Esporotricose
| Esporotricose | |
|---|---|
| Preparado citológico mostrando células fagocitárias e e numerosas formas de leveduras intracelulares | |
| Especialidade | infecciologia, dermatologia |
| Classificação e recursos externos | |
| CID-11 | 1F2J |
| CID-10 | B42. |
| CID-9 | 117.1 |
| DiseasesDB | 29797 |
| MedlinePlus | Esporotricosis |
| eMedicine | 1091159, 228723 |
| MeSH | D013174 |
Esporotricose é uma micose provocada por fungos patogênicos do gênero Sporothrix. É uma zoonose que afeta inúmeras espécies animais como felinos, caninos, primatas entre outros animais.[1][2]
Os sintomas variam de acordo com o estágio da infecção. A forma mais simples se apresenta como uma lesão cutânea úlcerosa restrita ao local onde foi inoculado o Sporothix.[3] Nos casos mais graves, se apresenta na forma sistêmica com o fungo atingindo o sistema nervoso podendo levar ao óbito.[4][5]
É conhecida popularmente como doença do jardineiro, porque o fungo é encontrado naturalmente na vegetação e no solo. Inicialmente, as infecções apareciam com mais frequência em pessoas que trabalhavam com jardinagem ou lidavam com plantas que tinham espinhos. Atualmente, está sendo associada diretamente ao contato direto com felinos contaminados.[6]
A prevenção é feita com o uso dos equipamentos de proteção individual (EPI) em trabalhos que envolvam o manuseio da vegetação e solo. A manipulação de animais contaminados deve sempre ser feita com estes equipamentos.[4][2]
A esporotricose humana é de notificação compulsória e deve ser registrada no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Em casos de animais contaminados deve ser reportado às autoridades sanitárias.[2]
O diagnóstico é feito por meio de culturas de Sporotrhix. Exames citológicos e histopatológicos auxiliam na distinção de outras infecções comuns nos exames de rotina.[2] O tratamento é feito com antifúngicos como o itraconazol e iodeto de potássio e varia de três à doze meses de tratamento até que o paciente esteja completamente curado.[4][7]
Causa e transmissão
[editar | editar código]A esporotricose é causada por fungos do gênero Sporothrix [en] constituído por algumas dezenas de espécies. No Brasil, as espécies de destaque etiológico são S. brasiliensis e S. schenckii.[8] A zoonose afeta humanos, mamíferos domésticos e silvestres, especialmente nos climas tropicais e subtropicais.[2]
Estes fungos são dimórficos. A forma filamentosa é encontrada no ambiente, no solo e na matéria orgânica vegetal em decomposição. A forma leveduriforme é o patógeno que afeta humanos e animais.[4][2]
A transmissão da doença resulta da inoculação do fungo por meio de arranhadura ou mordedura de animais afetados, principalmente felinos. Também resulta de feridas causadas por pequenos traumas em atividades com contato direto com o solo e materiais contaminados, especialmente floricultura, jardinagem e horticultura.[9][10]
Sinais e sintomas
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Os sintomas da esporotricose variam dependendo da espécie animal afetada, da imunidade do indivíduo, do estágio de avanço da doença, da profundidade da inoculação e até mesmo da capacidade de adaptação à temperatura da cepa fúngica. A apresentação mais comum da doença é a forma cutânea, afetando também os vasos linfáticos próximos. Em ocasiões de agravamento as lesões se tornarão sistêmicas.[3][10]
Clinicamente a doença evolui em quatro fases, de acordo com o grau de agravamento. A fase inicial, denominada cutânia localizada, caracterizada por lesões únicas ou múltiplas, às vezes restritas ao local da inoculação ou disseminadas em mais de uma região do corpo. Apresentam características granulomatosas, nodulares, ulcerosas e pustulares. Já na fase cutânea linfática são formados pequenos nódulos, localizados na camada da pele mais profunda, seguindo o sistema linfático da região corporal afetada. As lesões afetam principalmente os membros, causando edemas e as úlceras se tornam necrosadas, chamadas de cranco esporotricótico. Na forma clínica extracutânea, a doença acomete outros locais do corpo, como ossos, articulações, mucosas, dentre outros. A forma cutânea disseminada ou sistêmica é menos comum, contudo, bastante grave. Ocorre principalmente em pacientes imunossuprimidos e nos casos de tratameto tardio. O fungo pode se espalhar pelo sistema nervoso central e nesta fase levar a óbito. [4][11]
Prevenção
[editar | editar código]A melhor forma de evitar a doença é impedir a inoculação do fungo em lesões na pele. Em atividades que envolvam o manuseio de material vegetal em decomposição é importante o uso de equipamentos de proteção individual (EPI). Médicos dermatologistas e infectologistas são os especialistas indicados para diagnóstico e tratamento da doença.[4]
O manejo dos felinos tem um papel fundamental na prevenção da doença. Gatos sem dono ou com livre acesso as ruas correm mais riscos de contaminação. A maior prevalência em gatos machos decorre das lesões em brigas territoriais, levando à disseminação da doença em centros urbanos. Animais contaminados devem ser sempre manuseados com o uso de EPIs. Deve-se também evitar o contato com animais desconhecidos que apresentem suspeitas da doença.[2][4]
Epidemiologia
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A esporotricose é comum em países das Américas Central e do Sul, África do Sul, Japão, Austrália e China. No Brasil sua distribuição se destaca no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas gerais, da Região Sudeste. Com destaque também na Região Nordeste, completando os estados Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Além da Região Sul, destaque no Paraná e no Rio Grande do Sul.[2]
Tratamento
[editar | editar código]Iodeto de potássio (comprimidos de 3-6g por dia em adultos) é o medicamento de primeira escolha, além de antimicóticos como itraconazol (100-200mg por dia) por via oral por 3 a 6 meses. [13] [14] Em caso de infecção disseminada ou sistêmica o tratamento com itraconazol ou anfotericina B dura 12 meses [15].
Notas e referências
- ↑ Souza, N. T.; Nascimento, A. C. B. M.; Souza, J. O. T.; Santos, F. C. G. C. A.; Castro, R. B. (2009). «Esporotricose canina: relato de caso». Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia: 572–576. ISSN 0102-0935. doi:10.1590/S0102-09352009000300008. Consultado em 19 de março de 2026
- 1 2 3 4 5 6 7 8 Farias, Marconi Rodrigues de; Monti, Fabiana dos Santos; Chi, Kung Darh; Ballardin, Luana Beatriz; Vicente, Vânia Aparecida; Vieira, Andreia de Paula; Olbertz, Letícia; Stedile, Rafael (2024). Esporotricose Felina: Guia para a rotina clínica do serviço privado de atendimento à saúde animal (PDF). Curitiba: Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná. p. 28. Cópia arquivada (PDF) em 21 de maio de 2026
- 1 2 Lutz A, Splendore A. Sobre uma mycose observada em homens e ratos: contribuição para o conhecimento das assim chamadas sporotrichoses. Revista Médica de São Paulo. Jornal Pratico de Medicina, Cirurgia e Hygiene. 1907. Ano X, Número 21, páginas 433–450.
- 1 2 3 4 5 6 7 Brasil. «Esporotricose Humana». Ministério da Saúde. Consultado em 14 de maio de 2026. Cópia arquivada em 14 de maio de 2026
- ↑ Rosa, Cristiano Silva da; Meinerz, Ana Raquel Mano; Osório, Luiza Da Gama; Cleff, Marlete Brum; Meireles, Mário Carlos Araújo (4 de maio de 2018). «Terapêutica da esporotricose: revisão». Science And Animal Health (3): 212-228. doi:10.15210/sah.v5i3.11337
- ↑ Ceará (23 de janeiro de 2026). «Doença do jardineiro: um pequeno machucado que merece atenção.». Secretaria de Saúde Governo do Estado do Ceará. Consultado em 20 de março de 2026. Cópia arquivada em 14 de maio de 2026
- ↑ Fiocruz. «Doenças no Portal Fiocruz Esporotricose». Fiocruz. Consultado em 14 de maio de 2026. Cópia arquivada em 14 de maio de 2026
- ↑ Pires, Camila (15 de maio de 2017). «Revisão de literatura: esporotricose felina». Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP. 15 (1): 16–23. ISSN 2596-1306. doi:10.36440/recmvz.v15i1.36758
- ↑ Almeida, Adriana J.; Reis, Nathália F.; Lourenço, Camila S.; Costa, Nina Q.; Bernardino, Maria L. A.; Vieira-da-Motta, Olney (2018). «Esporotricose em felinos domésticos (Felis catus domesticus) em Campos dos Goytacazes, RJ». Pesquisa Veterinária Brasileira. 38: 1438–1443. ISSN 0100-736X. doi:10.1590/1678-5150-PVB-5559
- 1 2 Barros, M. B. D. L.; Schubach, T. P.; Coll, , J. O.; Gremião, I. D.; Wanke, B.; Schubach, A. (2010). «Esporotricose: a evolução e os desafios de uma epidemia» (PDF). Revista Panamericana de Salud Pública. 27 (6): 455-460
- ↑ Larsson, C. E; Silva, E. A; Bernadi, F. «ESPOROTRICOSE - SERIE ZOONOSES» (PDF). CRMVSP. Cópia arquivada (PDF) em 10 de dezembro de 2025
- ↑ B. O. Matias; S. M. Moreira; C. S. F. Oliveira; C. V. Bastos; M. H. F. Morais; M. I. Azevedo; M. P. V. Rodrigues; D. F. M. Soares (2026), «Contact patterns of zoonotic sporotrichosis in an endemic region of Brazil», Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, ISSN 0102-0935 (em inglês), 78: e13668, doi:10.1590/1678-4162-13668, Wikidata Q140406641
- ↑ Manual Merck. «Esporotricose». Consultado em 12 de junho de 2010
- ↑ MANZUR, Julian. et. al. Dermatología. La Habana: Editorial Ciências Médicas, 2002
- ↑ «Esporotricosis» (em espanhol). Recursos en Micología do Departamento de Microbiología y Parasitología da Universidad Nacional Autónoma de México. Consultado em 13 de março de 2017