Soneto 72
| Soneto 72 |
|---|
O, lest the world should task you to recite |
| –William Shakespeare |
Soneto 72 é um soneto integrante dos 154 sonetos de William Shakespeare, da série ao Belo Rapaz, cuja identidade continua desconhecida.[3]
Estrutura
[editar | editar código]Forma: Soneto inglês[4]
Rimas: ABAB CDCD EFEF GG
Métrica: Versos decassílabos
Ritmo: Pentâmetro iâmbico
Sinopse
[editar | editar código]Este soneto dá continuidade ao tema do Soneto 71, de que o jovem não deve buscar perpetuar a memória de sua amada, ou o próprio amor, pois o mundo apenas se aproveitará disso como motivo de zombaria, e o próprio autor declara ser indigno de tal memorial ou de uma lembrança tão amorosa. Muito melhor seria que ele fosse enterrado e seu nome enterrado com ele. Dessa forma, o jovem escaparia da vergonha e da mácula de se associar a um personagem tão desprezível.[2]
O poema contradiz sua própria mensagem, mas essa contradição não enfraquece seu impacto, pois a reafirmação da abnegação do amor parece fazer com que esse amor sobreviva à sua própria aniquilação. Embora haja um temor subjacente de que o jovem não seja sincero ou fiel (antes ou depois da morte), a verdade que prevalece é mais forte: omnia vincit amor, o amor tudo vence.[2]
Como continuação do , este soneto explica que a amada só pode defender seu amor pelo poeta falando falsamente, dando-lhe mais crédito do que ele merece. A amada é, ao contrário, instada a esquecer o poeta após sua morte.[1]
Traduções
[editar | editar código]Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
[editar | editar código]Um quatorzain monostrófico, sem obedecer a métrica, ritmo ou rima:
Ó, a menos que o mundo te obrigue a dizer
Que méritos tanto amavas em mim
Após a minha morte, amor, esquece-me;
Pois nada podes provar sobre o meu valor,
A menos que inventes uma grande mentira
Para fazer por mim mais do que eu mesmo,
E imputar mais elogios depois que eu morrer
Do que a dura verdade poderia me conceder.
Ó, a menos que teu amor agora seja falso,
Que tu, por amor, mintas para falar bem de mim,
Meu nome seja enterrado com meu corpo,
E deixe de viver para não vexar a mim nem a ti;
Pois me envergonho de tudo que faço;
E tu, também, por amar o que não tem valor.[5]
Tradução de Paulo Camelo
[editar | editar código]Soneto inglês com rimas ABAB CDCD EFEF GG, versos decassílabos em pentâmetro iâmbico obedecendo a um ritmo holístico:
Que o mundo não te obrigue a recitar
o que escrevi de mim, do meu amor.
Após a morte, joga tudo ao ar:
não provarás em mim nenhum valor.
Talvez outra mentira virtuosa
aumente o meu valor, pois não mereço
o teus louvores mais em verso e prosa;
essa verdade injusta não tem preço.
O teu amor tão puro não pareça
essas mentiras ditas em meu nome;
e eu, sepultado, já não te ofereça
o que te envergonhar, se te consome.
Eu me envergonho do que faço a ti,
se dás valor a mim, que já morri.[6]
Tradução de Milton Lins
[editar | editar código]Soneto inglês com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, construído em decassílabos heroicos, mantendo o pentâmetro iâmbico[nota 1]
Por que o mundo não quer que me reveles
Qual valor eu possuo que a ti agrada
Depois da minha morte não me veles,
Em mim não há virtude comprovada;
A menos que repouses nas mentiras
De me fazer gabar mais que mereço,
Louvor após a morte me confiras,
Que falseies a verdade a qualquer preço;
Não tornes falso o amor que é verdadeiro,
Pois tu, por teu amor, não tens verdade,
Meu nome enterrará meu corpo inteiro,
Em nós toda a vergonha é realidade.
Tenho vergonha até de me dispor
A amar contigo as coisas sem valor.[7]
Notas
- ↑ Os versos 1, 2 e 8, decassílabos heroicos, não se apresentam como pentâmetro iâmbico.
Referências
- 1 2 «Shakespeare's Sonnets». Sonnet 72. Folger Shakespeare Library (em inglês). Consultado em 23 de março de 2026
- 1 2 3 «Sonnet 72». Shakespeare'sSonnets. Consultado em 23 de março de 2026
- ↑ «Sonnet 72». Shake-Speare's Sonnets (em inglês). Consultado em 23 de março de 2026
- ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960
- ↑ «Soneto 72». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 23 de março de 2026
- ↑ «Soneto 72». Consultado em 23 de março de 2026
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5