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Soneto 86

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Soneto 86

Was it the proud full sail of his great verse,
Bound for the prize of all-too-precious you,
That did my ripe thoughts in my brain inhearse,
Making their tomb the womb wherein they grew?
Was it his spirit, by spirits taught to write
Above a mortal pitch, that struck me dead?
No, neither he, nor his compeers by night
Giving him aid, my verse astonishèd.
He, nor that affable familiar ghost
Which nightly gulls him with intelligence,
As victors of my silence cannot boast;
I was not sick of any fear from thence.
 But when your countenance filled up his line,
 Then lacked I matter; that enfeebled mine.[1]

–William Shakespeare

Soneto 86 é um soneto componente dos 154 sonetos de William Shakespeare, da série de sonetos escrito ao Belo Rapaz.

Estrutura

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Na forma de soneto inglês[2], composto por 3 quartetos e um dístico, construído com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, foi difulgado no formato monostrófico.

Este soneto final, do “poeta rival”, dá continuidade ao Soneto 85, com algumas imagens do Soneto 80. Neste soneto o poeta explica que seu silêncio não se deve ao medo do rival, mas sim à falta de assunto para escrever.[1] É uma última tentativa do poeta de explicar por que foi silenciado e como as palavras parecem inúteis quando o silêncio é a única expressão decente. O soneto levanta uma série de questões sobre o próprio silêncio do narrador. Ele pondera por que, de repente, se vê incapaz de escrever e se isso se deve à habilidade poética do poeta rival. O narrador reflete sobre o assunto por um tempo, antes de chegar à conclusão, após a "reviravolta" nos dois versos finais, de que não é esse o caso. Na verdade, é a admiração do Belo Jovem pelo poeta que silenciou seus versos.[3]

Traduções

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Foi a vela enfunada de seu grande verso,
Destinado a receber o prêmio de tua preciosidade,
Que meus pensamentos maduros conjuraram,
Matando-os no ventre onde cresceram?
Foi seu espírito, ensinado pelos ares a escrever
Acima de ditames mortais o que me aniquilou?
Não, nem ele, nem seus noturnos confrades
Ao ajudá-lo atormentaram o meu poema.
Nem ele, nem aquele amável fantasma familiar,
Que noturnamente instiga-lhe a inteligência,
Vitoriosos, não podem gabar-se de meu silêncio;
Não adoeci por medo de nada disso.
Mas quando te ergueste para dizer seu verso,
Então perdi o senso – o pouco que eu já tinha.

O túmulo como útero


Como é belo velejar dentro da poesia
Com destino ao prêmio de tua afeição,
Que amadurece as idéias em alegorias
Trazendo, do túmulo, o útero em ação;

Como espírito que ensinou a escrever
Acima do mortal ou do nível da morte,
Não, nem ele, poderia me surpreender
Para roubar, de meu verso, o suporte;

Nem ele, o fantasma sutil e familiar,
Que, à noite, seduz com inteligência,
A minha vitória não deve se orgulhar
Mas não sinto medo de sua influência;

Quando tua feição enche estas linhas
Mais se enfraquecem as faltas minhas.

Era o mastro veleiro do seu verso,
Fronteira para o prêmio que merece,
Que pôs meu pensamento, em mim imerso,
Mudando a tumba em útero que cresce?

Era a alma pelas almas a escrever
Sobre o lance letal que me matar?
Nem ele, nem iguais, à noite os ter,
Para o meu verso, pasmos, ajudar.

Ele, não mais o seu espectro afável,
Que pela noite com talento engana,
Como um vitorioso desfrutável;
Não sou doente, nem lhe temo a gana.

Mas quando o seu semblante o verso encheu,
Faltou-me assunto, o meu enfraqueceu.

Seria a altiva vela do poema
um prêmio pra você, tão preciosa
em pensamentos fortes nesse tema,
ao funeral levando verso e prosa?

O espírito, versado a escrever,
diria a algum mortal que me matou?
Se nele a noite fez por merecer,
meu versos dizem tudo o que restou.

Nem mesmo o espírito familiar,
que à noite mostra todo o seu saber,
do meu silêncio pode se ufanar
porque não tive medo ao conhecer.

Mas, quando o seu semblante me envolveu,
faltou matéria em mim, me enfraqueceu.

Notas

  1. ↑ A tradução foi feita na forma de quatorzain monostrófico, sem atenção a métrica, ritmo nem rima.[4]
  2. ↑ Foi utilizada a forma de soneto inglês com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, acrescentando-lhe um título, optando por trocar o ritmo pelo aspecto espacial, com a utilização de 36 caracteres por verso quando utilizada fonte monoespaçada.[5]
  3. ↑ Na tradução deste soneto, Milton Lins optou por versos decassílabos heróicos num soneto inglês com rimas ABAB CDCD EFEF GG.[6]
  4. ↑ Tradução feita em soneto inglês, rimas ABAB CDCD EFEF GG, versos decassílabos em pentâmetro iâmbico, obedecendo ao ritmo holístico.[7]

Referências

  1. 1 2 Folger Shakespeare Library. «Sonnet 86». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 5 de abril de 2026
  2. ↑ CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro:Edições de Ouro, 1960.
  3. ↑ «Sonnet 86». Poem Analysis (em inglês). Consultado em 5 de abril de 2026
  4. ↑ «Soneto 86». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 5 de abril de 2026
  5. ↑ «Soneto 86» (PDF). Sonetos completos de William Shakespeare. Consultado em 5 de abril de 2026
  6. ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
  7. ↑ «Soneto 86 de William Snakespeare». Consultado em 5 de abril de 2026