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sábado, 6 de outubro de 2012

minha vida é insônia e um ônibus engarrafado

uso óculos escuros
na noite alta

estrelas

pianos

mortos me assustam vivos

respiração descompassada
entre os passos do passado
e os furos do futuro

toco a realidade
através de um véu amarelo
de racionalidade:

não sinto nada
além de falta

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

chora não... segue em paz

sorrio você quando como um chocooky
às 4 da manhã
e saio pro trabalho por outro caminho...

sorrio de mim
quando vejo o sentido da vida
na calça jeans da menina adiante

é preciso sorrir pras alvoradas de Cartola, meu amor...
a dor passará
leve, breve
passarinhos, passaremos...

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

ARQUI (INIMIGO E TETO)

a poesia ainda brinca em mim
e por mais que eu me perca-me em versos diversos
a poesia aquieta e ri:
existe
resiste
voltará!

(Fabio Rocha)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

VONTADE (REENCONTRO COM O DRAGÃO)

debaixo das crostas
de aparente calma
no fundo de tudo
rosna vermelho

(Fabio Rocha)

terça-feira, 12 de julho de 2011

TENDÊNCIAS E TENDÕES


não se pode mudar
sua própria essência...

uma vida de maremotos
e quando acho um porto
absorvo o absurdo:
mudo

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

domingo, 22 de maio de 2011

MAS

me pego preso de quando em vez
na invencível condição humana
na exaustão da repetição fútil
do que não é nem pode ser
mais

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

CAPTURA


teço a palavra teia
a tarde toda uma estréia, uma estrela
para lentamente prendê-la

(Fabio Rocha)


quarta-feira, 20 de abril de 2011

GALOPE NÚMERO 910

quando a vida empaca
o poema se solta

cavalo de sol

clave cruzando mares congelados
de palavras não ditas
e beijos não dados

voa e varre
derretendo sal e pele
sul e norte
vida e morte
na mais bela harmonia

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

APITAM

faço experiências sociológicas
com as legiões ilógicas
que me habitam

(Fabio Rocha)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

ME RELENDO: NÃO TEM JEITO

é como se minha poesia desse voltas sem dizer nada
ou falasse do tempo
até uma mulher inteira
acelerar inteiramente meu plexo

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A JATO

no Rio de Janeiro
o melhor é "talvez não"
em Minas, sim
e quando estico a mão
em direção a um quem sabe
encontro ela sorrindo
vindo na mesma direção

no Rio tenho gripe
poluição e cansaço
em Minas sou de aço

no Rio há complicação
fase errada
muito cedo, muito tarde
nulidades em_baladas
perfeições já namoradas
Jesus Cristo e as leis de Deus...

em Minas
atentamente
ela me lê a alma
no presente

no Rio nem rio além:
na plenitude de quases
sempre tem um porém

no Rio tem Santos Dumont
em Minas sou melhor que Drummond:
- Vou voando para Minas, lá sou amigo do rei!

(Fabio Rocha)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

DA MUDANÇA CONSTANTE

você ainda não se acostumou?

respiras, apenas...

igual ao universo
porém menos lento:

expansão,
silêncio breve,
recolhimento.

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

EXCESSO

trago palavras nas órbitas:
sinto muito mas
sinto muito

(Fabio Rocha)

ROCHA

a pedra seca no plexo
pinga
sangue no chão
do deserto

luta:
uma vítima
na vitória íntima

então
a pedra maior se erguendo em ruído
do trêmulo chão de areia
sob meus pés

me erguendo em som
com a força inconfundível
da voz de Deus
me chamando de filho
pelo escrever da mão

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

PÉS FORA DO CHÃO DO ESCRITÓRION

ofiscalizo-me infrutiferamente em papel ofício
ofusca-me a busca de algo fora do escritórion
oficialmente afasto-me do que não me faço em letra
naturalmente - em espaço dois - Times New Roman
ofereço a face com força pra fácil patada que nunca vem
(acaba que trabalho bem - grampeio e carimbo e sorrio um pouco)
mas resisto em palavrar alto e confundo ofuscar com fusca
(em cada fruto meu um farto não estar ali, digitando papéis em planilhas ou vice-versa)
vou sem verso enquanto confundo fiscais de terno com a ternura de ficar

(Fabio Rocha)