos com outros recursos cognitivos. A aprendizagem não precisa depender de um único mecanismo.[110]
Formação de conceitos e mecanismos de aprendizagem
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O debate recente também compara os mecanismos pelos quais novos conceitos são adquiridos. Uma explicação nativista pode dar espaço à aprendizagem e ainda afirmar que ela depende de estruturas especializadas. Na posição racionalista de Laurence e Margolis, muitos conceitos são inatos ou são adquiridos por mecanismos que usam estruturas desse tipo. O desacordo com o empirismo envolve os recursos necessários para aprender um conceito, além da presença ou ausência de conceitos inatos.[9]
Modelos conexionistas entram nessa discussão ao organizar processos cognitivos em redes de unidades unidas com intensidades diferentes. Alguns procuram explicar a aprendizagem associativa. Redes, associação e empirismo podem se combinar de modos diferentes. Escolher uma arquitetura de rede[nota 69] não determina uma posição sobre todos os processos de aprendizagem nem sobre a origem de todas as representações mentais.[110]
Estética e experiência
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A relação entre experiência e conhecimento também foi discutida na estética. No ensaio "Do padrão do gosto"[nota 70], de 1757, Hume relacionou os juízos de beleza aos sentimentos de quem contempla uma obra. Isso não o levou a considerar todas as avaliações igualmente qualificadas: a prática, a comparação entre obras, a delicadeza da percepção[nota 71], o bom senso e a ausência de preconceitos permitiriam identificar críticos cujo julgamento oferece um padrão para a apreciação artística.[112]
Edmund Burke, em Uma investigação filosófica sobre a origem de nossas ideias do sublime e do belo, de 1757, procurou explicar a experiência estética pela análise das sensações, da imaginação e das paixões. O belo traz prazer, enquanto o sublime nasce de ideias de dor, perigo e terror. Quando a ameaça não é imediata, essas experiências podem produzir uma forma de deleite diferente do prazer positivo[nota 72]. A investigação de Burke também aproximou os efeitos estéticos de processos corporais, como a tensão e o relaxamento.[111]
Ver também
[editar | editar código]- Racionalismo, admite o conhecimento obtido pela razão independentemente da experiência sensorial.
- Pesquisa empírica, investiga questões por meio de observações e experimentos.
- Naturalismo (filosofia), aproxima a investigação filosófica da investigação da natureza.
- Objetividade (filosofia), discute a independência do conhecimento em relação ao ponto de vista individual.
- Fenomenologia, examina a experiência e os modos como as coisas se apresentam à consciência.
- Positivismo, dá prioridade ao conhecimento apoiado na observação dos fenômenos.
- Inatismo, defende a presença de disposições ou conteúdos mentais anteriores à experiência.
- Sensualismo, explica o conhecimento a partir das sensações.
- Problema da indução, questiona a justificação de conclusões que ultrapassam os casos observados.
- Método científico, articula observação, formulação de hipóteses e testes.
- Epistemologia bayesiana, examina como as evidências alteram os graus de crença.
- Anil Gupta, investiga como a experiência participa do conhecimento.[113]
Notas
- ↑ "Operações mentais" são atividades que percebemos em nós mesmos, como lembrar, duvidar ou decidir. Locke chama essa observação interna de reflexão.
- ↑ Aqui, "genético" quer dizer relativo à gênese, isto é, à origem e à formação das ideias. Não tem relação com genes.
- ↑ Essa forma de empirismo pergunta que evidências tornam razoável aceitar uma afirmação.
- ↑ Nesse caso, a preocupação é não afirmar mais sobre causas invisíveis do que a observação realmente permite.
- ↑ Em lógica e filosofia, uma proposição é uma afirmação que pode ser verdadeira ou falsa. Não significa uma proposta ou um plano.
- ↑ "Intuitivo", aqui, não quer dizer um palpite. É um conhecimento percebido diretamente, sem precisar passar por uma sequência de provas.
- ↑ Conhecimento demonstrativo é aquele alcançado por uma sequência de raciocínios que pretende provar uma conclusão.
- ↑ Isso não significa que todas as conclusões sejam igualmente incertas. Significa que novas evidências ou a descoberta de problemas no método podem exigir uma reavaliação.
- ↑ Numa intervenção, o pesquisador muda deliberadamente alguma condição para observar o que acontece. Isso a distingue de apenas acompanhar um fenômeno.
- ↑ Um método semiempírico combina uma estrutura teórica e aproximações matemáticas com parâmetros ajustados a dados de referência.
- ↑ É o quanto uma evidência pesa a favor ou contra uma hipótese. Um dado pode ser relevante sem decidir a questão sozinho.
- ↑ Um argumento é válido quando não é possível que suas premissas sejam verdadeiras e sua conclusão seja falsa. Isso avalia a forma do raciocínio, não garante que as premissas sejam de fato verdadeiras.
- ↑ Conhecimento de fundo é o conjunto de informações já aceitas e usadas ao avaliar uma nova evidência.
- ↑ A ideia é que o relato de outra pessoa pode dar uma razão para acreditar em algo, mesmo quando quem ouve não consegue repetir por conta própria a observação original.
- ↑ Essa família de palavras ajuda a entender o sentido amplo de "experiência" no artigo. Ela abrange perceber, observar e passar por algo, não apenas realizar um experimento de laboratório.
- ↑ "Retrospectiva" quer dizer aplicada depois. Esses filósofos não formavam necessariamente dois grupos com esses nomes enquanto escreviam suas obras.
- ↑ Grammateion é a tábua usada para escrever. Grammenon é aquilo que foi escrito nela. A imagem compara a mente a uma superfície ainda sem marcas.
- ↑ A fórmula afirma que o conteúdo do pensamento começa pelos sentidos. Ela não diz que pensar seja apenas sentir: o intelecto ainda organiza e trabalha esse conteúdo.
- ↑ A expressão árabe designa a capacidade receptiva de conhecer antes que ela possua conteúdos inteligíveis.
- ↑ O título latino significa "filósofo autodidata" e chama atenção para alguém que aprende sem um professor formal.
- ↑ A expressão latina pode ser traduzida como "ciência experimental". No século XIII, "experiência" tinha um sentido mais amplo que o experimento de laboratório e podia abranger vivências pessoais e religiosas.
- ↑ Na distinção de Ockham, a cognição intuitiva permite julgar se um indivíduo existe e está presente. A abstrativa permite pensar nele sem decidir se existe naquele momento.
- ↑ A expressão aponta para a política como ela funciona na prática, em vez de avaliá-la apenas por um modelo ideal de como deveria funcionar.
- ↑ Na música, "altura" é o que faz um som parecer mais grave ou mais agudo. Não é o mesmo que volume, que indica se o som é mais forte ou mais fraco.
- ↑ Uma oitava é o intervalo entre duas notas percebidas como pertencentes à mesma classe, uma mais grave e outra mais aguda. Em frequência, uma tem o dobro da outra.
- ↑ Em vez de apenas contar exemplos favoráveis, o procedimento compara casos e elimina explicações que não combinam com os resultados.
- ↑ "Cálculo" não significa apenas fazer contas: Hobbes compara o raciocínio a combinar nomes e proposições segundo regras.
- ↑ "Simples" não quer dizer fácil. É uma ideia que, nessa análise, não pode ser dividida em outras. Uma ideia complexa é formada ao combinar ideias simples.
- ↑ "Secundária" não significa sem importância ou ilusória. A qualidade depende do poder do objeto de produzir uma sensação em quem o percebe.
- ↑ Para Locke, "modos" são maneiras pelas quais algo pode ser ou agir. Eles não são coisas que existam sozinhas, como uma substância.
- ↑ Hume usa "ideia" num sentido mais estreito que o cotidiano: é uma lembrança ou imagem mental menos viva de uma impressão.
- ↑ Em Hume, hábito é a expectativa que nasce da repetição: depois de ver dois acontecimentos juntos muitas vezes, passamos a esperar um quando o outro ocorre.
- ↑ Num argumento circular, a conclusão já é usada, direta ou indiretamente, para sustentá-la. Por isso, o raciocínio não oferece uma razão independente.
- ↑ Nesse uso histórico de Hume, "prova" é um argumento baseado na experiência considerado muito seguro. Não é uma demonstração matemática.
- ↑ É a ideia de que existe um mesmo "eu" estável que continua sendo o sujeito de experiências diferentes com o passar dos anos.
- ↑ Uma modalidade sensorial é um canal de percepção, como visão, audição, tato, olfato ou paladar.
- ↑ Para Kant, a sensibilidade recebe aquilo que aparece aos sentidos. O entendimento organiza esse material por meio de conceitos.
- ↑ "Experiência possível" é tudo o que seres humanos poderiam experimentar sob as condições comuns da percepção e do pensamento, não simplesmente qualquer situação imaginável.
- ↑ Uma versão "ontológica" faz uma afirmação sobre o que existe, não apenas sobre como conhecemos ou falamos de alguma coisa.
- ↑ A expressão define um objeto pelas sensações que poderíamos ter se estivéssemos nas condições adequadas para percebê-lo, mesmo quando ninguém o observa naquele instante.
- ↑ "Psicológica" não quer dizer emocional. A ideia é que hábitos de pensamento muito fortes fariam parecer inconcebível uma alternativa às verdades lógicas e matemáticas.
- ↑ Uma sensação efetiva está sendo sentida no momento. Uma sensação possível ocorreria se certas condições fossem satisfeitas, como aproximar-se do objeto e olhar para ele.
- ↑ Dados sensoriais são os conteúdos imediatamente percebidos, como uma cor, um som ou uma forma, antes de se afirmar que eles pertencem a um objeto externo.
- ↑ Peirce usa a imagem de uma pedra de amolar: essas proposições serviriam para "afiar" o pragmatismo e impedir que sua ideia central ficasse vaga.
- ↑ "Peripatética" se refere à tradição de Aristóteles. "Tomista", à tradição de Tomás de Aquino.
- ↑ "Transempírico" é aquilo que estaria além de toda experiência possível. James afirma que não é preciso recorrer a algo desse tipo para ligar as partes da experiência.
- ↑ "Linguagem ideal" seria uma notação formal com regras explícitas, criada para reduzir ambiguidades que aparecem na linguagem do dia a dia.
- ↑ Um pseudoproblema parece uma pergunta legítima, mas, por esse critério, surge de um uso confuso da linguagem ou não admite qualquer forma de verificação.
- ↑ Eram relatos básicos de observação, formulados para criar um ponto de contato entre a linguagem científica e a experiência.
- ↑ Ali, reducionismo é o projeto de traduzir afirmações científicas elaboradas em afirmações mais simples sobre observações.
- ↑ O período pombalino corresponde ao governo do marquês de Pombal em Portugal, no século XVIII. Suas reformas mudaram a administração e o ensino português e também afetaram o Brasil colonial.
- ↑ Um oratoriano é membro da Congregação do Oratório, comunidade católica que atuou no ensino e na divulgação científica em Portugal.
- ↑ Uma conjectura é uma explicação provisória: pode ser bem pensada, mas continua aberta a críticas e testes.
- ↑ Um critério de demarcação procura distinguir teorias científicas de afirmações que não pertencem à ciência.
- ↑ Uma teoria corroborada passou por testes exigentes sem ser refutada. Isso não significa que ela tenha sido provada para sempre.
- ↑ São descrições do que foi observado e que entram no teste de uma teoria. Até a forma correta de registrar uma observação pode ser discutida.
- ↑ São suposições extras necessárias para chegar a uma previsão, por exemplo sobre o funcionamento do aparelho, as condições do experimento ou outras teorias já aceitas.
- ↑ Isso significaria que teorias diferentes fariam as mesmas previsões observáveis. Nesse caso, nenhuma nova observação bastaria, sozinha, para escolher entre elas.
- ↑ A expressão se refere aos impactos do mundo sobre nossos receptores sensoriais, como luz nos olhos ou som nos ouvidos, tomados como ponto de partida da aprendizagem.
- ↑ Um fundamento justificativo seria um ponto de partida capaz de dar razões para outras crenças sem depender delas do mesmo modo.
- ↑ É um reconhecimento direto, como ver que algo é vermelho, sem concluir isso conscientemente a partir de outras afirmações.
- ↑ Uma grandeza é uma propriedade que pode ser medida, como temperatura, massa, tempo ou comprimento.
- ↑ Calibrar é comparar um instrumento com um padrão conhecido. Tratar erros é estimar e, quando possível, corrigir as incertezas e os desvios que afetam a medição.
- ↑ É uma pesquisa que começa procurando padrões em grandes conjuntos de dados. Mesmo assim, escolhas sobre coleta, classificação e modelos orientam o que pode ser encontrado.
- ↑ Aqui, "constituição" é o processo pelo qual se forma o sentido de ser um sujeito ou um "eu". Não se trata de uma constituição jurídica.
- ↑ "De uso geral" quer dizer que o mesmo mecanismo básico poderia ajudar a aprender em campos diferentes, sem um mecanismo inato separado para cada tarefa.
- ↑ Mecanismos especializados são sistemas mentais ajustados a um tipo particular de tarefa ou conteúdo, como reconhecer faces ou aprender estruturas linguísticas.
- ↑ Contiguidade é a proximidade no tempo ou no espaço. Experiências que acontecem juntas ou muito perto uma da outra tendem a formar uma associação.
- ↑ A arquitetura é a maneira como as unidades, camadas e conexões da rede são organizadas. Essa estrutura limita e orienta o que o modelo pode aprender.
- ↑ O "padrão" não é uma fórmula que obriga todos a gostar da mesma obra. É uma referência comum formada pelo julgamento de pessoas experientes e atentas.
- ↑ "Delicadeza" é a capacidade de perceber diferenças sutis numa obra, como pequenos contrastes de forma, tom ou composição.
- ↑ "Prazer positivo" é uma sensação agradável sentida diretamente. O deleite do sublime seria diferente. Ele surge do alívio ou da contemplação segura de algo assustador.
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- Wilson, Fred (2005). "John Stuart Mill". Em Edward N. Zalta, org., Stanford Encyclopedia of Philosophy. Versão preservada no arquivo da enciclopédia.
Leitura adicional
[editar | editar código]- TEIXEIRA, Célia. "Empirismo". Dicionário Escolar de Filosofia, em português. Introdução breve aos sentidos epistemológico e psicológico do termo.
- ROSENDO, Ana Paula. Notas sobre o Iluminismo na Escola. Universidade da Beira Interior, 2009, em português. Situa Verney e a renovação do ensino em Portugal.
- DURAN, Maria Renata da Cruz. "Ecletismo e retórica na filosofia brasileira". Almanack, n.º 9, 2015, em português. Examina a recepção de ideias empiristas no Brasil oitocentista.
- FERREIRA, Breno Ferraz Leal. "A teologia natural na cultura científica da Ilustração portuguesa". Revista de História, n.º 177, 2018, em português. Discute experiência, religião e divulgação científica em Portugal.
- SILVA, Valéria Loturco da. O empirismo transcendental na filosofia de Gilles Deleuze. Dissertação de mestrado, Universidade de São Paulo, 2001, em português. Aprofunda a leitura deleuziana de Hume.
- VERNEY, Luís António. Verdadeiro método de estudar, volume I. Project Gutenberg, edição digital em português. Fonte primária para a recepção lusófona do empirismo no século XVIII.
- BOLZANI FILHO, Roberto. "Ceticismo e empirismo". Discurso, Universidade de São Paulo, em português. Explora a relação entre experiência, dúvida e justificação.
- MARKIE, Peter; FOLESCU, M. "Rationalism vs. Empiricism". Stanford Encyclopedia of Philosophy, em inglês. Apresentação sistemática do debate e de suas principais teses.
- DAWES, Gregory W. "Ancient and Medieval Empiricism". Stanford Encyclopedia of Philosophy, em inglês. Estudo dos antecedentes antigos e medievais.
- FASKO, Manuel; WEST, Peter. "British Empiricism". Internet Encyclopedia of Philosophy, em inglês. Panorama de Bacon, Locke, Berkeley e Hume.
- LOCKE, John. An Essay Concerning Humane Understanding. Project Gutenberg, em inglês. Texto primário sobre a origem e a organização das ideias.
- HUME, David. An Enquiry Concerning Human Understanding. Project Gutenberg, em inglês. Texto primário sobre causalidade, indução e os limites do conhecimento.
Ligações externas
[editar | editar código]- "Empirismo", de Célia Teixeira, no Dicionário Escolar de Filosofia, em português.
- "Uma introdução ao Empirismo Alternativo de David Hume", de Daniel Soares Mano Gonçalves, na Revista de Ciências Humanas da UFSC, em português.
- "Ceticismo e empirismo", de Roberto Bolzani Filho, na revista Discurso, em português.
- "Hume e a Experiência Singular", de João Paulo Monteiro, na revista Discurso, em português.
- "Berkeley, Bergson e William James: o empirismo concreto de Franklin Leopoldo e Silva", de Pablo Enrique Abraham Zunino, na revista Discurso, em português.
- Verdadeiro método de estudar, volume I, de Luís António Verney (1746), no Project Gutenberg, em português.
- "Empirismo e abstração", de Bento Prado Neto, na Revista USP, em português.
- "A resposta de Locke ao ceticismo", de Luiz Eva, na revista Kriterion, em português.
- "A influência de Locke no ceticismo religioso de Hume em 'Dos Milagres'", de José R. Maia Neto, na revista Kriterion, em português.
- "O empirismo construtivo e o argumento de Musgrave: um problema ou um pseudoproblema?", de Alessio Gava, na revista Trans/Form/Ação, em português.
- "British Empiricism", de Manuel Fasko e Peter West, na Internet Encyclopedia of Philosophy, em inglês.
- "Rationalism vs. Empiricism", na Stanford Encyclopedia of Philosophy, em inglês.
- "Rationalism vs. Empiricism", no Indiana Philosophy Ontology Project, em inglês.
- "Empiricism", episódio do programa In Our Time, da BBC, em inglês.
- "Empiricist Man", tirinha de Chaospet, em inglês. [ligação inativa]




