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Soneto 139

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Soneto 139

O! call not me to justify the wrong
That thy unkindness lays upon my heart;
Wound me not with thine eye, but with thy tongue:
Use power with power, and slay me not by art,

Tell me thou lov'st elsewhere; but in my sight,
Dear heart, forbear to glance thine eye aside:
What need'st thou wound with cunning, when thy might
Is more than my o'erpressed defence can bide?

Let me excuse thee: ah! my love well knows
Her pretty looks have been mine enemies;
And therefore from my face she turns my foes,
That they elsewhere might dart their injuries:

Yet do not so; but since I am near slain,
Kill me outright with looks, and rid my pain.[1][2][3]

–William Shakespeare

Soneto 139 é um dos 154 Sonetos de William Shakespeare, um dos que fazem a sequência para a Dama Negra (Dark Lady), que vai do Soneto 127 ao Soneto 154.

Estrutura

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Como a maioria dos sonetos de Shakespeare, este tem a estrutura de um soneto inglês[nota 1] com versos decassílabos em ritmo de pentâmetro iâmbico[nota 2], com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG.

No Soneto 139, Shakespeare abandona o tom irreverente e sexualmente carregado de alguns dos sonetos anteriores sobre a Dama Negra. O clima é de dor e tristeza, enquanto o poeta implora à mulher que seja mais gentil com ele.[1]

Então, após se recusar a justificar os erros da senhora, implora que ela não flerte com outros em sua presença, justificando esse erro para pedir que ela fixe um olhar mortal nele.[3]

Esse senso de hipocrisia frustrado é aí visto, onde o falante justifica e denuncia a indelicadeza da Dama Negra e trata de seus olhos e coração, seguindo o tema até o Soneto 142.[4]

Traduções

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Esta é uma tradução próxima à tradução literal, onde a tradutora apenas expôs o poema em 14 versos, em monóstrofe, no formato de um quatorzain, não se prendendo a métrica, ritmmo ou rima.

Ó, não me chames para justificar os erros
Que tua grosseria derrama sobre meu coração;
Não me firas com teu olhar, mas com tua língua;
Usa a força contra mim, e não me mates por capricho;
Dize que amas a outro, mas sob a minha vista,
Querida, evita olhar para o outro lado;
Para que ferir-me com destreza quando usas
Mais força do que eu para me defender?
Deixa-me desculpar-te: “Ah, meu amor sabe bem
Que sua beleza tem sido minha inimiga,
E, portanto, afasta de mim meus inimigos,
Para que de longe lancem suas injúrias”.
Porém, não faças isso; por estar quase morto,
Mata-me agora com teu olhar, e livra-me da dor.[5]

Esta tradução procura se mirar nos detalhes poéticos do poema original, mantendo o formato de soneto inglês e seu esquema rímico, com todos os versos decassílabos em pentâmetro iâmbico, acrescentando-lhe o ritmo holístico.

Ó! Não me chames a explicar o mal,
que a crueldade inflige o coração,
e não me firas com olhar igual;
tens o poder, mas não me mates, não!

Dizes que amas mas, ao teu olhar,
meu coração, contrito, se entretém.
Por que tu feres, a me provocar,
se a sobrecarga logo se contém?

Pedes desculpas, mas meu amor sabe:
essa beleza é quase uma inimiga;
entanto, a inimizade não nos cabe
e injúria já não há que me persiga.

E não me ofendas, quase morto estou.
Mata-me o olhar, mas dor não me causou.[6]

Tradução de José Arantes Junior

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Nesta tradução a busca da estética plástica levou o tradutor a utilizar versos com número igual de caracteres (36 em cada verso), que lhe dão um formato regular se escritos com fonte monoespaçada. No mais, foi utilizado o formato de soneto inglês com seu esquema rímico, acrescentando-lhe um título.

 A língua e o olhar - II

Não pretenda, meus erros, justificar
Os que tua dureza pôs em meu coração,
A tua língua fere mais que teu olhar,
Use poder e não me mate por alegação;

Podes amar outros mas em minha visão
Deves reprimir o brilho do teu olhar,
Ocultando tua chaga com dissimulação,
Isto é mais do que posso conjecturar?

Deixa-me te desculpar de modo formal,
Teu lindo olhar tem sido meu inimigo,
E se tornou adversário de meu visual
Fazendo, das injúrias, o meu castigo.

E como me encontro de modo desolador
Mata-me pelo olhar e livra-me da dor.
[7]

O tradutor preferiu usar versos dodecassílabos alexandrinos, sem um ritmo firme de hexâmetro iâmbico que se aproximaria do original pentâmetro, mas manteve o formato de soneto inglês e seu esquema rímico.

Não ajustes o errado até que ele se estinga.
Tua falsa bondade encarna no meu peito;
Não firas com o olhar mas com a tua língua;
Usa o mesmo poder, não mates desse jeito.

Confessa um outro amor; mas, quando à minha vista,
Não ouses arriscar teus olhos para o lado.
Por que fino ferir, quando a tua conquista
É mais do que o butim que posso ter guardado?

Deixa que eu te perdoe: o meu amor - bendigo,
Que seus olhares são os meus grandes contrários;
De minha face assim tirou o inimigo,
Pois que de outro lugar poderiam ser vários.

Se me couber a vez e assassinado eu for,
Com teus olhos me mata e poupa a minha dor.[8]

Notas

  1. ↑ Duas exceções são o Soneto 99, que apresenta 15 versos, formando 1 quinteto, 2 quartetos e um dístico, e o Soneto 126, que apresenta apenas 12 versos, formando 6 dísticos.
  2. ↑ Há uma exceção, que é o Soneto 145, que usa verso octossílabo em tetrâmetro iâmbico.

Referências

  1. 1 2 «Sonnet 139» (em inglês). Consultado em 9 de fevereiro de 2026
  2. ↑ «O, call not me to justify the wrong (Sonnet 139)» (em inglês). Consultado em 9 de fevereiro de 2026
  3. 1 2 «Shakespeare's Sonnets». Sonnet 139. Folger Shakespeare Library (em inglês). Consultado em 9 de fevereiro de 2026
  4. ↑ «Shakespeare Através das Eras – Os Sonetos». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 9 de fevereiro de 2026
  5. ↑ «Soneto 139». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 9 de fevereiro de 2026
  6. ↑ «Soneto 139 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 9 de fevereiro de 2026
  7. ↑ José Arantes Junior. «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 9 de fevereiro de 2026
  8. ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5