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Soneto 124

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Soneto 124

If my dear love were but the child of state,
It might for fortune’s bastard be unfathered,
As subject to time’s love or to time’s hate,
Weeds among weeds, or flowers with flowers gathered.
No, it was builded far from accident;
It suffers not in smiling pomp, nor falls
Under the blow of thrallèd discontent,
Whereto th’ inviting time our fashion calls.
It fears not policy, that heretic
Which works on leases of short-numbered hours,
But all alone stands hugely politic,
That it nor grows with heat nor drowns with showers.
 To this I witness call the fools of time,
 Which die for goodness who have lived for crime.[1]

–William Shakespeare

Soneto 124 é um soneto pertencente aos 154 sonetos de William Shakespeare, o antepenúltimo da série de sonetos ao Belo Jovem.[nota 1]

Estrutura

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O Soneto 124, como a maioria dos 154 poemas da série escrita pelo bardo inglês, tem a forma de um soneto inglês[nota 2][2] e, como tal, é composto por 3 quartetos e 1 dístico. A métrica usada é o verso decassílabo com ritmo de pentâmetro iâmbico.[nota 3] Seu esquema rímico é ABAB CDCD EFEF GG.

Neste soneto o poeta declara a permanência e a sabedoria do seu amor.[1] Ele observa a transição pessoal do poeta sobre sua interpretação do amor. O orador não está mais se referindo à "Juventude Justa" quando pronuncia a palavra "amor". Em vez disso, o poeta chegou a perceber sua própria miopia em sua obsessão com o materialismo da juventude. O materialismo da juventude demonstra a grande questão em questão para este soneto, o estado político e humano.[3]

Traduções

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Se meu caro amor fosse um filho natural,
Poderia, bastardo da Fortuna, não ter um pai,
Sujeito ao amor ou o ódio do Tempo,
Arrebanhado entre as flores ou ervas.
Não, ele foi concebido longe do acaso;
Não sofre com as alegres pompas, nem cai
Sob o golpe de servos descontentes,
Em que o tempo certo clama para si.
Não teme a política, esse herético,
Que trabalha à custa de meios expedientes,
Mas por si só permanece altamente político,
Sem crescer no calor, nem minguar com a chuva.
A isso, como testemunha, clamo os tolos do Tempo,
Que morrem pela bondade, quando vivem pelo crime.

Se ele fosse somente um homem bem cuidado,
Dos filhos da Fortuna um filho sem tutores,
Preso ao Tempo do amor, no Tempo detestado,
Um joio em meio ao joio, ou flor entre mais flores,

Seria edificado além dos acidentes;
A pompa não maldiz nem ri após a queda,
Ante o revés sem fim de escravos descontentes,
Lá onde o tempo vai, onde a moda se queda.

Não receia também a herética política,
Que opera em curto horário e espera o rotineiro,
Mas resta tão-somente a mais grandiosa crítica,
Nem cresce com calor, nem sai sob aguaceiro.

Por isso eu testemunho: o tempo louco exprime
Que morre por ser bom, quem vive para o crime.

Se fosse filho apenas do Estado,
o meu amor teria uma riqueza
afeita a amor e ódio declarado
entre daninhas ervas a flor presa.

Entanto não chegou por mera sorte
e, em sorridente pompa, não passeia
em descontentamento, sempre forte,
e o tempo, desejado, ali campeia.

Os maus contratos do poder não teme
e não trabalha se lhe cobram hora;
está sozinho e pega o próprio leme
e, quando há tempo ruim, não se apavora.

Então conclamo, se é do tempo escravo:
é só bondade e crime o seu agravo.

O ódio e o amor

Se meu amor tivesse o traço infantil
Não teria a paternidade identificada,
E o tempo de ódio e amor seria sutil:
Erva em erva ou flor em flor ligadas;

Não, ele foi elaborado sem acidentes
Sem quedas e sem pompas superficiais,
Sem o lamento de servos descontentes
Para onde o tempo convida com sinais;

Ele não teme a astúcia que, herética,
Trabalha em curtos períodos de tempo,
Mas, edifica-se amplamente com ética,
Não cresce e nem perece com fermento;

Testemunham os loucos da posteridade
Viver em crime e morrer pela bondade.

Notas

  1. ↑ Os sonetos ao Belo Jovem vão do Soneto 1 ao Soneto 126 da série.
  2. ↑ Dois poemas da série não são estruturalmente um soneto inglês:
    *Soneto 99 - possui 15 versos em monóstrofe que, pela análise de suas rimas, tem 1 quinteto, 2 quartetos e 1 dístico.
    *Soneto 126 possui apenas 12 versos, formando 6 dísticos, e lhes são acrescidos 2 versos brancos, apenas com espaço nulo entre dois parênteses ( ).
  3. ↑ Uma exceção a essa métrica e a esse ritmo é o Soneto 145, construído todo com versos octossílabos em tetrâmetro iâmbico.
  4. ↑ Para construir sua tradução, a poetisa usou a forma de quatorzain monostrófico, sem rigor métrico nem rítmico e sem esquema rímico.[4]
  5. ↑ Soneto inglês em dodecassílabos alexandrinos. Rimas ABAB CDCD EFEF GG.[5]
  6. ↑ Soneto inglês construído todo em decassílabos por pentâmetro iâmbico, mantendo o ritmo holístico em seu todo. Rimas ABAB CDCD EFEF GG.[6]
  7. ↑ Tradução feita no formato de soneto inglês e esquema rímico apropriado, mas trocado o aspecto métrica/ritmo por espaço/simetria, usando fonte monoespaçada.[7]

Referências

  1. 1 2 «Sonnet 124». Folger Shakespeare Library (em inglês). Consultado em 24 de abril de 2026
  2. ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
  3. ↑ Sonnet 124
  4. ↑ «Soneto 124». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 24 de abril de 2026
  5. ↑ Shakespeare, William. Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: Ed. do Tradutor (impressão FacForm), 2005, ISBN 978-85-98896-04-5
  6. ↑ «Soneto 124 de William Shakespeare». Consultado em 24 de abril de 2026
  7. ↑ José Arantes Júnior. «Soneto 115» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 17 de abril de 2026