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sexta-feira, 6 de maio de 2011

APARTA_MENTE

é como se eu acarinhasse essas paredes de silêncio
ao lavar as louças brancas acumuladas

como se me espalhasse em tuas formas novas
e nesse habituar mútuo
tu tivesses vida
eu tivesse paz

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

terça-feira, 21 de setembro de 2010

MEUS 7 ANOS

a névoa de minhas memórias é morna
uma antiga casa carcomida
uma bola colorida maior que o mundo
uma árvore escura que gemia
passarinhos levando janelas abertas
calhas felicitando a chuva
rede balançando a varanda, confundindo mosquitos
grilos fazendo armários brancos cantarem
primos, amigos, avós, amores-plumas
(dores nenhumas)

(Fabio Rocha)

domingo, 8 de agosto de 2010

REVIVENDO O BOM

meu lugar favorito é dentro de casa
acolhido dentro da cozinha

som da comida no fogo
espalhando o cheiro dos temperos
o calor dos nós

lembranças de avós
e tempos sem desesperos

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

PERCEPSISMO

é preciso restaurar minha fé no outro
e em mim
mesmo assim - casa sem meias-portas
que nunca deixei de fechar fora do lírico

acredito
que o que eu faço lesmo e importa
é pela palavra - janela torta
fogão de dentro
esquentando um mundo melhor
e mais bonito assim

(mas e as pessoas próximas
que tranquei - de uma hora pra outra
lá fora de mim?)

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

DE ONDE VIM

faz frio

onde a casa
nunca foi
cabe agora
nada

as paredes bejes
decoradas
(tudo pronto
para quem
nunca vem)

eu
apesar de tudo
eu
intruso desde
sempre
fardo

esses armários militares
tão
nada
meus

esse silêncio
esses meus livros de poemas
por ler

esse não falado
exceto das aparências e superficies
bejes que nos cercam
prendem ao nos soltar
e ainda fingimos de lar

(Fabio Rocha)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

AMON HÁ FICTÍCIO

palavras escarpadas
dentifrício de céu
falésias e falências
desabando em câmera lenta
bonitas

elas

bonitas musicais inteligentes criativas novas
lavrar noites em silêncio e solidão acompanhada
colher dias de amor
algodão-doce
tudo claro
tudo causticamente claro e infantil

eras

seguir só sem se curvar ao vento
alimento
de lembranças

o edifício
o difícil fechar de todas as janelas e portas
em si mesmo
quando do cansativo alcançar o sol
inalcançável

(Fabio Rocha)

A MORTE, O FIM, A DESPEDIDA, A TRANSITORIEDADE E O MEDO NO INCONSCIENTE DO EU LÍRICO DORMENTE (UMA PSICO-ANÁLISE VIA POESIA)

A festa acabou
na casa antiga
e enorme.

É tarde.

Pessoas demais.

Não quero ler mais nada.

Apago as luzes acesas
tranco as portas escancaradas
que é noite ainda
madrugada.

Noite.

Vozes me acompanham
e um cão em ossos negros
morto
anda comigo.

No quarto antigo
e meu
uma paixão mal acabada fala mal de mim
a amada
deitada nos braços de outro cara
feio asqueroso filha da puta burro
e deixo minha cama bem grande e minha
para transarem em cima pela noite adentro
sem dizer nada
sem dizer
nada...

Enquanto isso
uma por vir
e outra iniciada.

Mudam os nomes
e datas
(às vezes, nem isso).

Pessoas demais.

Desço as escadas
trancando a apagando
e nunca parece bastar.

Pessoas demais.

Amando?
Amando quem, caralho?
A mando de quem, amar?

Quero uma só.

Quero uma só?

Quero uma só
que não me seja faca
só lâmina
no final...

Mas sem ser fraca
não perca o brilho
do metal.

Uma
só.

As vozes de fora
me falam de alguém me chamando
perto da máquina de lavar.

É minha irmã bem casada
no chão, sem queixo, machucada
tentando se proteger do cachorro sem plumas
maldito manco morto deformado e negro.

Alguém chama
uma ambulância?

Pessoas?

Vozes de fora?

Alguém?

Do cão
do fim
eu te protejo.

(Fabio Rocha)

domingo, 24 de janeiro de 2010

DESPEDIDA DA ZONA NORTE

levo as lembranças melhores:
as mulheres tantas
tão distintas
distintamente me amando
distintamente sendo amadas
tão minhas ali
só minhas ali
no apartamento pequenino
de paredes brancas
de que me despeço
(mas que mora em mim)

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

PERCURSO

Quando há noite
e me deito
e me cubro
com o pó preto
oriundo dos pneus
que a linha amarela lixa
constantemente
com seus carros passando sempre
sempre em alta velocidade
decididos a chegarem sempre
sem nunca chegar
(tiros ao longe)
meus olhos arranham aranhas
mas mesmo assim no entanto no quarto
durmo branco
até a serra
do vizinho em obras eternas.

(Fabio Rocha)

terça-feira, 19 de maio de 2009

MANHÃ NO AP

Zeus
te proteja
da solidão inescapável intransponível iniludível
que o cachorro ao lado late
e o seu silêncio bate
na grade gris do tempo.

(Fabio Rocha)

domingo, 19 de abril de 2009

ACASO

No caminho onde não chego
volto logo
mas volto para onde
pra que casa
quero voltar
logo
se não há casa?

Itabira já não há
além do retrato...

E a casa
muito engraçada
que perdido busco
não existe.

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 6 de março de 2009

RETORNO

No silêncio da casa
me caso.

O vaso de planta
da infância.

O raso da água
escorrendo.

(Fabio Rocha)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

CASAS VAZIAS

é na véspera
das partidas
que me acho inteiro

(Fabio Rocha)


Série de fotos no Parque Lage, Rio de Janeiro, RJ.

domingo, 30 de dezembro de 2007

CADENTE

Amodeio cada parte e instante
que se parte num todo
confuso extremo explodo
e eu mesmo me culpo
e se acalma
calma
calma
num mínimo olhar
ou gesto
de cumplicidade:
chego à casa
que nunca tive.

(Fabio Rocha)



(foto de Higienópolis, Rio de Janeiro, RJ)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O CÉU NO FUNDO

Me dão tristeza
uma melancolia danada
as casas em ruínas
de paredes descascadas.

Mas é uma tristeza tão boa
uma saudade engraçada
de onde nunca estive...

(Fabio Rocha)

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

sábado, 11 de novembro de 2006

O DE SEMPRE

Sê bem-vindo
ao frio castelo
que te diminui.

Entra
com a tua própria
chave...

Senta no sofá
branco como o nunca
silencioso como o nada
e aguarda
o se arrepender
com o pescoço tenso...

(Um dia
esse dia
vai acabar).

(Fabio Rocha)