sábado, 31 de março de 2012

O QUE É E NÃO É VERDADE SOBRE A INCORPORAÇÃO NO CANDOMBLÉ?

Oi!!!

O site de utilidade pública que eu vou linkar aqui esse mês é o da Abrale. Lá vai:

http://www.abrale.org.br/

Bom, vou deixar o post de hoje só em Português porque ficaria meio complicado traduzir esse texto pra outras línguas. É sobre a incorporação no Candomblé.
Um dos assuntos mais polêmicos e mal entendidos no Candomblé é a questão da incorporação. É aquilo que, equivocadamente, algumas pessoas chamam de “receber santo”.
Em 1º lugar, pra quem pegou o bonde andando e não tá entendendo nada do que eu tô dizendo, vamos explicar que o que as pessoas costumam chamar de incorporação seria o espírito de uma pessoa morta entrando no corpo de uma pessoa viva e passando a controlar esse corpo. E aí o espírito fala pela boca da pessoa, gesticula usando o corpo da pessoa e tal.
E também há quem imagine deuses e deusas do Candomblé (geralmente orixás) se manifestando exatamente dessa mesma forma nos corpos dos praticantes do Candomblé.
Quando esse tema surge entre pessoas que não são do Candomblé e não convivem com quem é do Candomblé, vem sempre aquela montoeira de perguntas:
Começam a se questionar se a incorporação existe, se não existe, se é um fenômeno real, se é só uma alucinação que a pessoa tem na hora por causa de influências psicológicas que sofreu, se a pessoa está simplesmente fingindo...
Bom, como seguidor da Tradição Queto do Candomblé, vou tentar responder essas perguntas uma por uma:
Antes de mais nada, vamos esclarecer se a incorporação existe ou não existe: existe, sim. Mas não da forma como as pessoas costumam imaginar.
Vamos deixar claro que O ESPÍRITO DE UMA PESSOA MORTA NÃO TEM PODER PRA CONTROLAR O CORPO DE UMA PESSOA VIVA. Portanto, o espírito de um morto não pode entrar no corpo de um vivo e sair andando por aí e movendo esse corpo como se o corpo fosse dele. Se algum candomblecista ensinou isso a você, ele tá meio equivocado. Devia estudar mais os mitos originais africanos: nunca vi nenhum desses mitos mencionar nada que atribua esse tipo de poder de possessão aos espíritos dos mortos.
Aliás, quem acredita nessas possessões geralmente é kardecista, e não candomblecista. Mas tem gente que é ecumênica, né? Aí mistura Candomblé com Kardecismo, com Catolicismo, com Budismo... E o que acontece na prática quando alguém tenta seguir várias religiões diferentes ao mesmo tempo é que ele acaba misturando os dogmas de uma religião com os dogmas da outra.
Talvez a confusão venha daí, né? Uma pessoa que se diz candomblecista, mas que na prática é um ecumênico, acaba seguindo dogmas de outras religiões e passando a ideia equivocada de que aqueles dogmas são do Candomblé.
Pelo menos de acordo com as pesquisas do Pierre Verger sobre as tradições originais do Candomblé, o que fica claro é que, quando o espírito de um morto quer se manifestar diante de um vivo, ele aparece pra esse vivo na forma de uma imagem mesmo, e não através de uma incorporação.
Mas e quanto às divindades? Os espíritos dos mortos não podem se incorporar nos vivos, mas os deuses e deusas podem fazer isso?
Bom, aí pode ser que sim e pode ser que não.
Antes de tudo, vamos lembrar que os deuses e deusas não têm um corpo limitado como o nosso. Os corpos físicos deles são o fogo, a água, o ar e a terra, que estão presentes pelo Universo todo. Mas, ao mesmo tempo, eles também têm as energias deles, que são extensões dos corpos deles.
As energias dos deuses e deusas do Candomblé podem entrar nos nossos corpos e nos controlar momentaneamente. Mas o que o corpo da pessoa faz nessas ocasiões geralmente são só movimentos que demonstram a presença daquela energia naquele corpo ou a pronúncia de palavras que indicam isso.
Por isso que, nas cerimônias do Candomblé, a gente vê algumas pessoas dançando e, involuntariamente, fazendo movimentos que são reconhecidos como os movimentos de uma divindade específica e falando palavras (algumas vezes, palavras de dialetos nigerianos) associadas àquela divindade específica.

E o que está incorporado em cada uma dessas pessoas é a energia dessa divindade.
Então, a incorporação existe como fenômenos real NESSE sentido. Mas nem sequer acontece com todos os praticantes do Candomblé. Eu, por exemplo, fui praticante do ano 2000 até 2005, voltei a ser no ano passado e nunca tive uma incorporação.
Outra dúvida bastante comum, como eu já mencionei acima, é se a pessoa não está ali simplesmente sob o efeito de uma influência psicológica. Ou seja, ela viu e ouviu coisas que fazem com que ela pense, inconscientemente, que está com um espírito ou um deus incorporado nela. E aí se comporta como se estivesse.
Sim. Isso também existe. Porque tem pessoas que são sugestionáveis, né? Principalmente se for aquela pessoa muito sentimental, que se deixa levar por tudo o que vê e ouve. Quando ela ouve você falando sobre qualquer coisa que impressione ela de alguma forma, do nada ela já começa a acreditar que aquilo está acontecendo com ela ou vai acontecer com ela a qualquer momento.
Então, se esse tipo de pessoa ouve falar em incorporação ou vê pessoalmente uma incorporação real, daí pra ela começar a acreditar, sem querer, que tá tendo uma incorporação é um pulinho.
E outra dúvida que fica é se a pessoa está simplesmente fingindo que está incorporando um espírito ou uma divindade.
Também existe. Mas aí tem gente que tá simplesmente de sacanagem, fingindo que está tendo uma incorporação porque quer debochar da religião, e também tem gente que está de má fé, fazendo isso pra cobrar por consultas que a “divindade” ou o “espírito” dá enquanto está incorporado.
Eu posso dizer o seguinte: se a pessoa está cobrando dinheiro pela consulta que ela dá enquanto diz que está incorporada, comece a desconfiar disso. Principalmente se ela disser que está com um espírito incorporado nela pra dar consultas (porque, como eu já expliquei acima, espírito não se incorpora em ninguém e, menos ainda, vai se incorporar em alguém pra dar consultas aos vivos e cobrar dinheiro por isso).
Babaca existe em toda parte e gente desonesta também existe em toda parte. Então, simplesmente fique de olho.
E pra terminar, quero dizer o seguinte: “receber santo” é uma expressão completamente descabida.
Em 1º lugar, santos são divindades do Catolicismo, e não do Candomblé em sua origem (portanto, não vão se incorporar num candomblecista). E em 2º lugar, até onde eu conheço os princípios do Catolicismo, os católicos também não acreditam que o espírito de um morto possa se incorporar num vivo (portanto, os santos, que são simplesmente espíritos de católicos mortos, não podem fazer isso).
Bom, creio que são essas as dúvidas que a maioria das pessoas tem sobre a questão da incorporação no Candomblé. Mas, se alguém quiser perguntar mais alguma coisa, estou à disposição pra conversar sobre o assunto.

Eu volto em Abril. Até lá!

terça-feira, 27 de março de 2012

MOSTRANDO COMO VIVE UM GAY NO MARROCOS

Oi!!!

Hoje a gente vai dar uma olhada no jornalista marroquino Samir Bergachi.

Ele nasceu em Rif, em 1987.
No início dos anos 90, os pais do Samir se mudaram pra Espanha e ele ficou no Marrocos, sendo criado pela avó.
No ano 2000, ele também se mudou pra Espanha, onde vive até hoje.
Em 2004, o Samir assumiu o comando do Kif Kif, um grupo de apoio a homossexuais e bissexuais voltado especialmente pro Marrocos (mas também pros demais países muçulmanos).
Ele também criou uma revista independente chamada Mithly, a 1ª revista gay escrita em Árabe.
Como a 1ª edição da revista tinha só 200 exemplares e como a homossexualidade ainda é considerada crime no Marrocos (se alguém por lá tiver relações com uma pessoa do mesmo sexo pode ser condenado a uma pena de 6 meses a 3 anos de prisão, dependendo da situação), a revista teve que ser distribuída lá de conhecido pra conhecido.
Atualmente, ela tá sendo publicada como uma revista on-line, ainda escrita só em Árabe. Lá vai o link do site:

http://www.mithly.net/


Depois da criação da revista, o Samir sofreu ameaças por telefone vindas de marroquinos conservadores. Mas nunca passou disso.
Ele diz que no Marrocos não é tão raro assim encontrar pessoas do mesmo sexo que moram juntas. Mas a coisa fica na base da hipocrisia: de um lado, os 2 lá não chamam muito a atenção pro fato de morar juntos e fingem que são apenas amigos; e do outro lado, a polícia finge que acredita e não prende ninguém. Mas se o cara declarar que é gay em público, aí as coisas mudam...
E o Samir diz ESSE é um dos problemas principais pra comunidade GLBT do Marrocos: eles não têm exemplos de gays marroquinos que se deram bem depois de declarar em público que não eram héteros. A única grande exceção nesse sentido é o Abdellah Taïa. Aliás, lá vai o link de um post sobre ele:

http://ultracecgb.blogspot.com.br/2011/11/o-1-escritor-marroquino-declarar-que-e.html

Aliás, de acordo com o Samir, uma grande parte da sociedade do Marrocos é a favor da descriminalização da homossexualidade (inclusive, ele conhece vários héteros marroquinos que se dão com gays numa boa). Mas ninguém fala isso em público porque lá o país é dominado por leis inspiradas no Alcorão. E quem se manifesta a favor dos direitos GLBT por lá corre muito mais risco de ser preso do que quem vive como gay não-assumido.

Oggi parleremo un po’ del giornalista marocchino Samir Bergachi.
Lui è nato nel Rif, nel 1987.
I genitori di Samir vivono in Spagna dall’inizio degli anni 90. E lui ha lasciato Marocco e fatto lo stesso nel 2000 (sua nonna l’aveva sollevato in Marocco fino a quel momento).
Nel 2004, Samir si è occupato del Kif Kif, un gruppo di sostegno per gli uomini gay e bisessuali particolarmente di Marocco.
Lui ha inoltre creato una rivista indipendente chiamata Mithly, la prima rivista gay scritta in Arabo.
Non è stato facile distribuire la rivista in Marocco, poiché il primo numero della rivista aveva soltanto 200 copie e ancora si vede l’omosessualità come un reato in Marocco. Ma lui ce la fatto.

Currently, Mithly is being published as an online magazine (it’s the 1st LGBT magazine written in Arabic). You can click on the 1st link above to see it.
After have created this magazine, Samir suffered some threats by phone coming from conservative Moroccans. But it never came.
He says it’s not uncommon meeting same-sex couples who live together in Morocco. But it’s accepted in a very hypocritical way. The police don’t arrest the same-sex couple (homosexuality is still a crime in Morocco) under the condition that they don’t call so much attention. They have to pretend they’re only friends. But people who are openly gay are arrested almost often in Morocco.

Samir dice que uno de los problemas principales encontrados por los homosexuales y bisexuales de Marruecos es que no tienen ejemplos de gays marroquíes que tuvieron buenos resultados después de haber declarado en público que no eran heterosexuales. La única excepción importante en este sentido es Abdellah Taïa. A propósito, uds pueden clicar sobre el segundo enlace arriba para ver un post que lo menciona.
Según Samir, una gran parte de la sociedad de Marruecos está a favor de la despenalización de la homosexualidad allí (y él conoce muchos marroquíes heteros que tienen buenas relaciones con gays). Pero nadie habla de ello en público, porque el país es dominado por leyes inspiradas en el Corán. Y quién se manifiesta a favor de los derechos de los homosexuales corre mucho más riesgo de ser arrestado que los gays que viven de forma oculta.

Até mais!

domingo, 25 de março de 2012

ASSIM FOI UMA GRANDE MANIFESTAÇÃO ANTI-HOMOFOBIA NO VÔLEI

Oi!!!

Hoje a gente vai dar uma olhada no jogador de voleibol brasileiro Michael dos Santos.

Michael Pinto dos Santos nasceu em São Paulo, em 20 de Abril de 1983.
Desde criança, ele sempre se interessou por vôlei.
Em 1999, com 16 anos, o Michael saiu da cidade de Birigui, onde nasceu, pra tentar a sorte na capital do Estado, jogando pelo Banespa.
A partir dali, ele começou a se destacar, ficando conhecido no meio esportivo como Michael dos Santos e ostentando um corpo de 2, 02m de altura.
Em 01 de Abril de 2011, enquanto jogava pelo Vôlei Futuro contra o Sada Cruzeiro Vôlei, em Minas Gerais, ele começou a ser ofendido por toda a torcida rival, sendo chamado de “BICHA!”.
De acordo com o Michael, situações de xingamento por parte da torcida acontecem até com frequência com todos os jogadores, mas é mais por provocação. Só que, no caso desse jogo específico, a torcida toda se virou especificamente contra ele (e não contra o time) se mostrando contra ele pelo fato de ele ser gay.
Ele faz questão de enfatizar que a torcida era composta por pessoas de ambos os sexos (o que ajuda a desmentir aquelas lendas urbanas que algumas feministas tentam espalhar de que SÓ HOMEM é que tem esse tipo de atitude preconceituosa) e de todas as idades.
Na hora, o Michael não tomou nenhuma atitude contra a torcida. Mas, pra resolver o problema de vez sobre a polêmica que foi criada, 4 dias depois ele deu uma entrevista à página on-line do Globo Esporte.
Ele disse que nunca falou antes sobre isso em público simplesmente porque achava que não era da conta de ninguém e não via necessidade de falar. Mas em todos os grupos em que jogou todo mundo sempre soube que ele era gay. E ele nunca teve nenhum problema com os colegas por causa disso.
O Michael decidiu dar essas declarações porque entendeu que não podia ficar calado depois do que aconteceu.
No jogo seguinte, o Vôlei Futuro resolveu se manifestar contra a homofobia. Inclusive, o jogador Mário Júnior jogou vestindo uma camisa de arco-íris com a frase “Vôlei Futuro contra o preconceito”.

Então, acho que esse evento acabou levantando a maior manifestação anti-homofóbica da História do Vôlei Brasileiro.

Hoy vamos a hablar un poco sobre el jugador de voleibol brasileño Michael dos Santos.
Michael Pinto dos Santos nació en São Paulo, el 20 de Abril de 1983.
Desde la infancia, siempre estuvo interesado en el voleibol.
En 1999, cuando tenía 16 años, Michael dejó Birigui, su ciudad natal, y se fue a la capital del Estado, para jugar por el Banespa.
A partir de entonces, empezó a destacarse con su cuerpo de 2, 02 m de altura. Y su nombre fue simplificado a Michael dos Santos.
El 1 de Abril de 2011, cuando jugaba por el Vôlei Futuro contra el Sada Cruzeiro Vôlei, en Minas Gerais, él empezó a ser ofendido por los fans del otro grupo, que lo llamaban “¡BICHA!”. Y eso tendría como resultado una gran manifestación de su grupo en contra de la homofobia.

Secondo Michael, vedere la folla gridando parolacce contro i giocatori è una situazione comune nel pallavolo. Ma questo è solo per provocarli. Però nel 2011, lui ha avuto una situazione in cui la folla ha cominciato a imprecare in particolare contro di lui solo perché lui è gay.
Lui sottolinea che la folla era chiaramente composta da uomini e donne (anche se alcune femministe sostengono che SOLO GLI UOMINI fanno questo tipo di cosa) e di tutte le età.
Quando questo è successo, Michael non ha preso nessuna azione contro la folla. Ma 4 giorni dopo, ha dato un’intervista a la home page del Globo Esporte per risolvere il problema circa la polemica che è stata creata.
Ha detto che è gay e che non tacerà in questo tipo di pregiudizio.

Michael declared he is gay in 2011 after having been cursed by the crowd at a game. He said he had never talked about it before in public simply because he thought it was nobody’s business and he had seen no need to talk about it before. In all volleyball groups in which he worked everybody always knew he was gay and he never had any problems with his colleagues because of it.
Michael decided to make these statements because he understood he could not remain silent after what happened.
In the next game, the Vôlei Futuro Club decided to speak out against homophobia. By the way, player Mario Junior played wearing a rainbow shirt with “Vôlei Futuro contra o preconceito” (“Vôlei Futuro against prejudice”) written on.
So I think that event ended up raising the greatestanti-homophobic manifestation in the History of the Brazilian Volleyball.

Até mais!

sexta-feira, 23 de março de 2012

PRA QUÊ ODIAR OS EVANGÉLICOS?

Oi!!!

O post de hoje vai ficar só em Português porque, até onde eu posso perceber, o tema que ele aborda é mais comum no Brasil atual.
Frequentemente, a gente vê na Internet comentários de evangélicos brasileiros com perguntas do tipo:

“Por que tanta gente odeia os evangélicos?”

“Por que tem muitas pessoas que odeiam os evangélicos?”

“Por que todo mundo odeia os evangélicos?”

E outras frases parecidas.
Bom, tecnicamente, ‘evangélico’ é qualquer pessoa que segue os evangelhos, ou seja, o 2º Testamento da Bíblia. Mas será que todas as pessoas que seguem o 2º Testamento da Bíblia são tão odiadas quanto essas frases sugerem? Vamos ver:
O Cristianismo é uma religião de mentalidade proselitista. Ou seja, um cristão sempre acha que quem não é do grupo dele deve passar a ser.
Só que, ao longo do século XX, essa ideia foi se amenizando na maior parte dos grupos cristãos, embora nunca tenha acabado por completo. Se você conhecer alguém que seja praticante do Catolicismo, do Luteranismo, do Anglicanismo ou do Presbiterianismo, você vai ver que ele vai, em algum momento, convidar você pra ir à igreja dele.
Entretanto, se a sua resposta for negativa, provavelmente essa pessoa não vai ter um ataque histérico por causa da sua negativa nem vai começar a tentar convencer você compulsivamente a mudar de ideia. E geralmente são exatamente essas as atitudes que um pentecostal toma quando você se recusa a ir à igreja dele, né?
Em outras palavras, o proselitismo também existe entre os católicos e entre os protestantes tradicionais. Mas geralmente não é feito de forma tão agressiva, radical e desrespeitosa quanto costuma ser feito pelos pentecostais. Esses outros que eu disse, quando ouvem um “Não.” como resposta a um convite pra ir à igreja deles, quase sempre já começam a ficar na deles e não insistir mais. Mas os pentecostais, quando ouvem um “Não.” como resposta a esse tipo de situação, não aceitam isso de jeito nenhum! Se você não é do grupo deles e demonstra que nem está interessado em passar a ser, eles não admitem que você pense dessa forma! Pra eles, você tem que entrar pra igreja deles e acabou, não importa se você quer ou não quer.
E essa não-aceitação geralmente é manifestada através de um ataque histérico deles. Mas aí varia: tem aqueles que começam a berrar passagens desconexas da Bíblia em cima de você, tem aqueles que saem andando atrás de você mesmo que você não dê a mínima pro que eles estão falando e ficam repetindo passagens desconexas da Bíblia por meia hora seguida...
Por falar em Bíblia, quase todos os pentecostais também acham que você é obrigado a acreditar em TUDO o que está escrito na Bíblia, mas seguindo ao pé da letra: pra eles você é obrigado a acreditar que a Eva foi criada mesmo a partir de uma costela do Adão, você é obrigado a acreditar que os animais que existem hoje são todos descendentes do macho e da fêmea de cada espécie que entraram na arca do Noé naquela lenda do dilúvio e por aí vai. E mesmo que você diga que não acredita em nada disso, mas que respeita quem acredita, eles não aceitam isso: eles acham que você também é OBRIGADO a acreditar e acabou.
E eu já vi aqueles que, quando percebem que não tem jeito, que não vão conseguir converter você à igreja deles nem a obrigar você a ler a Bíblia ao pé da letra, começam a rogar praga:

“Você não quer ir à igreja, né? Pois a sua vida vai ser tão destruída que um dia você vai bater lá na porta da igreja implorando o perdão de Jesus!!! E chorando, ainda por cima!!!”

Eu nunca vi católicos (nem mesmo os católicos mais conservadores) se comportarem dessa forma quando se dirigem a um desconhecido. Assim como nunca vi luteranos se comportarem dessa forma, nunca vi presbiterianos se comportarem dessa forma, nunca vi anglicanos se comportarem dessa forma... Não estou dizendo que não existe nenhuma pessoa dessas outras igrejas que nunca faça isso, mas eu nunca vi (pelo menos no Brasil). E esses, tecnicamente, são todos evangélicos, pois seguem os evangelhos.
Mas quem eu sempre vejo fazendo e falando coisas assim, mesmo quando se dirige a uma pessoa que ele nunca viu antes, é pentecostal.
Aliás, qual seria a diferença entre pentecostal e neo-pentecostal?
Bom, pelas explicações que eu andei observando em sites evangélicos, na prática é a mesma coisa. O que acaba provocando essa diferença de nome é que cada igreja pentecostal, pelo menos na maioria das vezes, se vê como a única instituição religiosa certa no Mundo. Pra eles, qualquer outra expressão religiosa, mesmo que seja outra igreja cristã, está errada.
Então, quando um pentecostal vê um grupo de pessoas de outra igreja pentecostal, a ideia que ele quer passar é mais ou menos a seguinte:

“Eu não sou do grupo deles, porque eu estou certo e eles estão errados!!! Então, eu sou pentecostal e eles são neo-pentecostais (ou vice-versa).”

Ou seja, eles dão um nome pra eles mesmos e outro nome diferente pras pessoas que fazem parte da outra igreja pra não serem confundidos com elas, já que se consideram sempre mais certos do que essas pessoas da outra igreja.
Inclusive, quando um pentecostal faz ‘comercial’ da igreja dele, é comum a gente ouvir ele dizer:

“Vá à igreja tal, no número tal, da rua tal, do bairro tal, porque só lá é que você vai encontrar Jesus.”

Ou seja, pra eles, Jesus é propriedade particular da igreja deles.
Os cristãos das outras igrejas geralmente veem isso como uma mentalidade de soberba e arrogância sem fim. E embora eu não seja cristão, tenho que concordar com eles. Um grupo de humanos se considerando donos de uma divindade é o máximo da prepotência, né?

Aliás, prepotência é uma das coisas que a gente mais vê nas palavras de uma grande parte dos pentecostais. Mesmo quando eles tentam parecer simpáticos, eles falam coisas do tipo:

“Não precisam ter medo de mim. Sou só uma pessoa igual a vocês. E até melhor. Porque eu adoro o único Deus verdadeiro, e vocês, não.”

Mas nem ESSE nível de “simpatia” é muito comum vindo de pentecostais quando encontram alguém que não é do grupo deles. O que a gente ouve mais vindo deles nesses casos é algum tipo de crítica...
Se um pentecostal vê alguém que não é da igreja dele fazendo uma obra em casa e, por algum motivo, a pessoa tem que parar a obra por 1 mês, ele fala:

“Tá vendo? Ele não aceita Jesus, então a vida dele não vai pra frente. Por isso que ele não consegue acabar a obra.”

Já se alguém da igreja dele está fazendo uma obra em casa e tem que parar a obra por 6 meses ou mesmo por 1 ano, ele não fala nada.
Se alguém que não é da igreja dele mata uma pessoa, ele fala:

“Viu? Ele só matou porque não tem Jesus no coração.”

Já se alguém da igreja dele mata uma pessoa, ele não fala nada. Ou então fala alguma coisa do tipo:

“Ele matou porque isso faz parte de um plano de Deus pra nos mostrar alguma coisa.”

Lembram quando teve aquele terremoto na Índia em 1993 que matou milhares e milhares de pessoas? Pois é. Como vocês sabem, a religião dominante na Índia é o Hinduísmo. Então, na época (e até hoje você ainda ouve isso), teve pentecostal que disse:

“Viu? Os indianos adoram aqueles falsos deuses, então agora foram castigados por Deus com esse terremoto. Bem feito!”

E no ano passado teve o tsunami no Japão, né? E como a religião dominante no Japão é o Xintoísmo, no mesmo dia, já apareceu pentecostal falando:

“Viu? Os japoneses adoram aqueles falsos deuses, então agora foram castigados por Deus com esse tsunami. Bem feito!”

Quase todos os pentecostais brasileiros querem criar um mundo em que todos pensem da mesma forma, vejam as situações da mesma forma, se comportem da mesma forma, se vistam da mesma forma... E pregam que quem não se encaixar dentro dessa unificação vai ser castigado pelo deus deles.
Não é preciso ter muita inteligência pra saber que essa unificação é impossível. O Mundo não é assim, nunca foi assim e nunca será assim. Mas inteligência não costuma ser a característica principal de uma grande parte dos pentecostais, né? Não sou eu que estou dizendo. É só você parar pra prestar atenção nas coisas que eles falam (e levando bem ao pé da letra as coisas que eles falam) e nas coisas que eles fazem que você vai chegar à mesma conclusão.
Apesar de que eu fico na dúvida se certas atitudes que eles tomam são falta de inteligência ou se são só hipocrisia mesmo.
Por exemplo, eles saem por aí chamando todo mundo de “irmão”. E se você perguntar a um deles o motivo disso, ele responde:

“Nós somos todos filhos de Deus, então somos todos irmãos.”

Mas, 15 minutos depois, você vê esse mesmo pentecostal afirmando:

“Só quem é filho de Deus é quem morreu pro mundo e renasceu na minha igreja. Os outros todos não são filhos de Deus, são apenas criaturas de Deus.”

Outro exemplo: todo ano alguma igreja pentecostal anuncia em altos brados que o Mundo vai acabar no dia tal do mês tal. Mas, quando chega a tal data anunciada e o Mundo não acaba, eles falam:

“O mundo não acabou na data que Deus disse, mas é porque isso faz parte de um plano de Deus pra nos mostrar alguma coisa.”

Ou então, se limitam a ficar repetindo passagens desconexas da Bíblia, tentando se justificar.
Então, isso seria falta de inteligência ou seria simplesmente hipocrisia?
Bom, depois disso tudo, acho que já ficou claro que, mesmo quando existe ódio na história, esse ódio não é contra TODOS os que são tecnicamente evangélicos, mas só contra os que dão motivo.
Mesmo assim, você diria que essas criaturas merecem ódio da nossa parte?
A meu ver, não. Até porque nem são tão importantes assim a ponto de merecerem ódio. Mas se nota claramente que devem ser tratadas com distanciamento. Criaturas que se deixam guiar por um radicalismo tão grande e por uma visão tão deturpada do Mundo que em menos de 5 minutos já não estão mais falando coisa com coisa devem ser evitadas. Em alguns casos, podem até ser perigosas.
Bom, da minha parte, recebem desprezo e rejeição. Mas não ódio.
Que fique claro que eu não estou desestimulando ninguém que quer ser pentecostal. Quem quiser ser, que seja. Mas se eu souber que alguém é pentecostal, vou evitar contato com essa criatura, porque sei que tenho 99% de chance de encontrar o que eu descrevi acima se eu permitir que ela se aproxime de mim.
Já sei que alguém deve estar com vontade de perguntar:

“Mas você acha que TODOS os evangélicos pentecostais são assim?”

É claro que não. Temos que lembrar que às vezes uma flor consegue nascer numa lata de lixo, né? E se mesmo numa lata de lixo nasce uma flor, no mesmo peso e na mesma medida, às vezes, mesmo numa igreja pentecostal das mais radicais aparece um evangélico que não é proselitista, que não é fanático, que não é grosseiro, que respeita o livre arbítrio alheio, que não ataca a religião dos outros, que não ataca as pessoas que pensam diferente dele, que não ataca as pessoas que seguem um estilo de vida diferente do dele...
Pelo menos no Brasil, não é muito comum ver um pentecostal com as características que eu descrevi no parágrafo acima. Mas que existe, existe.
Bom, fica aí algo pra refletir.

Até mais!

quinta-feira, 22 de março de 2012

HOMENAGEM DO Ultra CECG&B AO DIA MUNDIAL DO SONO

Oi!!!

Em Março é comemorado do Dia do Sono.
Entretanto, quando eu comecei a pesquisar pra fazer esse post, vi uma coisa curiosa: vários sites dão os mais variados dias de Março como sendo o Dia Mundial do Sono. Alguns dizem que é 14 de Março, outros dizem que é 16 de Março, outros dizem que é 18 de Março, outros dizem que é 19 de Março, outros dizem que é 20 de Março, outros dizem que é 21 de Março... Complicado, né?
Mas a data mais tardia que eu encontrei pra essa comemoração é 23 de Março, que é amanhã.
Então, lá vai a homenagem do Ultra CECG&B ao Dia Mundial do Sono:










Happy World Sleep Day!

¡Feliz Día Mundial del Sueño!

Felice Giornata Mondiale del Sonno!

Até!

terça-feira, 20 de março de 2012

LA VEM O DIA MUNDIAL DA POESIA. E...

Oi!!!

Amanhã, 21 de Março, é o Dia Mundial da Poesia.
Pra homenagear a data, vou deixar aqui um poema de autoria do poeta pernambucano Antonino Sales: Malinculia.
Vamos ler o poema e depois eu explico por quê escolhi esse:

Malinculia, patrão,
É um suspiro maguado
Qui nace no coração!
É o grito safucado
Duma sodade iscundida
Qui nos fala do passado
Sem se torná cunhicida!
É aquilo qui se sente
Sem se pudê ispricá!
Qui fala dentro da gente
Mas qui não diz onde istá!
Malinculia é tristeza
Misturada cum paxão,
Vibrando na furtaleza
Das corda do coração!
Malinculia é qui nem
Um caminho bem diserto
Onde não passa ninguém...
Mas nem purisso, bem perto,
Uma voz misteriosa
Relata munto baxinho
Umas história sodosa,
Cheias de amô e carinho!
Seu moço, malinculia
É a luz isbranquiçada
Dos ano qui se passô...
É ternura... é aligria...
É uma frô prefumada
Mudando sempre de cô!
Às vez ela vem na prece
Qui a gente reza sozinho.
Otras vez ela aparece
No canto dum passarinho,
Numa lembrança apagada,
No rumance dum amô,
Numa coisa já passada,
Num sonho qui se afindô!
A tá da malinculia
Não tem casa onde morá...
Ela veve noite e dia
Os coração a rondá!
Não tem corpo, não tem arma,
Não é home nem muié...
E ninguém lhe bate parma
Pru casu de sê quem é!
Ela se isconde num bejo
Qui foi dado há muntos ano...
Malinculia é desejo,
É cinza de disingano,
Malinculia é amô
Pulo tempo sipurtado,
Malinculia é a dô
Qui o home sofre calado
Quando lhe vem à lembrança
Passages da sua vida...
Juras de amô... isperança...
Na mucidade culhida!
É tudo o que pode havê
Guardado num coração!
É uma histora que se lê
Sem forma de ispricação!
Pruquê inda vai nacê
O home, ou mermo a muié,
Capacitado a dizê
Malinculia o qui é!!!

Provavelmente, a 1ª coisa que vocês perceberam nesse poema é que ele não foi escrito seguindo as regras gramaticais tradicionais do Português. Pelo menos metade das palavras desse texto foram escritas nas formas mais populares que elas têm na fala do brasileiro.
Mas antes que alguém diga que nesse texto as palavras foram escritas “erradas”, vamos lembrar que elas não foram escritas erradas. Como eu acabei de explicar acima, elas foram escritas nas suas formas populares, geralmente usadas pelas classes mais pobres da sociedade brasileira (e por isso mesmo mal vistas pela maioria das pessoas).
Bom, escolhi esse poema não só pra homenagear o Dia Mundial da Poesia, mas também pra gente lembrar as variedades linguísticas que o Português tem no Brasil.
Eu fiz posts sobre várias delas em 2009. Pra quem não viu, lá vão os links sobre cada uma dessas variedades:

Assimilação:

http://centrogb.blogspot.com.br/2009/11/assimilacao.html


Eliminação do plural redundante:

http://centrogb.blogspot.com.br/2009/05/eliminacao-do-plural-redundante.html

Monotongação:

http://centrogb.blogspot.com.br/2009/06/monotongacao.html


Rotacismo:

http://centrogb.blogspot.com.br/2009/02/rotacismo.html


E só lembrando: eu já fiz um post bem parecido com esse aqui em Janeiro de 2010, usando a letra da música Cuitelinho. Não viu? Lá vai o link:

http://centrogb.blogspot.com.br/2010/01/cuitelinho.html


Happy World Poetry Day!

¡Feliz Día Mundial de la Poesía!

Felice Giornata Mondiale della Poesia!

Até mais!

sábado, 17 de março de 2012

OCO e ORANIÃ

OCO

Esse é o deus da prosperidade material.

São poucas as informações sobre Oco encontradas nos mitos originais africanos reconhecidos pelo Pierre Verger. Mas geralmente ele é lembrado como um caçador de elefantes que vivia nas proximidades de Oió e foi divinizado depois da morte, passando a ser chamado de “Orixá Oco” (ou “Orixá Ocô”, como alguns preferem).

Na África, ele era louvado principalmente por agricultores e, provavelmente por causa disso, o culto dele não se desenvolveu no Brasil, onde o Candomblé se estabeleceu mais em áreas urbanas do que em áreas rurais.

O culto de Oco tem como objetivo principal os pedidos de dinheiro, jóias ou qualquer outro bem material. E por isso, os melhores momentos pra realizar esse culto são o período de lua-crescente e o 1º dia de Primavera (quando as energias de desenvolvimento estão fluindo com mais força na Natureza).

A melhor oferenda pra ele são as galinhas d’angola, que devem ser soltas numa floresta. Assim, se você pretende realizar esse culto, é mais indicado pedir que outra pessoa vá junto pra ajudar, pois as galinhas d’angola não podem ser feridas nem mortas.

Leve pelo menos 3 dessas aves até uma floresta e, cada vez que soltar uma delas, peça a Oco pelo bem material que você quer conseguir. E não toque mais nas galinhas d’angola depois que soltar: deixe elas andarem ou voarem pro lado que quiserem.

Oko is the god of material prosperity.

There is little information about him found in the Africans original myths recognized by Pierre Verger. But generally Oko is mentioned as an elephant hunter who lived near Oyo and was deified after death.

In Africa he was worshipped mostly by farmers. And probably because of that his worship hasn’t developed so much in Brazil, where Candomble has settled most in urban areas.

The main objective of Oko’s worship is asking for money, jewelry or any other material possession. And so the best time to worship him are the crescent-moon period and the 1st day of Spring (when the energies of development are flowing more strongly in Nature).

The best offerings for him are helmeted guineafowls. You have to set them free in a forest and they may not be killed or hurt. So if you intend to do that, it’ll be better having somebody with you to help you.

Take at least 3 of these birds to a forest. And every time you release one of them, ask Oko for the material possession you want to acquire. And don’t touch the helmeted guineafowls after releasing them: let them walk or fly to where they want.

Oko es el dios de la prosperidad material.

Hay poca información acerca de él en los mitos africanos originales reconocidos por Pierre Verger. Pero, en general Oko es mencionado como un cazador de elefantes que vivía cerca de Oyo y fue deificado después de su muerte.

En África eran los agricultores que se le rendían culto en la mayoría de las veces. Y probablemente debido a eso, su culto no se ha desarrollado tanto en Brasil, donde el Candomblé se ha asentado especialmente en zonas urbanas.

El objetivo principal de la adoración a Oko es pedir dinero, joyas o cualquier otra posesión material. Y así, el mejor momento para rendirle culto son el período de luna creciente y el primer día de la Primavera (cuando las energías de desarrollo están fluyendo con más fuerza en la Naturaleza).

Las mejores ofertas para él son las pintadas. Hay que ponerlas en libertad en una floresta, recordando que no se puede matarlas o herirlas. Así, si tienes la intención de hacer eso, será mejor tener a alguien contigo para ayudarte.

Hay que llevar por lo menos 3 de esas aves a una floresta. Y cada vez que sueltas una de ellas, pida a Oko por la posesión material que deseas adquirir. Y no toques las pintadas después de liberarlas: tienes que dejarlas caminar o volar a donde quieran.

Oko è il dio della prosperità materiale.

Ci sono poche informazioni su di lui trovate nei miti africani originali riconosciuti da Pierre Verger. Ma in generale si vede Oko come un cacciatore di elefanti che viveva vicino a Oyo ed è stato divinizzato dopo la sua morte.

In Africa era venerato soprattutto dai agricoltori. E probabilmente a causa di questo il suo culto non si è sviluppato tanto in Brasile, dove il Candomblé si è stabilito quasi sempre nelle aree urbane.

L’obiettivo principale del culto di Oko è chiedere soldi, gioielli o qualsiasi altro possesso materiale. E così, i migliori momenti per adorarlo sono il periodo di luna crescente e il primo giorno della Primavera (quando le energie di sviluppo scorrono più forte nella Natura).

Le migliori offerte per lui sono le faraone. C’è bisogno di lasciarle liberi in una foresta. E non dimenticare che non possono essere uccise o ferite. Quindi, se hai l’intenzione di farlo, sarà meglio avere qualcuno con te per aiutarti.

Hai bisogno di prendere almeno 3 di questi uccelli in una foresta. E ogni volta che rilasci uno di loro, devi chiedere a Oko per il possesso materiale che desideri acquisire. E non puoi toccare le faraone dopo il suo rilascio: devi lasciarli camminare o volare dove vogliono.


ORANIÃ

Esse deus é lembrado principalmente como uma divindade ancestral: ele é sempre mencionado como um dos primeiros reis de Oió ou mesmo como o fundador de Oió.

De qualquer forma, todas as tradições concordam que Oraniã governou Oió antes de Xangô.

Alguns mitos chegam mesmo a afirmar que Oraniã nasceu no início do Mundo.

Geralmente, ele é retratado com a pele toda clara de um lado do corpo e toda escura do outro, representando o fato de ter 2 pais biológicos: de acordo com um dos mitos, uma mulher humana transou na mesma época com 2 deuses (primeiro com Ogum, depois com Odudua), ficando grávida de um filho que foi gerado pelos 2 ao mesmo tempo, ou seja, Oraniã.

Ele deve ser visto basicamente como um deus associado ao passado. Assim, deve ser invocado por quem está buscando as raízes mais ancestrais do Candomblé.

A melhor oferenda pra Oraniã é a terra, que deve ser jogada no Mar.

O melhor momento pra invocar ele é o período de lua-cheia, quando a conexão entre os seres humanos e os seres divinos atinge o seu ponto extremo (a pessoa vai precisar de muita orientação divina pra ter acesso às informações que esse deus concede sobre um passado distante e conseguir entender isso com clareza).

Oranyan is seen before anything as an ancestral deity: he is always mentioned as one of the 1st kings of Oyo or even as the founder of Oyo.

Anyway, according to all traditions he ruled Oyo before Shango.

Some myths even state that Oranyan was born in the beginning of the ages.

His body is usually portrayed half dark-skinned, half light-skinned. And it would be because he has 2 fathers: according to one of the myths, a human woman had sex to 2 gods (Ogoun and Oduduwa) at the same season and later gave birth to Oranyan, who had been fathered by both.

He is primarily a god connected to the past. Thus, he is to be invoked by those who are seeking the most ancestral roots of Candomble.

The best offering for Oranyan is land. And it has to be thrown into the Sea.

The best moment to worship him is the full-moon period, when the connection between humans and divine beings reaches its extreme level (you’ll need a lot of divine guidance to understand the information this god gives about the past).

Oranmiyan es considerado antes que todo una divinidad ancestral: es siempre visto como uno de los primeros reyes de Oyo o hasta mismo como el fundador de Oyo.

De todos modos, de acuerdo con todas las tradiciones, él gobernó Oyo antes de Changó.

Algunos mitos dicen hasta mismo que Oranmiyan nació en el comienzo de los tiempos.

Su cuerpo generalmente es retratado con mitad de la piel oscura y la otra mitad clara. Y eso sería porque él tiene 2 padres: según un mito, una mujer humana tuvo relaciones con 2 dioses (Oggun y después Odudúa) en la misma época y los 2 juntos le dieron Oranmiyan como hijo.

El es antes que todo un dios conectado con el pasado. Por lo tanto, él debe ser invocado por aquellos que están buscando las raíces más ancestrales del Candomblé.

La mejor oferta para Oranmiyan es la tierra, que tiene que ser lanzada al Mar.

El mejor momento para rendirle culto es el período de luna llena, cuando la conexión entre los seres humanos y los seres divinos alcanza su nivel extremo (uno necesitará una gran cantidad de guía divina para entender las informaciones que este dios le da sobre el pasado).

Si vede Oranian prima di tutto come una divinità ancestrale: sempre lo citano come uno dei primi re di Oyo o anche come il fondatore di Oyo.

In ogni caso, secondo tutte le tradizioni, lui ha governato Oyo prima di Shango.

Alcuni miti anche raccontano che Oranian è nato all’inizio del Mondo.

Il suo corpo è di solito raffigurato con metà della pelle scura e l’altra metà chiara. Questo sarebbe perché lui ha 2 padri: secondo uno dei miti, una donna umana ha avuto rapporti sessuali con 2 dei (Ogun e dopo Odudua) alla stessa epoca e Oranian è nato come un figlio suo con questi 2 dei.

Lui è principalmente un dio collegato al passato. Pertanto, deve esser invocato dalle persone che sono alla ricerca delle radici più ancestrali del Candomblé.

La migliore offerta per Oranian è la terra, che deve essere gettata in Mare.

Il momento migliore per adorarlo è il periodo di luna piena, quando la connessione tra gli umani e gli esseri divini raggiunge il suo livello estremo (uno avrà bisogno di un sacco di guida divina per comprendere le informazioni che questo dio dà sul passato).