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Péter Magyar

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Péter Magyar
Péter Magyar
68.º Primeiro-ministro da Hungria
Período9 de maio de 2026
até a atualidade
Antecessor(a)Viktor Orbán
Presidente do Partido Respeito e Liberdade
Período22 de julho de 2024
até à atualidade
Vice-presidente do Partido Respeito e Liberdade
Período12 de abril de 2024
a 22 de julho de 2024
Antecessor(a)Erzsébet Somodi
Sucessor(a)Zoltán Tarr
Márk Radnai
Membro do Parlamento Europeu
Período16 de julho de 2024
até 9 de Julho de 2026
Sucessor(a)A definir
Dados pessoais
Nascimento16 de março de 1981 (45 anos)
Budapeste, Hungria
Nacionalidadehúngaro
Alma materUniversidade Católica Pázmány Péter (JD)
CônjugeJudit Varga (c. 2006; d. 2023)
Filhos(as)3
PartidoFidesz (2002–2024)
Tisza (desde 2024)
Profissãopolítico · advogado · diplomata
AssinaturaAssinatura de Péter Magyar

Péter Magyar (Budapeste, 16 de março de 1981) é um advogado e político húngaro. Desde 9 de maio de 2026 é o primeiro-ministro da Hungria.[1]

De 2024 a 2026, exerceu mandato como membro do Parlamento Europeu e ocupa a presidência do partido Tisza. Anteriormente, foi filiado ao partido Fidesz.

Em fevereiro de 2024, ganhou notoriedade nacional ao anunciar sua saída de cargos ligados ao governo, em meio a controvérsias relacionadas a um escândalo de indulto presidencial.[2] No mês seguinte, em 15 de março, declarou a intenção de criar uma nova plataforma política voltada para cidadãos insatisfeitos tanto com o governo quanto com a oposição tradicional. Assumiu então a liderança do até então pouco conhecido partido Tisztelet és Szabadság (Tisza), que sob sua direção tornou-se uma das principais forças oposicionistas.

Nas eleições para o Parlamento Europeu de 2024, o Tisza obteve o segundo lugar, atrás apenas do Fidesz, conquistando cerca de 30% dos votos, o maior percentual já alcançado por um partido não ligado ao Fidesz desde 2006.[3] Magyar se autodefine como um político de orientação liberal conservadora e pró-europeia, mas sem ser acrítico em relação à União Europeia.[4]

Tendo conduzido o partido à vitória nas eleições parlamentares húngaras de 2026, frente a Viktor Orbán, será o próximo primeiro-ministro da Hungria.[5][6]

Vida pessoal

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Magyar nasceu em Budapeste. Conservador,[7] foi membro do Fidesz, que governa a Hungria desde 2010.[8]

Conheceu Judit Varga em abril de 2005 numa festa, pedindo-a em casamento em agosto de 2006. Juntos têm três filhos. A família viveu em Bruxelas durante vários anos antes de regressar a Budapeste, quando Varga foi escolhida para um cargo no Ministério da Justiça.[9] O casal anunciou o divórcio em março de 2023.[10]

A sua família é proeminente na política húngara. O seu avô, Pál Erőss, era um juiz que apresentava um popular programa de televisão sobre questões jurídicas. O seu tio-avô, Ferenc Mádl, foi presidente da Hungria de 2000 a 2005, e a sua mãe trabalhou no poder judiciário.[11]

Carreira jurídica e início da carreira política

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Antes de entrar na política num núcleo local do Fidesz, que era então um partido da oposição, Magyar participou na representação jurídica e assistência pro bono de ativistas antigovernamentais durante os protestos de 2006. O seu papel anterior no Fidesz foi descrito de várias formas, desde "membro influente do sistema" a "antigo funcionário".[12][13] Depois de o Fidesz ter tomado o poder nas eleições parlamentares de 2010, foi nomeado para um cargo no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Um ano depois, coincidindo com a presidência húngara da UE, juntou-se à Representação Permanente da Hungria junto da União Europeia. Em 2015, assumiu um posto no Gabinete do Primeiro-Ministro. Em setembro de 2018, assumiu a gestão da Direção Jurídica da UE do banco estatal MBH Bank. Entre 2019 e 2022, foi o CEO do Centro de Empréstimos a Estudantes.[14]

Saída do Fidesz

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Magyar durante a campanha para o Parlamento Europeu de 2024, maio de 2024

Magyar ganhou destaque pela primeira vez pelas suas críticas a políticos do governo após o Escândalo de indulto presidencial de Katalin Novák. Em fevereiro de 2024, Magyar divulgou uma gravação de voz da sua ex-mulher Judit Varga, que ele tinha feito secretamente sem o seu conhecimento ou consentimento. A gravação mostrava que a presidente da Hungria, Katalin Novák, tinha concedido um indulto presidencial em abril de 2023 a Endre Kónya, o diretor-adjunto de um centro de acolhimento de crianças estatal perto de Budapeste. Kónya tinha coagido crianças a encobrir abusos sexuais cometidos pelo seu superior, János Vásárhelyi, o diretor do centro. A revelação resultou em protestos antigovernamentais exigindo a demissão de Novák; esta renunciou ao cargo a 10 de fevereiro de 2024.[15] No mesmo dia, Varga, antiga ministra da Justiça que tinha referendado o indulto, anunciou também a sua renúncia à Assembleia Nacional da Hungria e ao seu papel como cabeça de lista do Fidesz nas eleições de junho de 2024 para o Parlamento Europeu.[15][13]

Horas após Varga anunciar a sua retirada da política, Magyar publicou um post no Facebook declarando que se demitia dos seus cargos em duas empresas estatais e que renunciava ao seu lugar no conselho de administração de uma terceira, o MBH Bank. Escreveu que os últimos anos o fizeram perceber que o ideal professado por Viktor Orbán de uma "Hungria nacional, soberana e burguesa" era, na verdade, um "produto político" que ocultava corrupção massiva e transferências de riqueza para aqueles com as ligações certas.[16]

Nas semanas seguintes, Magyar concedeu várias entrevistas aos órgãos de comunicação social mais populares da Hungria, incluindo o Partizán, o Telex e o 444, nas quais criticou extensamente o governo, particularmente o Ministro do Gabinete do Primeiro-Ministro, Antal Rogán. Afirmou que, durante o seu mandato como chefe do fornecedor nacional de empréstimos a estudantes, foi forçado a favorecer pessoas próximas de Orbán em concursos públicos e pressionado em aspetos do seu divórcio.[17] A sua primeira entrevista, na qual disse que "algumas famílias detêm metade do país",[18] tinha sido vista mais de dois milhões de vezes até março de 2024.[19]

O Fidesz, preocupado com a atenção indesejada que as aparições de Magyar estavam a atrair, lançou iniciativas para o desacreditar. Alegações iniciadas por jornais e figuras públicas pró-governo tentaram difamar Magyar, acusando-o de violência doméstica. De acordo com o jornalista de direita Zsolt Bayer, "nós aqui no Fidesz sabemos há cerca de dez anos como ele trata a mulher".[20] Um relatório policial de dezembro de 2020 foi divulgado e amplamente noticiado pelos meios de comunicação social afetos ao governo. O documento detalhava um comportamento agressivo de Magyar para com a sua mulher e para com os agentes da polícia que chegaram a pedido dela para intervir numa discussão acesa. Magyar afirmou que o relatório era "90% mentira".[21]

Magyar e o Primeiro-Ministro da Hungria Viktor Orbán em 2024

Magyar continuou a publicar críticas a figuras associadas ao governo nos dias seguintes, alegando que pessoas próximas ou familiares do primeiro-ministro, como o seu genro István Tiborcz, tinham acumulado uma riqueza enorme oculta atrás de fundos de capital privado nacionais.[8] A 15 de março de 2024, realizou um comício em Budapeste, com a presença de dezenas de milhares de pessoas, no qual anunciou a formação de um novo partido político.[22] De acordo com sondagens realizadas nesse mês, cerca de 15 por cento dos eleitores afirmaram que votariam "com certeza ou com elevada probabilidade" em Magyar caso ele se candidatasse.[19]

A 6 de abril de 2024, Magyar organizou uma segunda manifestação contra o governo, citando o que chama de um "sistema feudalista" que precisa de ser desmantelado.[23] Centenas de milhares de manifestantes estiveram presentes.[24] O grupo de reflexão Megafon, apoiado pelo governo, gastou 117 milhões de HUF numa campanha publicitária contra Magyar no Facebook nas semanas que antecederam o comício.[25]

Líder da oposição (2024–2026)

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Após as eleições para o Parlamento Europeu de 2024, o Partido Tisza emergiu como o maior partido da oposição na Hungria, e Magyar passou a ser amplamente considerado o novo líder da oposição.[26]

Partido Tisza

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Magyar em Szigetszentmiklós em 2024, durante o seu primeiro roteiro político

Magyar juntou-se ao Partido Tisza para disputar as eleições para o Parlamento Europeu de 2024. Magyar decidiu assumir este partido minoritário (em vez de fundar um novo) para ultrapassar restrições de tempo e potenciais problemas administrativos.[27] Após o anúncio, Magyar ganhou rapidamente atenção nacional e um apoio público significativo, desafiando tanto o partido no poder, Fidesz, como a oposição tradicional.[28]

Embora o Partido Tisza evite oficialmente rótulos ideológicos fixos, a retórica de Magyar reflete frequentemente valores centristas e conservadores moderados, enfatizando a unidade nacional e a responsabilidade política acima do partidarismo.[29] Magyar afirmou repetidamente que o Partido Tisza não entraria em qualquer aliança com os chamados partidos da "velha oposição", sublinhando que o Tisza pretende desafiar o Fidesz sozinho nas eleições parlamentares de 2026.[30] Magyar foi escolhido por unanimidade como líder da lista nacional do Partido Tisza e candidato a primeiro-ministro.[31] Sob a sua liderança, o Tisza adotou o slogan "Agora ou nunca!" (Most vagy soha!). Nas fases finais da campanha de 2026, surgiram cartazes com o "ou nunca" riscado para transmitir um sentido de urgência.[32]

Manifestações

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Antes das eleições para o Parlamento Europeu de 2024, Magyar organizou quatro grandes manifestações que atraíram dezenas de milhares de participantes. A primeira, a 15 de março de 2024, teve lugar na Avenida Andrássy, antes de se juntar ao Partido Tisza, e marcou a sua emergência como figura política após a sua crítica pública ao Quinto Governo de Orbán.[33]

Magyar na sua segunda grande manifestação em abril de 2024

Mais tarde, organizou um segundo grande comício a 6 de abril de 2024, onde simpatizantes marcharam da Praça Deák até à Praça Kossuth em Budapeste. Durante este comício, Magyar anunciou que iniciaria um roteiro político nacional, declarando que o seu próximo grande evento seria em Debrecen, em frente à Grande Igreja Reformada de Debrecen, a 5 de maio de 2024, Dia da Mãe.[34] Magyar realizou a sua quarta grande manifestação a 8 de junho de 2024 na Praça dos Heróis, em Budapeste, como evento de encerramento da campanha do Partido Tisza para as eleições europeias.[35]

Após a eleição, Magyar realizou mais oito manifestações. Organizou o seu quinto grande comício a 5 de outubro de 2024, em frente à sede da emissora pública húngara MTVA. Durante a manifestação, colocou um cartaz com dezasseis exigências na entrada principal do edifício, apelando à liberdade de imprensa e à prestação de contas do governo.[36]

Magyar realizou a sua sexta grande manifestação a 23 de outubro de 2024, comemorando o aniversário da Revolução Húngara de 1956. A manifestação começou na Praça Bem József e continuou com uma marcha até à Praça Széna, em Budapeste, atraindo dezenas de milhares de pessoas.[37] Realizou a sua sétima grande manifestação a 15 de março de 2025 em Budapeste, no mesmo local da sua primeira manifestação um ano antes. Durante o evento, anunciou o lançamento da consulta pública "Voz da Nação", que descreveu como uma forma de referendo popular. Os resultados da iniciativa deveriam ser integrados no futuro programa político do Partido Tisza.[38] O antigo Chefe do Estado-Maior General, Romulusz Ruszin-Szendi, também apareceu no palco como especialista em política de defesa do Partido Tisza.

A 20 de agosto de 2025, Magyar realizou a oitava grande manifestação em Pannonhalma, intitulada "Nos Passos de Santo Estêvão", onde anunciou um novo programa de dez pontos delineando as principais prioridades do partido para a próxima temporada política.[39] A 7 de setembro de 2025, organizou o seu nono grande evento em Kötcse, coincidindo com o discurso anual do Primeiro-Ministro Viktor Orbán, tradicionalmente realizado na mesma aldeia. Antes de chegar a Kötcse, Magyar visitou Balatonőszöd, o local do Discurso de Őszöd do antigo Primeiro-Ministro Ferenc Gyurcsány, caminhando simbolicamente de lá até Kötcse. No seu discurso, Magyar criticou tanto Orbán como Gyurcsány pelos seus laços com o Presidente russo Vladimir Putin, afirmando que "um abraçou Putin pela esquerda, o outro pela direita". Durante o comício, o Partido Tisza lançou oficialmente a sua campanha para as eleições parlamentares de 2026 e apresentou Ágnes Forsthoffer como a terceira vice-presidente do partido.[40]

Magyar anunciou a sua décima grande manifestação, chamada "Marcha Nacional", para 23 de outubro de 2025, novamente comemorando a Revolução de 1956. A marcha começou na Praça Deák e seguiu pela Avenida Andrássy até à Praça dos Heróis, em Budapeste. Magyar anunciou o lançamento do roteiro nacional final do Partido Tisza antes das eleições parlamentares de 2026, intitulado "O Caminho para a Vitória".[41] A 13 de dezembro de 2025, realizou a décima primeira manifestação pública de grande escala, focada na proteção de menores. O protesto seguiu-se à divulgação de gravações por Péter Juhász que alegadamente mostravam crianças a ser abusadas em instituições de acolhimento húngaras.[42] Os manifestantes marcharam da Praça Deák até ao Mosteiro Carmelita de Buda. Os participantes carregaram peluches como gesto simbólico, colocando-os mais tarde numa pilha em frente ao pódio de Magyar. Durante o seu discurso, Magyar apresentou as propostas de política de proteção de menores do Partido Tisza.[43]

Magyar na sua décima segunda grande manifestação em março de 2026

A 15 de março de 2026, durante o feriado nacional que comemora a Revolução Húngara de 1848, Magyar realizou a décima segunda e última grande manifestação do Partido Tisza antes das eleições parlamentares de 2026. O evento, também intitulado "Marcha Nacional", seguiu a mesma rota da manifestação de 23 de outubro de 2025, começando na Praça Deák Ferenc e terminando na Praça dos Heróis, em Budapeste. A cantora Erzsébet Csézi, que é candidata parlamentar do Partido Tisza pelo 7.º círculo eleitoral do condado de Borsod-Abaúj-Zemplén, atuou no evento. Durante o seu discurso, Magyar prestou um juramento simbólico juntamente com os apoiantes, afirmando que o partido estava pronto para governar. No final do comício, os 106 candidatos parlamentares individuais do partido e vários especialistas políticos apareceram no palco. Segundo a estimativa de Magyar, cerca de 500 000 pessoas assistiram à manifestação.[44]

Um milhão de passos

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A 9 de maio de 2025, o Primeiro-Ministro Orbán proferiu um discurso na Abadia de Tihany, mais tarde referido como o "Discurso de Tihany". Durante a sua alocução, expressou o seu apoio a George Simion, o vencedor da primeira volta das eleições presidenciais romenas de 2025. O discurso provocou reações generalizadas: Hunor Kelemen, presidente da União Democrática dos Húngaros na Roménia (RMDSZ), criticou a declaração de Orbán e instou os eleitores de etnia húngara na Transilvânia a apoiarem Nicușor Dan na segunda volta.[45]

Em resposta, a 14 de maio de 2025, Magyar discursou em frente à Basílica de Santo Estêvão, em Budapeste, lançando a iniciativa intitulada "Um Milhão de Passos". Anunciou que caminharia de Budapeste até Oradea (Nagyvárad), ligando simbolicamente a Hungria e a Transilvânia.[46] Magyar chegou a Oradea a 24 de maio de 2025, onde proferiu um discurso no pátio da Fortaleza de Oradea, em frente à estátua de São Ladislau.[47]

Eleições parlamentares de 2026

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Magyar liderou o Tisza nas eleições parlamentares realizadas a 12 de abril de 2026. O Tisza afastou o Fidesz do poder numa vitória esmagadora, conquistando dois terços dos assentos, o suficiente para uma supermaioria. A eleição registou uma elevada afluência às urnas, com mais de 79% dos eleitores a participar, a maior taxa de participação desde a mudança de sistema.[48]

Visões políticas

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Magyar durante a reunião constitutiva da Comissão AFCO em julho de 2024

Magyar é frequentemente descrito como um liberal conservador, combinando visões econômicas voltadas para o mercado com ênfase na responsabilidade cívica, no Estado de direito e na cultura nacional. Ele afirma frequentemente que o seu movimento procura ir além da "velha divisão esquerda-direita" na política húngara.

Magyar expressou apoio à adoção do euro na Hungria assim que as condições econômicas necessárias forem atendidas. Ele argumenta que a adoção da moeda comum fortaleceria a estabilidade financeira e a posição da Hungria na União Europeia (UE).[49] Magyar define-se como fortemente pró-europeu, apoiando uma cooperação mais profunda na UE e o alinhamento com os valores democráticos ocidentais. Ele criticou a postura de confronto do governo Orbán em relação às instituições da UE e suas relações estreitas com a Rússia.[50]

Durante a campanha, Magyar tentou encontrar um equilíbrio delicado entre assumir uma posição mais assertiva e crítica em relação à Rússia (em contraste com a postura pró-Rússia de Orbán) — prometendo acabar com a dependência da Hungria da energia russa, apoiando a ajuda humanitária à Ucrânia e denunciando a agressão russa — enquanto, ao mesmo tempo, trabalhava ativamente para dissipar as acusações de Orbán de que ele e o partido Tisza "estão a coordenar esforços para levar um governo pró-Ucrânia ao poder na Hungria".[51]

Embora não se oponha abertamente à adesão da Ucrânia à UE, Magyar opõe-se à aceleração do processo de adesão da Ucrânia e submeteria a adesão do país a um referendo vinculativo. As posições de Magyar estão mais próximas da corrente principal europeia do que as de Orbán, embora ele tenha evitado apoiar formas mais decisivas de ajuda. Magyar disse que o seu governo iria "buscar relações equilibradas com a Federação Russa".[52]

Numa entrevista em 2024, Magyar expressou preocupação com a adesão acelerada da Ucrânia à UE, alegando que a forma como foi concedido o estatuto de candidato ao país "não corresponde de forma alguma aos valores, princípios ou regulamentos da União Europeia" e que, juntamente com os apelos para a adesão da Ucrânia à OTAN, isso arriscaria uma nova escalada e "aumentaria as hipóteses da Terceira Guerra Mundial".[53]

Durante a comemoração nacional de 15 de março de 2025 e a sétima grande manifestação, Magyar usou um traje tradicional Bocskai, um estilo frequentemente associado ao simbolismo conservador e patriótico na Hungria. A sua escolha de vestuário foi amplamente interpretada como um gesto para com a tradição nacional e a herança cultural.[54]

Ele apoia a adoção do euro.[55]

Caso Schadl–Völner

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Depoimento de provas

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A 20 de março de 2024, Magyar testemunhou durante várias horas no Ministério Público Metropolitano a respeito do mediático caso de corrupção envolvendo o Presidente dos Oficiais de Justiça dos Tribunais, György Schadl,[56] sobre subornos pagos ao ex-Secretário de Estado da Justiça, Pál Völner.[57] Pouco depois do seu testemunho, anunciou à imprensa que possuía provas, na forma de gravações de áudio, de que o Ministro de Estado Antal Rogán ou os seus associados haviam manipulado documentos no caso para esconder provas que incriminariam Rogán. Num post no Facebook alguns dias depois, prometeu tornar as gravações públicas às 9h da manhã do dia 26 de março de 2024, a data do seu próximo depoimento para testemunhar e apresentar as provas aos procuradores. Escreveu que assim que isso acontecesse, o Procurador-Geral Péter Polt, bem como todo o Quinto Governo de Orbán, não teriam outra escolha senão renunciar.[58] A 26 de março, Magyar divulgou a gravação ao público. Contém uma discussão de dois minutos entre si mesmo e a sua ex-mulher, Judit Varga, sobre o caso de corrupção Schadl-Völner. Os comentários de Varga implicam Rogán em adulteração de provas por ter mandado remover o seu nome e/ou o dos seus associados dos documentos associados ao caso.[22] Ele entregou a gravação aos procuradores.[12]

Alegações de abuso doméstico

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Judit Varga, ex-mulher de Péter Magyar

No mesmo dia (em março de 2024) em que Péter Magyar vazou a gravação na qual Judit Varga discute o papel de Rogán no caso Schadl–Völner, Varga publicou dois posts no Facebook alegando que Magyar abusara verbal e fisicamente dela durante o seu casamento. Afirmou ainda que as declarações que fez na gravação vazada tinham sido coagidas durante uma interação com Magyar, na qual se sentiu ameaçada.[59] Mais tarde naquela noite, o canal do YouTube Frizbi TV divulgou uma entrevista com Varga na qual esta detalhou as suas alegações, referindo que em várias ocasiões Magyar a tinha trancado num quarto sem o seu consentimento, a tinha empurrado contra uma porta enquanto estava grávida, e caminhado pela sua residência partilhada empunhando uma faca; uma vez fingiu suicídio,[60] mas quando a ambulância chegou, ele arrancou de pijama e Varga teve de mandar os paramédicos embora.[61]

Magyar chamou as acusações de calúnia e disse que Varga estava sendo chantageada pelo governo. Segundo ele, os media governamentais queriam desviar a atenção da gravação de áudio cometendo assassinato de reputação contra si.[62][63] Segundo a revista pró-governo Mandiner, um relatório da polícia informou que Magyar se comportou de forma agressiva, intimidante e ameaçadora para com a mulher e os agentes policiais, quando ela tentou levar os filhos com a ajuda de agentes que serviam de guarda-costas devido ao cargo de Varga. Alegadamente, Magyar também ameaçou telefonar para os meios de comunicação a dada altura. Eles tiveram uma discussão acesa na sua casa, e Magyar tentou impedi-la de ir a uma segunda casa onde estavam as crianças, alegando que a polícia estava a tentar sequestrar os seus filhos. Ele tentou gravar os acontecimentos no seu telemóvel, mas foi impedido pela polícia. No final, Magyar voltou para casa e Varga levou as crianças para os avós. Magyar afirmou que o relatório da polícia era 90% mentira, mas que o agente em causa cometeu um crime ao impedi-lo de ver os seus filhos.[64] Em julho de 2025, Varga repetiu as acusações e alegou que o seu ex-marido era um traidor.[65]

Imagem pública

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Aparência

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Magyar (à extrema esquerda) numa carruagem puxada por cavalos em Mezőhegyes, em 2025

Os meios de comunicação húngaros têm comentado a aparência e o vestuário de Magyar.[66] Ele tem um estilo casual distinto, consistindo numa camisa branca ou t-shirt, calças de ganga ou calças chino e ténis brancos, que os seus apoiantes copiaram em alguns eventos.[66][67] Magyar também alinhou nos comentários em torno do seu vestuário e acessórios, leiloando os seus óculos de sol de luxo para caridade.[68]

Redes sociais

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A presença de Magyar nas redes sociais, especialmente no Facebook, tem sido uma parte importante do seu apelo.[69] A sua popularidade inicial foi associada a uma entrevista ao canal de YouTube Partizán em fevereiro de 2024, que obteve mais de um milhão de visualizações.[70]

Referências

  1. «Péter Magyar toma posse como novo primeiro-ministro da Hungria». G1. 9 de maio de 2026. Consultado em 10 de maio de 2026
  2. «Péter Magyar: quem é o ex-aliado de Orbán que derrotou premiê da Hungria após 16 anos». BBC News Brasil. 12 de abril de 2026. Consultado em 13 de abril de 2026
  3. «Quem é Péter Magyar, o opositor de Viktor Orbán na Hungria». G1. 12 de abril de 2026. Consultado em 13 de abril de 2026
  4. Kokot, Michał. «Rzucił wyzwanie Orbánowi i ma szansę wygrać. W rozmowie z "Wyborczą" jasno mówi o Polsce, Węgrzech i Ukrainie». wyborcza.pl. Consultado em 13 de abril de 2026. (pede subscrição (ajuda))
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