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Soneto 117

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Soneto 117

Accuse me thus: that I have scanted all
Wherein I should your great deserts repay,
Forgot upon your dearest love to call,
Whereto all bonds do tie me day by day;
That I have frequent been with unknown minds,
And given to time your own dear-purchased right;
That I have hoisted sail to all the winds
Which should transport me farthest from your sight.
Book both my willfulness and errors down,
And on just proof surmise accumulate;
Bring me within the level of your frown,
But shoot not at me in your wakened hate,
Since my appeal says I did strive to prove
The constancy and virtue of your love.[1]

–William Shakespeare

Soneto 117 é um dos 154 Sonetos de Shakespeare, pertencente à série da Dama Negra.

Estrutura

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Como os outros poemas dessa série, ele apresenta a estrutura de soneto inglês,[2] com versos decassílabos com ritmo de pentâmetro iâmbico.[nota 1]

Neste primeiro de um grupo de quatro sonetos de autoacusação e tentativas de explicação, o poeta lista as acusações que podem ser feitas contra ele e, em seguida, afirma que estava apenas testando o amor da amada.[1] O poeta se defende das acusações de ingratidão e infidelidade dizendo que estava apenas testando (ou provando) a constância dessas mesmas qualidades em seu amigo.

Traduções

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Disto podes me acusar; que me neguei
A pagar mais uma vez por teus abandonos,
Esquecido de ver o teu amor,
Aonde os laços me prendem a cada dia;
Que tenho estado com as mentes mais impuras,
E cedido ao tempo teu direito adquirido;
Que icei velas a todos os ventos
Que me roubaram de teus olhos.
Marca todas as minhas vontades e erros,
E, com essas provas, acumula conjecturas,
Impõe-me o teu juízo,
Mas não me ataques com teu ódio:
Pois meu apelo revela que tudo fiz para provar
A constância e a virtude do teu amor.

Assim, me acuse; um não me persuade,
A fim de repagar o que valia;
Esqueceu-me chamar sua amizade
Parfa os elos ligar no dia a dia.

Forasteiros ouvi, de ouvido atento,
Ao tempo dei direitos de conquista;
Quando hasteei as velas para o vento
Que podia levar-me à sua vista.

Despache a teimosia e meus enganos
Acumulados em supostas provas,
Traga-me seu dossiê de desenganos,
Mas não me atire as suas raivas novas:

Quando o meu senso diz, me esforço e aprovo
Com seu brio e virtude, o amor renovo.

Acusas-me ter negligenciado
e deveria ter retribuído,
o teu mais caro amor não ser chamado
e a ele nada eu me haver prendido,

estar com meu pensar desconhecido
e dar ao tempo o que foi conquistado,
ao ter içado velas e ter ido
a um mais distante porto, ao ser levado.

Acusas meus enganos, teimosia,
e as acumulas por suposições,
trazendo tudo ao par da rebeldia;
em mim não jogues ódio em tais ações.

O meu apelo diz que me esforcei
para provar virtudes no que amei.

Tradução de José Arantes Júnior[nota 5]

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A teimosia e a prova

Acusa-me de que andei a negligenciar
Sem retribuir à tua augusta sintonia,
Esqueço teu emotivo amor a me chamar
Pois acordos me prendem no dia a dia;

Que convivi com muitos desconhecidos
Dando ao tempo um poder de aquisição,
Que icei velas aos ventos conhecidos
Para me distanciar de tua bela visão;

Registra meus erros e minha teimosia
E acumula as provas de tua suposição,
Venha com o esboço de tua fisionomia
Contudo não ponha ódio em tua feição;

Desde que tentei provar o real valor
Vi o alcance e a virtude de teu amor.

Notas

  1. ↑ Há 3 exceções na série:
  2. ↑ Utilizando a forma de quatorzain monostrófico, a tradução procura a literalidade, sem se ater a métrica, ritmo nem rima.[3]
  3. ↑ Soneto inglês com esquema rímico característico em versos decassílabos heróicos, com predominância de pentâmetro iâmbico.[4]
  4. ↑ Soneto inglês com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico, ritmo holístico, rimas em ABAB CDCD EFEF GG.[5]
  5. ↑ Soneto inglês, com seu esquema rímico, usando formato simétrico (com fonte monoespaçada), e lhe acrescentando título.[6]

Referências

  1. 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 117». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 21 de abril de 2026
  2. ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
  3. ↑ «Soneto 117». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 21 de abril de 2026
  4. ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
  5. ↑ «Soneto 117 de William Shakespeare». Consultado em 21 de abril de 2026
  6. ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.