No domingo passado a jornalista ANA CRISTINA PEREIRA do
Público escreveu uma excelente reportagem sobre este assunto.Dado que o acesso não é permanente, vou reproduzir parte do que foi escrito.
Meninos de Ninguém REPORTAGEM DE ANA CRISTINA PEREIRADomingo, 11 de Janeiro de 2004 Uma mão minúscula estendida, dois olhos muito claros a iluminar um rosto de seis anos. Mário (nome fictício) brinca na rua indiferente aos perigos da noite que já caiu há muito. Inventa jogos com Liliano (outro nome fictício). Quer dinheiro para os carrinhos de choque e sabe que há uma maneira fácil de o conseguir. Nem um sinal de embaraço. Estender a mão minúscula à esmola é, para si, tão natural quanto levá-la à cabeça para coçar os piolhos. "Menina, dê-ma um eure" (sic). "A gente semos do Ilhéu"(sic), informa Liliano, demasiado pequeno para os seus oito anos, tal o efeito da subnutrição. O Ilhéu é um bairro altaneiro que faz parte de Câmara de Lobos, vila piscatória recentemente convertida em cidade. Carregado pelo estigma, constitui um mundo à parte. Tal como as Malvinas - para onde se transferiram muitas das numerosas famílias que moravam ali, umas por cima das outras, no início da década de 80. "E a menina dadonde é?", pergunta, montado num triciclo desprovido de uma roda traseira. E desequilibra-se um pouco no brinquedo rosa bebé. Impossível dizer ao certo quantas crianças de Câmara de Lobos se dedicam à mendicidade - no centro da sua cidade, nos miradouros, no Funchal. A PSP admite que há um "número considerável" com idades compreendidas entre os quatro e os 14 anos. Vinte, trinta? A actividade é flutuante. Há miúdos dos bairros de Ribeiro Leal e Quinta do Leme, mas a maior parte reside no Ilhéu e nas Malvinas, onde vigora uma cultura muito própria (ver texto). Mário não se enerva com a delonga da moeda pedida. O tempo parece sobrar-lhe apesar do relógio marcar 23h00. Não tem uma mãe ou um pai a declarar recolher obrigatório. Dá-se-lhe um chupa-chupa e o miúdo, de seis anos, está a abraçar as pernas da desconhecida, a alinhar a cabeça no seu colo, a puxar o caderno para fazer desenhos. Desenha, risca, ri-se. Passa-se-lhe a mão pelo cabelo curto, muito louro. E ele roça-se. Que desejos lhe é lícito formular? São meninos de ninguém. Carentes de tudo, sobretudo de afecto, como salienta o comissário de Câmara do Lobos, Roberto Fernandes, que está a fazer uma pós-graduação em menores em risco. "Qualquer coisa - de que gostem ou necessitem - influencia o seu comportamento e pode levá-los a contactos de índole sexual com pessoa bem ou mal intencionada", admite. Um beijo, um abraço, um roçar de corpos, por vezes com alguma sensualidade, como a que Márcio acaba de protagonizar. O suficiente para alegrar um pedófilo. "Quem se quiser aproveitar tem aqui um grande leque". Câmara de Lobos já fez parte dos roteiros de turismo sexual. Houve mesmo uma tentativa de criar uma residencial para estes fins - o projecto não chegou a sair do papel, por força do escândalo que rebentou em 1997, quando as autoridades belgas divulgaram vídeos pornográficos feitos com "meninos das caixinhas". Os tempos mudaram. As autoridades reprimem agora mais os pedófilos e empenham-se mais na protecção das crianças (ver texto). Mas o risco não desvanece. Não vai há muito, os tribunais sentenciam um alemão por tentativa de abuso sexual de um menor numa casa de banho pública de Câmara de Lobos. As "caixinhas" de papelão, essas, desapareceram. Os meninos da "pedincha" recorrem agora a outras estratégias - arrumar carros, vender fotocópias de "santos", estender a mão, abanar um mealheiro.
Mendigar para os pais Nem todos os meninos de rua são tão amistosos como Márcio e Liliano. Os mais velhinhos revelam-se mais desconfiados, agressivos até. "Desadem!" , expulsam dois miúdos, de 12 e 14 anos, que o PÚBLICO conhecera dias antes. Reivindicam o seu lugar de prioneiros, não querem dividir atenções. "São uns abusadores!", barafustam. Os pequenos recuam - regressarão quando o caminho estiver livre. Recentemente, numa esporádica acção nocturna, perguntou-se aos pais dos meninos da "pedincha" o porquê destes andarem na rua até há uma, duas, três, quatro da manhã. Os pais, recorda o comissário, "dizem que não têm mão neles". Vigora a "negação de responsabilidade", mas sabe-se da existência de "casos crónicos de crianças que são jogadas para as ruas para benefício dos pais". O dia de Idalino (nome fictício), correu muito bem - quase 40 euros arrecadados a pedir no Funchal. Entregou dez à mãe "para o comer", o resto é para o parque de diversões, o tabaco, o haxixe e a comida. O amigo, António (ver texto ao lado), também já deu a sua contribuição para a casa - 10 euros, que é o estabelecido para uma jornada de "trabalho". Sobrou-lhe pouco. "Estou aborrecido", queixa-se, tentando arrecadar umas fichas para os carrinhos de choque. Passa da uma da manhã e o centro da cidade continua polvilhado de crianças. Algumas deliciam-se no parque, outras entretêm-se nas ruas - a pedir, a jogar a dinheiro, a fumar. Algumas enfiam-se entre o escuro dos barcos. Idalino pondera, lá para as duas da manhã, quando os bares da "poncha" fecharem, ir a pé até ao Funchal - apanhar "os gajos que vão para as discotecas". Por altura do Natal, fartou-se de "perder noites". Duas semanas seguidas. Hoje é sábado, está de "directa". É um menino de ninguém. Se lhe apetecer, faz outra. Não se cansa de recomendar cautela com a carteira.
PSP Desenvolve Trabalho de Prevenção Inédito Domingo, 11 de Janeiro de 2004 "O único erro [das crianças da "pedincha"] foi terem nascido no berço de uma família disfuncional, que lhes negou afecto" e que as "abandonou". A frase, do comissário de Câmara de Lobos, Roberto Fernandes, resume a mudança ocorrida na polícia nos últimos anos. Os miúdos continuam a "escorregar" entre o papel de vítimas e de vitimizadores, mas a repressão pura e dura - que levava os agentes a escorraçarem os antigos "meninos das caixinhas" a cassetete - terminou. Ainda no final do mês passado, o PÚBLICO encontrou um miúdo, à noite, de medalha ao peito. "Ganhei os polícias!", gabava-se. Como? "Num torneio de futebol que a esquadra de Câmara de Lobos e o projecto de Luta Contra a Pobreza fazem para a gente", explicava o menino de 12 anos, que sonha ser "igualzinho ao Joel do Marítimo - que também é das Malvinas". Segundo os últimos censos, 37,4 por cento da população de Câmara de Lobos tem menos de 20 anos. A braços com uma das comunidades mais problemáticas da ilha, Roberto Fernandes encara os menores em risco como prioridade, tanto que está a fazer uma pós-graduação nesta área. "Temos de intervir antes de chegarmos à fase em que já só nos resta a via criminal". As acções de prevenção começaram no âmbito do Escola Segura, mas ultrapassaram as linhas típicas desse programa. As iniciativas - articuladas com autarquias, IPSS, Segurança Social e outras entidades - ocorrem, em média, duas vezes por mês. Passam, por exemplo, por pôr os miúdos a participar em operações "stop" com os agentes e por provas de ciclismo. Ainda na terça-feira, criou-se um percurso na pista de carrinhos de choque de um parque de diversões para que alguns menores, devidamente fiscalizadas por polícias e professores, pudessem cumprir os trajectos sinalizados. Apagar a memória de uma polícia que, na década de 90, chegava a atirar baldes de água quente aos "meninos das caixinhas" não será pêra doce. Mas Fernandes está confiante. "Alguns já vêm ter connosco e dizem: 'o indivíduo x anda a fazer isto e aquilo' - frases proferidas em jeito de confidência que levantam suspeitas, por vezes, confirmadas por nós". Prova de que alguns já conhecem um ou outro agente e não o encaram como "bófia ou chibaria, mas como amigo". O comissário não tem dúvidas: "a polícia sozinha pode pouco". E as comissões de protecção de menores "não podem funcionar em horário de expediente normal", a assegurar a tradicional instrução de processos, devem "sair dos gabinetes e ir para o terreno". Como não o fazem, "falha o conhecimento directo e a intervenção oportuna nos casos de perigo que se desenrolam a todo o instante". Na sua opinião, urge criar equipas de rua que trabalhem mesmo em horário nocturno. Só uma vez a Comissão foi, de noite, falar com as crianças de rua, para as conduzir a casa. Alguns fugiram desconfiadas - "esconderam-se no primeiro buraco que encontraram". Outras desataram a chorar. Nesta acção pontual, parte dos seus "grandes traumas emocionais" vieram ao de cima. Os meninos de rua sofrem "negligências e privações de vária ordem em que coloco em primeiro lugar o afecto", explica. À pobreza sócio-económica, acrescenta a degradação e a promiscuidade sexual familiar, os maus tratos, o abandono e o insucesso escolar. "Passam a vida na rua, sem referências positivas, em contacto com pessoas que se aproveitam, que depressa as levam a práticas delituosas, ao consumo de estupefacientes", expõe. Tenta proporcionar-lhes alguns momentos positivos, apontar-lhes caminhos alternativos ao do crime. Tenta também fazer com que sintam que podem contar com a polícia em caso de maior dificuldade".
António, a História de Um "Pedincha" Por ACPDomingo, 11 de Janeiro de 2004 Tem 12 anos e está matriculado na "primeira classe", sexto ano da catequese. António (nome fictício) acende um cigarro. "Sou o segundo mais velho da classe". O outro menino tem 13 anos e também pedia esmola, mas agora "foi internado - a mãe dele e o pai dele são bêbados e ele andava na droga, já se injectava e tudo". O miúdo, magro e encardido, levanta-se cedo, bem cedo, mas é raro ir às aulas. Tem amigos que frequentam a escola de manhã e se metem na "pedincha" à tarde, "ali mesmo, no Pico da Torre" - por onde passam muitos "ingleses" (sinónimo de estrangeiros). Mas ele prefere apanhar o autocarro, às 8h30, 9h00, para o Funchal. O mealheiro colorido que usa na "pedincha" não circula, como ele, entre o Funchal e Câmara de Lobos; fica escondido num buraco, encavado na relva, que acaba por mostrar ao PÚBLICO depois de alguns dias de convivência. É assim desde que se lembra. "Comecei esta vida aos seis, sete anos". A confiança de António é uma conquista que se cumpre, pouco a pouco, com atenção e com prendas - de consumo imediato, mas também de levar para a casa, um T4 que partilha com 17 familiares. Os pais "não perguntam" quem lhas dá, tal como não perguntam onde arranja o dinheiro que o obrigam a entregar - apesar de dois dos seus irmãos terem entrado, quando crianças, em filmes pornográficos. Nos piores dias, o miúdo louro de dentes cariados angaria "uns dez euros". Nos melhores, uns 25. Mas já houve máximas de "50 e de 70". "Dou uma coisinha à minha mãe e fico com uma coisinha". O dinheiro não lhe aquece nas mãos. "Vou para os carrinhos eléctricos, compro cigarros, às vezes jogo à batota e lá se vai o dinheiro todo!", ri-se. Também compra "comer, roupa e sapatilhas", essas "coisas que se precisa". António, tal como outros meninos das Malvinas, joga tudo a dinheiro: loto, barra, apanhadas, futebol - "quando a gente não tem dinheiro para jogar, atiramos garrafas para dentro do campo, para os outros não jogarem", diz, no seu sotaque cerrado. Não é "grande jogador de batota", denuncia o amigo do peito, de 14 anos. Mas poucos o ganham nos concursos de arrotos. "Sei dizer o meu nome todo, quer ver?", exibe-se, uma noite, no centro da cidade. Uma proeza que lhe vale, amiúde, dores de garganta. O menino passa a vida na rua. Por vezes. mete-se em zaragatas, em pequenos furtos - flores para vender, óculos de sol para "brilhar", uma carteira ou outra. Farta-se de "perder noites", no centro de Câmara de Lobos. Aos fins de semana, descola-se até ao Funchal, onde vagueia e arruma uns carros até às cinco da manhã. Por vezes, acompanham-no outros dois irmãos, um de nove anos e outro de 13. "Vamos a pé, é só meia hora". "Os velhos porcos não vão para as discotecas", segreda, num ocasião em que tinha fumado um charro e estava menos na defensiva. "Os velhos vão à procura da gente ao parque de estacionamento do centro comercial". Para quê? "Eles não aguentem com uma mulher, uma mulher vai para cima deles e eles rebentem todos!"(sic), ri-se. Não fala de prostituição. Sobre isso, de modo claro, diz apenas: "Um dia um velho queria-me dar cem escudos para abusar de mim, o porco!" Mostra um pequeno canivete: "Tá a ver isto? É pequenino, mas pica!". Na rua também se sonha. Não quer acabar como os dois irmãos que tem na cadeia. António - revela, certa noite, à mesa de um restaurante - sonha ser guarda-redes. Já esteve no União da Madeira. Foi expulso, falta-lhe disciplina. "Um gajo faz qualquer coisa e é logo: 'mudar de roupa e tomar banho'". Meneia a cabeça: "Tenho de deixar de fumar!" O amigo explode numa gargalhada. E ele sorri. "Quando começar , vai ser de vez". E a escola? Encolhe os ombros.
A "Guerra" das Malvinas Por ANA CRISTINA PEREIRADomingo, 11 de Janeiro de 2004 As portas dos apartamentos têm marcas de pontapés, rasgões feitos por objectos impossíveis de identificar. E cortinas penduradas por fios - para barrar a entrada de moscas e de mosquitos. Atrás delas, moram famílias numerosas, reprodutoras de uma sub-cultura que só encontra paralelo no Ilhéu de Câmara de Lobos. São as portas do Bairro da Torre, que o povo baptizou de Malvinas, por causa da guerra que decorria do outro lado do mar aquando dos realojamentos. Cândida da Graça, 76 anos, ralha com um bando de crianças barulhentas que se agitam em seu redor. "Estão sempre a cair. Esta semana, já foram três para o hospital". A família da velha senhora transferiu-se do Ilhéu para as Malvinas há mais de 20 anos, como quase todas as que aqui estão desde o início e já deram frutos. Com elas, veio um jeito muito peculiar de ser. "Tenho 15 filhos e mais de 90 netos - se soubesse o nome deles todos ia à Praça da Alegria; olhe, ganhava dinheiro!". A casa de Cândida cheira mal. Na casa de Cândida, há uma mesa com seis cadeiras e 23 bocas para alimentar - 13 das quais crianças. "Veja, é um T4, vive-se uns em cima dos outros. Quando há brigas é uma desgraça: um puxa, outro puxa." Nas Malvinas, tal como no Ilhéu, a afirmação social faz-se pelo número de filhos - a pílula toma-se às escondidas para evitar porrada e o aborto é uma prática de vão de escada. Só o ano passado, nos blocos 22 e 23 nasceram 16 bebés. É frequente encontrar raparigas de vinte e poucos anos com quatro e cinco filhos, trintonas com nove, dez. "Se uma menina engravida aos 14 anos, é normal, é uma alegria para a família; a mãe também já foi assim", resume Sónia Gomes, psicóloga da Escola EB 2 e 3 da Torre. "Era preciso ver se estes pais são capazes", desabafa. Os filhos têm filhos e continuam em casa dos pais. A sobrelotação põe em prática a lei do mais forte . "Com tanta gente dentro de uma casa, o que dá? Bebedeira, pancada, stress. Um 'men' é obrigado a viver na rua", diz um miúdo de 14 anos, que anda na esmola. Negligência, maus tratos, abandono, insucesso escolar. As ruelas do bairro estão sempre repletas de crianças - sujas, descalças, a brincar na terra, no lixo, onde calha. Algumas são levadas para trabalhar na pesca, usadas como correios no tráfico de droga, atiradas para a "pedincha": chegam a pisar fezes para parecer mais "tristes" ao pedir esmola aos turistas nos miradouros. "Têm uma falsidade genuína", interpreta Bruno Gouveia, um rapaz de 18 anos que está a estudar animação social, porque quer mudar a realidade do bairro que o viu nascer. Travar a guerra da educação comunitária. Os pais não mandam os miúdos às aulas, mas querem-nos crismados. O padre Francisco Caldeira já decretou que quem não fosse à escola não podia ir à catequese. Mas a estratégia não dá grande resultado. São pessoas "muito religiosas, mas pouco cristãs, algumas encaram os filhos como fonte de receita". Como Olívia, 47 anos, que pôs uma menina a vender fotocópias de "santos" no Funchal - "sou pobre, o meu marido é doente, tenho de cuidar dele e da minha cunhada que está quase cega, a minha filha tem de ajudar". A maior parte destes pais são pescadores do peixe espada preto - passam dois, três dias no mar, na pesca à linha. O alcoolismo domina as camadas mais velhas, a toxicodeopendência mina as mais novas. O vício do jogo corre-lhes nas veias. Tal como um certo culto da violência. Basta passar algum tempo no bairro para perceber que as mulheres temem ser surradas pelos maridos e que educam os filhos à pancada. "Quando chegares a casa vais comer!". "Deviam dar um pedacinho de cultura à gente; se não, não se resolve nada disto", queixa-se Lino, um jovem de 29 anos que conta 86 sobrinhos de sangue. Só de uma vez, foram 16 pessoas presas em sua casa - mãe incluída. "São tráficos de merda, 400, 500 contos". "Há muita família que se governa assim". Mais preocupante do que o tráfico é, no entender de Lino, "o que se passa dentro de casa dessas tontas que não fazem nada o dia todo". Fala das mulheres que seguem a tradição de não ter emprego e nem por isso se ocupam das "crias". "Há ai um pescador... a mulher é uma bêbada do caraças e ele também é uma vergonha, punha-se a ver filmes pornográfcos com a filha de 13 anos. O filho nasceu e... deitaram o bebé no caixote do lixo", conta. Há uns meses, uma menina da sua família abandonou um bebé no Cabo Girão. A promiscuidade sexual - muito alimentada pela sobrelotação - parece corriqueira. E os perigos uma realidade. Há a história da menina de 13 anos que revelou à professora já ter feito dois abortos - um deles com "cerveja quente". A da menina da mesma idade que, o ano passado, confessou à catequista ter feito "pecados" com um turista no elevador de um hotel do Funchal. E a do menino, de 12 anos, que, por vezes, falta às aulas porque está com dores: "É quando anda com o rabinho inchado!", dizem os outros miúdos. A do menino de nove, pais alcoólicos, que já se injecta....